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FICTION NON MUSICALE DE CARLOS SAURA

DEUXIÈME CHAPITRE : CARACTÉRISATION DES MORCEAUX À TEXTE UTILISÉS

B) Les voix

Inserido num concelho que apresenta elevados padrões de qualidade de vida e trabalho, reconhecidos pelos sucessivos prémios que o Município tem ganho nos últimos anos, o Bairro dos Barronhos, encontra-se “desalinhado” do contexto, apresentando as cinco principais tensões que Guerra (2001: 47-56) considera existirem a nível do urbanismo quotidiano: “1 - A cidade sem qualidade e o urbano sem cidade; 2 - A cidade sem vida; 3 - A cidade dual, ou cidade fragmentada; 4 - A cidade insegura e 5 - A cidade ingerível”

Trata-se da cidade sem articulação, anónima e do mal-estar, que apresenta espaços “guetizados”, sem condições de “cosimento à cidade de grande homogeneidade social e de grande heterogeneidade cultural. Tratam-se de espaços que se tornam rapidamente, espaços de socialização negativa para as crianças e jovens, e que são espaços que vão ter dificuldade de se integrarem na cidade, de pleno direito e de cidadania”. São estes espaços guetizados e mais fragmentados, que todos vão acusar de serem os produtores da grande violência, do grande mal- estar urbano, da insegurança, das inacessibilidades urbanas, que a cidade sofre. Por toda a heterogeneidade e descontinuidade que apresenta é difícil gerir uma cidade, exige muitos recursos, muito ‘know-how; mas também é difícil porque os interesses que se organizam em torno da cidade, não têm tido a capacidade de ser estruturados a partir de um projecto que permita, de alguma forma, a negociação daquilo que é a cidade para todos.” (Guerra, 2001: 47-56).

No entanto, a nível do Bairro foram identificados recursos que poderão funcionar como alavanca para um processo de desenvolvimento local sustentável ao nível do Bairro.

Apesar da ausência de uma identidade definida, sobretudo devido à inexistência de lastro histórico (ausência de convívio e partilha de espaços e preocupações), os quase 3 anos de projecto VIPP, permitiram constatar a existência de condições facilitadoras. Estamos perante uma população que não apresenta animosidades fortes, convive apesar das diferenças, apresenta uma composição

diversificada e com a qual é possível iniciar um trabalho de construção. As maiores necessidades apontadas no Bairro pela própria comunidade – ausência de infra-estruturas de apoio à família e à comunidade, podem constituir-se como um recurso importante. A existência de uma elevada percentagem de idosos e de jovens, devidamente informados e capacitados poderão ser, em momentos diferentes, recurso para a comunidade – oferta de serviços e clientes. Os mais velhos e os mais novos poderão originar um projecto intergeracional, mobilizador de toda a comunidade. De salientar que já se realizaram acções de formação de “Cuidadores Informais” e de “Babby Sitting Social” e que o projecto de continuidade do VIPP assenta nestes pilares.

A localização geográfica e os bons acessos em termos de estradas ao bairro, constituem um factor endógeno importante para a criação de uma dinâmica de integração do bairro na restante comunidade, assim como para atrair a fixação de empresas.

O projecto VIPP, apresenta-se também como um recurso da comunidade, que através da sua acção, funcionará como fertilizador, para a implementação de um processo de desenvolvimento local sustentável. Os eixos e as acções que possui, como é possível verificar no texto abaixo e na Grelha de Apresentação do Projecto VIPP em anexo (Anexo 6), permitem desenvolver, junto de uma comunidade que não possuía, nem conhecia qualquer tipo de apoio, processos de mudança efectiva:

Eixo de Intervenção 1 – Emprego, Formação e Qualificação

Acção 1: Acompanhamento do processo de inserção Acção 2: Apoio ao Empreendedorismo

Acção 3: Acções de sensibilização/informação dirigidas aos agentes económicos e acções de incentivos à articulação entre empregadores, potenciais empregados, escolas profissionais e centros de formação

Eixo de Intervenção 2 – Intervenção Familiar e Parental

Acção 4: Planeamento Familiar

Acção 5: Informação/Formação/Educação para a cidadania e direitos humanos Acção 6: Grupos de auto-ajuda

Acção 7: Acções para o desenvolvimento pessoal, para o treino de competências pessoais e para a gestão familiar

Acção 8: Acções para a definição de projectos de vida

Acção 9: Acções para a identificação e diagnóstico dos factores de stress e risco nas famílias Acção 10: Intervenção em situação de crise nas famílias

Eixo de Intervenção 3 – Capacitação da Comunidade e das Instituições

Acção 11: Apoio à auto-organização dos habitantes

Acção 12: Acções de formação específicas para capacitação institucional das associações existentes no Bairro

Eixo de Intervenção 4 – Informação e Acessibilidades

Acção 13: Acções de formação e acções facilitadoras de acesso às TIC, dirigidas a crianças, jovens, adultos activos e a pessoas com mais de 65 anos

Possuindo como alicerces o Gabinete de Apoio ao Desenvolvimento da Empregabilidade – GADE, que trabalha as questões relacionadas com a empregabilidade da população em idade activa, o

Centro Permanente de Acolhimento e de Inserção - CPAI, que se dedica às problemáticas do

desenvolvimento pessoal e social, à intervenção familiar e parental, ao acompanhamento psicológico, ao lazer, à infoexclusão e ao encaminhamento dos problemas individuais e familiares de toda a comunidade, através do desenvolvimento de acções de informação/sensibilização, ateliers específicos e atendimentos individuais, e os diferentes parceiros, que funcionam como rede, que interagem com o objectivo de dinamizar e de desenvolver a comunidade, pretende-se que o projecto VIPP facilite o processo de empowerment e de participação da comunidade e simultaneamente rompa com os estereótipos da comunidade envolvente acerca da população do bairro, facilitando uma lógica de interacção.

Assim, “Não estamos já a olhar para territórios em declínio, mas para territórios cujo potencial de vitalização está emergente, esperando que um projecto colectivo suportado por actores variados (públicos, privados, nacionais, regionais ou locais) sob orientação pública, permita inovar ao nível das várias dimensões do desenvolvimento económico, social, cultural, arquitectónico e urbanístico, etc.” (Moura et al, 2006: 19).

CAPITULO VII. CARACTERIZAÇÃO DO PROCESSO DE INTERVENÇÃO SOCIAL

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