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3.2 Le circuit de la monnaie

3.2.1 La structure du circuit

A depressão é, provavelmente, a mais antiga e mais frequente das perturbações psiquiátricas diagnosticadas (Townsend, 2011). A existência de um período de tristeza ou desânimo é comum entre os indivíduos, sendo uma resposta normal às desilusões ou frustrações do dia-a-dia. São episódios de curta duração enquanto dura o processo de adaptação à perda, alteração ou fracasso (seja real ou percebido) que foi experienciado. A depressão, como quadro patológico, ocorre quando este processo de adaptação não é eficaz.

O Relatório Mundial de Saúde (2008) indica expressamente que a urbanização, o envelhecimento populacional e as mudanças de estilos de vida formam uma combinação entre si tornando as patologias crónicas e não transmissíveis - como por exemplo a depressão – cada vez mais importantes na morbilidade e mortalidade.

Segundo o Diagnostic and Statistical Manual os Mental Disorders – Text Review, 4ª edição (DSM-IV-TR, p. 349), o transtorno depressivo major – depressão – caracteriza-se por um período mínimo de duas semanas durante as quais predomina um humor deprimido ou perda de interesse ou prazer em quase todas as actividades. Nas crianças e adolescentes, o humor pode apresentar-se irritável ou rabugento em vez de triste. O indivíduo pode ainda experienciar pelo menos quatro sintomas adicionais: alteração do

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apetite, do peso, do sono e da actividade psicomotora; diminuição da energia; sentimentos de desvalia ou culpa; dificuldade para pensar, concentrar-se ou tomar decisões ou pensamentos recorrentes sobre morte ou ideação suicida, planos ou tentativas de suicídio. As pesquisas têm demonstrado que há uma relação inversa entre a qualidade de vida e a intensidade da sintomatologia depressiva (Rubio, 2002; Elliot et al, 2003), entendendo- se por qualidade de vida a percepção que o individuo tem sobre a sua vida inserido num contexto cultural e de sistema de valores assim como se rege para poder alcançar os seus objectivos e a gerir as suas próprias expectativas, padrões e preocupações (WHOQOL, 1995).

A faixa etária dos 18 aos 24 anos, período de transicção da adolescência para a vida adulta, é um período com alguma escassez de investigação no que toca à depressão (Lopez et al, 2010). Esta transicção é uma passagem de uma etapa para outra que implica mudanças e como todas as mudanças, em si mesmo, podem ser consideradas momentos de crise que, neste caso, representam a busca de uma nova identidade enquanto adulto jovem, facto que Rubio (2002) refere como estando entre os factores de risco associados à depressão. Um indivíduo deprimido sente-se triste, desamparado, desanimado ou abatido. No entanto muitas pessoas com depressão negam a existência de tais sentimentos que podem surgir de outras maneiras: raiva persistente, ataques de ira, constante culpabilização dos outros ou, uma das manifestações mais comuns, inúmeras dores corporais sem causa médica que as justifiquem (Morais et al, 2010). Podem ainda ocorrer perda de interesse por actividades que antes dariam prazer, passatempos, contactos sociais ou desporto. Ou, no caso dos estudantes, baixa de rendimento académico ou apresentação de comportamentos estranhos ao individuo: desleixo do cuidado pessoal, isolamento, intoxicação alcoólica recorrente, entre outros.

Tendo um conjunto de características comuns, é preciso ter em conta que o termo depressão engloba outras perturbações que se distinguem pela duração, severidade, número de sintomas depressivos, com ou sem alternância de momentos de euforia. Assim, dentro das perturbações do humor podem encontrar-se as perturbações depressivas ou depressão unipolar (que envolvem unicamente a depressão) e as depressões bipolares (que envolvem períodos de depressão e presença de um ou mais episódios de mania) (APA, 2006). As perturbações depressivas incluem a Perturbação Depressiva Major, a Distimia e a Perturbação Depressiva sem Outra Especificação, sendo a primeira a mais severa e com tendência para se tornar recorrendo ou crónica. A Distimia embora menos severa caracteriza-se pela sua extensão temporal (duração de pelo menos dois anos). A terceira, como a própria designação indica, é uma perturbação depressiva que não se enquadra em nenhuma das outras duas situações.

A depressão é uma das perturbações mentais mais prevalecentes e com consequências mais devastadoras para o individuo – pessoais, profissionais e sociais, sendo actualmente a quarta causa de incapacidade em todo o mundo, prevendo-se que entre 2020 e 2030 se torne a segunda e a primeira, respectivamente, causa incapacitante (Murray e Lopez, 1997). Só a perturbação depressiva major afecta cerca de 10% da população americana (International Society for Mental Health Online, 2004). Na Europa, estudos realizados no âmbito do Pacto Europeu para a Saúde Mental e Bem-Estar (WHO Europa, 2008) indicam

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estar a ocorrer um aumento das doenças mentais e que afectam 11% da população europeia, com quase 50% dessas doenças a ter início na adolescência e atinge 10% a 20% da população de jovens adultos. Os diagnósticos clínicos com maior predominância são as perturbações da ansiedade e do humor (Fonseca et al, 2013) enquanto os estudos de Estupiña et al (2012) encontram uma percentagem de 50% de perturbações da ansiedade, do humor e relacionais na população espanhola. Num outro estudo com uma população austríaca, Pirkis et al (2011) mostra uma distribuição por quadros depressivos (29,8%), ansiosos (15,6%) e de co-morbilidade ansiosa e depressiva (26,8%), para 42 % dos participantes com idades compreendidas entre 18 e 25 anos de idade.

Em Portugal o 1º Relatório sobre o Estudo Epidemiológico Nacional de Saúde Mental em Portugal de 2013 (estudo como parte da World Mental Health Survets Iniciative [WMHSI]), coordenado pelo Professor Doutor Caldas de Almeida, mostra, entre outros resultados, que as perturbações de ansiedade são o grupo que apresenta prevalência mais elevada (16,5%), seguindo-se o grupo das perturbações do humor (7,9%). No que se refere às perturbações psiquiátricas encontradas com mais frequência, são fobias específicas (8,6%), perturbação depressiva major (6,8%), perturbações obsessiva- compulsiva (4,4%), fobia social (3,1%) e perturbações pós-stress traumático (2,3%). As perturbações de abuso e dependência de álcool representam uma prevalência de 1,6%. A depressão atinge indivíduos de todas as idades e estratos sociais mas no grupo dos adultos jovens (18 aos 25 anos) a incidência e a prevalência cumulativas dos perturbações depressivos são mais elevados que em qualquer outro grupo etário (Blazer et al, 1994; Kessler e Walters, 1998) sendo reforçado com o facto de haver estudos que indicam que um terço das pessoas com depressão major diagnosticada afirmou que o primeiro episódio ocorreu antes dos 21 anos (Andrews, Szabo e Burns, 2002). Um estudo longitudinal mostrou que os indivíduos que entraram na vida adulta com elevados níveis de sintomatologia depressiva, mantiveram esses níveis durante os anos seguintes (Salmela- Aro, Annola e Nurni, 2008).

Na génese da depressão está a interacção de factores biológicos, psicológicos e sociais. Há factores biológicos como alterações nos neurotransmissores mais concretamente no funcionamento da serotonina, norepinefrina e dopamina (Baldwin e Birtwistle, 2002), alterações que poderão ocorrer por via genética ou hereditária (Levinson, 2006). Sendo estes factores biológicos relevantes na origem das perturbações depressivos, há ainda a considerar os factores psicológicos como sejam eventos negativos, abusos emocionais ou físicos, situações de elevada tensão, pressão e que poderão ser factores fundamentais ao provocar desgaste psicológico e aumentar a vulnerabilidade para as perturbações psicopatológicos. Esta vulnerabilidade aumenta se se verificar uma persistente e importante falta de suporte social (Paykel, 1994).

Há ainda dois outros factores a ter em conta na origem do distúrbio depressivo no indivíduo: o primeiro é o consumo de álcool e drogas na adolescência (Smith e Blackwood, 2004; Fergusson, Boden e Horwood, 2009). O segundo são as características psicológicas como o neuroticismo (Santos, 2011), traço de personalidade que se caracteriza por uma emocionalidade ou instabilidade emocional e vulnerabilidade ao

stress que tem sido associada à depressão (Roberts e Kendler, 1999; Mulder, 2002; Song

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Há um vasto conjunto de estudos que apontam para a associação entre as perturbações depressivos e vários comportamentos de risco (Verger et al, 2009) em grupos populacionais (como sejam os adultos jovens): tabagismo, alcoolismo, ausência de actividades físicas/desposto, sedentarismo, hábitos alimentares pouco saudáveis. Outros estudos sugerem que os comportamentos de risco tendem a agrupar-se ou a co-ocorrer ao invés de serem actos isolados (Rosal et al, 2000).

Num estudo transversal na população francesa, Verger et al (2009) aplicaram o The Decennial Health Survey a 17.355 indivíduos com o objectivo de estudar como se relaciona a co-ocorrência de vários comportamentos de risco (alimentação pouco saudável, sedentarismo, uso de tabaco e álcool). As principais conclusões apontaram para a influência da depressão nos comportamentos de risco, como por exemplo a anedonia (um dos sintomas centrais da depressão) que poderá ser responsável pela diminuição do interesse na própria saúde do indivíduo e pela menor receptividade às mensagens da educação para a saúde, assim como aumentar as dificuldades em para de fumar ou beber ou em iniciar actividades físicas. Ainda segundo os mesmos autores há uma co- morbilidade substancial entre a depressão e o excesso de consumo de bebidas alcoólicas. O alcoolismo surge muitas vezes secundariamente à depressão ou ansiedade, sendo o álcool usado como forma de minimizar os efeitos do afecto negativo. Conclui o estudo que é possível que a depressão altere a própria percepção do risco associado aos comportamentos.

2.2.2 Sintomatologia

A vida universitária oferece a possibilidade de vivenciar novas experiências e, inclusivamente, a ocorrência de mudanças significativas no estudante. Se por um lado é, geralmente, uma perspectiva positiva, por outro (e para outros) tem a sua carga de tensão e stress, que poderão funcionar em sentido contrário à positividade da experiência académica. Se esse afecto negativo, resultante de diversos factores, for prolongado, pode interferir na vida interpessoal e intrapessoal, no funcionamento académico e social e dar origem a perturbações depressivos. Estes apresentam um conjunto de sinais e sintomas que muitas vezes não são reconhecidos, pelo menos precocemente.

A depressão pode afectar o corpo, o humor, os pensamentos e os comportamentos. Pode alterar os hábitos alimentares, a forma como se sente e pensa, a capacidade de trabalhar ou estudar, a forma como se interage com os outros. Da mesma forma que não é um estado de espírito, um sinal de fraqueza ou algo que se consegue afastar apenas pelo facto de querer.

As perturbações depressivas apresentam-se de diferentes formas, variando conforme o indivíduo, o número, a gravidade e a duração dos sintomas.

Depressão Major

Sendo uma combinação de sintomas que interferem com a capacidade de funcionar do indivíduo – trabalhar, dormir, comer, ter prazer no que faz. Os sintomas mais frequentes são:

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 Tristeza, ansiedade e sensação de vazio;

 Diminuição da energia, fadiga e lentificação psicomotora;  Diminuição do interesse ou prazer em actividades habituais;  Alterações do apetite ou do peso (para mais ou para menos);

 Perturbações do sono (insónia, dormir em excesso, acordar mais cedo que o normal);  Sentimentos de desespero, culpa ou inutilidade;

 Pensamentos sobre morte, ideação suicida ou tentativas de suicídio;  Dificuldades na concentração, na tomada de decisões ou de memória;  Irritabilidade ou choro compulsivo;

 Dores crónicas ou dores sem uma explicação física; Distimia

Menos intensa que a depressão major apresenta-se mais prolongada no tempo, com sintomas crónicos menos severos mas que impedem o indivíduo de funcionar plenamente e de se sentir bem. Os sintomas incluem, além do humor depressivo, pelo menos dois dos seguintes sintomas:

 Alteração do apetite (para mais ou para menos);  Alteração do sono (insónia ou hipersónia);  Fadiga ou pouca energia;

 Baixa auto-estima;

 Dificuldades de concentração ou de tomar decisões;  Sentimento de falta de esperança;

 Sentimento de desvalorização;