NA: No seu entender o que é uma organização?
Liderado 4: Uma organização é composta por várias pessoas, no meu entender, onde haverá alguém acima que lidera tudo o resto. Ou seja, um organograma, digamos assim. Portanto, está um no topo, poderá haver três tópicos ou dois tópicos, conforme. Poderá haver o chefe geral, dois ou três subchefes e os outros mais abaixo. Isto é, no meu ponto de vista, o que é uma organização.
NA: Enquanto membro integrante de uma organização, o que a faz sentir parte dela?
Liderado 4: O que me poderia fazer sentir parte de uma organização seria entrar mesmo no núcleo, mesmo no meio. Como é que eu vou explicar? Portanto, fazer parte integrante mesmo de tudo o que se passa lá. Ou seja, falarmos tudo abertamente, resolvermos tudo em conjunto, digamos assim, e isso sim fazia-me sentir mesmo parte dela. Ou seja, eu estar a par de toda a situação e fazer parte de tudo o que se passasse lá dentro, portanto, e participar nisso. Isso é que me faz sentir parte de uma organização.
NA: Tomar parte dos processos decisivos da organização torna-a parte dela? Liderado 4: Posso não ter que tomar as decisões, certo?, mas o saber o que vai acontecer acho que é muito importante para fazer parte disso. Não quer dizer que eu tenha que tomar todas as decisões, nem que tenha de saber de todas as decisões que vão ser tomadas, mas acho que para uma boa organização, se for uma organização pequena, e se todos colaborarmos e se todos soubermos do que se trata, será muito mais fácil.
NA: Mas sente-se parte de uma organização? Liderado 4: Sim.
NA: Para além da posição hierárquica que ocupa, o que faz de si um membro de uma organização?
NA: Sente-se ligada ao seio da organização? Como?
Liderado 4: Sim. Fazendo parte dela e participar em tudo o que se faz dentro da organização.
NA: Quando diz “participar em tudo”, a que se refere exatamente?
Liderado 4: A tudo o que se trata lá dentro. Portanto, vamos supor que é numa empresa e que é um determinado trabalho. Esse tipo de trabalho eu tenho de saber o que é que se trata, eu tenho de participar nele, eu tenho que ajudar para desenvolver esse tipo de trabalho. Portanto, é isso que eu acho.
NA: Que características de liderança reconhece no seu líder?
Liderado 4: O que eu reconheço será que ele tem de falar sempre com as pessoas, demonstrar o seu à vontade, a sua boa vontade e demonstrar que não é só líder para mandar, mas também para falar e explicar abertamente tudo o que se passa dentro dessa organização, digamos assim, e do trabalho em si.
NA: Sente-se influenciado pelo líder?
Liderado 4: Não, não me sinto influenciada pelo líder, porque tenho ideias próprias, tenho as minhas próprias ideias e transmito-as ao líder e ele poderá ou não aceita-las, mas as minhas ideias são as minhas ideias, portanto eu não sou influenciada por ele. Embora por vezes uma pessoa tenha de arredondar um bocadinho e tentar chegar a um consenso, mas não me sinto influenciada por ele.
NA: De que forma transmite as suas ideias ao líder?
Liderado 4: É a falar com ele e explicar-lhe que afinal quem tem razão não será ele na maneira como ele expõe as coisas, mas se calhar eu. Portanto, e eu expondo as minhas ideias, a minha maneira de ser e o meu ponto de vista, provavelmente, ele consegue perceber que ele é que está errado e não eu.
NA: Sente que ele é recetivo às suas ideias? Como?
Liderado 4: Pode não aceitar todas, pode não fazer exatamente tudo o que eu lhe comuniquei, mas se calhar chegar a um consenso e um bocadinho dum e um bocadinho de outro e conseguimos chegar e não tudo o que ele impos ou o que ele disse e chegar
NA: Alguma vez achou que a forma como o seu líder a influenciou foi incorreta? Liderado 4: Se tentar impor, sim é incorreto. Eu acho que não tem de se impor, tem de se falar e tem de se participar à pessoa e a pessoa aí ou aceita ou manifesta-se. Portanto, não é o impor. É o falar e o participar com a pessoa o que se vai passar. Não chegar ali e impor. Isso acho incorreto.
NA: Qual seria para si a forma ideal de um líder falar consigo, nesta questão de a influenciar?
Liderado 4: A forma ideal dele falar era dizer, por exemplo, “olha, passa-se determinado assunto, a minha ideia é esta. Concordam? Têm uma ideia diferente? Vamos pôr as ideias todas e vamos chegar a uma conclusão e ver qual será a melhor”. Eu acho que isto é a melhor maneira para que tudo funcione a cem por cento, porque ninguém fica zangado. Não é a questão do zangado, mas toda a gente iria ficar muito mais satisfeita, porque toda a gente iria participar e acabava por não nos ser imposto nada, porque cada um dava a sua ideia e acabava por um bocadinho de cada e chegar a um consenso. Se calhar, as coisas até funcionavam muito melhor.
NA: Portanto, nunca viveu nenhuma situação eticamente incorreta com o seu líder?
Liderado 4: Sim, já, já. E, sinceramente, nunca concordei. Sempre pus o meu ponto de vista, em que discordei de tudo o que ele fez. E sempre pus o meu ponto de vista e sempre o disse e mais tarde chegaram à conclusão que estavam enganados e que eu tinha razão.
NA: Deram-lhe razão?
Liderado 4: E deram-me razão. Que eu afinal tinha razão e, realmente, deveria ter sido feito exatamente como eu disse ou, pelo menos, tentado fazer o mais parecido possível.
NA: Há alguma coisa que gostaria de melhorar na sua relação com o seu líder? Liderado 4: Não. Eu tenho uma boa relação, não é por aí. Eu acho que a única coisa, nem é em relação tanto a mim, é… Eu acho que tem de se deixar tudo quanto é assuntos pessoais de fora e, neste momento, o que eu acho é que há muitos assuntos pessoais que intervêm junto com os assuntos profissionais. O que não está correto, porque depois tudo isso influencia tudo. Portanto, depois tudo é uma bola de neve e era a única coisa
que, provavelmente, eu mudaria. Há coisas que são muito influenciadas através da vida pessoal de cada um para a vida profissional, o que não tem de ser. Isto tudo porque há amizades por detrás. Ou seja, as pessoas são amigas fora lá dentro podem continuar amigas, mas não o demonstrar. Não influenciar, essa amizade não influenciar a nível profissional, o que nem sempre acontece. Por vezes acontece que influencia e prejudica por vezes o trabalho e não pode ser. Amizade é do lado de fora, embora haja lá dentro, mas não tem de influenciar o trabalho e não tem que se prejudicar alguém que não é tão amigo como a pessoa que é amiga se é privilegiada. A única coisa que eu mudava neste momento era isso, porque de resto tenho uma boa relação e não é por aí. Eu, pessoalmente, não tenho razão de queixa, mas não concordo com esse tipo de coisas, sinceramente.