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TRAVAUX PREALABLES

PARTIE III – R ESTAURATION ET RECONSTITUTION DU LANTERNON

16. TRAVAUX PREALABLES

Trabalhos iniciados com a técnica de grupo: “A Caixa de Surpresa”, que teve por objetivo a interação do grupo e promover uma reflexão sobre algumas dificuldades enfrentadas na atuação dos profissionais. Nem sempre todas as situações são ruins, é possível se deparar com algumas boas surpresas no dia a dia na atuação profissional, como ganhar um bombom. Neste debate, a expectativa é ter abordagens que levam a muitas queixas sobre o acúmulo de tarefas. Porém, nesta técnica é possível refletir também sobre alguns aspectos

positivos do trabalho com a população. Os participantes foram estimulados a falarem de coisas boas e ruins ocorridas na rotina de suas atividades. Houveram muitas queixas, porém também relatos de situações agradáveis como: “um convite para uma festa na comunidade”; “um abraço de um usuário”; “um pedaço de bolo”; “um copo de água fresca.” Ao final, o participante que ficou com a caixa de surpresa sem passar a vez teve o consentimento de abri-la e obteve uma surpresa, um bombom e um bilhete com a seguinte frase: “Nem tudo o que é desconhecido é ruim” e assim finalizou-se este momento com a distribuição de balas. O objetivo de interação do grupo e valorização da atuação do ACS pôde ser considerado alcançado. A interação causada entre os participantes foi possível verificar diante de tantos relatos, como: “Adoro trabalhar na rua, me divirto muito”; “Não sei trabalhar atrás de um balcão, prefiro conversar com pessoas”; “Adoro o que faço, é a minha vida”. Relatos que retratam a importância de enaltecer pequenos fatos que trazem motivação aos ACSs no cumprimento de suas ações. Alguns relatos demonstraram também a alegria de atuar tão próximo da população, permitindo a estes profissionais refletir sobre a importância de seu papel na sociedade.

Na sequência se fez a retomada das discussões da oficina anterior sobre o tema de educação, relembrando a vivência dos diferentes modelos pedagógicos a partir da aplicação de uma outra técnica de grupo, “A dramatização”. Houve a divisão dos participantes em 3 grupos para que pudessem representar os 3 diferentes modelos pedagógicos discutidos na oficina anterior. O objetivo foi sedimentar as discussões; reforçar as diferenças; ressaltar a relevância do processo pedagógico participativo na construção de uma ação coletiva. Temas como: motivação; confiança; coletividade; cidadania foram incentivados e surgiram nas apresentações. A técnica permitiu identificar lideranças; observar posturas e entendimentos sobre o tema. As construções foram livres e o desenvolvimento da

atividade correu de forma satisfatória. Este processo também permitiu ampliar a interação entre os membros dos grupos, fato que serviria de base para a construção conjunta de um plano de intervenção educativa sobre a temática da FMB em uma área de relevância epidemiológica da doença, conforme objetivo principal delineado para o projeto.

A introdução ao tema sobre a importância da Febre Maculosa Brasileira no Brasil e no Estado de São Paulo deu-se com a Técnica de grupo de “Quebra Cabeças”. Esta técnica teve por objetivo identificar o conhecimento sobre a temática no grupo de estimular os participantes a refletirem sobre alguns aspectos da doença que, segundo relatos, não conheciam muito bem, apesar da participação em palestra sobre o tema. A técnica de grupo trata-se de um conjunto de palavras relacionadas ao processo saúde e doença e a transmissão da FMB juntamente com outras palavras que não pertenciam a este grupo temático como por exemplo: carrapatos, mosquitos, abelhas, picadas, parasitismo, mata, criadouros, humano, cão, gato, cavalo, plantas, vasos, capivaras, lago, gramado, febre, dor de cabeça, vacina, etc. Um conjunto de filipetas foram entregues em envelopes igualmente distribuídos para os grupos. A partir do conjunto de palavras, e, após discussão e consenso, cada grupo construiu um painel identificado com as palavras que entenderam representarem a dinâmica da doença. Houve a exposição dos painéis e após apresentação de cada grupo houve também uma discussão conjunta para sistematizar o conhecimento dos grupos sobre o tema. A abordagem utilizada permitiu aos participantes refletirem sobre a seleção de palavras que melhor representassem a forma de transmissão; o tipo de vetor envolvido; a sintomatologia; a forma de tratamento; orientações de cuidados com a doença; e outros aspectos. Constatou-se que mesmo havendo o registro de participação dos ACSs em palestras sobre o tema na UBS, haviam várias dúvidas entre os profissionais. Houveram relatos sobre o desconhecimento da ocorrência

de óbitos por Febre Maculosa Brasileira nas proximidades da UBS do Alvarenga. Foi possível identificar várias dificuldades no entendimento sobre o tema, principalmente em relação a cadeia de transmissão da doença. O fato que diferencia a doença na RMSP é a presença de animais domésticos, enquanto que no interior do Estado a transmissão envolve áreas com presença de capivaras. O envolvimento de capivaras associada a ocorrência da doença foi observado em todos os grupos. Outro aspecto importante foi verificado, a dificuldade de reconhecimento do vetor transmissor, pois nenhum grupo reconheceu que havia mais de um tipo de carrapato transmissor desta doença. A técnica de grupo permitiu uma ampla discussão sobre o tema no sentido de promover um diagnóstico educativo das dificuldades que os ACSs tinham para o reconhecimento da doença na região.

Após a técnica de grupo houve uma exposição dialogada sobre a Febre Maculosa Brasileira na Região Metropolitana de São Paulo e abordagem sobre os casos da área do Alvarenga, com entrega de material educativo sobre o tema e um texto de apoio para leitura individual. O tema seria retomado na oficina seguinte.