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Alle, Sur Noir Bois, Pré au Prince 2 et les Aiges

Couche 5 : limons argileux de couleur brun-jaune contenant de

3.5 Alle, les Aiges, phase 1

3.6.3 Alle, Sur Noir Bois, Pré au Prince 2 et les Aiges

Herbert Marcuse, em Contra-Revolução e Revolta44, tomando como parâmetro a sociedade norte-americana, discutiu a derrota revolucionária das esquerdas durante a década de 1960 e as bases pelas quais o mundo ocidental iria se redimensionar a partir daquele momento. O filósofo viu aqueles anos como de grande potencialidade revolucionária, enxergando ali possibilidades de transformações radicais. Mas segundo Marcuse, os setores da esquerda norte-americana daquele período não possuíam uma ideologia definida, marxista ou socialista, e não consideravam a classe trabalhadora como força potencialmente revolucionária. Nos Estados Unidos, a luta das esquerdas foi empreendida naquele momento contra uma sociedade democrática e desenvolvida economicamente, mais atraente para uma sociedade conservadora e estável do que a imprevisibilidade do socialismo, e por este motivo foi fadada ao fracasso. Para Marcuse, o fracasso da esquerda norte-americana se deu porque ela não foi capaz de mudar a consciência das pessoas, isto é, sua maneira de pensar e ver o mundo. Para ele, o processo revolucionário implicaria numa necessária mudança da lógica capitalista que estava bastante introjetada naquela sociedade, até mesmo nos setores menos privilegiados. Marcuse fez também uma contraposição à interpretação da esquerda ortodoxa que só qualificava como revolucionárias pessoas diretamente envolvidas no processo de trabalho. A classe operária estava de tal modo integrada ao modo de produção capitalista, que já havia absorvido seus valores e criado uma consciência anti- revolucionária. É marcante nas sociedades capitalistas desenvolvidas o predomínio de uma consciência anti-revolucionária devido aos benefícios que lhes são conferidos nesse sistema. Em termos mundiais, o que se pode observar é que, com o aumento da produção dentro dos moldes do sistema capitalista, também ocorre uma maior intensificação do trabalho alienado e um aumento constante da competitividade, perpetuando o alto padrão de vida de alguns e aumentando assustadoramente o empobrecimento da maior parte da população mundial, que porém ainda luta por se enquadrar no estilo de vida burguês e passa ao longe de uma consciência revolucionária socialista. Aí encontra-se um paradoxo quanto à concepção revolucionária de Marx, que encontrava na classe operária a vanguarda do movimento transformador da sociedade. Com o desenvolvimento cada vez maior da industrialização e tecnologias, a excessiva

produção de artigos diversos garante imagens de um mundo de facilidades, satisfação, deleite e conforto causados pelo trabalho alienante. Todas essas qualidades, antes privilégios das classes abastadas, com o desenvolvimento industrial tornam-se acessíveis às massas que, carentes de uma conscientização das formas de exploração e opressão empregadas pelo sistema vigente, têm um cotidiano distante de revoltas políticas.

No Brasil, no mesmo momento histórico, civilização do automóvel e civilização da televisão em cores podiam ser nomes bastante adequados para denominarmos a sociedade brasileira que vivenciava o período do “milagre” econômico, especialmente a classe média. Aquele momento trouxera benefícios econômicos inéditos, apesar de transitórios. O avanço da industrialização e das facilidades de crédito impulsionaram o consumismo, beneficiando principalmente a classe média. Esse avanço, aliado à repressão da censura levou grande parte da sociedade a um sentimento de satisfação com o sistema político vigente. Dessa forma, naquele momento a ditadura pôde reprimir violentamente os movimentos de contestação armada sem enfrentar grande crítica social. Em tal contexto, a maior parte da sociedade preferia se manter alheia às perseguições, torturas e assassinatos realizados pelo governo contra os seus opositores que lutavam, geralmente, pela derrubada do governo militar e instalação de um governo socialista. Em uma sociedade atraída por um desenvolvimento capitalista que prometia colocar o Brasil numa posição de destaque internacional, não havia um espaço favorável à divulgação das idéias socialistas revolucionárias. A ideologia revolucionária só conseguira arregimentar um estreito grupo constituído essencialmente por estudantes, intelectuais e artistas, setores tradicionalmente críticos da sociedade de consumo e do trabalho alienante e os mais atingidos pelo regime ditatorial em suas realidades cotidianas45.

Na intenção de combater a ideologia comunista e não apenas os militantes de esquerda, o governo militar procurava mostrar que o comunismo era menos interessante para o país do que o crescimento capitalista. O ano de 1970 foi particularmente propício para esse empreendimento, quando a seleção brasileira de futebol conquistou o

45 No estado de ditadura implantando a partir de 1964, sem generalizações, parece-nos que setores que se

colocaram num engajamento oposicionista foram principalmente aqueles que, de alguma forma, se sentiram atingidos em suas realidades cotidianas, pois a censura dificultava sobremaneira o trabalho de alguns artistas e intelectuais - para os quais a liberdade de expressão era inerente às suas produções -, e políticos de partidos considerados esquerdistas também tiveram suas carreiras sumariamente

prejudicadas. Este pensamento, entretanto, não pretende ser injusto com alguns que se tornaram oposição lutando exclusivamente em defesa de suas próprias ideologias.

tricampeonato mundial. Sob as benesses das conquistas esportivas, do “milagre” e da emergência de uma fase de desenvolvimento sem precedentes, o governo militar defendeu o sistema capitalista através de uma contra-revolução interna e, a partir dessa postura, foi desencadeada uma fortíssima repressão sobre os seus opositores com o intuito de afastar a ameaça comunista. A partir da ameaça dos grupos armados, a contra- revolução foi organizada para enfrentar aquela que seria a mais radical de todas as oposições.

Através do progresso tecnológico e das reformas internas, o poder de compra da classe média foi aumentado e isso contribuiu para a diminuição do potencial revolucionário da sociedade e para a criação de um certo sentimento de indiferença à repressão, vista por muitos como necessária para a defesa do país contra o comunismo ou mesmo como semelhante - e não pior - que aquela que os grupos oposicionistas armados pretendiam implantar.

1.4 – UM BREVE BALANÇO DAS VERSÕES DA HISTORIOGRAFIA, DOS