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: Vers la spécialisation de l’agriculture dans le GATT de 1947

Tentar compreender esse movimento cultural ocorrido na gastronomia de Pernambuco sem voltar as atenções para a mídia e todas as suas implicações, é manter-se na superficialidade dos fatos. Nesses últimos quinze anos, ela foi essencial para a disseminação de informações sobre o alimento e suas representações - cultura, estética, memória, patrimônio, nutrição - sendo responsável, portanto, pelo reforço ao capital cultural do pernambucano.

Num primeiro momento assumindo o papel de difusora de informações básicas sobre os serviços disponibilizados no mercado, e em seqüência objetivando formar um conhecimento mais especializado na área, a mídia conseguiu transformar a gastronomia em sinônimo de glamour nos últimos temposlxxi.

Aos poucos e gradativamente durante as duas últimas décadas, a gastronomia se fez presente no cotidiano do pernambucano em diferentes fontes de comunicação e assim foi conquistando espaço cada vez maior na mídia124 impressa, televisiva, virtual etc. Assunto de colunas sociais ou cadernos específicos dos três jornais locais125 - Jornal do Commercio, Diário de Pernambuco e Folha de Pernambuco; pauta norteadora da Revista Engenho de Gastronomialxxii, especializada na área; além de tema de matérias e colunas em revistas mais diversificadas, como a Continente Multicultural, Fácil Nordeste e Algo Mais, a gastronomia tornou-se informação acessível a todo o público do Estado:

(...) Em colunas sociais, nas páginas comerciais, você observe que no Jornal do Commercio tem uma quantidade enorme de páginas para gastronomia. Quando há assunto são duas páginas enormes com matérias completas. Tem

lxxi

J3: Na verdade, a gastronomia hoje ela é um exemplo muito midiático. (....)

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uma revista do Jornal do Commercio, revista JC; também tem uma página com o Bruno; tem a Revista Engenho; tem um caderno especializado em gastronomia, que é Sabores, da Folha de Pernambuco e tem o Diário de Pernambuco, naquela revistinha da sexta-feira, no fim de semana. Fora o que se tem de nota em coluna, revistas como Algo Mais, mesmo as revistas de assuntos diversos dão gastronomia. A Fácil, a Algo Mais. A gastronomia ela pode estar numa página da Continente, porque gastronomia também é cultura, então se fala de comportamento, de história, através da gastronomia. [G1]

Ao ampliarmos essa dimensão das notícias gastronômicas para níveis nacionais e mundiais, temos, então, outros meios disponíveis para o fortalecimento desse conhecimento: a internet, a televisão126 e o rádio, por exemplo, como propagadores massificadores da informação globalizada. Ademais, o mercado editorial de livros127 está em aquecimento e é comum encontrar nos meios de hospedagem, eventos, e aeroportos, guiaslxxiii e roteiros elaborados com o intuito de oferecer aos visitantes as melhores opções da cidade e do Estado no setor.

Outro importante meio de glamourização da gastronomia através da mídia está na exposição freqüente dos chefs de cozinha. A exposição que começou nos salões dos restaurantes se estendeu para programas de televisão, matérias e entrevistas em jornais e revistas, participação em eventos locais, nacionais e internacionaislxxiv, atendimento a clientes vips128, enfim. Os chefs buscaram formas diversificadas para mostrar seu trabalho e assim valorizar a profissão, sem se descuidar com o conteúdo a ser veiculado. Para tanto, passaram a dispor da assessoria de jornalistas, embora nem sempre este seja um serviço acessível a toda casalxxv:

(...) é fundamental para um restaurante hoje a presença de alguém especializado no assunto, como eu, por exemplo, que faço várias casas (....) quer dizer, aprender com alguém que faça uma consultoria em gastronomia. Agora, engloba a formação e ação de marketing. [G1]

lxxiii

C2: (...) a ABRASEL tem um guia de restaurantes. Então, muitas pessoas hoje querem ter o guia para poder freqüentar vários estabelecimentos (...)

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G2: (...) César Santos é uma pessoa que tem levado o nome de Pernambuco para o mundo inteiro (...) já foi

chef de cozinha da comitiva do Presidente numa das viagens do Lula (...).

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J1: Um restaurante não consegue bancar uma assessoria de imprensa fixa. Não é todo restaurante que consegue, é um custo alto.

Todo esse esforço midiático influenciou a opinião das pessoas, que passaram a visualizar no consumo gastronômico a oportunidade em conquistar status: “(...) dá status conhecer o chef, você saber que está tendo um festival não sei onde, você saber cozinhar, conversar sobre o vinho tal. Isso mudou muito. Tem mudado” [CC2]. Então, é esperado que a movimentação maior de público gire em torno dos estabelecimentos evidenciados por seus chefs. O pernambucano tem despertado o interesse em participar dessa agitação social e para tanto, busca sentir-se parte do todo: “o pernambucano gosta de ir ao restaurante e falar com o chef. Imagina, ser reconhecido pelo chef é o máximo! Não é? (...)” [J1].

A gastronomia virou modalxxvi e agora esse consumo segue tendências. É necessário manter-se informado sobre as novidades129 e usufruir delas. Como moda, algumas tendências são efêmeras, outras clássicas. Alguns produtos são originais, outros, cópias. Exclusividade é para poucos; com o passar do tempo, aquilo que é considerado sofisticado se populariza, ou vice-versa, e o ciclo recomeça com outras propostas130. Em Recife, a moda se uniu à gastronomia, e, portanto, abriu espaço para discussões e críticas:

O Pomodoro é uma comidinha básica italiana, normal. (...) Ser eleito o melhor restaurante de Recife? Não é. Não é de jeito nenhum. Agora, está na moda. (...) e as pessoas vão para lá e é chique você ser visto comendo no Pomodoro. Então, realmente, é muito simbolismo. É muito simbólico. [CC2]

O que importa ressaltar é que essas discussões sobre o assunto possibilitam melhor formação e maior informação de um número crescente de consumidores, elevando seu nível de exigência, e, portanto, tornando-os agentes atuantes nesse mercado.

lxxvi

C2: (...) gastronomia parece que está na moda. É como se você quisesse comprar uma roupa de grife: você vai para um restaurante de grife que está associado com determinado chef.

5.5.

Representatividade da gastronomia nos tempos