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La recherche d’un langage neuf

Dans le document Masques et miroirs (Page 78-118)

Por fim, como quarto e último tema de investigação, procedeu-se à análise das montagens dos modelos em articulador.

CAPÍTULO IV

Estudou-se a localização dos contactos prematuros na amostra final e, seguidamente, nos três grupos dela provenientes. No exame dos modelos e da oclusão, a identificação dos dentes responsáveis pelas prematuridades bem como a observação dos tipos de contactos são dados importantes em termos diagnósticos e de planeamento do tratamento, nomeadamente, no que se refere às alterações da dimensão vertical que se pretendem implementar com o tratamento a efectuar.

Na amostra final, tal como nos grupos, os contactos prematuros iniciais aconteceram primordialmente a nível dos dentes posteriores. A frequência encontrada na amostra final foi de 82,2% e no grupo hiperdivergente de 86,9%. Foi no grupo hipodivergente, no entanto, que os contactos posteriores foram comparativamente menos frequentes, subindo a frequência relativa no sector látero-posterior. Este facto poderá estar provavelmente relacionado com a maior frequência de DC ântero-inferiores no referido grupo. Na realidade, os contactos em sectores relativamente mais anteriores da arcada poderão possivelmente estar relacionados com esse tipo de deslocamento mandibular. De relembrar, contudo, que este grupo era dimensionalmente inferior a qualquer um dos outros dois.

O número de contactos oclusais encontrados a nível anterior foi sempre bastante diminuto, em qualquer dos grupos estudados. Isto vem corroborar o facto de a conformação triângular facial considerada na incidência bidimensional de perfil, por si só, promover os contactos mais posteriores, ou seja, mais próximos do vértice articular, sempre que surja qualquer discrepância ântero-posterior.

A maioria dos seres humanos apresenta contactos oclusais a nível dos dentes posteriores.127,129-131,142-145,148,151,152,162,180,182-184,196 Cordray182 verificou que, em 94,0% da sua amostra, as prematuridades identificadas na montagem em articulador se encontravam a nível posterior. Também He131 tinha verificado que os contactos prematuros em RC ocorriam, unilateralmente, no molar mais posterior. Ora, os modelos ortodônticos articulados manualmente em IM não permitem a apreensão deste facto científico. Mesmo clinicamente, é muito difícil essa determinação. Na verdade, os esquemas neuromusculares impedem a fiabilidade da detecção das prematuridades oclusais. 135-137,143,182,191

Uma vez corroborado o facto de serem indubitavelmente mais frequentes os contactos prematuros posteriores interarcadas, tentaram analisar-se essas mesmas prematuridades. Nesse sentido, consideraram-se os DC decompostos em deslocamentos sagitais e verticais e divididos quantitativamente em conjuntos. Além disso,

DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

identificaram-se os contactos prematuros ocorridos nos respectivos conjuntos. Na tentativa de estabelecer qualquer relação entre a quantidade e qualidade dos DC e as prematuridades, verificou-se ser impraticável fazer qualquer correspondência. Na realidade, independentemente das características do DC, ou seja, do deslocamento condilar ser vertical ou horizontal e ser quantitativamente mais ou menos extenso, as prematuridades mais frequentes ocorreram sempre a nível posterior.

Efectivamente, também não foi possível estabelecer qualquer previsibilidade relativamente ao DC a partir de dados oriundos da análise oclusal dos modelos montados em articulador em RC.

CAPÍTULO V CONCLUSÕES

CAPÍTULO V – CONCLUSÕES

Analisou-se uma população ortodôntica caucasiana assintomática que já havia ultrapassado o pico de crescimento pubertário, a partir da qual se criaram três grupos representativos de padrões esqueléticos craniofaciais distintos. Estudaram-se os DC, não só na amostra final mas também nos grupos. Fez-se o estudo comparativo das medidas cefalométricas obtidas após a conversão do traçado à RC mediante dois processos, um em que se mantinha a sobremordida vertical incisiva inicial e o outro em que havia alteração da dimensão vertical condicionada pelo contacto prematuro interarcadas. Procuraram-se factores cefalométricos e oclusais que permitissem prever o DC. Condicionadas pelas limitações da investigação, as conclusões a que os resultados do estudo permitiram chegar foram as seguintes:

1. 18% da população ortodôntica assintomática que ultrapassou o pico de crescimento pubertário representa situações cuja biotipologia se caracteriza por uma hiperdivergência maxilomandibular;

2. em 27,8% dessa população ortodôntica surgiu um DC≥1,8 mm. Nessa conformidade, não é possível assumir, só pelo facto de o paciente estar assintomático, que os côndilos mandibulares estejam assentes em RC;

3. 69,9% dos casos desta população ortodôntica com DC≥1,8 mm eram más-oclusões de Classes II de Angle confirmando-se uma maior frequência de DC neste tipo de más-oclusões. Assim sendo e perante um caso de Classe II de Angle, é de suspeitar haver um DC aumentado.

4. o deslocamento condilar foi mais frequente e globalmente mais amplo no grupo hiperdivergente, apresentando uma frequência de 39,34% para DC≥1,8 mm. Manifestaram-se também frequências significativas nos grupos hipodivergente e intermédio. Assim sendo, em consequência do ajustamento condilar em RC, o deslocamento mandibular será mais amplo nos hiperdivergentes que nos outros dois grupos;

CAPÍTULO V

5. o componente vertical do DC foi sempre superior ao sagital e o grupo que apresentou deslocamentos verticais mais significativos foi o hiperdivergente com um nível de significância de 0.003;

6. o grupo hipodivergente registou deslocamentos sagitais relativamente mais significativos em direcção anterior (p=0.038);

7. não foi possível associar o DC a nenhum dos factores cefalométricos tegumentares e esqueléticos analisados nem aos tipos faciais ou às Classes esqueléticas maxilomandibulares, uma vez que não se encontrou qualquer relação com significado;

8. o estudo das diferenças registadas nas medidas obtidas através dos dois processos distintos de conversão cefalométrica do traçado à RC permitiu verificar um alto nível de significância (p<0,002) para 14 das 19 medidas seleccionadas (74%), o que sugere que os dois métodos fornecem dados diagnósticos diferentes podendo conduzir, por isso, a planos de tratamento distintos;

9. os factores cefalométricos obtidos, após a conversão do traçado à RC com alteração da dimensão vertical, surgem com um agravamento no sentido da hiperdivergência maxilomandibular descrevendo, desse modo, casos com um nível de dificuldade de tratamento mais elevado;

10. no grupo hiperdivergente, o agravamento dos factores foi igualmente marcado e foi significativamente mais acentuado no que concerne os factores envolvendo a descrição facial linear no plano vertical;

11. não foi encontrada qualquer relação entre a localização dos contactos prematuros e a quantidade e a qualidade do DC, uma vez que as prematuridades surgem repetidamente e com uma frequência muito elevada a nível posterior;

12. a montagem em articulador e o estudo da posição condilar é um processo importante e protocolar no estudo ortodôntico de qualquer caso ortodôntico, particularmente no grupo dos hiperdivergentes. O estudo da posição condilar na ATM fornece informações relevantes e que nem sempre estão clinicamente disponíveis na avaliação intraoral. Assim sendo, e uma vez que continuam sem se encontrar factores de previsibilidade do DC, persiste-se na apologia da montagem em articulador como atitude protocolar diagnóstica.

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