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2.3 Création d’un AFC

3.1.2 Résultats

Assim como ocorre quando analisamos a história da educação brasileira, a história da educação no Piauí também se mostra atrelada ao formato de sua colonização. Ou seja, não há como compreender a organização e a localização política de um sistema educacional do lado oeste do Atlântico sem levar em conta o processo de colonização pelo qual passou cada região. No caso do Piauí, região localizada no Nordeste brasileiro, que teve uma colonização violenta pela guerra que os predadores empreenderam contra o índio para tomada de suas terras, essa vinculação resultou no atraso e descompasso que marcou por muito tempo a educação do Piauí em relação a outras regiões.

No caso da história do Piauí, há consenso na historiografia piauiense de que a instalação de fazendas de gado por volta de meados do século XVII deu origem à província hoje estado Piauí. Consta que entre os primeiros habitantes do território piauiense o que prevalecia sobre o ensino escolar era o conhecimento herdado na família que facilitava a lida com o gado. Nesse meio, onde a rusticidade do povo e o apego a formas simples de vida, teria surgido uma população não muito apegada a tudo que tivesse alguma ligação com a educação escolarizada. Portanto, a colonização assentada nesses termos e sob uma estrutura econômica autossuficiente e de extrema pobreza ensejou que a sociedade política se formasse ao tempo em que as famílias de elite se constituíam na região, como avalia Guiomar Passos,

Os rudimentos das atividades da pecuária extensiva que prescindia da especialização da produção e do emprego de tecnologias e dependia de uma pequena divisão social do trabalho, deixavam proprietários e demais membros do sistema produtivo — vaqueiros, arrendatários e posseiros – tendo o mesmo estilo de vida rude e simples, apenas se diferenciando pelo fulcro balizador das diferenças sociais: a posse da terra. O nível de instrução, por exemplo, era praticamente o mesmo entre comandantes e comandados (2003, p. 132).

Somente no início do século XIX se pode identificar a instalação de uma escola de primeiras letras que tenha conseguido perdurar por mais de um ano, malgrado os apelos de alguns governantes ao poder central da colônia. O processo foi marcado de idas e vindas de instalações e fechamentos de escolas pela ausência de condições de se manter e assim perdurou

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por todo o período da monarquia, com poucas escolas instaladas, principalmente nas cidades mais populosas como Teresina, Parnaíba e Campo Maior, o que diz muito sobre a posição de isolamento da província do Piauí em relação ao resto da colônia brasílica. Era uma época em que essas relações se definiam pelo que se poderia oferecer em termos de economia, e o Piauí tinha apenas a pecuária, uma economia subsidiária, com força de concorrência com o mercado interno, pelo modelo de criação extensiva que não demandava muitos investimentos para se manter, mas sem força para concorrer com outros produtos de maior preferência no ramo da exportação. Assim como diz Passos, citando Cardoso & Faletto (1970, p. 35),

O modo como as economias periféricas se vincularam aos centros hegemônicos no momento em que se constituíram como regiões autônomas e independentes define as possibilidades de seu desenvolvimento ou estagnação. Os vínculos, analisam esses autores, são estabelecidos através de uma estrutura social e econômica herdada do período anterior e as possibilidades de desenvolvimento ou do seu oposto, a estagnação, estão inscritas na forma como classes ou grupos, gerados na situação precedente, estabeleceram relações nos âmbitos interno e externo (2003, p. 24)

De forma que a educação nas regiões periféricas da economia vai sofrer modificações apenas com a Revolução de 1930, que trouxe algumas ações no âmbito educacional, como a política de promover a educação criando um sistema educativo nacional. No Piauí essas ações limitaram-se à transformação de algumas casas-escolas e escolas reunidas em grupos escolares81, que representaram para o já então Estado do Piauí um avanço no seu processo

civilizatório. A cidade que tivesse um grupo escolar era considerada avançada do ponto de vista da educação para aquela época. Um outro aspecto significativo para a educação do estado no início do século XX foi a incorporação das normalistas ao sistema estatal de ensino.

No contexto descrito, a transição para o ensino superior, depois para a universidade, não poderia ter sido mais lenta e, em alguns momentos, até muito penosa, como destaca o jornalista e escritor Luiz Bello ao registrar que “a primeira escola de ensino superior piauiense foi criada em Teresina quando o ensino secundário ainda se limitava às duas maiores cidades – Teresina e Parnaíba” (1980, data presumida, p. 221). Muitos filhos da terra, diga-se, filhos de “famílias de posse”, ainda procuravam outros estados para cursar o secundário e algum curso superior.

A criação da Faculdade de Direito do Piauí ocorreu em meio a essa situação da educação e assim foi instalada em abril de 1931, passando a fazer parte do cenário educacional do estado

81 Ver VIDAL, Diana Gonçalves. Grupos Escolares: cultura escolar primária e escolarização da infância no Brasil

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quando o governo a reconheceu como instituição de ensino superior de utilidade pública pelo Decreto 1.196, de abril de 1931, e o governo federal a equiparou aos institutos de ensino superior do país, pelo Decreto 864, de junho de 1936. Mas somente em 1945 teve seu reconhecimento final quando foi federalizada pela Lei 1.254, de dezembro de 1955. Essa instituição marcou, portanto, o início do ensino superior no Estado do Piauí, como registrou um dos seus professores de Direito Administrativo, Hygino Cunha “Era uma antiga aspiração da elite intelectual do Piauí. Desde o advento da República no Brasil, que decretou a autonomia dos estados, atribuindo-lhes a faculdade de criar e dirigir institutos de ensino secundário e superior, oficiais e particulares” (BELLO, 1980, data presumida, p. 221).

Com a criação da Faculdade de Direito, em 1931, passou-se a respirar ares de academia, principalmente na capital, ocasião em que confluíram para esta faculdade jovens de outros estados, o que aumentou o trânsito de estudantes pela capital. Segundo Maureni Melo (2006), os valores construídos pela Faculdade de Direito foram como uma grande promoção para a sociedade piauiense, pois contribuíram para fomentar ambiente propício para a criação de mais uma instituição de ensino superior, a segunda do Estado, a Faculdade Católica de Filosofia do Piauí, chamada carinhosamente de FAFI, que nasceu em junho de 1957 por ação da Sociedade Piauiense de Cultura.

A FAFI saiu dos planos e ganhou vida em junho de 1957, mas só foi reconhecida por meio do Decreto 54.038, de julho de 1964. Segundo Melo (2006), a FAFI redefiniria as bases da educação do Piauí, formando professores que passaram a atuar em todos os setores educacionais, tendo também grande participação na construção da cultura piauiense, principalmente da capital, Teresina. A nova faculdade nasceu por ação da Sociedade Piauiense de Cultura, criada pelo arcebispo Dom Avelar Brandão Vilela, com o propósito de desenvolver a cultura no Estado, propósito que foi levado adiante pelo próprio arcebispo e outros intelectuais, no período de 1945 a 1964, em que se observou um grande crescimento de instituições de ensino superior no Brasil, com o surgimento de universidades particulares, com especial destaque para a ação da Igreja Católica.

Nesse contexto de surgimento de outras faculdades isoladas, começa-se a pensar na possibilidade de utilizar o acúmulo de experiência com o ensino superior para criar a primeira universidade federal do Piauí. Para compreensão desse processo, faz-se necessário buscar elementos na história, o que fazemos no tópico que segue, com a contribuição principalmente de pesquisadores que se empenharam no estudo da história da UFPI.

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4.3 Criação da Universidade Federal do Piauí e constituição do seu primeiro quadro