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CADRE THEORIQUE DE LA RECHECHE

12. L’ ÉVALUATION DES COMPÉTENCES , PARTICULARITÉS

12.2. Q UEL TYPE D ’ EVALUATION PRIVILEGIER POUR EVALUER LES COMPETENCES ?

FREIRE, Laudelino. Quadro Corográfico de Sergipe. 2 ed. Rio de Janeiro/Paris: H. Garnier Livreiro-Editor, 1902. p. 50.

105 SACCHINO, Francisco (R.P.). Historiae Societatis Jesu. In: LEAL, Antonio Henrique.

Apontamentos para a História dos Jesuítas no Brasil. Tomo II. Apud.: Catequese. Aracaju: Secretaria da Educação e Cultura, 1975. p. 17.

ligado à Capitania da Bahia de Todos os Santos, prevalecendo essa condição até o dia 08 de julho de 1820 e confirmado em 1824, com sua emancipação política concluída.

Coube à Igreja Católica, dentro desse projeto de conquista das terras brasileiras, a constituição dos seus “matizes religiosos”, não somente pela criação de instituições eclesiásticas, como também na tarefa de “cingir de devoção e espiritualidade as manifestações inoculadoras da fé, como cerimônias litúrgicas e os festejos religiosos106”.

Riolando Azzi107

avalia esse processo de conquista do território, inclusive pela fé católica, de forma muito precisa. Ainda que se leve em consideração o esforço abnegado e desprendido de alguns missionários, em geral, a empresa religiosa também deixou um legado de violência cultural, e mesmo física, significativo, sobretudo porque a conversão católica implicava num contundente desenraizamento cultural dos povos indígenas e mesmo numa dizimação pela força militar dos conquistadores e até mesmo dos religiosos. Em relação à metodologia dos aldeamentos, por exemplo, Hoornaert afirma ter havido antes doutrinação a pedagogia da fé108.

A teologia tridentina em voga naquele momento propugnava a necessidade de “introduzir os indígenas nos domínios da civilização109”. Isto teve como consequência um considerável choque de culturas e de visões de mundo, entre a chamada cosmovisão indígena e ação imperativa civilizadora dos europeus.

Embora o historiador Adalberto Fonseca dê conta, em seu livro História de Lagarto, da existência de índios Kiriri e do aldeamento110 Tapera de São Tomé, não

106 SOUSA. Avanete Pereira. A Câmara e a Igreja em Salvador. In: Poder Político Local e Vida

Cotidiana: a Câmara Municipal da Cidade de Salvador no Século XVIII. Vitória da Conquista: Edições UESB, 2013. p. 114.

107

AZZI, Riolando. A Igreja Católica na Formação da Sociedade Brasileira. Aparecida, SP: Editora Santuário, 2008. p. 18.

108 HOORNAERT, Eduardo. A Igreja no Brasil Colonial (1550-1800). 3 ed. São Paulo: Brasiliense,

1994. p. 20.

109

AZZI, Riolando. Op. Cit. p. 20.

110 É curioso notar como em Sergipe, os aldeamentos tivessem partido como sendo resultado de súplicas

dos índios para sua iniciação no Evangelho. Para a professora Maria da Glória, com relação a isto houve uma espécie de mitificação de suas missões ou distorção histórica deliberada. Prova disso, é que eles não teriam dispensando a força militar para garantir suas presenças em meio aos índios. Ver. ALMEIDA,

existem maiores evidências que comprovem uma ação missionária de conversão indígena em Lagarto. Ele assinala o ano de 1575 como sendo o da chegada de uma missão jesuíta, sob a condução dos religiosos Gaspar Lourenço e João Solônio.

Os religiosos ainda teriam fundado, segundo Adalberto, mais duas outras igrejas: uma no povoado Santo Antônio e outra, de local desconhecido, chamada de São Pedro e São Paulo. Por conta desses avanços catequéticos, receberam o reconhecimento do Frei Inácio Tolosa de seus esforços desprendidos entre os Kiriri como um dos mais notáveis trabalhos de catequese em Sergipe.

O pesquisador atesta, ainda, que a presença de tais Kiriris se fazia notar nas barrancas da confluência entre os rios Piauí e Jacaré, sob o comando do cacique Suruby. Nesse local, teria sido erguida, pelos religiosos acima citados, uma “igrejinha provisória”, com missa celebrada no dia 3 de março de 1575111

.

O cacique tinha problemas políticos com o Governador Geral Luiz de Brito e procurava se cercar da proteção dos padres jesuítas contra possíveis investidas militares dele. Isto nos parece pouco provável, como veremos mais adiante, pois o clima de belicosidade em Sergipe entre índios e portugueses só ocorre na segunda metade do século XVI.

Adalberto se antecipa em afirmar e narrar uma peleja entre os comandados do Cacique Suruby, que provocou sua morte, e as tropas do Governo Geral. O referido historiador ainda dá conta de outra expedição militar ocorrida mais tarde, em 1586, desta feita contra os comandados do cacique Boipeba112

.

Tais fatos narrados por Fonseca estão às voltas com três problemas: não estão fundamentados em fontes que lhe deem ao menos verossimilhança (sequer as cita) e quando o faz, força uma conexão de sentidos entre fontes que não se complementam ou

Maria da Glória. A Igreja em Sergipe e os “Desfavorecidos”: Possibilidades de Pesquisa. In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe: Aracaju, Aracaju, n. 32, 1993-1999. pp. 61-83.

111 FONSECA, Adalberto. História de Lagarto. Governo de Sergipe, 2002. p. 27. 112

que dizem efetivamente respeito a Lagarto113; não manifesta com precisão os lugares envolvidos, dando vazão a poderem ter ocorrido em qualquer outra parte de Sergipe; e vai de encontro ao que é posto pelos demais escritos sobre a História de Sergipe, que delimitam a última década do século XVII como de efetivação das campanhas militares da Bahia sobre Sergipe.

As informações sobre a presença indígena na Vila de Nossa Senhora da Piedade são ínfimas até a presente data. No que se refere a respeito, geralmente aparecem em percentuais de índices e mapas populacionais da Capitania de Sergipe e mesmo depois durante a Província.

Baptista Siqueira, em importante estudo sobre a presença dos Cariri (kariri, kaririz ou quiriris) no Nordeste, afirma que a sua localização circunscreveu às ilhas e às margens do Rio São Francisco e também ao Sertão Nordestino, não sabendo ao certo sua origem. No que diz respeito ao idioma dos mesmos, é possível perceber nuanças do português e de até mesmo de traços africanos. Citando Elias Herckam, descreve-os como de compleição robusta, de grande estatura, cor natural, amorenado, cabelos negros, caindo sobre os ombros, mulheres baixas, porém de “aspecto gentil”. Coube aos Capuchinhos franceses a sua conversão ao catolicismo114.

Outra significativa pesquisa sobre os índios, em Sergipe, levada adiante pela professora Beatriz Góis Dantas desde o ano de 1968, pode ajudar a esclarecer alguns equívocos referentes à presença de Kiriri em Lagarto e sua relação com os supostos missionários religiosos jesuítas da Igreja Católica.

Sobre os Kiriri, a pesquisadora esclarece que se tratou de um grupo indígena cujo habitat se estendia desde o Paragassu e Rio São Francisco até Itapicuru, afastando-

113 Nem as fontes e nem a historiografia brasileira e sergipana registram a presença da Companhia de

Jesus na Vila de Nossa Senhora da Piedade do Lagarto. O mais próximo que os jesuítas estiveram foi na Vila de Itabaiana, no século XVII. Cf. LIMA JÚNIOR, Francisco A. de Carvalho. Uma Página sobre a Companhia de Jesus em Sergipe. In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. Aracaju, n. 31, 1992. Pp. 177-194.