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SCOPE AND EXTENT

Dans le document COMMON LISP An Interactive Approach (Page 189-200)

A reportagem sobre veículos especiais para pessoas com dificuldades de locomoção tem abordagem investigativa/analítica, já que a matéria aborda os aspectos sociais da Invenção apresentada. Há fonte especialista (o inventor) e fontes testemunhais. A origem da Inve nção é nacional, da Região Sudeste (cidade de São Paulo). O cientista ocupa posição discursiva principal em relação às outras fontes. O discurso do cientista corrobora o discurso do jornalista e também das demais fontes. Nesta reportagem, a Invenção é o assunto principal, que é apresentada de maneira contextualizada e elogiativa. A invenção é incorporada aos ambientes social, de produção e de recepção. As imagens auxiliam na compreensão do conteúdo científico da matéria. Há demonstração do processo científico com palavras e imagens. A matéria não apresenta elemento ilustrativo.

Análise

O foco da matéria gira em torno de uma personagem principal, Rubens Sérgio Ribeiro, que se dedica a desenvolver veículos de locomoção para deficientes físicos, tomados na matéria como “pessoas com dificuldades de locomoção”. A abertura da matéria enfatiza o caráter humano, os traços de personalidade e as invenções que garantem a noticiabilidade da matéria. Diz o apresentador: “Ele se formou em Direito, mas por causa de uma poliomielite ele se especializou em criar veículos especiais para pessoas com dificuldades de locomoção. O prazer dele é compartilhar a felicidade das pessoas que usam suas invenções”.

A abertura ressalta que a própria personagem apresenta dificuldade de locomoção e é a isso que se deve sua função de inventor. Dessa forma, a posição que o inventor ocupa na matéria é também a de fonte testemunhal. Isso é ressaltado pelas imagens que o mostram caminhando com dificuldade e se locomovendo em um de seus veículos. A personagem se identifica com os deficientes físicos, como pertencente ao grupo de pessoas que também necessitam de tais veículos. A matéria deixa implícito que o fato de ser deficiente foi condição sine qua non para sua atuação como inventor.

O repórter apresenta a personagem, Rubens Sérgio da Silva, caracterizando-o como um inventor e comparando-o ao “Professor Pardal”. (personagem da literatura infantil e de desenhos animados da Walt Disney, que representa o inventor, aquele que faz experiências mirabolantes, o cientista). (Repórter: “Rubens Sérgio Ribeiro é uma espécie de Professor Pardal especializado em criar máquinas transportadoras de pessoas com dificuldades de locomoção”). Com isso, nota-se a inserção de um outro discurso (o dos desenhos animados e da literatura infantil norte-americanos) para constituir o discurso sobre a personagem, caracterizando o que Bakhtin (1997) chama de interdiscursidade, nesse caso, empregada para tratar da figura do inventor.

O tom do discurso do repórter – vale enfatizar que ele se apresenta como videorrepórter (já que ele acumula as funções de câmera e de repórter) – é tom otimista em relação ao inventor e às suas invenções. O ethos (MAINGUENEAU, 2001), ou seja, a imagem de si que o repórter

tenta impingir ao seu discurso, é de otimismo, de confiança no trabalho do inventor, de crédito no trabalho daquele que “transforma histórias com início triste em finais felizes”. O discurso da matéria é desenvolvido a partir da história de vida da personagem. Isso pode ser comprovado pelo discurso do repórter, corroborado pelo discurso da própria personagem. Diz o repórter: “Hoje você vai conhecer a história de um homem que pega histórias com início triste e terminam felizes. Não é isso?”. A personagem concorda: “Tento fazer um final feliz”. Nota-se, ao longo da matéria, a construção, pelos discursos do repórter e da personagem, do tom otimista, esperançoso e humanizado às invenções: os veículos de locomoção mudaram (para melhor) a vida das pessoas atendidas.

É importante ressaltar a posição discursiva ocupada pelo telespectador nesta matéria: o repórter, diferentemente das demais matérias estudadas, é tratado por “você”. Com isso, cria- se o efeito de sentido de que a matéria é direcionada do repórter diretamente para o telespectador em sua individualidade. A matéria estabelece, explicitamente, o diálogo EU (repórter) – VOCÊ (telespectador). Esse recurso tem função eminentemente fática (JAKOBSON, 1995), pois atrai a atenção do público. A matéria atribui ao telespectador a posição discursiva de quem não conhece a personagem e não é beneficiado por suas invenções (que pode ser notado na expressão: “Hoje você vai conhecer a história”), mas que tais informações serão reveladas na e pela matéria.

É em torno da figura e das ações da personagem que se inserem (e se constituem) os discursos das fontes testemunhais: são pessoas com dificuldades de locomoção, clientes da personagem. Essas fontes elogiam o trabalho do inventor e ressaltam os benefícios dos veículos para suas vidas. Uma das fontes diz: “Qualquer porta- mala cabe esse veículo. Você pode ir pra praia, pra praça, pro metrô. Eu vim pra cá de metrô”. Outra fonte assinala: “A gente chorou aqui no Seo Sérgio. Meu pai, lembra o tamanho do abraço que meu pai deu? Meu filho conseguiu pegar metrô sozinho. Foi emocionante”.

É possível observar que a matéria se constitui no meio da história de vida da personagem principal e também no meio de outras histórias de vida – a de seus clientes. Isso pode ser notado, inclusive, no discurso da personagem, que faz referência às histórias de sua vida e da de seus clientes. Diz a: “São histórias muito emocionantes. Muito bonitas. Muito emocionantes. São histórias da minha vida”. Ele deixa claro que sua história de vida é constituída com as de seus clientes.

A partir dos discursos da e sobre a personagem é que são expostos os resultados de sua invenção: o gancho da matéria não são os veículos, os inventos em si, mas a ação do inventor em ajudar, a partir da criação dos veículos, pessoas com dificuldades de locomoção como ele. Prova disso, é que a matéria oculta, não considera o equipamento em si, a forma como eles foram desenvolvidos: os produtos finais (os veículos) são mostrados em relação a seu inventor e aos usos que são feitos deles. Com isso, cria-se o efeito de sentido de utilidade, praticidade e benefício social da Tecnologia criada, bem como salienta o papel social do inventor. A personagem tem como profissão inventar tais veículos, que terá uma utilidade prática na vida dos clientes, mas com conseqüências emocionais para cada pessoa atendida, que, por sua vez, geram conseqüências para a vida da própria personagem: ele faz as pessoas se sentirem felizes e se sente emocionado, feliz por poder ajudar as pessoas com dificuldade de locomoção. O discurso da matéria apresenta a figura do inventor de forma contraditória, mas positiva : ele é humano (porque tem dificuldade de locomoção, sente as dificuldades dos deficientes físicos,

sente empatia por eles e tenta ajudá- los) e também não-humano (porque é comparado a uma personagem de desenho animado: um pato que usa óculos, trabalha em seu laboratório e cria equipamentos mirabolantes).

Telejornal: Jornal da Cultura

Matéria: Mapa da violência – pesquisa Unesco (CD-Rom 1, página 30)

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