Chapitre 3 Voix arabo-andalouse et cueca : imaginer le mélisme et faire sonner le
3.3. La voix arabo-andalouse et la cueca
A tradição do pensamento ocidental ainda carrega muitas das bases construídas por
4 Figura de estilo que reúne duas palavras aparentemente contraditórias ou incongruentes (p. ex., gentileza cruel; belo
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Platão séculos atrás. Platão foi um dos primeiros a estabelecer um parâmetro de verdade para o qual os esforços do homem em busca do conhecimento deveriam convergir e em seu rastro muitos outros pensadores postularam suas teorias epistemológicas. Na era moderna, através de Descartes, Bacon e Galileu vemos o surgimento do método científico e o estabelecimento de um caráter unívoco entre ciência e investigação, isso é, a visão de que a única forma de investigação cabível era aquela feita por meio do método científico. Graças ao método científico foi possível chegar às conclusões consideradas mais acertadas, pois são fruto de observações objetivas submetidas a uma série de testes que controlam sua fiabilidade. De acordo com Zamboni (2012, p. 14):
Sob esse sistema desenvolve-se a ciência atual: tudo preferencialmente é dividido, subdividido, enumerado, classificado, passível de ser contado, de ser medido, tudo deve ser enquadrado em linguagem matemática para poder ser manipulado com maior coerência dentro do modelo.
Essa matriz racionalista faz com que o conhecimento humano tenda a ser rotulado em áreas e subáreas, as divisões e subdivisões alastram-se, as especializações prosseguem em caminhos que parecem não ter retorno. Perde-se a amplidão, ganha-se em profundidade, mas sempre dentro do mesmo modelo reducionista.
Sabemos também que o enraizamento dessa tradição de pensamento serviu para ditar, durante muito tempo, o que é e o que não é pesquisa. Fundamentada no método científico vinculado às ciências experimentais, essa tradição acabou por estabelecer uma hierarquia onde os verdadeiros cientistas são aqueles que trabalham no âmbito das ciências experimentais. Uma vez que o “trabalho sério” era feito por cientistas, os quais também alcançavam os melhores resultados, isto é, resultados objetivos passíveis de serem reproduzíveis, generalizáveis e aplicáveis, fica claro então por que no início do século XX começou-se a falar em Ciências da Educação, Ciências da Linguagem, Ciências Sociais e Ciências Humanas (HERNANDEZ, 2010). Carregar o nome de “ciência” era uma forma de legitimar o trabalho investigativo feito nas diversas áreas do conhecimento. Mas seria a ciência a única forma de investigação humana capaz de trazer bons resultados, e o método científico o único método capaz de produzir boa pesquisa?
De acordo com Mirian Goldenberg (2005), a raiz dessa dicotomia no âmbito das pesquisas em ciências sociais pode ser traçada a partir da tensão entre sociologia positivista e sociologia compreensiva. A primeira, tendo por seus principais teóricos, Augusto Comte e Émile Durkheim, entendia que o objeto das ciências sociais deve ser
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estudado tal qual o objeto das ciências naturais e que cabe ao pesquisador buscar regularidades e leis a fim de compreender tal objeto, sendo a pesquisa conduzida de forma neutra e objetiva. Goldenberg ressalta ainda que a visão de Durkheim acerca dos fatos sociais como “coisas” teve influência decisiva para que as ciências sociais acabassem por adotar uma metodologia própria das ciências naturais. A sociologia compreensiva, por outro lado, distingue entre “natureza” e “cultura” e portanto propõe que a metodologia de estudos em ciências sociais seja diferente daquela das ciências naturais. Wilhem Dilthey, um dos principais representantes dessa corrente segundo Goldenberg (2005), acreditava que os fatos sociais não são passíveis de quantificação, pois cada um tem um sentido próprio, diferente dos demais. Assim, mais importante era, então, a compreensão de casos particulares do que a busca por leis generalizantes. Além de Dilthey, Max Weber também questionava o estudo dos fatos sociais atrelado às metodologias das ciências naturais, propondo inclusive que o pesquisador estivesse engajado na situação social que estudava.
Questionamentos como esses levaram à crise do positivismo e do cientificismo. Percebeu-se que os fenômenos humanos são complexos e fluidos; que não cabem em um laboratório e não obedecem a um único um método. As ações humanas, embora possam ser estudadas, jamais serão completamente previsíveis e cada ser humano, embora carregue muitos traços similares a todos os outros homens, é único e não generalizável. Como conciliar a própria natureza humana com os métodos precisos e matemáticos da pesquisa científica? Não deixaremos de buscar entender o mundo e a nós mesmos, não deixaremos de investigar a realidade, entretanto é preciso repensar os modos pelos quais fazemos isso.
Nesse sentido, o Pós-modernismo teve também sua influência na ciência questionando as teorias já estabelecidas sobre o funcionamento da natureza e da sociedade e, assim, colocou em xeque a habilidade da ciência ocidental de resolver os problemas do mundo. De acordo com Corrine Glesne (2007) a pesquisa qualitativa é afetada de várias maneiras pelo pós-modernismo: questiona-se a natureza “científica” da pesquisa, o papel e autoridade do pesquisador e as formas como a pesquisa é apresentada. Não se trata de uma atitude “anti-ciência”, mas sim a defesa de que a ciência assuma uma postura de autocrítica e de autorreflexão.
Nesse contexto, onde se abrem possibilidades para repensar as formas de conhecimento, de ciência, de pesquisa e a própria epistemologia, é possível, então reconhecer que as artes propiciam um tipo de conhecimento adequado à investigação. De
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acordo com Roldán e Viadel (2012, p.26): "Essa é uma ideia crucial e decisiva para o desenvolvimento das Metodologias Artísticas de Investigação. Se a atividade artística e as obras de arte não são discutidas em suas próprias áreas de conhecimento, então seria muito difícil ou impossível de sustentar seu valor para a pesquisa."
Ainda de acordo com esses autores (2012, p.27):
Este duplo processo de argumentação baseia-se, por um lado, no decurso do pensamento estético ao longo do século XX, alguns de cujas tendências resultaram uma dimensão não apenas expressiva mas também cognitiva da arte, seja através da ligação ao conceito de verdade (Heidegger , 1985; Gadamer, 2000; Vattimo, 1994), ao de experiência (Dewey, 2008), ao de línguagem (Goodman, 1976; Langer, 1966), às sucessivas estratificações de seu significado (Panofsky, 1998) ou à densidade e abertura dos seus sentidos (Eco, 1990); e por outro lado, na intensidade com que as obras de arte são capazes de elaborar o principal objetivo da pesquisa nas ciências humanas e sociais: aprofundar a compreensão e interpretação dos significados dos eventos humanos (Duncan, 1928; García Marques, 1967; Kubrick, 1968; Le Corbuiser, 1929; Lennon, 1971; Picasso, 1937; Pirandello, 1993 [1921]).
O que se vê, portanto, é que existe de fato um contexto que tornou possível a defesa da arte como forma de pesquisa, visto que como apontam Roldán e Viadel desde o século XX já se tem investigado a dimensão cognitiva da arte, além dos questionamentos que têm se colocado sobre o que é ciência e o que é pesquisa. É nesse contexto, portanto, de abertura de novas formas de perceber o conhecimento, novas formas de produzir ciência, e novas visões sobre o homem que a PBA se estabelece.
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