Antes de serem facultadas algumas estratégias prática, deve-se salientar que o destaque na aprendizagem deve ser colocado no «como se é inteligente» e não no «quão inteligente se é», Gardner, (1985, referido por Bahia & Oliveira, 2013). Por isso mais tarde, Gardner (1999, referido por Bahia & Oliveira, 2013), concluiu que existem, entre sete a nove, talvez mais, tipos de inteligências múltiplas independentes umas das outras (lógico-matemática, linguística, espacial, musical, quinestésica, intrapessoal, interpessoal, naturalista e existencial). Na identificação das frangibilidades da teoria das inteligências múltiplas de Gardner, surge como a mais “aceite, divulgada e aliciante” como um meio de permitir individualizar as estratégias de ensino ao considerar que cada criança poderá aprender melhor usando uma dessas inteligências. Desta forma a criatividade abre as portas para se ensinarem os mesmos conceitos de variadas formas. As autoras referem que “resta saber se de facto há múltiplas inteligências ou se há uma inteligência que se expressa em múltiplos domínios do conhecimento” (Bahia & Oliveira, 2013, p. 596-597). Seguidamente, abordam-se as questões mais práticas.
Rief & Heimburge, (2006), na obra intitulada: Como Ensinar Todos os Alunos na
Sala de Aula Inclusiva, referem que tanto o ambiente vivido na sala, como as estratégias
utilizadas, os apoios e as intervenções, podem ajudar as crianças a experienciar e interiorizar sentimentos positivos acerca de si mesmas, e dessa forma, ao sentirem-se capazes, competentes e valorizadas, tornam-se crianças competentes, valorizadas,
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respeitadas e apreciadas pelos outros e por si próprias. São, também, referidas algumas estratégias a adotar para a promoção de ambientes positivos. De forma a facultar pistas aos educadores de infância para melhor lidarem com todas as crianças existentes nos seus grupos. Os autores estabelecem um conjunto de estratégias que se indicam de seguida (p. 178-181). As ideias e as estratégias exibidas, não sendo particularmente novas ou inovadoras, são, no entanto, estratégias simples, conhecidas e baseadas no bom senso, que têm sido usadas já há alguns anos por diversos educadores. Vejamos quais:
Ambiente de confiança;
Disposição da sala de modo a permitir o controlo visual de todo o espaço e das crianças, deixando as áreas da sala com mais procura livres de obstáculos e bastante amplas para permitir a circulação;
Apoio e incentivo de todo o corpo docente e não docente, bem como das outras crianças;
Respeito e apreço pela diversidade (étnica, cultural, religiosa, língua materna, estatuto socioeconómico da família, necessidades especiais de educação, deficiência, género e estilos de aprendizagem);
Expetativas claras e elevadas relativamente às crianças e a todos os elementos que da escola fazem parte;
Apoio da comunidade e dos pais;
Diversidade de estratégias de ensino-aprendizagem que dêem resposta à diversidade de estilos de aprendizagem existentes;
Objetivos de aprendizagem e comportamentais negociados e claros;
Atividades de aprendizagem motivadoras, relevantes e desafiantes (integradas nas orientações curriculares e nas metas de aprendizagem); Grande número de atividades divertidas e envolventes para as crianças; Monitorização regular e frequente do desenvolvimento das crianças;
Educadores afáveis, amáveis, tolerantes, justos, imparciais que se apercebam das diferenças desenvolvimentais e de necessidades das crianças;
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Sentido de pertença ao grupo/comunidade;
Ênfase na cooperação, na comunicação e no reconhecimento dos pontos fortes de todos;
Produtos (trabalhos) das crianças expostos no recinto escolar, aberto às famílias e à comunidade;
Reconhecimento positivo das crianças (ex.: incentivos e recompensas); Expetativas/ modelação de posturas positivas, amabilidade e respeito por
parte das chefias.
Relativamente às estratégias positivas a utilizar dentro de sala com o grupo das crianças. Na obra, referida anteriormente, Como Ensinar Todos os Alunos na Sala de
Aula Inclusiva (2006), evidenciam-se:
Promover um ambiente receptivo a novas ideias; Encorajar as crianças a expressar sentimentos;
Usar técnicas para colocar questões e métodos de partilha, para que todos possam ser ouvidos e possam partilhar a aprendizagem de forma equitativa;
Receber as crianças que entram na sala com um sorriso e cumprimenta-las individualmente;
Elaborar notas pessoais e positivas acerca das crianças para colocar nos cabides ou mochilas, anexar às avaliações periódicas, ou enviar para casa em postais;
Enviar mensagens e notas especiais às crianças reconhecendo os seus esforços e trabalho;
Se o educador sabe quais vão ser as suas crianças antes do início do ano letivo, deve fazer chamadas telefónicas pessoais para se apresentar, ou durante o verão, enviar pelo correio uma mensagem dizendo-lhes que é com prazer que espera vê-los na sua sala;
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Ensinar as crianças e proporcionar momentos para os levar a escrever mensagens positivas, cartas de agradecimento, postais com desejos de melhoras a outras crianças, elementos da escola, professores substitutos, convidados e famílias;
Descobrir o lado humorístico dos acontecimentos e tentar levar o máximo possível de alegria e divertimento para dentro da sala;
Incorporar a literatura na sala, de forma a ajudar as crianças a expressar, compreender sentimentos e emoções tematicamente relacionados com uma variedade de tópicos; tais como: preocupação com os outros, determinação, pertença e aceitação, rejeição e escárnio, desvantagens, perdão e amizade, doença, entre outros;
Telefonar todas as noites, a um encarregado de educação a fim de lhe transmitir informações positivas acerca dos esforços desenvolvidos pelo seu educando e para partilhar boas notícias com os pais;
Ensinar as crianças a fazerem afirmações positivas, elogios e a reconhecer/usar linguagem que promova comportamentos de autoestima e autoconfiança. Podem-se usar estratégias como um gesto combinado, e sempre que alguém adulto/criança consegue estabelecer esses “brilhos” na comunicação, os outros fazem o sinal combinado, como forma de reconhecimento;
Ensinar as crianças a receber elogios de forma adequada;
Analisar comentários negativos e a forma como essas palavras nos fazem sentir. Atribuir um nome a esse tipo de comentários (palavras destrutivas, desencorajadoras, demolidoras) e usar uma palavra/ sinal de aviso, para lembrar as crianças que não se devem expressar de uma forma que cause danos e tristeza aos outros;
Tirar fotografias e filmar as crianças em diferentes atividades regularmente. Mostrar as fotos e vídeos às crianças e aos pais;
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Aplaudir, em grupo, as crianças que resolvem situações, encontram outros caminhos ou estratégias;
Ajudar as crianças a reconhecer os seus pontos fortes e aptidões. Manter um registo ou um perfil daquilo que as crianças sabem fazer bem;
Designar crianças como “peritas na sala”, em relação a certos tópicos ou a aptidões específicas em que brilham ou que especialmente as interessam; Proporcionar múltiplas tarefas e oportunidades para as crianças
evidenciarem os seus pontos fortes; levar a criança a ensinar ao outro aquilo que sabe fazer bem; partilhar os seus passatempos, interesses e afins;
Criar um livro denominado “Os Nossos Pontos Fortes”, tendo cada criança direito a uma página. Cada um pode levar fotografias, escrever ou desenhar acerca dos seus pontos fortes, daquilo que sabe fazer bem, dos traços positivos do seu caráter, entre outros;
Designar duas crianças por semana para serem os responsáveis/ presidentes dessa semana, além de tarefas específicas no seio do grupo; na semana anterior pede-se que levem fotografias e objetos relacionados consigo e que gostariam de mostrar aos colegas e adultos. Pode fazer-se um desenho ou ditar aos pais para que escrevam uma pequena biografia; os pais escrevem também um parágrafo em que partilham aspetos positivos do seu – sua, filho(a). Depois distribuem-se tiras de papéis coloridos entre as crianças da sala para que escrevam algo positivo acerca dessas crianças (traços do caráter, o que pensam que essa criança faz bem, o que gostam e apreciam nessa criança). Estas crianças podem ainda distribuir tiras suplementares por outros membros da família e de elementos da escola e amigos, para juntar às restantes. No final da semana, os comentários positivos juntam-se num cartaz e este pode ser levado para casa;
Associar uma criança com baixa autoestima a uma outra mais nova. A mais velha irá servir de tutor à mais nova. Este tipo de tutorias, bem como
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os sistemas de associação de crianças de diferentes idades, constituem uma excelente forma de impulsionar o desenvolvimento da autoestima em todas as crianças;
Modelar formas de auto encorajamento positivo, especialmente para mostrar como pensar de forma positiva e não desistir quando há frustração; Treinar as crianças a respeitar o esforço e a valorizar o trabalho dos outros, identificando com comentários positivos a produção, antes de se fazer qualquer recomendação no sentido de melhorar;
Muitas salas de Jardim-de-infância têm o seu próprio animal de estimação e uma área de jardim (ou plantas) para cuidar, o que ajuda as crianças a sentirem-se bem com elas próprias e mais próximas do grupo da sua sala e da escola.
Foram referidas algumas estratégias importantes para que, de forma natural e inclusiva, possam beneficiar todas as crianças pertencentes a um grupo ou sala. As diferenças dissipam-se no contato natural, interpessoal e afetivo entre humanos, intimamente com a natureza e o meio envolvente. É, por isso, muito importante criar nas nossas crianças um sentido de obrigação e de responsabilidade no que diz respeito a ajudar os outros. É totalmente importante envolvê-las, sempre que possível, em projetos de serviço comunitário fora da escola com as famílias, igrejas, centros de saúde e serviços locais. Todas as oportunidades para envolver as crianças em projetos de prestação de serviços será de grande importância para a comunidade e para a sociedade. A maior parte dos envolvidos ganha em termos de autoestima e de sentimentos positivos acerca de si mesmos, de cada vez que se dão aos outros.