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LA TRANSMISSION DU SIGNAL

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5. LA TRANSMISSION DU SIGNAL

LINGUAGEM

A linguagem não é mais do que a ferramenta mais eficaz, flexível e económica que permite ao ser humano apreender, compreender e mobilizar todas as informações presentes no seu contexto imediato. “Pode dizer-se que a linguagem é fundamental no desenvolvimento da criança, já que se ela não é capaz de compreender explicações, ordens, etc., vai ter dificuldades em se desenvolver cognitiva, social, afectivamente” (Ceac, 2004, p.65).

Como assinala Lentin (1990) por uma questão de carácter eminentemente social, a criança desde muito cedo “…tem necessidade de uma linguagem que lhe permita transmitir e receber informações e mensagens.” (p.75), linguagem esta que, inicialmente parece dar maior relevância à oralidade, mas que, com a crescente descoberta do código escrito presente no seu contexto, vai considerando a escrita como um outro sistema de comunicação, com características evidentemente diferentes. A criança em idade pré- escolar utiliza com frequência a linguagem para apreender e compreender o contexto social e físico que a rodeia, valendo-se, para tal, da linguagem oral e da linguagem escrita (Menyuk, 1995).

Assim, quando nos referimos à linguagem fazemo-lo considerando dois grandes processos – linguagem oral e linguagem escrita – que, estando relacionados entre si, apresentam algumas particularidades próprias da sua utilização em situações e contextos diferentes que, como especificam Alves Martins e Niza (1998, p.26) podem resumir-se no seguinte quadro:

Quadro 1 – Características que diferenciam Linguagem Oral e Linguagem Escrita

LINGUAGEM ORAL LINGUAGEM ESCRITA

- supõe uma relação directa entre interlocutores - não supõe uma relação directa entre interlocutores - o contexto de comunicação é conhecido e

partilhado entre os interlocutores

- o contexto de comunicação não é partilhado entre quem escreve e quem lê

- é regulada pela dinâmica que se desenrola entre os interlocutores

- não é regulada pela dinâmica que se desenrola entre os interlocutores

- aquilo que se vai dizer não é necessariamente planificado a priori

- aquilo que se vai escrever deve ser planificado a priori

- traduz-se numa sequência de sons produzidos ao longo de um tempo

- traduz-se numa sequência de marcas organizadas num espaço

Havendo características que diferenciam a linguagem oral e a linguagem escrita, parecem existir elementos que as aproximam e que se concretizam em muitas das actividades que se desenvolvem no jardim-de-infância. Como referem Alves Martins e Niza (1998), “quando, por exemplo, se expõe oralmente um texto que se preparou por escrito, se representa uma peça de teatro, se recitam poemas, está-se a utilizar uma linguagem oral muito próxima da linguagem escrita” (p.29). Da mesma forma, quando o educador escreve aquilo que a criança ditou, ou lê uma história, está a mobilizar linguagem oral e escrita relacionando-as de forma explícita e directa. Para Rog (2001) “uma linguagem oral forte é sempre a base para uma sustentada aprendizagem da leitura. Muitos pequenos leitores não podem ler palavras que não fazem parte do seu vocabulário oral” (p.15). Posição idêntica sustentam Kaderavek e Sulzby (1999), quando referem a relação directa que existe entre as dificuldades na linguagem oral e os problemas de leitura que muitas crianças apresentam quando confrontadas com o ensino formal da escrita.

Como vemos, linguagem oral e linguagem escrita têm elementos que, tornando-os processos ora diferentes ora semelhantes, se traduzem em questões pedagógicas a contemplar pelo educador na concepção e implementação da sua intervenção junto do grupo de crianças. Na prática, estas características da linguagem oral e escrita têm implicações ao nível da construção dos processos de desenvolvimento das concepções infantis e é da “…criação de situações em que a partir da fala se elabora a escrita e em que a partir da escrita se desencadeia a fala…(que se potencializam)…os processos de interacção entre a linguagem escrita e a linguagem oral” (Alves Martins & Niza, 1998, p.30). Neste sentido, é fundamental que no jardim-de-infância se dê particular atenção a esta relação, concebendo situações através das quais se escreva o que se diz e se leia o que foi escrito.

Passemos, assim, a tentar perceber o que se espera, em linhas gerais, do educador de infância na promoção ou potencialização de experiências significativas de aprendizagem no domínio da linguagem oral e escrita.

3.1.- O educador de infância e a promoção da linguagem oral

Ao educador de infância compete, no domínio da linguagem como nas restantes áreas de conteúdo para a educação pré-escolar, criar as condições necessárias para que as aprendizagens e os conhecimentos possam ser construídos de forma significativa na sala de jardim-de-infância.

No âmbito da linguagem oral é fundamental que o contexto da sala de jardim-de- infância esteja impregnado de um clima seguro e aberto, facilitador de processos de interacção e comunicação. É sob este ambiente que a criança se sentirá motivada e confiante para se expressar, utilizando as múltiplas ferramentas de que dispõe para comunicar quer com os adultos presentes dentro e fora da sala, quer com as outras crianças (Tourtet, 1987; Podall & Comellas, 1996; Ministério da Educação, 1997; Bigas & Correig, 2001).

Para que tal aconteça, compete ao educador estruturar a sua intervenção pedagógica concebendo e implementando um projecto pedagógico onde a linguagem tenha um lugar de destaque, quer ao nível da organização e gestão de espaços e tempos, quer ao nível das estratégias de intervenção junto das crianças. É assim fundamental que o educador consiga criar situações que permitam a utilização da linguagem nas suas diversas funções (Bigas & Correig, 2001):

• a função comunicativa: através da exposição de ideias, expressão de sentimentos, descrição de acontecimentos, questionamento, contagem de histórias;

• a função representativa: de ajuda à realização de tarefas e de organização das acções, de categorização e descrição da realidade, de análise e síntese, de opinião e argumentação;

• a função lúdica: de utilização criativa da linguagem.

Concebendo objectivos especificamente orientados para o desenvolvimento das funções da linguagem, processos como a produção, a compreensão da linguagem, a discriminação fonética, a articulação de palavras ou o ritmo e a entoação, constituir-se-ão como pontos de partida para uma intervenção de qualidade neste âmbito. Esta definição do que serão os processos alvo a desenvolver nas crianças desta faixa etária configura o ponto de partida da intervenção do educador, conjugada com as reais necessidades do grupo e a sua própria postura pedagógica permitem aflorar critérios concretos de organização e gestão do contexto educativo.

A intervenção deverá, desta feita, ser pautada por uma criteriosa organização e gestão de espaços e tempos, como já assinalado neste capítulo. Contudo, e dado o seu carácter transversal, a linguagem oral não requer de um espaço e tempo próprios para se desenvolver. As regras gerais pelas quais o educador se rege para a organização do contexto educativo da sala de jardim-de-infância, quando cumpridas, permitem criar um conjunto de condições que contribuem para um desenvolvimento significativo e contextualizado da linguagem oral.

lado, com diversas áreas de trabalho dentro da sala, onde possa contactar com diversos materiais e estabelecer diversas interacções entre crianças e entre estas e os adultos presentes na sala, e, por outro, com espaços fora da sala onde possa desenvolver actividades em grande grupo e com outras crianças da instituição, irá permitir que a linguagem seja utilizada nas diversas situações que se vão sucedendo mobilizando as diferentes funções da linguagem e explorando e construindo questões sintácticas e semânticas da língua. Como referem Bigas e Correig (2001), “…para pensar em actividades onde a comunicação e a linguagem fluam é necessário imaginar um espaço distribuído em âmbitos diferentes para momentos e funções também eles diferentes. Devem existir zonas com mesas e cadeiras, zonas de leitura de contos, com amplas almofadas para se sentarem comodamente e escutar relatos, zonas com material simbólico: a área da cozinha, de alguma profissão, como a do médico, de comprar e vender, etc., a área da biblioteca onde se reúnem as histórias e outros materiais escritos e onde se possa ir livremente, etc. A distribuição deve facilitar a comunicação para todo o grupo…” (pp.67-68).

Em todas e qualquer uma das áreas que possam configurar o espaço da sala de jardim- de-infância, a linguagem oral, pela sua transversalidade, terá lugar de destaque nas actividades que nelas se venham a desenrolar. Ao implementarem o seu trabalho na casinha, na área de jogos, na garagem, na área de pintura, etc., as crianças estarão a interagir entre elas e com o educador, servindo-se da linguagem oral para o fazerem e, até mesmo quando o trabalho parece ter um carácter mais individual, há sempre a necessidade de partilhar algo daquilo que representa um produto do seu esforço.

Desta forma, a organização adequada e criteriosa do espaço físico da sala de jardim- de-infância, independentemente das áreas de trabalho que possa oferecer, afigura-se como um aspecto relevante sobre o qual o educador deve reflectir, de forma a criar um contexto onde o fortalecimento e alargamento das capacidades de comunicação e expressão das crianças seja o mais abrangente possível. É, então, essencial a concepção de áreas de trabalho diversificadas, procurando responder a diferentes interesses das crianças, onde a diversidade de materiais e a sua cuidada organização sejam ponto basilar e onde as crianças tenham acesso facilitado à multiplicidade de experiências que o ambiente lhes oferece.

À semelhança daquilo que acontece com a organização e gestão do espaço, também na rotina diária é importante “…que o contexto de educação pré-escolar forneça ocasiões que motivem o diálogo e a partilha entre as crianças, a partir das vivências comuns”, pois “as interacções proporcionadas pela vida do grupo, em grande grupo, em pequeno grupo ou no diálogo com outra criança ou com o adulto constituem ocasiões de comunicação diferentes…”

(Ministério da Educação, 1997, p.67). Uma rotina que respeita os interesses e as necessidades das crianças em idade pré-escolar, ao contemplar momentos distintos que permitam o desenvolvimento de interacções distintas, está a contribuir para a utilização da linguagem e das suas diversas funções de forma significativa.

A organização da rotina diária atendendo a diversos períodos ou momentos permite, assim, que a criança possa interagir com grupos diferentes: com crianças com as quais gosta particularmente de trabalhar, com outras crianças da sala, com crianças de outras salas, com adultos da sala e com adultos que não estando diariamente na sala são, de alguma maneira, conhecidos. Esta diversidade de interacções implicará a utilização de diversas estratégias comunicacionais por parte da criança de forma a conseguir os seus objectivos: partilhar, cooperar, fazer-se entender.

Se considerarmos a forma como a rotina, em geral, está organizada, podemos distinguir dois grandes momentos: um de trabalho em grande grupo e outro de trabalho em pequenos grupos ou, quando necessário, individual. Os momentos de trabalho em grande grupo permitem, por um lado, desenvolver competências no domínio da formação pessoal e social, na implementação e gestão de regras de convivência social, mas também e, principalmente, competências no âmbito da linguagem oral, ao permitirem uma partilha alargada de pensamentos, opiniões, ideias e sentimentos relativamente a acontecimentos que fazem parte do dia-a-dia do grupo. Como refere Lentin (1990), o momento de trabalho em grande grupo ou momento de linguagem/comunicação é o “…momento de contacto, de grande valor afectivo, momento de pensamento e de percepções comuns em volta de um assunto comum, de uma lembrança, de um projecto, oportunidade de comunicação entre a professora e o grupo-classe destinado a estimular o apetite pela linguagem, o prazer da actividade verbal, ao mesmo tempo de consciência socializante do grupo e o interesse fecundo por um tema bem escolhido” (p.100).

Por outro lado, os momentos de trabalho em grupo reduzido, quer sejam orientados pelo adulto ou de iniciativa da criança, permitem explorar a linguagem oral de forma mais individualizada, atendendo aos interesses e necessidades particulares da criança ou de um grupo reduzido de crianças com características similares. Estes momentos da rotina são especialmente ricos, em termos de linguagem oral, para aquelas crianças que sentem alguma dificuldade em comunicar em grande grupo, porque o contexto é menos intimidatório relativamente à avaliação que o grupo possa fazer da criança que fala ou porque, regra geral, nestes momentos as actividades têm particular significado para a criança ao darem resposta aos seus interesses ou necessidades (Lentin, 1990; Bigas & Correig, 2001).

Uma adequada organização do tempo permite, ainda, e como já foi referido neste capítulo, ampliar os contextos de intervenção e interacção da criança, ao contemplar actividades dentro e fora da sala. As experiências que a criança possa vivenciar noutros contextos que não a sala de jardim-de-infância permitem ampliar a sua linguagem atendendo quer à sua estrutura (sintáctica) quer ao seu conteúdo (semântica), ao criar situações novas que levam a criança a explorar, escutar coisas novas, questionar, conversar, apreender novo vocabulário, etc. (Hohmann et al., 1984; Tourtet, 1987; Bigas & Correig, 2001).

Sendo de fundamental importância a organização de espaços e tempos para o desenrolar de uma intervenção pedagógica de qualidade, quando o educador de infância está perante o seu grupo de crianças deve potenciar as oportunidades que ambos os elementos do curriculum lhe oferecem na concepção e implementação de estratégias directas de intervenção junto desse grupo. Estas estratégias, podendo ser previamente planificadas ou surgindo durante o desenrolar da intervenção, permitirão dar resposta às necessidades das crianças, ajudando a explorar as suas capacidades.

“É no clima de comunicação criado pelo educador que a criança irá dominando a linguagem, alargando o seu vocabulário, construindo frases mais correctas e complexas, adquirindo um maior domínio da expressão e comunicação que lhe permitam formas mais elaboradas de representação” (Ministério da Educação, 1997, p.67). Neste sentido, a participação activa do educador na potencialização e aproveitamento de situações de aprendizagem no âmbito da linguagem oral passa pela concepção e implementação de estratégias, gerais e específicas, ajustadas ao nível de desenvolvimento do grupo e aos objectivos definidos para este domínio no âmbito do projecto pedagógico de intervenção do educador.

Atendendo a que a especificidade das estratégias vai estar directamente relacionada com a situação muito concreta que possa ter lugar no contexto pré-escolar, compete-nos, apenas, enumerar algumas das estratégias de carácter geral que podem ser abordadas nas múltiplas situações e contextos de intervenção do educador, ao longo da rotina diária. As estratégias que propomos para promover a linguagem oral não se esgotam aqui, este é apenas o ponto de partida para a concepção de muitas outras que procurem atender aos processos de compreensão e produção da linguagem oral e que, convenientemente desenvolvidas, permitam uma abordagem contextualizada também à linguagem escrita, pois como já vimos, linguagem oral e linguagem escrita andam de mãos dadas.

Assim, ao educador de infância compete a implementação de estratégias gerais de intervenção directa com as crianças que, entre outros aspectos, permitam (Hohmann et al.,

1984; Tourtet, 1987; Tough, 1996; Podall & Comellas, 1996; Ministério da Educação, 1997; Bigas & Correig, 2001):

• Escutar a criança e valorizar o seu contributo para o grupo;

• Criar oportunidades para explorar o lado lúdico da linguagem: inventar palavras, frases, histórias, brincar com rimas, com lengalengas ou com a fonética das palavras; • Colocar questões de carácter aberto: perguntas que levem a criança a ampliar as suas respostas e a explorar ao máximo as suas capacidades de pensar e falar - perguntas que levem a resposta do tipo dicotómicas (sim/não) limitam a capacidade da criança de transpor, através da fala, ideias e pensamentos de forma cada vez mais elaborada e complexa;

• Promover situações de descrição de imagens: desenhos próprios, imagens de livros, fotografias;

• Promover situações de descrição de situações e acontecimentos relevantes para a criança;

• Mostrar-se disponível para conversar sempre que criança necessite de partilhar alguma informação;

• Promover situações de expressão de sentimentos e de resolução de problemas, especialmente de forma verbal;

• Criar situações onde as crianças possam escutar diversos tipos de textos, onde as diversas funções da linguagem possam estar presentes;

• Criar situações de explicação, leitura e representação de histórias;

• Elaborar oralmente mensagens ou outros textos que possam posteriormente ser escritos.

Estas estratégias gerais de intervenção podem ser implementadas, como foi referido, de forma intencionalmente planificada pelo educador mas, muitas vezes, surgem de forma espontânea no contacto directo e diário com as crianças, de uma forma perfeitamente contextualizada. Contudo, e porque a intervenção do educador é fundamental de forma a promover níveis de desenvolvimento e aprendizagem sucessivamente mais evoluídos, é fundamental que o educador contemple, na rotina diária, momentos específicos onde possa estabelecer um contacto directo com todas e cada uma das crianças. Como referem Bigas e Correig (2001), naquelas situações onde o educador se senta com um grupo reduzido de crianças em volta de uma mesa enquanto estão a realizar uma actividade, as oportunidades de surgirem questões a serem discutidas, conversadas, questionadas e esclarecidas são exponencialmente mais frequentes.

Finalmente, como já foi aqui referenciado, o educador tem um papel chave na concepção de um projecto pedagógico de intervenção que, respeitando necessidades e interesses próprios das crianças em idade pré-escolar, permita conceber e implementar estratégias de organização de espaços, tempos e de intervenção directa com o grupo de crianças que sejam facilitadoras do desenvolvimento de aprendizagens e conhecimentos neste domínio. Mas, especificamente no âmbito da linguagem oral, o papel do educador investe-se de uma outra função primordial que o configura como um modelo a seguir. Neste sentido, ao educador de infância compete “criar um clima de comunicação em que a linguagem do educador, ou seja, a maneira como fala e se exprime, constitua um modelo para a interacção e a aprendizagem das crianças” (Ministério da Educação, 1997, p.66). Desta forma, ao educador cabe efectuar uma reflexão aprofundada relativamente à sua forma de falar e de se expressar antes de começar a comunicar com o seu grupo de crianças; estar consciente do vocabulário que utiliza (palavras que são de difícil compreensão para as crianças, diminutivos em excesso, apenas palavras que as crianças conhecem, etc.), da sua capacidade para articular de forma clara as palavras, da forma como constrói as frases, da sua capacidade para clarificar conceitos novos, do seu grau de receptividade às ideias das crianças, de respeitar o vocabulário próprio do grupo social onde se insere, vai permitir-lhe, partindo daquilo que as crianças sabem e conhecem, comunicar utilizando padrões linguisticamente mais correctos. De idêntica opinião são Stanulis e Manning (2002) quando afirmam que o educador se assume como um modelo que tem uma influência acentuada nas crianças com as quais trabalha. Neste sentido, um educador reflexivo, que considera consciente e deliberadamente o seu papel enquanto modelo, tenta promover um ambiente positivo onde a linguagem verbal e não verbal são referências adequadas para a aprendizagem e desenvolvimento do seu grupo de crianças.

3.2.- O educador de infância e a promoção da linguagem escrita

“A aquisição e a aprendizagem da linguagem oral tem tido até agora uma importância fundamental na educação pré-escolar, pensando-se que a leitura e a escrita só deveriam ter lugar no 1º ciclo do ensino básico. É actualmente indiscutível que também a abordagem à escrita faz parte da educação pré-escolar” (Ministério da Educação, 1997, p.65).

Diversas investigações desenvolvidas no domínio da linguagem escrita com crianças em idade pré-escolar demonstram que a criança, muito antes de ingressar no Jardim-de-

infância, já possui um vasto leque de conhecimentos acerca daquilo que significa ler e escrever e da forma como se escreve ou se lê (Ferreiro & Teberosky, 1979; Alves Martins & Quintas Mendes, 1987; Mata, 1988; Besse, 1989; Alves Martins, 1993, 1996; Rogovas- Chauveau, 1993; Ferreiro, 1997; Tolchinsky & Simó, 2001; Santos, 2001). Essa criança traz consigo um conjunto de conhecimentos relativos à funcionalidade e estruturação da escrita que, podendo ser devidamente diagnosticados pelo educador de infância, servem como ponto de partida para uma acção educativa mais direccionada e centrada nas necessidades e interesses de cada criança e do grupo em geral.

Mas na linguagem escrita, como em qualquer outro domínio do desenvolvimento infantil, não se pretende, neste nível de ensino, um trabalho formal e tradicional. Como apontam Curto et al. (1998), as crianças em idade pré-escolar não devem passar todo o dia sentados numa mesa a escrever e a ler. Pretende-se, sim, que sejam criadas oportunidades onde as crianças possam construir conhecimentos sobre aquilo que significa ler e escrever e sobre a forma como estas tarefas se executam por forma a ir, progressivamente,

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