Chapitre 3 : Revue des recherches empiriques
3.2 Recherches sur les rôles d’enseignants dans l’intégration
3.2.4 Les représentations d’enseignants de classes d’accueil quant à leurs rôles
Pensando nas implicações da violência urbana no cotidiano dos serviços de APS, discutimos, no capítulo três, como o fenômeno da violência urbana é abordado pelos profissionais da saúde (ESF) e sua implicação com o fazer da Saúde da Família. A partir dele, acompanhamos o desafio de tomar a violência como objeto de ação-reflexão-ação por parte dos profissionais, entendo-a como determinante em saúde, o que demanda, por sua vez, um conjunto de ações comunitárias e intersetoriais. Ao realizarmos o debate de como a intensificação dos homicídios têm repercutido no cotidiano desses profissionais da ESF, considerando cenas do campo, deparamo-nos com as seguintes repercussões: a violência como agravo, especialmente no campo da saúde mental da comunidade; a violência como barreira de acesso das juventudes que são vítimas da violência letal e a violência tomada
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como risco para os profissionais de saúde, produzindo dificuldades no trabalho com/no território e superação do medo que opera politicamente nos territórios de responsabilidade sanitária das equipes de ESF entrevistadas.
Dar visibilidade ao fenômeno da violência urbana, especialmente aos homicídios de jovens nos territórios de atuação das equipes da Estratégia Saúde da Família, é assumir a necessidade de uma nova agenda no cotidiano da Atenção Primária à Saúde brasileira. Para tanto, ao resgatar os princípios da ESF como uma perspectiva de APS brasileira, reconhece-se um cenário de disputas em torno da sua efetivação.
No cenário local, considerando os indicadores elevados de homicídios de jovens na cidade de Fortaleza, tem-se o recrudescimento de lógicas punitivo-penais em torno dos segmentos juvenis dos territórios de atuação das equipes e, ainda, a invisibilização das juventudes no cenário de prática comunitária.
Existem diversas limitações da ESF (poucas equipes, muitas famílias, área muito grande e modelo de APS que não favorece o vínculo e ação territorial) e, com isso, as dificuldades de tomar a violência urbana como uma questão da saúde da família, e não apenas algo que afeta seu cotidiano. Nesse sentido, podemos afirmar que as dificuldades para que a ESF paute a violência e se reconheça como parte dos atores que devem enfrentá-la estão relacionadas à própria dificuldade de efetivação de uma APS abrangente, já que ainda se foca muito na doença.
Coloca-se, também, a necessidade de implementação dos NAFS´s nas 98 UBS´s, podendo ser um importante dispositivo estratégico para qualificar a APS e apoiar a ESF e, assim, produzir estratégias de enfrentamento à dinâmica da violência contra jovens.
Alguns cenários de desafios merecem um destaque como, por exemplo, o desmonte da APS na cidade e a intensificação de perspectivas neoliberais, que vêm conformando políticas sociais cada vez mais fragmentadas e seletivas, ao mesmo tempo em que favorecem respostas em termos de inflação penal às problemáticas cotidianas.
Percebem-se, ainda, práticas de resistências, como o ambulatório do adolescente, que, é, segundo o relato dos profissionais, a principal frente que permite olhar para o segmento juventude em contextos de violências, apresentando-se como um espaço promissor de enfrentamento à invisibilidade desse segmento na ESF.
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5 “ELES NASCEM PARA MORRER”? ANÁLISE DA PROBLEMÁTICA DOS HOMICÍDIOS JUVENIS EM FORTALEZA SOB A PERSPECTIVA DE PROFISSIONAIS DE SAÚDE DA BARRA DO CEARÁ9
Dados relativos à questão da violência urbana envolvendo jovens permitem considerar a escala de homicídios desse segmento um dos principais dispositivos de controle social de populações e territórios pauperizados e estigmatizados, o que o torna um dos principais desafios ético-políticos no cenário brasileiro. Diante disso, este capítulo objetiva problematizar o fenômeno dos homicídios de jovens na cidade de Fortaleza sob o ponto de vista psicossocial, a partir da perspectiva de profissionais da ESF. Tomamos o homicídio como um analisador das implicações das relações de poder e dos modos de subjetivação contemporâneos no cotidiano das margens urbanas brasileiras..
Entendemos que para essa pesquisa-intervenção, dada a complexidade da problemática, faz-se necessário articular, no seu desenho metodológico, procedimentos quantitativos e qualitativos, a fim de que se produza múltiplos olhares e diversas informações sobre a complexa questão da violência. Por isso, neste capítulo, utilizaremos dados do processo de entrevistas, observações participantes e grupos de discussão com profissionais da Estratégia Saúde da Família. Ao mesmo tempo, faremos uso de dados de tabelas e gráficos para analisar a problemática dos homicídios de jovens. Com isso, desejamos acessar a multiplicidade e processualidade da experiência, bem como o plano das forças que a produzem (CESAR, SILVA, BICALHO, 2014).
O trecho do título “eles nascem para morrer” é o recorte da narrativa de um dos interlocutores da pesquisa, profissional que trabalha em territórios da periferia da capital cearense, ao descrever quem eram os jovens vitimados por homicídios em seu contexto de atuação. Enunciado que fornece pistas iniciais para debater a produção psicossocial daquele que é vítima de homicídio nos cotidianos das periferias. Tal problematização se desenvolverá em diálogos da Psicologia Social com autores como Foucault, Deleuze, Guattarim Mbembe e Agamben. Serão postos em análise processos de sujeição de juventudes pobres no Brasil pela sua associação com o risco e a violência, bem como os processos psicossociais produtores de jovens “indignos de vida” a quem se atribui a pecha de “envolvidos”.
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Uma versão preliminar deste capítulo, sem os dados de campo e com alguns esboços teóricos que foram agora aprimorados e constituídos como ferramenta para análise do corpus, foi publicada como artigo, na revista Psicologia-UFC, em 2017.
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5.1 O panorama dos homicídios de jovens na cidade de Fortaleza: dialogando com o