• Aucun résultat trouvé

Maintaining FCC Class A Compliance

Dans le document ae EMULEX (Page 64-73)

LED3~AIlJB

INSTALLATION CHECKLIST

4.4.1 Maintaining FCC Class A Compliance

A recolha de cada história de vida foi efectuada a partir de múltiplas entrevistas. Em regra, foi necessário um mínimo de duas entrevistas para esta etapa, dependendo também da disponibilidade de tempo para cada sessão por parte dos sujeitos inquiridos e as características comunicacionais de cada um/a. O número de entrevistas realizadas resultou também do sucesso da tarefa de desocultação de matéria implícita e nem sempre presente na memória dos indivíduos, sendo necessário a escuta e a interrogação atentas da investigadora para essas experiências serem verbalizadas e explicitadas.

Para ir ao encontro das trajectórias associativas, a pesquisa constituiu-se como um trabalho de extracção de memórias, estando aí subjacente a pluralidade de

significados e interpretações, fruto da complexidade e da não linearidade das histórias de vida relatadas e (re)elaboradas pelos seus protagonistas:

“A genealogia é cinza; é minuciosa e pacientemente documentária. Trabalha com pergaminhos embaralhados, riscados várias vezes e reescritos. (…) Seguir o filão complexo da proveniência é (…) manter o que se passou na dispersão que lhe é própria: é demarcar os acidentes, os ínfimos desvios – ou pelo contrário as inversões completas –, os erros, as falhas na apreciação, os maus cálculos que deram nascimento ao que existe e tem valor para nós” (Foucault cit. in Joaquim 2006: 141).

Embora as histórias de vida impliquem muito pouca directividade na condução da entrevista, procedeu-se a uma articulação de estilos, estratégia usual no método de histórias de vida e variável consoante o avanço da investigação (Digneffe 1997: 222). Assim, de uma não directividade inicial, como forma de dar espaço e oportunidade à pessoa para falar sobre a sua experiência a partir de uma questão muito geral (como se deu o envolvimento no associativismo), passou-se para uma maior directividade em momentos onde se procurava clarificar aspectos que o indivíduo referia vagamente ou sobre os quais a investigadora pretendia obter mais informação, de modo a tornar explícitas semelhanças ou especificidades nos diferentes casos.

A entrevista para a recolha das histórias de vida baseou-se num roteiro23 que contemplava os seguintes elementos (vd. “Roteiro entrevista”, em anexo):

- perfil do/a entrevistado/a;

- história associativa (início e desenrolar da trajectória associativa; pessoas e factores facilitadores, em relação com as dificuldades encontradas);

- experiências significativas (o que se aprende, com quem, como se aprende);

23 Expressão inspirada em Viegas (1990), tendo em conta a grande diversidade terminológica existente neste campo.

- papel da participação associativa na vida do sujeito (contactos, conhecimentos, formação, emprego ou profissão, planos de futuro); - balanço (oportunidades de participação face a obstáculos, no que

respeita ao papel do Estado e ao papel da sociedade; condições de vida; aspectos pessoais; factores externos, em relação com factores internos). Por último, deverá ser referido que sempre se colocou ao sujeito a oportunidade para focar questões que entendesse serem importantes e que não tivessem sido consideradas. Em regra, não foram introduzidos novos temas, mas sublinharam-se alguns aspectos já referidos na entrevista.

A recolha deste conjunto de informação permitiu organizar as histórias de vida em elementos estruturais passíveis de ser identificados e analisados, em cada uma delas, e a proceder à comparação destes elementos nos vários relatos, explorando os factos, as relações entre vários aspectos e as interpretações enunciadas por cada sujeito. Considerando que a análise de conteúdo assume uma “função heurística”, que enriquece a tentativa exploratória, bem como uma “função de prova”, que permite a confirmação ou infirmação das questões colocadas na pesquisa (Bardin 2007: 25), procedeu-se à organização da matéria-prima empírica em torno das questões apresentadas adiante, de modo a responder aos objectivos de investigação (vd. Parte I, Cap. 3):

- que história é contada?

- o que aconteceu, a quem, como, porquê? - que consequências teve?

- que significados têm/tiveram os acontecimentos descritos? - qual ou quais os resultados finais (previstos ou não)?

Na acepção de alguns autores, poderíamos designar as entrevistas realizadas com vista à recolha das histórias de vida como “entrevistas focalizadas”, tendo como

objectivo compreender uma situação específica e sendo para tal orientadas para questões do tipo “o quê”, “quando”, “como”, “porquê”, “com que consequências”, de modo a juntar os pedaços da história fornecida por cada pessoa e chegar à elaboração de uma explicação coerente da situação ou comportamento em estudo (Rubin, Rubin 2005: 11).

Uma segunda etapa desenvolveu-se depois de terem sido recolhidas todas as histórias de vida e no seguimento de uma leitura flutuante, que apoiou a primeira tentativa de análise transversal dos relatos. Após a interpretação dos dados, os indivíduos foram de novo interpelados com o intuito de beneficiar dos seus comentários para complementar e enriquecer a análise e, também, verificar a plausibilidade das questões enunciadas. Para tal recorri ao que poderá ser designado por questões de contraste, que “permitem aos informantes discutir os significados de situações e dar-lhes uma oportunidade para comparar situações e acontecimentos” (Burgess 2001: 122).

As entrevistas realizadas após a recolha das histórias de vida permitiram-nos colocar novas questões para confirmar se as hipóteses plausíveis em determinados casos eram generalizáveis a outros, ou seja, para identificar singularidades e traços comuns e, também, para reforçar a validade interna e externa da pesquisa na medida em que a “repetição das entrevistas é condição necessária para o aprofundamento da informação e seu controlo” (Poirier et al. 1999: 50). O controlo da validade dos dados pelos actores constituiu uma estratégia intencional tomada antes de iniciar o trabalho de campo e que foi apresentada a cada participante. Os actores identificados com vista a prosseguir este objectivo podem englobar não só os sujeitos directamente envolvidos na pesquisa como também os que detêm uma posição periférica relativamente aos acontecimentos analisados (Lessard-Hébert 1994: 77).

Nesta perspectiva, tomou-se a opção de realizar uma entrevista com o Gabinete de Apoio Técnico às Associações de Imigrantes, integrado no Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (vd. “Guião entrevista”, em anexo), com

o duplo objectivo de obter uma visão do activismo associativo complementar ao olhar traçado pelos protagonistas no relato das suas trajectórias pessoais e uma análise, de um ponto de vista mais institucional, da evolução do associativismo de imigrantes e descendentes em Portugal.

Importa referir que ao estabelecer contacto com os indivíduos que pretendia envolver na pesquisa, em regra por via telefónica ou por correio electrónico, fez- se uma apresentação geral da investigação que iria ser realizada, tendo sido preparado um resumo com a apresentação dos objectivos, da metodologia e das etapas a percorrer (vd. “Apresentação da pesquisa”, em anexo).

Este documento foi oferecido aquando do contacto inicial para realizar a primeira entrevista ou ainda em encontros prévios à sua marcação (quando a comunicação decorreu por meio de correio electrónico). Teve como preocupação dar informação clara sobre o estudo e, desde logo, explicar que era solicitada a participação dos indivíduos em vários momentos e não apenas para a realização de uma entrevista única. Sublinhava-se que esta estratégia tinha subjacente uma concepção do trabalho de investigação como uma parceria, na qual as pessoas inquiridas seriam parceiros activos. No documento de “Apresentação da pesquisa” deixava-se também expresso o compromisso de partilhar o resultado final com os protagonistas das trajectórias analisadas (questão desenvolvida no ponto seguinte e no Capítulo 3).

Dans le document ae EMULEX (Page 64-73)