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4.5. Le soutien financier : le budget du M.J.S
Em consonância com o que Basdra e coautores8 tinham verificado, nenhum dente supranumerário foi diagnosticado na nossa amostra de pacientes com má oclusão de CII/2. A inexistência de uma associação entre dentes supranumerários e anomalias dentárias como a agenesia dentária, a inclusão canina por palatino e os incisivos laterais superiores microdônticos, as quais na nossa amostra apresentam uma elevada prevalência, tem sido demonstrada em diversas publicações. Baccetti183 demonstrou a existência de uma significativa associação recíproca entre a agenesia do segundo pré-molar, a microdontia do incisivo lateral superior, a inclusão canina por palatino, a infraoclusão de dentes decíduos e a hipoplasia do esmalte mas não para dentes supranumerários. Estudos recentes confirmaram mais uma vez a ausência de associação de dentes supranumerários com a agenesia do incisivo lateral superior175 e com a agenesia do segundo pré-molar inferior178. Já no caso de amostras de Classe III e Classe II Divisão 1, Basdra e coautores188 determinaram uma incidência de dentes supranumerários, respetivamente de 3.5 % e 1.4 % os quais se inserem dentro de prevalências de referência para a população geral183. Os resultados são indicadores de que dentes supranumerários são uma anomalia hiperplásica que aparentemente deriva de mecanismos etiológicos diferentes das outras anomalias dentárias estudadas e da própria má oclusão de CII/2.
Na Tabela VII.4 são comparadas as prevalências das principais anomalias dentárias estudadas entre os vários grupos criados e com os valores de referência obtidos na literatura. A interpretação dos dados epidemiológicos obtidos sugere que a associação de defeitos do desenvolvimento dentário com a má oclusão de CII/2 só se verifica na forma de manifestação da retroinclinação incisiva de quatro ou mais dentes e não naquela em que a retroinclinação se
Discussão dos Resultados
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cinge aos incisivos centrais superiores. As prevalências das anomalias dentárias estudadas no grupo com retroinclinação exclusiva dos incisivos centrais superiores situam-se todas claramente dentro ou mesmo abaixo dos valores de referência encontrados na literatura. Já no grupo em que estava envolvida a retroinclinação de mais de quatro peças dentária anteriores superiores, a ocorrência de anomalias dentárias apresenta taxas manifestamente acima das prevalências encontradas na população geral.
Tabela VII.4 – Comparação da prevalência de anomalias dentárias entre grupos e entre valores de
referência na população. Referência na população Amostra CII/2 Grupo A Grupo B Grupo C Grupo D Inclusão canina 0.8 % - 2.8 % 20.4 % 0.0 % 34.3 % 22.2 % 23.1 % Agenesia 3º Molar 7.0 % - 26.0 % 27.6 % 14.3 % 35.9 % 0.0 % 55.6 % Agenesia do IL sup 0.8 % - 2.0 % 9.5 % 0.0% 0.0 % 0.0 % 100.0%
Agenesia excl. 3º Molar e IL sup. 9.5 % 4.2 % 11.9 % 0.0 & 23.1 %
Agenesia Total 8.8 % - 27.0 % 37.0 % 19.0 % 40.6 % 0.0 % 100.0 %
Microdontia do IL sup. 1.0 % – 5.8 % 13.9 % 4.2 % 23.9 % 0.0 % 7.7 %
Total de anomalias dentárias I 57.7 % 23.3 % 75.8 % 25.0 % 100.0 %
Total de anomalias dentária II 54.7 % 23.3 % 75.8 % 25.0 % 72.7 %
Total de anomalias dentárias III 44.4 % 23.3 % 58.5 % 12.5 % 70.0 %
A inclusão dos dois grupos secundários neste trabalho visava analisar a eventual semelhança de comportamento estatístico daqueles com os grupos principais, de modo a poderem ser interpretados como formas de expressividade diferente. Verificou-se uma clara sobreposição de resultados entre o Grupo C e o Grupo A e entre o Grupo D e o Grupo B. A elevada incidência de anomalias dentárias no grupo com agenesia do incisivo lateral superior e a constatação de que nos casos unilaterais o incisivo lateral presente estava sempre retroinclinado sustenta alguma evidência de que estamos perante a mesma entidade clínica, provavelmente uma manifestação mais grave da forma de má oclusão de CII/2 com retroinclinação de quatro ou mais dentes anteriores superiores. Justifica-se que se faça o mesmo raciocínio para o grupo em que a retroinclinação envolvia três dentes anteriores superiores, já que a fraca associação com anomalias dentárias demonstrada sugere uma base
Capítulo VII
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etiológica comum com a forma de CII/2 em que só os dois centrais maxilares estão retroinclinados.
O conjunto de resultados epidemiológicos obtidos neste estudo, não sendo capaz de explicar a origem das diferentes formas de retroinclinação incisiva, evidencia a necessidade de um novo entendimento acerca das bases etiológicas que poderão estar por detrás de fenótipos que têm sido considerados como entidades clínicas de origem comum. A associação recíproca que se tem verificado entre diversas anomalias do desenvolvimento dentário, como é o caso da agenesia dentária e da microdontia com grande evidência de terem uma base etiológica genética, e a forte associação destas com a forma de má oclusão de CII/2 em que pelo menos quatro dentes anteriores estão retroinclinados, sugere que um mesmo defeito genético poderá estar na origem de algumas anomalias do desenvolvimento dentário e do fenómeno de retroinclinação de todo o bloco incisivo superior. Assim sendo, o modelo oclusal caracterizado por retroinclinação exclusiva de ambos os incisivos laterais superiores poderá ser justificado por uma base genética divergente.
Estes achados têm inevitavelmente implicações clínicas relevantes. A forte associação de anomalias do desenvolvimento dentário como a agenesia dentária, a inclusão canina por palatino e a microdontia do incisivo lateral com fenótipos de má oclusão de CII/2 em que a retroinclinação coronária incisiva envolve todo o bloco incisivo superior, alerta os clínicos para a necessidade de um diagnóstico precoce das referidas anomalias do desenvolvimento dentário, numa fase inicial da dentição mista, logo que se verifique um padrão retroinclinado dos quatro incisivos superiores. No caso particular da inclusão canina por palatino este diagnóstico precoce reveste-se de uma importância ímpar pois perante a perceção do desvio eruptivo do canino maxilar, a adoção de terapêuticas preventivas como a extração precoce de caninos decíduos, como foi demonstrado por Ericson e Kurol221, pode permitir a recuperação do trajeto eruptivo normal do canino permanente.