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Dans le document ae EMULEX (Page 175-179)

As mudanças verificadas ao longo de décadas nas sociedades industriais em torno da reorganização da economia e do trabalho têm vindo a propiciar mais condições de mobilidade social para os indivíduos, relativamente a países com outras formas de organização social, nomeadamente pelo facto de criarem novas categorias profissionais e assim estimularem oportunidades de mobilidade. A investigação que tem sido realizada internacionalmente permite verificar a existência de “níveis significativos de mobilidade social ascendente e descendente”, muito embora também revele a persistência de formas de desigualdade, em grande parte porque “a origem de classe pode condicionar decisivamente o estatuto social futuro de cada indivíduo” (Almeida op. cit.: 139).

A investigação aplicada ao contexto da sociedade portuguesa nesta matéria ora salienta que, embora se verifique uma democratização, subsiste o peso da reprodução social e das trajectórias descendentes, ora realça a pouca abertura da estrutura social e uma mobilidade social ilusória (Estanque, Mendes 1998, 1999). Relembrando que os modelos de análise da participação cívica apontam o nível de escolaridade como uma importante variável explicativa da propensão dos indivíduos a participar, existindo uma correlação forte entre escolaridade, profissão e rendimento (Putnam 2000; Triandafyllidou, Vogel 2005; Verba et al.

1995; Vogel 2006), os resultados da investigação, em contexto nacional e internacional, não apresentam, contudo, uma convergência no que respeita os efeitos da posse de determinados recursos nas trajectórias de mobilidade.

Numa pesquisa sobre a realidade portuguesa, Estanque e Mendes (1998: 111)59 observaram que os indivíduos até aos 35 anos beneficiaram do factor qualificação escolar em trajectórias de mobilidade. Porém, existe uma diferenciação de situações consoante o sexo: os homens enfrentam uma estrutura social mais rígida e em grande parte mantêm-se na mesma localização de classe do agregado de origem; as mulheres, pelo contrário, beneficiam de uma estrutura mais permeável, que lhes permite maior acesso à mobilidade, sendo determinantes nestas trajectórias o papel das redes e do capital social (idem: 118). Além desta diferença, os autores verificaram também que para a classe mais baixa existe uma relação negativa com a escolarização e uma reprodução da localização de classe, enquanto que na categoria de gestores e supervisores, ainda que o nível de escolaridade seja baixo, caso o indivíduo tenha acesso a redes de conhecimento pessoal beneficia de movimentos ascendentes.

Esta análise converge com os resultados encontrados por Machado e outros (2003) no que respeita as origens sociais dos estudantes do ensino superior, na medida em que observaram que o “recrutamento de raparigas para a universidade [parece] um pouco menos dependente da origem de classe do que o dos rapazes, possibilitando mais acessos a partir de posições mais distantes do mundo da universidade” (Machado et al. 2003: 63).

Ainda focalizada na sociedade portuguesa, a análise das trajectórias profissionais de imigrantes hindus e caboverdianos permite concluir da existência de “caminhos limitados de integração social” para ambos os grupos analisados (Machado, Abranches 2005). No caso particular dos Hindus, as empresas que erigiram com base nas suas redes étnicas permitiram-lhes atingir um certo nível de integração, pela sua “invisibilidade” na sociedade portuguesa, mas também os confinam a

segmentos subalternos do comércio e serviços (idem: 85). Os Caboverdianos, não obstante um grande número ter conseguido progredir no sentido de uma certa estabilização da situação profissional, enfrentam a persistência de precariedade laboral após longos períodos de residência e observam-se raros casos de verdadeira mobilidade social ascendente (ibidem: 84-85).

Alguns estudos internacionais têm demonstrado que o nível de instrução ou escolaridade pode ser um factor chave no processo de mobilidade nas sociedades industrializadas, de onde se destaca o papel da democratização do acesso à universidade (Almeida op. cit.: 140), uma vez que o aumento de competências e de qualificações permite a mobilidade profissional e o aumento de rendimentos. Em Portugal, a análise das trajectórias dos estudantes do ensino superior demonstra que

“[as] classes e fracções de classe com maiores recursos continuam a ter muito mais hipóteses de colocar filhos na universidade. Mas, por outro lado, é possível observar que os cursos analisados são frequentados igualmente por um número bastante importante de estudantes oriundos das fracções da pequena burguesia mais desprovidas de capitais culturais e económicos, e mesmo por alguns provenientes do proletariado. Pela universidade passa actualmente um conjunto significativo de trajectórias sociais de mobilidade ascendentes, fenómeno com impacte não desprezável na reconfiguração da sociedade portuguesa” (Costa et al. 1990: 195).

Pesquisas mais recentes têm confirmado esta tendência de recomposição social vivida no quadro da universidade, em termos de origens de classe dos estudantes, trajectórias e orientações (Estanque, Nunes 2003; Machado et al. 2003; Mauritti 2002), apontando para dinâmicas de mobilidade social que podem ser exemplificadas pelo seguinte indicador:

“em 2001, a probabilidade de um filho de empresários, dirigentes e profissionais liberais ser estudante universitário é “apenas” 7 vezes maior do que a de um filho de operários, enquanto em 1981, (…), essa probabilidade é 35 vezes superior” (Machado et al. 2003: 62).

Contudo, “a classe em que se nasce continua a contar” (Estanque, Nunes 2003: 39), como é empiricamente validado nos dois estudos apresentado de seguida.

Um estudo focalizado nas origens dos estudantes da Universidade de Coimbra (Estanque, Nunes 2003), verificou que as classes privilegiadas são as que têm mais oportunidades de colocar os filhos na universidade e a entrada de jovens de classes trabalhadoras confronta-se com outras “barreiras de classe [que actuam] principalmente na estruturação dos mecanismos de selectividade que operam a montante do ensino superior” e que dificultam trajectórias de mobilidade social (idem: 39).

Num estudo de âmbito mais alargado observou-se também uma tendência de diferenciação classista: “predominância dos sectores de classe mais dotados de capitais económicos, culturais, escolares e sociais, ou seja, as famílias de empresários, dirigentes e profissionais liberais, por um lado, e de profissionais técnicos e de enquadramento, por outro” (Machado et al. 2003: 56). Sublinha-se, ainda, que “o acesso à universidade vai-se tornando cada vez mais provável à medida que se sobe na hierarquia do capital escolar” da família de origem (idem: 65). Por outro lado, embora o acesso ao ensino superior de jovens oriundos de famílias com níveis de escolaridade médios ou baixos reflectir a existência de trajectórias de mobilidade social, tal não implica percursos ascendentes (Costa, Machado, Almeida 1990; Machado et al. 2003).

Verifica-se também a influência do nível de escolaridade do agregado familiar de origem na distribuição dos estudantes por áreas científicas: os estudantes das áreas de ciências médicas e engenharias provêm de famílias com um volume elevado de recursos educacionais, enquanto que os jovens oriundos de famílias com capital escolar mais baixo se encontram sobretudo em outras áreas científicas (Mauritti 2002: 90). Não se constata, todavia, diferenciações significativas relativamente à posse de capital cultural ou económico das famílias de origem entre os estudantes que frequentam o ensino superior público e o privado (idem: 96).

As análises aplicadas ao contexto português confirmam então que o nível de escolaridade, isoladamente, não produz trajectórias de mobilidade social ascendente, situação para a qual Boudon (1979) chamou a atenção. Este autor

alertou para o facto de um filho de operário vir a ter um melhor nível de vida do que o seu pai, mas as oportunidades de aceder ao ensino universitário, comparadas com as dos filhos de quadros superiores, não seriam muito maiores que na geração do seu pai, defendendo que existe uma relação fraca entre nível de escolaridade e mobilidade (Boudon op. cit.: 35).

Os resultados de investigação desenvolvida no âmbito nacional sobre descendentes de imigrantes e escolaridade convergem no sentido de apontar às desvantagens socioeconómicas a causa das experiências de insucesso ou de abandono precoce, não se confirmando a influência de características culturais das origens familiares (Garcia et al. 2000; Queiroz, Gros 2002; Machado, Matias, Leal 2005; Marques, Martins 2005; Tavares 1998). É ainda o baixo estatuto socioeconómico que coloca os jovens numa situação de desigualdade de oportunidades no acesso às novas tecnologias de informação, afectando de igual modo descendentes de imigrantes, jovens imigrantes e jovens portugueses, porquanto o factor crucial não é a experiência de imigração mas sim a vivência de condições propiciadoras de exclusão social (Marques, Martins 2005)60.

É de realçar, então, que tanto as trajectórias de exclusão de jovens portugueses como as de jovens de origem africana são marcadas pelas desigualdades socioeconómicas da família e do contexto social de origem, sendo a instituição escolar incapaz de as ultrapassar:

“Para os grupos mais carenciados cognitivamente, a escola parece cumprir a função de os preparar para a precariedade, desemprego e impregabilidade. Pode assim ser afirmado que o insucesso e o abandono escolar são socialmente selectivos, cumulativos, massivos, precoces e sistemáticos” (Garcia et al. 2000: 206).

No caso dos jovens de origem africana, a tendência para a exclusão assim descrita faz-se sentir de forma exponencial uma vez que têm ainda menores qualificações

60 As novas tecnologias de informação constituem um instrumento pedagógico fundamental na construção de sociedades baseada na informação e no conhecimento, colocando-se, actualmente, aos países da União Europeia e à sociedade portuguesa em particular, os desafios de combater a info-exclusão e de promover a literacia tecnológica como meio de desenvolvimento económico e de coesão social (cf. Rodrigues 2000).

escolares do que os jovens de famílias portuguesas, o que os confina a empregos social e economicamente “desclassificados e desclassificantes” (Garcia et al. op. cit.: 207).

Na verdade, muitos dos estudos hoje considerados clássicos aplicados ao contexto da escola salientam que esta é uma instituição essencial no reforço das desigualdades de oportunidades, pois as aprendizagens que ela transmite não conseguem superar as desvantagens dos indivíduos de estratos sociais mais baixos, apontando para o predomínio de um efeito de reprodução da posição ou estatuto social (Bertaux 1978; Bourdieu 1979; Bourdieu, Passeron s.d., 1964).61 O estudo realizado por Daniel Bertaux mostrou a existência de uma forte correlação entre a origem e a posição social dos indivíduos, em que as condições estruturais se sobrepõem ao papel das escolhas individuais ou familiares, tendo como resultado a reprodução do sistema social e correspondente estratificação em classes dificilmente inter-mutáveis (Bertaux cit. in. Ferreira 1995: 375-376). Os trabalhos de Bourdieu e Passeron (s.d., 1964) desenvolvem uma lógica idêntica: assim como Bertaux sublinhou que a posição social era um destino, Bourdieu e Passeron argumentam que ela é uma herança, ou seja, todos sublinham os mecanismos de reprodução social. A transmissão desta herança assenta na reprodução de uma desigual distribuição dos recursos ou tipos de capital mediada por instituições como a escola, que esta desempenha um papel central na transmissão de capital cultural.

A análise de Sorokin, de cariz funcionalista, partilha com as teorias da reprodução anteriormente referidas a ideia de que a mobilidade resulta do conjunto de interacções entre as estruturas sociais e as instituições que regulam a selecção social, de onde se destaca a escola. O autor introduziu o conceito de “mecanismos de selecção” para designar os processos mediante os quais as instituições procedem à escolha dos indivíduos para determinadas tarefas e posições sociais,

61 O que é confirmado por investigação recente aplicada ao contexto da imigração, apresentada adiante.

consideradas necessárias à manutenção da sociedade (cit. in Ferreira et al. 1995: 369-370).

Boudon dirige várias críticas às abordagens da estratificação social que enfatizam os factores de reprodução. Argumenta que as concepções sociológicas que analisam os fenómenos sociais como consequência dos efeitos da estrutura social fazem da Sociologia uma ciência dos determinismos sociais (Boudon 2001a: 35). A opção pelo individualismo metodológico justifica o modo como o autor explica a mobilidade social: como sendo o resultado de múltiplas decisões individuais, da agregação das várias decisões (que podem ter efeitos inesperados) e das características das instituições e da estrutura social (Ferreira et al. 1995: 376). Apesar dos resultados da sua investigação não descurarem o papel das variáveis estruturais, esta abordagem, em contraste com as anteriores, acentua as oportunidades de mobilidade por via da decisão do actor. Além disso, sublinha a importância de se analisar de que modo os diferentes factores se agregam e intervêm no processo, com vista a compreendermos situações contraditórias e paradoxais, tal como a “imobilidade da mobilidade” das sociedades industriais:

“(…) l’immobilité de la mobilité dans les sociétés industrielles peut apparaître comme contradictoire avec le changement «accéléré» qui caractérise ces sociétés et suggérer des interpretations scientifiquement naives, volontaristes (action d’un tout puissant groupe dominant) ou finalistes (faculté de reproduction des structures sociales). L’équilibre de la mobilité, (…), peut au contraire être expliqué par l’agrégation de mécanismes élémentaires” (Boudon 2001b: 311).

Weber, por sua vez, admitia a multiplicidade de condicionantes sobre as acções colectivas e incluía na sua análise das desigualdades a subjectividade e a compreensão do actor (Ferreira et al. op. cit.: 358), o que pode ajudar a compreender situações específicas, nomeadamente as que “rompem” com os determinismos sociais.

Os estudos recentes que se centram na análise do capital social como instrumento de mobilidade incidem sobretudo na relação entre a posse deste e a mobilidade

profissional. A investigação empírica tem permitido confirmar que o acesso do indivíduo a redes extra-familiares proporciona novas oportunidades no acesso ao mercado de trabalho, criando hipóteses de mobilidade social ascendente (Portes 2000: 143-144).

Nesta matéria, destaca-se o contributo de Granovetter (1974, 1983, 1995) que desenvolveu nos anos 1970 uma teoria que se revelou tão profícua pela investigação posterior que incentivou como, sobretudo, por avançar um argumento à primeira vista paradoxal. Para este autor, as redes entre meros conhecidos (exteriores à família, aos amigos e aos vizinhos) constituem laços fracos por implicarem menor intimidade e menor número de interacções. E é exactamente nessa característica que reside o seu contributo, pois permitem alargar as possibilidades dos indivíduos saírem dos seus círculos de origem e acederem a novos espaços sociais. A sua tese define-se como a força dos laços fracos e tem sido empiricamente fundamentada em estudos sobre mobilidade profissional.

Outros estudos que se basearam na tese da “força dos laços fracos”, confirmaram que a existência de contactos e de redes fora do círculo social mais próximo está relacionada com uma maior “flexibilidade intelectual”, que permite aos indivíduos adaptaram-se às complexidades do meio onde se inserem (Coser cit. in Granovetter 1983: 204). Estes resultados levam Coser a definir os laços fracos como “sementes de autonomia individual”, confirmando a argumentação de Simmel de que a interacção com múltiplos círculos sociais permite ao indivíduo confrontar-se com diferentes expectativas ao mesmo tempo que constrói uma identidade original e íntima (“an inner core”) (idem: 203). São argumentos idênticos que levam Blau (op. cit.: 220) a defender que os laços fracos permitem estimular a interacção entre grupos sociais diferenciados e, consequentemente, a coesão social.

No entanto, Granovetter também defende que os laços fortes, ou seja, os laços entretecidos no seio da família, com os amigos e os vizinhos próximos,

desempenham funções positivas, nomeadamente em situações de fragilidade económica, sendo usualmente utilizados por grupos desfavorecidos como forma de apoio mútuo ou de “estratégia de sobrevivência” (op. cit.: 209-213). Na verdade, as relações sociais entretecidas pelos residentes de bairros pobres podem ser transformadas em capital social positivo, porque induzem um sentimento de bem-estar ligado à preservação da identidade do grupo (Small 2004).

Esta argumentação aproxima-se da investigação sobre estratégias empresariais de imigrantes, que tem sublinhado que os laços ou redes inerentes aos círculos sociais de origem dos indivíduos podem actuar de forma positiva, uma vez que o capital social resultante da existência de redes de base étnica funciona como um recurso chave para a criação de empresas. Estes resultados, segundo Portes (2000: 144) opor-se-iam à tese de Granovetter pois defendem “a força dos laços fortes”. A situação anterior é verificada no caso dos imigrantes chineses em Portugal (Oliveira 2005; Rocha-Trindade et al. 2006; Teixeira 1996).

Os laços afectos aos círculos sociais de origem podem funcionar como capital social positivo quando não existem possibilidades de acesso a redes exteriores para esses indivíduos, nomeadamente em contextos sociais marcados por fortes desigualdades de oportunidades e discriminação social ou étnica. Investigação empírica demonstra que as famílias podem compensar a ausência de redes exteriores com o reforço do apoio familiar, que passa pela preservação dos traços culturais de origem, tanto no caso dos imigrantes de primeira geração (Portes 2000: 146) como nos descendentes (Zhou 1997: 90).

No entanto, uma elevada densidade de laços familiares e do círculo social de origem pode provocar uma nivelamento descendente, porque os indivíduos não têm expectativas de sucesso e de promoção social e adoptam condutas que confirmam as desvantagens de partida62 ou porque não conseguem aceder a redes que lhes permitam alcançar uma melhor posição, ficando “presos” a condições da

62 Confirmando o princípio da profecia de auto-realização, isto é, os comportamentos ajustam-se às baixas expectativas que têm de si próprios, ou que terceiros lhes atribuem, e os resultados que atingem reforçam a condição social desfavorecida de origem.

estrutura social que impedem a ascensão de grupos que enfrentam, à partida, desvantagens de recursos (Bordet 2001; MacLeod 1995; Portes 1999, 2006; Portes, MacLeod 1999). Isto explica grande parte dos problemas de integração com que se vêem confrontadas as gerações de descendentes de imigrantes e de jovens negros em vários países de imigração, como sublinhado em diversos estudos que questionam

“as afirmações generalistas que atribuem às subculturas juvenis a responsabilidade por comportamentos desviantes, mostrando que tanto o acesso a empregos estáveis como a participação em actividades desviantes são mediados por redes. (…) no caso da juventude negra, essas redes são muito fracas, visto que na geração adulta são raros aqueles que ocupam posições influentes. Abandonados aos seus próprios recursos, os adolescentes negros raramente conseguem competir com sucesso por bons empregos estáveis, ficando desta forma disponíveis para formas alternativas de rendimentos” (Sullivan cit. in Portes 2000: 145).

A estratégia de investimento nas redes étnicas e os seus efeitos podem, então, ser diferenciados consoante o estatuto social:

“For immigrant children and children of immigrants, growing up American can be a matter of smooth acceptance or of traumatic confrontation. (…) When immigrants enter middle- class communities directly, or after a short transition, it may be advantageous for them to acculturate and assimilate. When they enter the bottom of the ethnic hierarchy of drastic social inequalities (…), young immigrants or children of immigrants may benefit by cultivating their ethnic ties in their ethnic communities to develop forms of behaviour likely to break the cycle of disadvantage and lead to upward mobility” (Zhou 1997: 90-91).

Comparar as vantagens das redes étnicas face a condutas tendentes a trajectórias mais assimilacionistas insere-se na discussão que opõe a importância das culturas de origem dos imigrantes e descendentes por oposição a variáveis socioeconómicas e estruturais do contexto onde estes se inserem, mas a investigação produzida não tem oferecido resultados conclusivos (Vermeulen 2001). A análise do papel exercido pelas características culturais dos grupos de imigrantes na sua integração no país de acolhimento, bem como dos seus descendentes, ou ainda em processos de mobilidade social, deve ser articulada

com a análise das circunstâncias históricas que precederam a imigração e com as mudanças estruturais do contexto social onde passaram a estar inseridos. As próprias lógicas e expectativas dos imigrantes, associadas à cultura de origem, são passíveis de mudança face à influência da sociedade de acolhimento (idem: 44). A contradição entre ligação à cultura de origem versus assimilação e os seus efeitos na integração social está patente numa pesquisa sobre jovens portugueses e luso-descendentes no Canadá (Oliveira, Teixeira 2004). Os autores concluíram que os jovens rejeitam a língua e a cultura portuguesa e na sua maioria não vêem os benefícios da retenção cultural, revelando-se, pelo contrário, em “perfeita sintonia com a cultura dominante, por ela demonstrando a maior estima e admiração, e com ela revelando um elevado grau de satisfação” (idem: 214-215). No entanto, estes jovens apresentam níveis de escolaridade bastante baixos, que determinam uma grande vulnerabilidade no mercado laboral, e não beneficiam dos possíveis efeitos positivos dos “enclaves étnicos” (observáveis em estudos sobre outros grupos, nomeadamente o de Portes 1999), pelo facto da generalidade das empresas criadas por imigrantes portugueses não terem capacidade de oferecer oportunidades de emprego alternativas às da economia dominante (idem: 213).

O conjunto de resultados expostos aponta para uma eventual relação entre diferentes tipos de recursos. De acordo com Coleman (1988), a posse de capital social condiciona a aquisição de capital humano, ou seja, o acesso a redes sociais

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