O presente estudo foi efetuado com uma amostra constituída por 332 educadores de infância, sendo que, no total, as respostas foram obtidas de 334 educadores de infância. No entanto, as respostas de dois educadores, por incongruência e falta de consistência das mesmas, foram consideradas inválidas e eliminadas desta investigação. Tentou-se que a amostra fosse o mais representativa possível da população a que pertence, de forma a ser possível generalizar os resultados. Na apresentação dos dados, recorreu-se à utilização de gráficos e tabelas para uma melhor visualização global dos mesmos.
Dos 332 educadores participantes neste estudo e na amostra, 6 educadores de infância correspondendo a 1,8% pertencem ao sexo masculino e 326 educadoras de infância, que representam 98,2% pertencem ao sexo feminino. Confirmando-se neste estudo a predominância de respostas de educadoras do sexo feminino, numa profissão ainda muito ligada socialmente às funções maternais, incluídas nas profissões das mulheres.
O curso de educação de infância foi a primeira opção de escolha de profissão para 85,5% dos educadores de infância, sendo que tiveram 5,7% formação noutras áreas e 3,0% tinham formação inicial em educação básica. Havendo lugar para 5,8% que não tendo como primeira opção a educação de infância, ingressou neste curso e nesta área da formação superior.
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Relativamente à idade dos educadores de infância, a mesma varia entre os 20 e os 50 ou mais anos de idade. A maior incidência ocorre no intervalo de idades compreendidas entre os 31 a 40 anos (34,3%), seguido do intervalo 41 a 50 anos, com 24,4%. A minoria da amostra situa-se no intervalo dos 20 a 25 anos, correspondendo a uma percentagem de 5,1%. O agrupamento de idades apresenta-se com uma curva normal. O gráfico 1, que se segue, ilustra os sujeitos da amostra, distribuídos pela variável “idade”.
Gráfico 1 - Distribuição da amostra em função da variável “idade”
Em relação ao estado civil, a amostra, apresentou-se com uma maior percentagem 52,4% na categoria casados, seguido do solteiro com 26,5%; os restantes estados civis (união de facto, divorciado e viúvo), juntos, não perfazem 1/3 da percentagem (21%) apresentando-se, por isso, como a menor percentagem. O gráfico 2 ilustra os sujeitos da amostra distribuídos pela variável “estado civil”.
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Relativamente às habilitações literárias dos educadores de infância, os resultados são os seguintes 65,7% são licenciados, sendo que o bacharelato, apesar de ainda existir, se apresenta com uma pequena percentagem (4,5%). Por outro lado, o mestrado é a formação contínua mais indicada pelos educadores de infância 9,9%. O gráfico 3 ilustra os sujeitos da amostra distribuídos pela variável “habilitações literárias”.
Gráfico 3 - Distribuição da amostra em função da variável “habilitações literárias”
Quanto ao tempo de serviço dos educadores de infância, nesta amostra, não existem educadores com 3 anos de serviço (0%). A grande maioria dos educadores 83,3%, situa-se a partir dos 5 anos de serviço até mais de 20 anos (83,3%). Os momentos cruciais da profissão são os momentos iniciais, altura em que se manifestam, as dificuldades as dúvidas e a procura dos apoios; os educadores que se situam entre o primeiro e o segundo ano de serviço são 13,2%. O gráfico 4 ilustra melhor esta realidade, distribuindo os sujeitos da amostra pela variável “anos de serviço”.
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Os contextos de atendimento, onde os educadores exercem as suas funções, são bastante equiparados entre os três grandes grupos (rede pública, IPSS, privado). Na rede pública, está a grande fatia de educadores de infância a exercer funções (36,4%). Bem como nas IPSS 34,6%, pois importa referir que as respostas dadas por educadores a exercer funções na Santa Casa da Misericórdia 3,3%, foram anexadas às IPSS quanto à de análise de dados, pois, apesar de terem estatuto próprio, o modo de funcionamento e financiamento às famílias é idêntico entre si, ficando desta forma com uma percentagem total de 37,9%. Esta junção estatística foi operacionalizada por dificuldades em obter as respostas dentro deste contexto de atendimento à infância; assim, as mesmas serão remetidas para as limitações no estudo. Os estabelecimentos privados correspondem a 25,6%.
O gráfico 5 ilustra os resultados da amostra, distribuídos pela variável “contextos de atendimento”.
Gráfico 5 - Distribuição da amostra em função da variável “contextos de atendimento”
Quanto à resposta social onde os educadores de infância exercem as suas funções de docência, a percentagem maior cabe à resposta social do jardim-de-infância com 63,3%. Este resultado, era o esperado visto que, como referido no gráfico 5, anteriormente, 36,4% dos educadores de infância trabalha na rede pública que tem como
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único contexto de trabalho o jardim-de-infância. Trata-se de uma percentagem muito significativa, pois abrange 210 dos educadores de infância da nossa amostra. Relativamente ao contexto de trabalho de creche temos 27,1%, um valor significativo embora comparativamente mais baixo do que com o de jardim-de-infância. Algumas educadoras de infância, pelo facto de assumirem outras funções, tais como, de direção ou de coordenação pedagógica, não têm sala associada, trabalhando como apoio a todas as salas e respetivos grupos de crianças, bem como aos respetivos educadores.
O gráfico 6 ilustra os sujeitos da amostra, distribuídos pela variável “contexto de trabalho”, resposta social ou valência, onde exercem as funções de docência.
Gráfico 6 - Distribuição da amostra em função da variável “contexto de trabalho”
Os educadores de infância foram distribuídos na amostra segundo os seguintes Quadros de Zona Pedagógica (QZP): na Cidade e Zona Norte de Lisboa existem 30,1% de educadores de infância; em Lisboa Ocidental, 19,0% e na zona Oeste 15,4%. A maior percentagem correspondeu a outras zonas pedagógicas não identificadas, pertencendo à área territorial de Portugal (35,5%), podendo ser Braga, Porto, Tâmega, Viana do Castelo, Bragança, Douro Sul, Vila Real, Aveiro, Entre Douro e Vouga, Viseu, Coimbra, Leiria, Castelo Branco, Guarda, Lezíria e Médio Tejo, Península de Setúbal, Alentejo Central, Alto Alentejo, Baixo Alentejo/Alentejo Litoral, Algarve, Açores e Madeira. O gráfico 7 ilustra os sujeitos da amostra distribuídos pela variável “QZP”.
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Gráfico 7 - Distribuição da amostra em função da variável “QZP”
Quanto ao grau de satisfação com a profissão, a questão foi formulada em três níveis de resposta - baixo, médio e elevado. É de salientar que 72,6% dos inquiridos revelaram um grau de satisfação elevado com a profissão que se pode ligar ao facto de os profissionais terem trabalho, uma autovalorizarão da empregabilidade, num momento social e político complexo e com variadas dificuldades e constrangimentos. No que diz respeito aos 2,7% de educadores que responderam ter baixos níveis de satisfação profissional, estes podem ser assumidos por quem está em fim de carreira e vê os seus planos gorados, ou quem, em início de carreira, está descontente com o cenário educativo que encontrou. O gráfico 8 ilustra os sujeitos da amostra distribuídos pela “satisfação na profissão”.
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Por outro lado, educadores de infância referiram como principal tipo de relacionamento mantido com as crianças como compreensivo. Apenas 1 educador ou educadora de infância se auto-avaliou como mantendo um relacionamento com as suas crianças de inconsistente, o que nos poderá levar a refletir, na possibilidade, do efeito da desejabilidade social dada nas respostas, naquilo que a sociedade está à espera que este grupo de profissionais de educação de infância responda e não naquilo que verdadeiramente sente em relação a si próprio e à profissão.