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É possível localizar grande parte da literatura canônica da Bíblia Hebraica produzida ―em terras de Judá‖ por círculos judaítas (SCHWANTES, 2007, p.39). A época do exílio apesar de dolorosa desencadeou intensa produção literária entre os remanescentes.

Os livros de Deuteronômio, Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel e 1 e 2 Reis constituem uma grande unidade literária compilada na época exílica, em Judá; bem como os livros proféticos que receberam auditório devido aos acontecimentos do exílio. É o exílio que faz com que os profetas sejam escutados e interpretados, onde seus livros ganham espaço. Por isso, logo após o exílio os textos que, outrora eram restritos aos círculos proféticos e em setores periféricos da cidade, passam a ser colecionados e compilados por escolas de abrangência e influência na religião de Israel. Segundo Schwantes, ―em consequência, foram adicionados salmos e refrãos litúrgicos aos textos dos profetas‖ (2007, p.39). Em outras palavras, os textos proféticos que pertenciam a segmentos vinculados à pessoa do profeta passam a ser da comunidade como um todo e incluídos nas celebrações de todo Israel.

O exílio permitiu que a literatura israelita tivesse uma abrangência nacional mais intensa e expandisse seus limites em áreas internacionais. Jeremias, por exemplo, incluí os palestinenses, os israelitas exilados na Babilônia e países vizinhos a Israel em sua profecia. O exílio dá legitimidade aos profetas, principalmente, os chamados literários. Portanto, os textos dos profetas foram lidos, colecionados, preservados; em seguida, passaram por releituras; e depois, atualizações para compilação. Tais releituras parecem ser particulares aos

57 Para Gabel-Wheeler, por causa do exílio que os judaítas se ocuparam em preservar seus escritos e produzir evidências de sua religião através da literatura que buscava seu referencial nos antigos precursores da fé. GABEL, John; WHEELER, Charles. A Bíblia Como Literatura. 2ª.ed. São Paulo: Loyola, 2003, p.135.

remanescentes, não dos exilados58. Tais compilações, provavelmente, visavam o culto e a liturgia do Israel pós-exílico, como uma religião de livro sagrado.

Porém, a literatura que representa a linguagem de lamentação entre os remanescentes em Judá são principalmente: o livro de Jeremias, com seus poemas de lamentação espalhados ao longo do livro; o livro de Lamentações; e, alguns Salmos sem localização certa de composição, mas que retratam o sofrimento do povo judaíta. A linguagem de lamentação entre os remanescentes, quer dizer, aqueles que não foram levados cativos pelos babilônicos e permaneceram em Judá é uma expressão dos sobreviventes traumatizados com a devastação sofrida.

Os círculos judaítas por trás dos livros que retratam o ―exílio‖ merecem atenção especial. Certamente não o foram compilados no exílio, mas por volta de 539/538. Alguns estudiosos mais ousados remetem as compilações destes livros para além de 539, chegando muito próximo das redações de Esdras e Neemias. A escrita dos textos ainda em forma de ditos, panfletos, cartas, poemas, etc., porém, pode ser atribuídas no mais tardar em 539/538.

É possível destacar pelo menos dois círculos e tradições literárias do período entre os remanescentes. O primeiro círculo é nitidamente da ótica do campesinato, sob a perspectiva de que Yhwh continuaria a usar o ―povo da terra‖, isto é, aqueles que ficaram em Judá. É a perspectiva desenvolvida por pessoas que viviam em torno da cidade e pretendiam reorganizar a nação. Essa literatura é marcadamente influenciada pelos deuteronomistas e encontra familiaridades com o livro de Jeremias.

A linguagem de lamentação utilizada por alguns destes grupos é intensa e envolta a muito sofrimento. Ela demonstra o sofrimento que os efeitos da tomada da cidade tiveram em todo território nacional, como morte, fome e desespero. Num primeiro momento, tudo isso era visto como injustiça, como pode-se ver no livro de Habacuque, que marca a transição entre o pré-exílio do exílio59. O profeta Jeremias também toca neste assunto em um de seus lamentos60. A situação provocava dúvidas se Yhwh tinha abandonado o seu povo61. Esse tipo

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Eram os remascentes que reclamavam a si a eleição divina para prosseguir a reconstrução de Judá; teoricamente, os exilados só estavam esperando voltar para prosseguir o que, em sua perspectiva, já os pertencia.

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―Até quando, Senhor, clamarei por socorro, sem que tu ouças? Até quando gritarei a ti: ‗Violência!‘ sem que tragas salvação? Por que me fazes ver a injustiça, e contemplar a maldade? A destruição e a violência estão diante de mim; há luta e conflito por todo lado. Por isso a lei se enfraquece e a justiça nunca prevalece. Os ímpios prejudicam os justos, e assim a justiça é pervertida‖. BÍBLIA, A.T. Habacuque. Português. In: Bíblia Sagrada: Nova Versão Internacional. São Paulo: Editora Vida, 2004. Cap. 1, vers. 2 a 4.

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―Tu és justo, Senhor, quando apresento uma causa diante de ti. Contudo, eu gostaria de discutir contigo sobre a tua justiça. Por que o caminho dos ímpios prospera? Por que todos os traidores vivem sem problemas? Tu os plantaste, e eles criaram raízes; crescem e dão fruto. Tu estás sempre perto dos seus lábios, mas longe dos seus corações. Tu, porém, me conheces, Senhor; tu me vês e provas a minha atitude para contigo. Arranca os ímpios como a ovelhas destinadas ao matadouro! Reserva-os para o dia da matança! Até quando a terra ficará de luto e a relva de todo o campo estará seca? Perecem os animais e as aves por causa da maldade dos que habitam nesta terra, pois eles disseram: ‗Ele não verá o fim que nos espera‘‖.

de linguagem que expressa o sentimento do abandono de Deus chega a ser extrema quando o queixoso acusa Yhwh de injusto: ―Senhor, tu me enganaste, e eu fui enganado; foste mais forte do que eu e prevaleceste. Sou ridicularizado o dia inteiro; todos zombam de mim‖62

. É provável que o próprio livro de Jó tenha absorvido reflexos deste período cujo sentimento de injustiça, indignação e desesperança tomou conta dos judaítas63. Essa linguagem extremada talvez represente a época bem próxima dos acontecimentos mais graves. Depois, em seguida, a linguagem não é menos intensa, mas incluí expressões que recorrem a Yhwh: ―Escuta, Senhor, as minhas palavras, considera o meu gemer‖64. E recorrem em atitude de confissão, penitência e arrependimento65.

É difícil demarcar a época de origem dos Salmos cujo gênero se relaciona com a lamentação. Sellin e Fohrer destacam que somente 4,5% dos Salmos pertencem ao período exílico, seriam os Salmos: 51; 74; 77.1-6; 88; 102; 123. Ou seja, apenas seis deles compostos no exílio. O Salmo 88 ainda pode ser sujeito a controvérsias devido sua proximidade de linguagem com as lamentações do livro de Jó. Porém, a pesquisa a que Sellin e Fohrer se dedicaram ainda é objeto de divergências e controvérsias entre os pesquisadores; eles próprios afirmam saber da divergência de datas e da subjetividade das análises (2007, p.393-406).

O segundo grupo dentre os remanescentes é voltado para a teologia do templo e de Sião e podemos situar sua produção literária logo após a destruição de Jerusalém. Em Obadias, Sião ocupa o lugar central do texto, diferentemente de Jeremias. Com isso, verificamos que havia um contingente judaíta, presente em Judá, que não integraram os mesmos círculos que aqueles que receberam, preservaram e transmitiram a mensagem de

BÍBLIA, A.T. Jeremias. Português. In: Bíblia Sagrada: Nova Versão Internacional. São Paulo: Editora Vida, 2004. Cap. 12, vers. 1 a 4.

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Senhor, por que estás tão longe? Por que te escondes em tempos de angústia? BÍBLIA, A.T. Salmos. Português. In: Bíblia Sagrada: Nova Versão Internacional. São Paulo: Editora Vida, 2004. Cap. 10, vers. 1. [...] ―Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste? Por que estás tão longe de salvar-me, tão longe dos meus gritos de angústia? Meu Deus! Eu clamo de dia, mas não respondes; de noite, e não recebo alívio!‖. BÍBLIA, A.T. Salmos. Português. In: Bíblia Sagrada: Nova Versão Internacional. São Paulo: Editora Vida, 2004. Cap. 22, vers. 1 e 2.

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BÍBLIA, A.T. Jeremias. Português. In: Bíblia Sagrada: Nova Versão Internacional. São Paulo: Editora Vida, 2004. Cap. 20, vers. 7.

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Para debate sobre data do livro de Jó, consulte: ANDERSEN, Francis. Jó: Introdução e Comentário. 4ª.ed. São Paulo: Vida Nova, 2006, p.59-62.

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BÍBLIA, A.T. Salmos. Português. In: Bíblia Sagrada: Nova Versão Internacional. São Paulo: Editora Vida, 2004. Cap. 5, vers. 1.

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Tem misericórdia de mim, ó Deus, por teu amor; por tua grande compaixão apaga as minhas transgressões. Lava-me de toda a minha culpa e purifica-me do meu pecado. Pois eu mesmo reconheço as minhas transgressões, e o meu pecado sempre me persegue. Contra ti, só contra ti, pequei e fiz o que tu reprovas, de modo que justa é a tua sentença e tens razão em condenar-me. BÍBLIA, A.T. Salmos. Português. In: Bíblia Sagrada: Nova Versão Internacional. São Paulo: Editora Vida, 2004. Cap. 51, vers. 1 a 4.

Jeremias. Podemos chamar estes grupos de sionitas. Eles demonstram o uso da linguagem de lamentação a seu próprio modo, lamentando a destruição do templo e da cidade66.

Os sionitas67 se dirigiam ao templo em atitude de lamentação, como o próprio livro de Jeremias nos informa:

No dia seguinte ao assassinato de Gedalias, antes que alguém o soubesse, oitenta homens que haviam rapado a barba, rasgado suas roupas e feito cortes no corpo, vieram de Siquém, de Siló e de Samaria, trazendo ofertas de cereal e incenso para oferecer no templo do Senhor. Ismael, filho de Netanias, saiu de Mispá para encontrá-los, chorando enquanto caminhava. Quando os encontrou, disse: ―Venham até onde se encontra Gedalias, filho de Aicam‖68.

Pelo fato dos sionistas estarem vinculados ao templo e aos sacrifícios, a linguagem de lamentação usada por eles poderia acompanhar rituais e gestos simbólicos; e envolver peregrinações junto aos escombros do templo como uma substituição dos sacrifícios. Lá, eles realizavam seus lamentos à moda dos cânticos fúnebres. O livro das Lamentações pode muito bem ter sido composto para esses rituais de lamentação pela cidade e o templo. Destarte, muitas têm sido as hipóteses quanto à autoria, composição, ocasião e gênero do livro das Lamentações69.

Lamentações é um excelente livro bíblico do gênero das lamentações e retrata o período, o período imediatamente posterior a destruição do templo70. O livro reúne suas lamentações em cinco unidades organizadas cada uma em forma de acróstico. É uma espécie de ―cancioneiro‖ (SCHWANTES, 2007, p.74) das romarias e liturgias em torno das ruínas da cidade; referem-se com pesar à destruição de Jerusalém71.

66 Faria afirma timidamente que o profeta Jeremias teria inspirado outros movimentos com a linguagem de lamentação. Se se seguirmos esta interessante hipótese, o livro das Lamentações teria uma vertente teológica diferente da do livro de Jeremias, mas possivelmente a mesma influência de gênero, estilo e possivelmente de estrutura. Consulte: FARIA, Jacir de Freitas. Salmos de Sofrimento: Expressão da Interiorização das Relações com Deus!. Revista de Interpretação Biblica Latino- Americana (Ribla). Petrópolis: Vozes, n.45, p.105-114, 2003.

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O livro de Zacarias, nos capítulos 7 e 8, também testemunha a respeito dessa peregrinação em atitude de lamentação. 68 BÍBLIA, A.T. Jeremias. Português. In: Bíblia Sagrada: Nova Versão Internacional. São Paulo: Editora Vida, 2004. Cap. 41, vers. 4 a 6.

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Para se inteirar no debate destas hipóteses, inicialmente, consulte: CALOVI, Marcos; KILPP, Nelson (Orient.). Como Está

Solitária! Lamentações na Pesquisa Científica. 2006. 128 f. Dissertação (Mestrado em Teologia). Escola Superior de

Teologia. São Leopoldo, 2006, p.15-37; 48-73. 70

O Senhor é como um inimigo; ele tem devorado Israel. Tem devorado todos os seus palácios e destruído as suas fortalezas. Tem feito multiplicar os prantos e as lamentações da filha de Judá. Ele destroçou a sua morada como se fosse um simples jardim; destruiu o seu local de reuniões. O Senhor fez esquecidas em Sião suas festas fixas e seus sábados; em seu grande furor rejeitou o rei e o sacerdote. O Senhor rejeitou o seu altar e abandonou o seu santuário. Entregou aos inimigos os muros dos seus palácios, e eles deram gritos na casa do Senhor, como fazíamos nos dias de festa. BÍBLIA, A.T. Lamentações. Português. In: Bíblia Sagrada: Nova Versão Internacional. São Paulo: Editora Vida, 2004. Cap. 2, vers. 5 a 7.

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―Como está deserta a cidade, antes tão cheia de gente! Como se parece com uma viúva, a que antes era grandiosa entre as nações! A que era a princesa das províncias agora tornou-se uma escrava. Chora amargamente à noite, as lágrimas rolam por seu rosto. De todos os seus amantes nenhum a consola. Todos os seus amigos a traíram; tornaram-se seus inimigos‖. BÍBLIA, A.T. Lamentações. Português. In: Bíblia Sagrada: Nova Versão Internacional. São Paulo: Editora Vida, 2004. Cap. 1, vers. 1 e 2. [...] ―Todo o esplendor fugiu da cidade de Sião. Seus líderes são como corças que não encontram pastagem;

O livro das Lamentações que tradicionalmente é atribuído a Jeremias (provavelmente pela influência profética e similaridade de linguagem poética) pertence a este círculo judaíta sionista. Nele, lamenta-se a destruição da cidade, à moda dos antigos poemas cujo gênero foi chamado de ―lamentação pela cidade destruída‖ comuns na literatura do antigo Oriente Próximo (DOBBS-ALLSOPP, 1993). A contribuição que esta literatura teve na linguagem de lamentação na época exílica se deve à possibilidade de se envolver com Yhwh, mesmo com a destruição do templo e a cessação de sacrifícios.

Contudo, não só o templo e a cidade são lamentados, o sofrimento humano também ganhou espaço através de imagens que refletem o caos social ocasionado pela invasão babilônica: fome generalizada72, crianças abandonadas73, pessoas com vergonha74, morte de todos os tipos75, canibalismo76, roubos77, estupros78. Schwantes descreve que há um abandono generalizado de velhos, viúvas e crianças e resume que em Lamentações: ―a vida está permeada de morte‖. O pesquisador afirma que o livro ―transpira essa atmosfera de morte e decomposição‖; mas nos adverte contra a generalização do quadro: é provável que esta situação não imperasse em toda Judá; alguns remanescentes ligados à periferia não sofreram tanto. Conquanto, seguindo essa visão, o livro corresponde à dor jerusalemita (2007, p.75).

O livro de Obadias também pode representar os sionitas remanescentes. Wolff considera a possibilidade do livro de Obadias ser o oposto complementar litúrgico do culto que envolvia as lamentações descritas no livro de Lamentações (WOLFF, 1977). É consenso

sem forças fugiram diante do perseguidor‖. BÍBLIA, A.T. Lamentações. Português. In: Bíblia Sagrada: Nova Versão Internacional. São Paulo: Editora Vida, 2004. Cap. 1, vers. 6.

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―Todo o seu povo se lamenta enquanto vai em busca de pão; e, para sobreviverem, trocam tesouros por comida. Olha, Senhor, e considera, pois tenho sido desprezada‖. BÍBLIA, A.T. Lamentações. Português. In: Bíblia Sagrada: Nova Versão Internacional. São Paulo: Editora Vida, 2004. Cap. 1, vers. 11. ―De tanta sede, a língua dos bebês gruda no céu da boca; as crianças imploram pelo pão, mas ninguém as atende‖. BÍBLIA, A.T. Lamentações. Português. In: Bíblia Sagrada: Nova Versão Internacional. São Paulo: Editora Vida, 2004. Cap. 4, vers. 4.

73 ―O Senhor dispersou todos os guerreiros que me apoiavam; convocou um exército contra mim para destruir os meus jovens. O Senhor pisou no seu lagar a virgem, a cidade de Judá. É por isso que eu choro; as lágrimas inundam os meus olhos. Ninguém está por perto para consolar-me, não há ninguém que restaure o meu espírito. Meus filhos estão desamparados porque o inimigo prevaleceu‖. BÍBLIA, A.T. Lamentações. Português. In: Bíblia Sagrada: Nova Versão Internacional. São Paulo: Editora Vida, 2004. Cap. 1, vers. 15 e 16.

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―Os líderes da cidade de Sião sentam-se no chão em silêncio; despejam pó sobre a cabeça e usam vestes de lamento. As moças de Jerusalém inclinam a cabeça até o chão‖. BÍBLIA, A.T. Lamentações. Português. In: Bíblia Sagrada: Nova Versão Internacional. São Paulo: Editora Vida, 2004. Cap. 2, vers. 10.

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―Meus olhos estão cansados de chorar, minha alma está atormentada, meu coração se derrama, porque o meu povo está destruído, porque crianças e bebês desmaiam pelas ruas da cidade‖. BÍBLIA, A.T. Lamentações. Português. In: Bíblia Sagrada: Nova Versão Internacional. São Paulo: Editora Vida, 2004. Cap. 2, vers. 11. ―Os que foram mortos à espada estão melhor do que os que morreram de fome, os quais, tendo sido torturados pela fome, definham pela falta de produção das lavouras‖. BÍBLIA, A.T. Lamentações. Português. In: Bíblia Sagrada: Nova Versão Internacional. São Paulo: Editora Vida, 2004. Cap. 4, vers. 9.

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―Com as próprias mãos, mulheres bondosas cozinharam seus próprios filhos, que se tornaram sua comida quando o meu povo foi destruído‖. BÍBLIA, A.T. Lamentações. Português. In: Bíblia Sagrada: Nova Versão Internacional. São Paulo: Editora Vida, 2004. Cap. 4, vers. 10.

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―Conseguimos pão arriscando a vida, enfrentando a espada do deserto. Nossa pele está quente como um forno, febril de tanta fome‖. BÍBLIA, A.T. Lamentações. Português. In: Bíblia Sagrada: Nova Versão Internacional. São Paulo: Editora Vida, 2004. Cap. 5, vers. 9 e 10.

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―As mulheres têm sido violentadas em Sião, e as virgens, nas cidades de Judá‖. BÍBLIA, A.T. Lamentações. Português. In: Bíblia Sagrada: Nova Versão Internacional. São Paulo: Editora Vida, 2004. Cap. 5, vers. 11.

datar o livro com a queda de Jerusalém (BAKER, In: BAKER; ALEXANDER; STURZ; 2006, p.27), o que o aproximaria do livro de Lamentações. A queda do inimigo retratado como ―Edom‖ traria consolo ao Israel ferido79

. Em outras palavras, as profecias contra Edom demonstrariam que as queixas de Israel teriam sido atendidas. Neste caso, ―Edom‖ se referiria tipologicamente às cidades estrangeiras, em especial, a Babilônia. Em 1 Esdras se diz que foram os edomitas que destruíram o templo de Jerusalém80. É uma hipótese viável, mas não confirmada81.

Há também alguns Salmos de lamentação que retratam o exílio. Recorreu-se aos Salmos de lamentação como expressões cúlticas entre os remanescentes e exilados devido à ausência de seu local sagrado. Eles representam a possibilidade de cultuar a Yhwh, pedir, chorar, expressar suas angústias e declarar a confiança do caráter do Senhor. Com o tempo, ao se aproximarem do pós-exílio, os Salmos receberam a textura litúrgica para cultos oficiais da nação e ficou mais fácil localizar as funções subjacentes aos Salmos na dinâmica do culto do antigo Israel.

Destarte, podemos dizer que a lamentação em Judá, de um modo geral, ficou a cargo dos profetas, por causa do desligamento do culto e dos sacrifícios.

Muitos desses profetas não eram necessariamente vinculados com os chamados ―profetas clássicos‖. Até porque os profetas clássicos só foram reconhecidos como autênticos para Israel depois de todas as tragédias ao se confirmarem suas palavras perante o povo e sua liderança. Os profetas profissionais continuavam suas tarefas litúrgicas entre o povo. O que explica a tamanha influência dos chamados ―profetas da paz‖ que atuavam no cenário religioso da época. Os livros de Jeremias e Lamentações identificam este grupo como falsos profetas82. A linguagem deles era positivista, desprovida de qualquer ameaça ou precaução ao povo e é provável que fizessem apenas as lamentações rituais prescritas em ocasião de morte e doenças graves à maneira do pré-exílio.

Com esta hipótese de continuidade do trabalho de atendimento aos doentes e enlutados dos profetas profissionais, a possibilidade da linguagem de lamentação pessoal e particular

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Alegre-se e exulte, ó terra de Edom, você que vive na terra de Uz. Mas a você também será servido o cálice: você será embriagada e as suas roupas serão arrancadas. Ó cidade de Sião, o seu castigo terminará; o Senhor não prolongará o seu exílio. Mas você, ó terra de Edom, ele punirá o seu pecado e porá à mostra a sua perversidade. BÍBLIA, A.T. Lamentações. Português. In: Bíblia Sagrada: Nova Versão Internacional. São Paulo: Editora Vida, 2004. Cap. 4, vers. 21 e 22.

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Conforme: 1 Esdras 4.45.

81 Essa visão nos parece viável, mas entre os acadêmicos ainda há muito o que se debater sobre a função do livro de Obadias e sua relação com o de Lamentações. Consulte: BAKER, David. ―Obadias‖. In: BAKER, David; ALEXANDER, T. Desmond; STURZ, Richard. Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque e Sofonias: Introdução e Comentário. 2ª.ed. São Paulo: Vida Nova, 2006, p.27.

82 ―As visões dos seus profetas eram falsas e inúteis; eles não expuseram o seu pecado para evitar o seu cativeiro. As mensagens que eles lhe deram eram falsas e enganosas‖. BÍBLIA, A.T. Lamentações. Português. In: Bíblia Sagrada: Nova Versão Internacional. São Paulo: Editora Vida, 2004. Cap. 2, vers. 14.

estar vinculada aos profetas clássicos aumenta significativamente. Jeremias seria o representante do período em conjunto com o(s) autor(es) anônimo(s) do livro das Lamentações e outro poemas que podem ter sido vinculados aos profetas e salmos ao final do exílio e idos pós-exílicos83.

Os profetas ―clássicos‖, isto é, os que foram reconhecidos como portadores da mensagem de Yhwh puderam agregar em sua atuação a lamentação de uma realidade que predisseram, experimentaram e que foram vinculadas junto às composições de seus escritos e

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