MARC TEÒRIC
ESTIL DIDÀCTIC
3.4 ESTRATÈGIA D’ANÀLISI DE DADES
3.4.2 Anàlisi de modes semiòtics, i les seves interrelacions, en la construcció del cicle d’ensenyament
guiaram a construção do projeto UNILA, entendendo esta fase como inicial quando analisada a universidade em amplo espectro.
A concretização e abertura da UNILA em 2010 confluiu de um trabalho complexo, composto de diversos profissionais desde 2007 por intermédio da Comissão de Implantação da UNILA (CI-UNILA) e sob tutoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR)4. A Portaria nº 43 de 17 de janeiro de 2008 é o instrumento que instituiu a Comissão pela Secretaria de Educação Superior (SESu) do Ministério da Educação (MEC), onde podemos destacar como objetivos a
realização de
‘estudos e atividades para o planejamento institucional, a organização da estrutura acadêmica e curricular e a administração de pessoal, patrimônio, orçamento e finanças, visando atender os objetivos do Projeto de Lei’ (art.2), ‘com o apoio de especialistas, escolhidos por sua competência no âmbito latino-americano e internacional’ e buscando ‘atuar em rede com as universidades brasileiras, em intercâmbio com as instituições universitárias dos demais países da América Latina e organismos de integração regional’ (art.3, parágrafo único) (BRASIL, 2008 apud IMEA, 2009, p. 61-62)
A Comissão teve como presidente o professor Hélgio Trindade, posteriormente o primeiro reitor pro tempore da UNILA, ex-reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e também foi composta por outros 12 membros: Alessandro Warley Candeas, Carlos Roberto Antunes, Célio Cunha, Marcos Ferreira da Costa Lima, Mercedes Loguércio Cánepa, Gerónimo de Sierra, Ingrid Piera Andersen Sarti, Paulino Motter, Raphael Perseghini Del Sarto, Ricardo Brisolla Balestreri, Paulo Mayall Guillayn, Stela Maria Meneghel.
No livro “A Unila em Construção”, publicado em 2009 pelo Instituto Mercosul de Estudos Avançados (IMEA) junto da CI-UNILA, há a expressão de três direções/pilares para o projeto UNILA:
1) interação em termos nacionais e transnacionais de forma solidária e com respeito mútuo; 2) compromisso com o desenvolvimento econômico sustentável, tornando-o indissociável da justiça social e do equilíbrio do meio ambiente; e 3) compartilhamento recíproco de recursos e conhecimentos científicos e tecnológicos com professores e estudantes da América Latina. (IMEA, 2009, p. 16).
Menciona-se, então, que a CI-UNILA traçou princípios ético-políticos para a formalização das ideias contidas nos pilares anteriormente citados. Dentre os princípios apontados, destacam-se
[...] a liberdade para ensinar e pesquisar em uma cultura acadêmica inter e transdisciplinar considerada, hoje, indispensável para a busca de soluções aos desafios latino-americanos; o fortalecimento das relações culturais e a valorização da cultura e da memória latino- americana; a promoção do intercâmbio e da cooperação respeitando as identidades culturais, religiosas e nacionais; a consolidação e aprofundamento da democracia e o maior conhecimento recíproco entre os países latino-americanos visando contribuir para a integração regional. (IMEA, 2009, p. 16).
noções de inter e transdisciplinaridade regularmente se fazem presentes no início de projeção da UNILA como um eixo central da proposta. “A evolução do conhecimento disciplinar para o inter e transdisciplinar, em que pesem a magnitude dos desafios metodológicos, deve ser praticada e perseguida pela Unila.” (IMEA, 2009, p. 17). Esse eixo inter e transdisciplinar de um projeto universitário inserido em um contexto mundial de geopolítica do conhecimento e hegemonia da episteme moderna se destaca por sua tentativa de posicionamento quanto à construção do conhecimento e sua prática se demonstra desafiadora.
Estas noções são relacionadas a outros conceitos igualmente importantes, tais quais “convivência intelectual” e “diálogo intercultural”, este pensado pela CI-UNILA como “[…] um dos pontos nevrálgicos do projeto pedagógico.” (IMEA, 2009, p. 17). Ademais:
Haverá de considerar que a busca da integração passa necessariamente pelo reconhecimento das diferenças entre as diversas culturas da América Latina. Aprofundar o conhecimento das diferenças certamente favorecerá a identificação das convergências que são importantes para a construção conjunta de novos horizontes. A Comissão entende que a análise da especificidade de cada cultura ou subcultura precisa estar presente no currículo da Unila e que sua explicitação e valorização constituir-se-ão os pilares éticos mais significativos. (IMEA, 2009, p. 17).
Assim, percebe-se o destaque dado pela comissão ao aspecto intercultural do projeto inicial da UNILA. Essa intencionalidade nos permite indagar sobre como diversos elementos presentes nas plurais construções identitárias das realidades sociais são majoritariamente excluídos das práticas universitárias tradicionais, apesar de debatidas conceitualmente em seus espaços.
Importante se faz a identificação de um anseio por interação de saberes. Em suas palavras, a “[...] interação entre os saberes elaborados pela academia com os saberes produzidos pelos mais diversos segmentos sociais, com vistas a fazer do conhecimento um instrumento de promoção humana.” Como abordado nos capítulos anteriores, a ideia de saber acadêmico como unicamente válido é um dos pilares da construção da distância para com os demais saberes. A menção dessa interação epistêmica demonstra uma abertura, ao menos discursiva, do projeto inicial da UNILA a esses outros saberes.
quanto ao tema de escolarização terciária na América Latina. É demonstrado como objetivo pela Comissão a ideia de “cooperação solidária” interinstitucional, o que remete a um aprofundamento das relações entre universidades da região, para além dos vínculos tradicionais de mobilidade acadêmica. Vale a pena mencionar a importância deste ponto, uma vez verificada a debilidade dos vínculos universitários da região. Apesar de iniciativas como a Rede da Associação de Universidades do Grupo de Montevidéu (AUGM) e acordos bilaterais entre instituições para mobilidade, não ocorre um transbordamento para outras iniciativas mais profundas e falta uma facilitação burocrático-administrativa quando o tema é a educação superior na América Latina. Desde a dificuldade de validação de diplomas entre os países da região, tema ainda sem um procedimento padrão, até a difusão de sistemas e tecnologias autônomas já existentes em diversas universidades, a integração universitária regional padece de um impulso concretizador.
Após suas três primeiras reuniões, a Comissão de Implantação apresenta a primeira ideia da missão da UNILA como sendo
Contribuir por meio das atividades de ensino, pesquisa e extensão, próprias das instituições universitárias, para uma América Latina mais justa, plural, democrática e solidária, procurando desenvolver (através do conhecimento) uma cultura de integração entre os povos latino-americanos que valorize o estudo de questões sociais, econômicas e culturais, em áreas de interesse comum à região e a inserção soberana do continente no contexto internacional. (IMEA, 2009, p. 74).
Também inserem-se objetivos da futura instituição. Para a CI-Unila, os objetivos da nova universidade seriam:
• Constituir um espaço de diálogo e de reflexão sobre questões emergentes e desafios comuns à América Latina, tornando a Unila um centro catalisador de cientistas e pensadores de várias procedências.
• Promover a integração e cooperação internacional solidária, contribuindo para a geração de uma cultura de paz.
• Desenvolver um projeto pedagógico que enfatize a produção e difusão do conhecimento inter e transdisciplinar.
• Elaborar uma visão prospectiva da sociedade latino-americana, para o fortalecimento da região no cenário internacional.
• Valorização dos saberes tradicionais e das expressões socioculturais dos povos da AL buscando a equidade social e a cidadania plena. (IMEA, 2009, p. 74).
Há que se evidenciar também os princípios orientadores que a CI- Unila, em suas primeiras reuniões, propõe para a estrutura administrativa e de gestão da UNILA, dos quais podemos destacar a não verticalização, a flexibilidade e a multiplicidade de modelos (IMEA, 2009, p. 75).
Quanto à gestão acadêmico-pegagógica, a inter e transdisciplinaridade aparecem com força norteadora para a inovação educacional entre áreas comumente presentes no ambiente universitário desde uma criação coletiva de conhecimentos sobre a América Latina (IMEA, 2009, p. 75).
Feito um breve histórico da idealização da UNILA, enfocaremos alguns pontos sobre a proposta de seu Ciclo Comum. Primeiramente, há que sublinhar o ainda incipiente acesso a dados profundos da UNILA, cujos motivos podem ser resultado tanto de sua existência recente quanto da sua peculiaridade institucional e vocacional, o que complexifica a compilação.