3 Partie : L’appui aux exploitations
3.2 Le conseil à l’exploitation familiale pour renforcer les capacités des producteurs
3.2.3 Le renouvellement des méthodes et de la relation de conseil
Segundo o projecto “Invasoras” (www.invasoras.pt), o “Nível de Risco” é um valor obtido de acordo com um protocolo adaptado do Australian Weed Risk Assessment (Pheloung et al. 1999), de acordo com o qual valores acima de 6 significam que a espécie tem risco de ter comportamento invasor no território português. No quadro 6, sistematizam-se algumas características das espécies invasoras, que concorreram para a aferição do Nível de Risco.
Observa-se que a Acacia longifolia é a espécie com Nível de Risco mais elevado, 30. A sua elevada amplitude ecológica faz deste taxon um grave invasor. Seguem-se Arctotheca calendula e Conyza canadensis, ambos os taxa com 28. O taxon Conyza
sumatrensis possui um valor ligeiramente inferior, de 26, e finalmente surgem Acacia saligna e Oxalis pes-caprae, com 24.
Embora estes taxa alóctones possam ter sido introduzidos em Portugal continental por via acidental (4), outros foram introduzidos intencionalmente, quer para fins ornamentais (3) e/ou precisamente para o controlo da erosão de dunas costeiras e/ou taludes (3). Assim, 6 taxa apresentam as dunas costeiras como habitat preferencial (de invasão), seguindo-se habitats ruderais como margens de vias de
comunicação (6), áreas de cultivo (4), áreas perturbadas (3) e ajardinadas (1). As regiões áridas e os cabos são preferenciais de 2 taxa, assim como as áreas urbanas (2). Também as margens de linhas de água e as regiões montanhosas são habitats que ameaçados por pelo menos 1 taxon invasor.
Quadro 6. Características dos taxa Invasores e respectivo Nível de Risco.
O principal impacto nos ecossistemas naturais decorre do facto de todas estas plantas invasoras se desenvolverem em povoamentos densos que dificultam ou impedem o crescimento da vegetação nativa. As duas espécies de Acacia spp. produzem muita folhada que altera a composição e microbiologia do solo. A
Características Taxa
(Nível de Risco) (30)1. + (24)2. 17. +(28) 42. +(23) 55. +(28) 56. +(26) 152.(24) Origens da introdução
Fins ornamentais X x - - - - x
Controlo da erosão (dunas costeiras
e/ou taludes) X x - x - - -
Acidental (provavelmente) - - x x x x -
Habitats mais afectados -
Dunas costeiras X x x x x x -
Cabos X - - x - - -
Margens de linhas de água X - - - -
Margens de vias de comunicação X X (Sul) - x x x x
Regiões áridas - x x - - - - Regiões montanhosas X - - - - Áreas perturbadas - - x - x x - Áreas de cultivo - - x - x x x Áreas ajardinadas - - x - - - - Áreas urbanas - - - - x x -
Principais impactes nos ecossistemas
Povoamentos densos que impedem o
desenvolvimento da vegetação nativa X x x x x x x Diminuição do fluxo das linhas de água X - - - - Elevada produção de folhada que altera
a composição e microbiologia do solo X x - - - - -
Acidificação do solo - - - x - - -
Outros impactes
Custos elevados das metodologias de
controlo X x - x x x -
Causador de alergias - - x - x x -
Toxicidade para os mamíferos
(acumulação de nitratos) - - x - - - -
diminuição do fluxo das linhas de água e a acidificação do solo são impactos relevantes da Acacia longifolia e do Carpobrotus edulis, respectivamente.
Relativamente às actividades humanas, as espécies invasoras acarretam custos sócio-económicos e impactos nos sistemas agrosilvopastoris. Por exemplo, a Arctotheca calendula é tóxica para os mamíferos e causadora de alergias; a Conyza canadensis e a C. sumatrensis também são alergénicas, e juntamente com a Oxalis pes- caprae, estão directamente associadas à diminuição da produtividade agrícola. Note- se ainda que a aplicação de metodologias de erradicação e controlo destas espécies invasoras implicaria custos elevados em pelo menos cinco casos (nas duas espécies de Acacia spp., no Carpobrotus edulis e nas duas espécies de Conyza spp.).
4.1.2.5. Fisionomia
Uma vez que a evolução produziu uma imensa variedade de formas nas plantas, existem múltiplas soluções para as organizar em tipos fisionómicos (ing. growth form) i.e. em grupos cujas plantas partilham uma morfologia externa similar (Aguiar, 2014). As adaptações morfológicas das plantas aos períodos desfavoráveis do ano reflectem-se nas suas estratégias reprodutivas, desenvolvimento e tipos fisionómicos, espelhando as suas reacções adaptativas ao longo dos gradientes ambientais (Martins, 2008). Estas resultam do habitat em que vivem, devido à influência conjunta do clima, solo e vida comunitária (Paiva, 2002).
A primeira classificação fisionómica, de Raunkjaer (1934) teve como objectivo determinar o fitoclima de um biótopo, através do respectivo espectro biológico (ou formas vitais). Braun-Blanquet (1979) adaptou esta classificação ao estudo da vegetação, ao relacioná-la com as zonas climáticas (Pereira, 2009).
Neste trabalho, os tipos biológicos e as considerações sobre as suas relações ecológicas e biogeográficas foram tratados de acordo com Raunkjaer (1934), Braun- Blanquet (1979), Font Quer (1986) e Kent & Coker (1995). De acordo com estes autores, consideraram-se os seguintes tipos biológicos (ver também figura 14):
Terófitos: O mesmo que plantas anuais. São “ervas” que concluem o seu ciclo de vida num ano, atravessando o período desfavorável sob a forma de semente (ou esporos, no caso dos fetos) que germinam no período favorável seguinte.
Criptófitos: Plantas vivazes, cujas gemas de renovo se formam abaixo da superfície do solo ou da água, e aí permanecem ocultas. Incluem: Geófitos: Com as gemas ocultas no solo sob a forma de rizomas, cormos, tubérculos, bolbos ou raízes; Hidrófitos: O mesmo que plantas aquáticas, com as gemas de renovo situadas sob ou à superfície da água (normalmente não sobrevivendo ou mudando radicalmente perante a falta de água). Podem ser flutuantes (a raiz não está presa no substrato, e toda a plnta flutua), semi-submersos (com a parte da raiz presa ao substrato, podendo as restantes partes da planta flutuar à superfície), ou submersas (caso em que toda a planta se encontra submersa em água); Helófitos: O mesmo que plantas anfíbias, adaptadas a zonas húmidas, cujas gemas de renovo estão submersas em água ou em solos saturados de água, sendo capazes de suportar curtos períodos de dissecação do solo.
Hemicriptófitos: Plantas vivazes ou bienais, cujas gemas de renovo se localizam à superfície do solo. Podem ser: Proto-hemicriptófitos (com caules folhosos); Hemicriptófitos subarrosetados (com preponderância das folhas numa roseta basilar); Hemicriptófitos arrosetados (todas as folhas dispostas numa roseta basilar).
Caméfitos: Plantas vivazes cujas gemas de renovo, aéreas, se situam a menos de 25 cm da superfície do solo. Podem ser subarbustivos (com caules erectos que secam até à parte das gemas de renovo, na estação desfavorável), decumbentes (de caules moles e descaídos) ou pulvinados (de caules erectos e numerosos, formando almofadas).
Fanerófitos: Plantas perenes, cujas gemas de renovo, aéreas, se situam a mais de 25 cm da superfície do solo. Incluem: Fanerófitos Escandentes: Lianas ou plantas trepadeiras lenhosas, que se elevam acima do solo utilizando outras plantas ou estruturas como suporte (através de gavinhas, raízes aéreas, espinhos, ou por enrolamento - caules volúveis); Nanofanerófitos: Fanerófitos cujas gemas de renovo se situam entre 25 cm a 2 m acima do solo (arbustos); Microfanerófitos: Fanerófitos cujas gemas de renovo se situam entre 2 m a 8(10) m acima da superfície do solo (pequenas
situam entre 8(10) m a (25)30 m acima da superfície do solo (árvores de porte médio a grande); Megafanerófitos: Fanerófitos cujas gemas de renovo se situam acima de 30m da superfície do solo (árvores grandes).
Epífitos: Plantas que usam outras como substrato, sem utilizarem as substâncias por elas sintetizadas.
Figura 14. Tipos fisionómicos de Raunkjaer (1934), alguns exemplos. 1. Fanerófito Escandente; 2.
Nanofanerófito; 3. Epífito; 4. Caméfito subarbustivo; 5. Caméfito decumbente; 6. Hemicriptófito (Proto- hemicriptófito); 7. Terófito; 8. Criptófito (Geófito com bolbo); 9. Criptófito (Geófito com rizoma); 10. Criptófito (Helófito); 11. Criptófito (Hidrófito semi-submerso); 12. Criptófito (Hidrófito flutuante).
Os tipos biológicos dos taxa que constituem o elenco florístico foram aferidos de acordo com a flora Ibérica (Castroviejo et al., 1986-2007; http://www.floraiberica.es/index.php) e site flora-on (www.flora.on.pt). A análise dos tipos fisionómicos é exposta na figura 15.
Em termos fisionómicos verifica-se que predominam os Terófitos com 32%, e muito próximos os Hemicriptófitos com 26% (dos quais 21,7% são Proto- hemicriptófitos e os restantes 78,3% são de outros tipos). Seguem-se os Caméfitos com 19%. De seguida, os Fanerófitos representam 17% (entre estes, 50% são Nanofanerófitos, 27,7% são Microfanerófitos e 18,1% são Fanerófitos Escandentes. Tanto os Mesofanerófitos como os Mesofanerófitos representam 2,3% do total de Fanerófitos). Os Criptófitos constituem somente 5% e os Epífitos 1% do total do elenco florístico.
Figura 15. Distribuição dos tipos fisionómicos.
4.1.2.6. Fenologia
A fenologia indica as épocas de esporolação (no caso dos pteridófitos) e floração. As épocas de floração foram aferidas de acordo com a Flora Iberica (Castroviejo et al., 1986-2007; http://www.floraiberica.es/index.php) e a informação constante no site Flora-On (www.flora.on.pt).
Na figura 16 é possível observar o gráfico relativo às épocas de floração. Verifica-se que os meses em que mais taxa do elenco florístico se encontram em floração, correspondem essencialmente aos meses desde o princípio da Primavera (Março com 10%) até sensivelmente meio do Verão (Agosto, com 8,9%), como seria de esperar no Hemisfério Norte.
Assim, Abril apresenta já valores bastante elevados (14,7%), e atinge-se o pico de floração em Maio com 17% das plantas a florir, observando-se um ligeiro
Julho e Março. As épocas de Outono-Inverno são as menos significativas, com os meses de Dezembro e Janeiro a apresentar a menores percentagens de plantas em floração (1,3% e 1,8%, respectivamente).
Figura 16. Fenologia (épocas de floração).