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Rive-de-Gier : vivre en ville en contrebas de l’A47.

II.3/ LES PERCEPTIONS DEPUIS L’HABITAT URBAIN

II.3.5/ Rive-de-Gier : vivre en ville en contrebas de l’A47.

Nasceu na ilustre família do sábio Appayya Dikshita, no dia 08 de setembro de 1887, e desde cedo teve uma forte atração pela filosofia e a prática do Vedanta. Foi uma criança alegre e inteligente que cresceu num ambiente de amor e religiosidade. Seu desejo de servir a humanidade levou-o a cursar a Faculdade de Medicina, profissão que abraçou por muitos anos. P. V. Kuppuswami viveu e clinicou por muitos anos no seu país e mais tarde sentiu-se atraído pela Malásia, onde ganhou muitos amigos e admiradores por sua bondade e dedicação ao próximo. Certo de que as pessoas precisavam de um conhecimento correto, editou um jornal sobre problemas de saúde, mas concluiu mais

tarde que o mais importante era o ensinamento de ordem espiritual. Aos poucos foi dedicando a maior parte do seu tempo ao estudo do Bhagavad Gita e à prática do Yoga- Meditação, tendo chegado a conclusão que deveria renunciar a tudo.

Kuppuswami abandonou a medicina, voltou para seu país e tendo se tornado um monge mendicante, iniciou sua jornada a pé pela Índia. Mantendo-se sempre firme no caminho que havia escolhido, chegou à cidade de Rishikesh, no sopé dos Himalaias e buscou abrigo em um ashram7. Em junho de 1924, foi iniciado na Ordem de Sanyasa e

adotou o nome Sivananda. Viveu muito tempo no ashram em completa reclusão e em profunda meditação. Em 1930, alcançou a iluminação e decidiu compartilhar a sua experiência com outras pessoas. Com este objetivo, em 1934, construiu seu próprio ashram que chamou Ananda Kutir (Morada da Bem-Aventurança) e, mais tarde, com as inúmeras atividades que foram surgindo, fundou a Academia Forest de Yoga e a

Sociedade da Vida Divina, em Bihar.

Sivananda é autor de mais de 300 livros nos quais divulga técnicas do Yoga em linguagem simples e clara. Seus ensinamentos se tornaram conhecidos no mundo ocidental através dos seus discípulos, sendo que os mais conhecidos foram: Swami Satchidananda (fundador do Integral Yoga Institut de Nova York), Swami Venkatesananda (traduziu o Yoga-Vâsishtha) e Swami Sivananda Radha, uma alemã que muito contribuiu para a divulgação dos ensinamentos, traduzindo a sabedoria yogue para seus alunos ocidentais.

Entre alguns de seus ensinamentos sobre a importância da pratica meditativa, podemos destacar aquele onde relata ser a meditação “o único caminho nobre” que leva ao moksha, isto é, a libertação; o Yoga-Meditação é aquele que leva a União; compara ainda a meditação a uma escada que leva a “morada de Brahma”.

A meditação é o único caminho nobre para a obtenção da salvação ou Moksha. Ela elimina todos os sofrimentos, todas as dores, as três espécies de Tapas (febres) e as cinco Kleshas ou tristezas. A meditação oferece a percepção visual da unidade e produz a sensação da unidade. A meditação é como um avião que ajuda o aspirante a elevar-se muito nos reinos da bem-aventurança eterna e da paz interminável. É uma escada misteriosa que liga a terra ao céu e leva o pretendente à imortal morada de Brahma (SIVANANDA, 1993:10). (O grifo é meu)

Sobre os praticantes do Yoga, ele costumava dizer que “aquele que sempre quer novidades não está pronto para a Yoga”. E, quanto à prática do Hatha-Yoga, alertava:

A idéia é a de que “pôr-se de cabeça para baixo”, por si só não faz um Yogue. A preocupação primordial do Yoga é com o Ser interno do homem. (SIVANANDA, 1967:23).

Nestas palavras, Sivananda faz uma crítica sutil aos praticantes do Hatha-Yoga. Podemos observar que este fato continua ocorrendo entre alguns instrutores de Yoga: a excessiva preocupação em ensinar as posturas esquecendo-se da parte principal da aula, que deveria ser: a prática da concentração que pode levar o aluno à meditação.

Sivananda demonstra em seus escritos que não era contra o Hatha-Yoga, desde que fosse usado com ponderação, pois o seu objetivo era a meditação. Sabemos que atualmente existe um estilo de Yoga denominado “Sivananda” onde as posturas são bastante utilizadas. Como os tempos mudaram, talvez este “estilo” seja mais uma característica da “hibridação” que presenciamos na pós-modernidade, como veremos no segundo capítulo.

Sivananda estava muito preocupado, já naquela época, pelo fato de o Yoga estar chegando ao Ocidente de forma deturpada e alertava seus discípulos para o fato de que havia uma tendência ocidental em “transformar o Yoga num tipo de Educação Física”:

Possivelmente nenhuma outra ciência é mais mal interpretada do que a simples ciência espiritual do Yoga. Recentemente um ex-embaixador da Índia, na Bélgica8, disse ter

constatado que, na Europa, de um modo geral, o termo Yoga não significa muito mais do que Asana e Pranayama e, às vezes, alguns indianos tentavam fazer passar por uma demonstração de poderes ióguicos, alguns simples truques de magia comum. O Ocidente não pode ser culpado por isso, porque há tão poucos livros bons sobre o assunto e a maioria destes trata principalmente de Asana e Pranayama, que são os melhores auxiliares do Yoga (SIVANANDA,1967:21). (O grifo é meu).

O fato citado por Sivananda, da visita do ex-embaixador da Índia na Bélgica, deve ter ocorrido na década de 60, mas, o problema continua atual, pois a visão do mundo ocidental com relação à palavra Yoga, continua relacionada principalmente a “asanas e pranayamas”, ou seja, posturas e respiração. Como destaca muito bem Sivananda, estas práticas não passam de “auxiliares” do Yoga, mas passaram a ter a posição principal, o que é lastimável. Quanto aos livros, pode-se dizer que existem poucos relacionados a filosofia e, quando se procura obras relacionados ao Yoga nas grandes livrarias, eles estão agendados, na maior parte das vezes, na área de Educação Física ou Saúde, quando não espalhados entre os mais variados assuntos.

8 Na década de 60 temos na Bélgica dois professores que se dedicavam a Hatha-Yoga: Déchanet (que foi iniciado por Phillipe de Méric, discípulo de Sri Mahesh Gatradyal) e Van Lysebet que inclusive viajou para a Índia e praticou dois meses posturas básicas com Pattabhi Jois.

Sivananda ensinava que a mente cósmica é a soma de todas as mentes individuais e que a mente do ser humano é um fragmento da mente universal. Sobre a mente humana, uma teoria já defendida por ele, comprovada por recentes pesquisas é que:

A mente humana tem o poder de atender a uma coisa de cada vez, contudo é capaz de passar de uma coisa para outra com um grau admirável de rapidez, na verdade, com tanta velocidade que se tem a impressão que ela pode se ocupar com várias coisas ao mesmo tempo. Mas as maiores autoridades ocidentais e orientais se atêm à teoria da idéia “única” como sendo a correta. Esta teoria também está de acordo com a experiência cotidiana das pessoas. (SIVANANDA,1993:59).

Em seu livro sobre 14 Lições de Raja-Yoga, logo na primeira lição, ele ratifica a definição de Yoga dada por Patanjali como “a supressão dos turbilhões mentais ou modificações da mente” e como frutos de sua experiência destaca que, “o Yoga dá boa concentração, boa saúde, equilíbrio mental, paz de espírito e verdadeira felicidade”. Nesta obra, ele destaca também o tema da alimentação e aconselha uma dieta bem limitada e vegetariana. Falaremos a este respeito no capítulo terceiro.

Swami Sivananda ganhou o respeito e admiração de importantes nomes do seu país como S. Radhakrishna, importante filósofo que chegou a presidente e o Primeiro Ministro Nehru que o considerava um rishi (sábio) autêntico. Do seu monastério, no Himalaia, editou revistas, escreveu inúmeros livros, manteve correspondência com pessoas do mundo todo. Orientou práticas de meditação e atendeu a milhares de pessoas, sempre estimulando e direcionando seus discípulos a atitude mental correta. “Não faças demasiados esforços para conter a mente”, dizia ele. Sivananda veio a falecer em 14 de julho de1963, no seu Ashram, entre a floresta e o Rio Ganges, no Himalaia.

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