O objetivo desta seção é definir organizações virtuais, partindo da conceituação de virtual à abordagem de níveis de virtualidade nas organizações expressa por diversos autores.
Antes do advento da computação o termo virtual implicava, principalmente, no potencial para ser ou ocorrer sem de fato existir ou acontecer (VERBO, 2003).
Já com o concepção e o desenvolvimemento da informática o termo virtual passou a indicar algo que “resulta de, ou constitui uma emulação, por programas de computador, de de-
terminado objeto físico ou equipamento” (FERREIRA, 1999). Dentro deste contexto, o autor do
presente trabalho desenvolveu em seu mestrado um instrumento virtual como um “sistema que
realiza a aquisição e processamento de um sinal, através de um microcomputador, emulando
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Outra forma corrente da utilização do termo virtual é para contrapor o real, ou seja repre- senta um
“ambiente simulado por computador, muito próximo da realidade (utilizado
para treinar astronautas, para jogos de vídeo, etc.), que transmite ao operador a impressão de que faz parte desse ambiente e lhe dá a possibilidade de intervir,
através de um equipamento especial criado para esse fim.” (GRANDE. . ., 2003)
Entretanto, nenhuma destas abordagens são aplicáveis às organizações, especificamente para definir organizações virtuais. Assim fez-se necessário uma busca na literatura especiali- zada por uma definição apropriada. Porém, ao se realizar esta busca constata-se a dificuldade de se encontrar um definição única para o termo virtual aplicado às organizações.
Por exemplo, enquanto Davidow e Malone (1993), considerados os criadores do termo “corporação” virtual, conceituam organização virtual de forma a abranger qualquer forma orga- nizacional nova, Byrne (1993) utiliza o mesmo termo para um conjunto de conexões através de sistemas digitais, entre entidades diferentes, que se utilizam de “core competencie” para uma colaboração temporária.
Até mesmo a necessidade de utilização de tecnologias de informação e comunicação não é consenso. Enquanto alguns pesquisadores, como Martin (1996), acreditam que a união através de tecnologias de informação e comunicação é necessária para que organizações virtuais exis- tam, outros negam sua necessidade (COYLE; SCHNARR, 1997) ou não discutem explicitamente esta questão (GOLDMAN; AL, 1995).
Assim, para facilitar o entendimento deste trabalho, se convencionará organização virtual como um conjunto de indivíduos, grupos ou instituições, que, de forma temporária, auxiliado pela tecnologia de informação e comunicação, cooperem de forma a quebrar barreiras de tempo ou espaço (físico ou administrativo), para atender a determinados objetivos.
Esta definição se aproxima da apresentada por Fuehrer apud (BONELLI, 2001)3: “Uma organização virtual é uma rede temporária de instituições independen-
tes, empresas, ou indivíduos especializados que trabalham em conjunto de forma natural através de tecnologias de informação e tecnologias de comunicação sob o
intuito de aumentar seus potenciais individuais e obter “vantagens competitivas”. Eles fazem integração vertical, unificam suas “core competencies” e trabalham como uma organização (ou unidade organizacional)”. (Fuehrer, 1997)
Entretanto, enfatiza-se que esta abordagem pode ser mais sofisticada. Neste sentido, apresenta-se a seguir várias abordagens sobre este conceito.
Watson-Manheim, Crowston e Chudoba (2002) desenvolveram uma definição mais pre- cisa do termo virtual em relação as mudanças ou conservação de variáveis do ambiente de trabalho. As variáveis propostas para análise são a virtualidade dos: empregados, em relação ao empregador, grupo de trabalho e localização física e temporal; grupos, que mantendo o empre- gador quebrem a dependência de localização ou tempo; equipes, que mantendo o contratante podem variar o local de trabalho, seus membros e suas tarefas; organização, que mantendo o contratante interage com pessoas que trabalham para outros ou em outros projetos; e sociedade, que pode ter indivíduos se comunicando sobre assuntos comuns com descontinuidade de tempo e espaço.
Outra abordagem é dada por Panteli e Dibben (2001) que fazem uma revisão da natu- reza das organizações virtuais e de como as tecnologias de informação e comunicação podem transformar as organizações do mundo convencional para o virtual.
Já Cullen (2000) avalia as atuais características de política pública, legal e econômica, em relação a colaboração entre organizações e sugere que as empresas virtuais, como uma nova forma de consórcio, ocuparão espaços de outras modalidades de parcerias, como as joint
ventures.
Como aplicação imediata deste modelo, Offodile e Abdel-Malek (2002) destacam que pe- quenas indústrias podem ganhar competitividade por adotar estratégias de manufatura virtual. Porém, para tal, segundo Hong (2002), é necessário que os sistemas inter-organizacionais faci- litem tal estratégia. Assim, após destacarem que os sistemas existentes são muito complexos ou defasados, propõem uma nova de forma de classificação destes sistemas de modo a determinar sua eficácia, facilitando a formação de organizações virtuais.
Neste sentido, Khalil e Wang (2002) propõe um modelo de gerenciamento de organiza- ções virtuais que explora as vantagens competitivas implícitas neste modelo de organização, que, pode ser traduzido por meta-gerenciamento, que consiste em atividades básicas que envol-
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vem analisar e rastrear os requisitos e fazer ajustes segundo um critério ótimo. Wang (2000), também enfatiza que o gerenciamento de uma organização virtual vai além do simples suporte da tecnologia de informação. Ele propõe a modelagem orientada objeto da organização e a análise da cadeia de valor virtual para propor um modelo de gerenciamento.
Ainda para solucionar o problema de gerenciamento de organizações virtuais Zhugea et al. (2002) propôs um simulador baseado em modelo de workflow por agentes pertencentes a federações para o desenvolvimento de organizações virtuais. O modelo proposto consiste no
workflow por agentes pertencentes a federações, no estabelecimento de regras para mapear o
domínio da organização virtual, em um conjunto de serviços de gerência e o no desenvolvi- mento macro do processo. O modelo proposto unifica o domínio organizacional tradicional com o modelo de sistemas de informação resultando em um modelo de organização virtual, o que habilita o usuário a desenvolver intuitivamente organizações virtuais do ponto de vista do domínio.
Para minimizar incompatibilidades entre organizações virtuais e ajudar as organizações a colaborar entre si independente de estrutura, processos e ambiente computacional, foram pro- postos vários protocolos no NIIIP (National Industrial Information Infrastructure Protocols). Alguns destes foram analisados por Hardwick et al. (2000) permitindo inferir como estes afeta- rão o desenvolvimento de distribuição de dados em formato padrão.
Ainda quanto a abrangência das organizações virtuais, Ip et al (IP et al., 2001) enfatizam que alianças dinâmicas e empresas virtuais são componentes essenciais no processo de manufa- tura global. Entretanto salientam que para se obter sucesso neste modelo é essencial minimizar o risco de seleção de parceiros para o cumprimento dos prazos envolvidos no processo produ- tivo. Eles descrevem e modelam o problema do risco baseado na seleção de parceiros.
Neste sentido Kasper-Fuehrera (2001) apresenta uma teoria de confiança entre diferentes organizações virtuais que foca em como a confiabilidade pode ser construída neste tipo de ambiente. A teoria destaca três pontos para a superação dos obstáculos ao estabelecimento de confiança no contexto virtual, a saber: a confiabilidade das tecnologias de informação e comunicação; o estabelecimento de visão comum do negócio; e uma forte ética de negócio.
Estes dois últimos autores enfatizam a necessidade de confiança entre parceiros para a formação de organizações virtuais. Como a infra-estrutura de chaves públicas pode se constituir na base tecnológica de construção da confiança entre entidades, este tema será detalhado na
próxima seção.