1 Des théories de l’innovation aux enjeux géogra- géogra-phiques
1.4 Les théories de la proximité
1.4.1 Proximité spatiale et proximité organisée
A importância das competências sociais no desenvolvimto emocional e relacional tem sido evidenciada de forma crescente nos últimos 20 anos ao longo de várias áreas. Desde o trabalho na área da terapia e análise comportamental, identificando e ensinando comportamentos sociais específicos, aos movimentos do treino de assertividade e da educação afectiva na psicologia e na educação, aos movimentos de integração e às iniciativas da educação regular e inclusiva (Walker, Ramsey & Gresham, 2004), todas estas contribuições convergiram para uma crescente atenção face à competência social. Na sequência destes desenvolvimentos tem havido um grande investimento na promoção da competência social das crianças, em geral, e dos jovens em risco, em particular.
As competências sociais constituem aspectos fundamentais para o desenvolvimento pessoal e social da criança. Desde cedo a criança é confrontada com a necessidade de interagir e fundamentalmente de ser aceite nesta interacção. Segundo Gresham e Elliott (1984), as competências sociais implicam de certa forma uma aprendizagem de comportamentos socialmente aceites, que permitem experimentar relações positivas com os adultos e o grupo de pares. As interacções pessoais são entendidas como relevantes para a aquisição de conceitos, habilidades e estratégias cognitivas que afectam o desenvolvimento social e a aprendizagem (Coll & Sole, 1995; Del Prette & Del Prette, 1997). As interacções sociais satisfatórias dos jovens com colegas e professores, requerem um repertório adequado de competências sociais, ou seja, de diferentes classes de comportamentos sociais para lidar de maneira adequada com as exigências das situações interpessoais (Del Prette & Del Prette, 2001a, 2003, 2005). As dificuldades nas competências sociais, definidas como défices de aquisição ou de desempenho interferem, portanto, na qualidade dessas relações (Del Prette & Del Prette, 2005; Gresham, 1992; 1995; Malecki & Elliott, 2002; McClelland, Morrison & Holmes, 2000). Lansford, Criss, Pettit, Dodge e Bates (2003) assumem a importância da qualidade das relações que os jovens estabelecem com as figuras parentais, pelo que uma experiencia de relações negativas com os pais poderia conduzir os adolescentes ao desenvolvimento de comportamentos anti-sociais. Os autores dão relevância ao papel desempenhado pelo grupo de pares, já que a qualidade das ligações no seio dos amigos se
destacavam enquanto factores protectores no desenvolvimento dos jovens. Estudos indicam que as competências sociais são um importante atributo para os adolescentes, tendo sido negativamente correlacionadas com diversos problemas comportamentais e desajustes afectivos, como os problemas de comportamentos internalizados e externalizados, o envolvimento em drogas ou a delinquência (Fletcher, Darling, Seinberg & Dornbusch, 1995). Allen e colaboradores (2002) sublinham a importância da qualidade das relações entre os adolescentes e as figuras parentais. Nesta medida, a organização da vinculação numa amostra de 117 adolescentes parecia prever o desenvolvimento de competências sociais, bem como um comportamento delinquente em adolescentes entre os 16 e os 18 anos de idade. De acordo com os autores, a vinculação insegura nos adolescentes era preditora de uma diminuição nas competências sociais. Particulamente jovens com um padrão preocupado mostravam aumento de comportamentos delinquentes quando existia uma elevada autonomia da parte da mãe. Note-se que face aos sujeitos com padrão preocupado não se revelou diminuição das competêcias sociais. Estes resultados são consistentes na literatura já que a vinculação insegura pode fomentar a externalização de comportamentos (e.g. Rosenstein & Horowitz, 1996). Por outro lado, adolescentes seguros pareciam lidar melhor com as adversidades e com a maior autonomia no comportamento materno mantendo os níveis de competências sociais e evitando comportamentos delinquentes.
A dificuldade na aquisição das competências sociais associa-se em muitos casos, embora não de forma causal, a um pobre desempenho académico, problemas na adaptação social e inclusive a índices de psicopatologia (Buhrmester, 1990; Gresham & Evans, 1987). Ao mesmo tempo, as competências sociais parecem funcionar num registo de reciprocidade com a auto-estima. Dito de outra forma, autores como Lcary, Schreindorfer e Haupt (1995) sugerem que uma baixa auto-estima promove alterações dos comportamentos sociais, potenciando agressividade e inadequação de sentimentos que resultam na percepção de rejeição. O mesmo se passa com uma elevada auto-estima, que se associa ao desenvolvimento de uma maior qualidade nas relações interpessoais e na comunicação (e.g. Baumeister, Campbell, Krueger & Vohs, 2003). Por outro lado, um estudo empírico realizado com 246 jovens de 18 anos de idade, ressalta o efeito mediador das competências sociais, nomeadamente entre o desenvolvimento pessoal, moral e emocional e o desenvolvimento da auto-estima (Laible, Carlo & Roesch, 2004). Peterson e Leigh (1990) propõem a ideia de que a
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competência social representa a soma de uma diversidade de atributos, onde se percebem interacções estreitas com variáveis como a auto-estima. Neste sentido um nível saudável de auto-estima proporciona a confiança necessária para o adolescente perpetrar e expandir de forma bem sucedida a sua rede social.
Encontram-se na literatura três abordagens principais à definição de competência social (Gresham, 1986): a definição baseada na aceitação pelos outros ou na popularidade entre pares introduzida por Moreno (1934); a definição comportamental e, finalmente, a definição da validade social. A definição comportamental identifica as competências e comportamentos específicos (geralmente designados como aptidões sociais) que levam a um funcionamento socialmente hábil e eficaz. No entanto, esta abordagem não garante que as habilidades sociais identificadas sejam de facto formas competentes de comportamento social. A abordagem da validação social acentua precisamente a necessidade de considerar os comportamentos socialmente validados. Conciliando estas abordagens, a definição adoptada por Gresham (1983, 1986, 2002) concebe as habilidades sociais como os comportamentos observáveis que fazem parte do desempenho do indivíduo, diante de demandas das situações interpessoais e que são necessárias à competência social. Os resultados sociais relevantes são aqueles que os pais, professores, ou outros membros da comunidade consideram importantes, adaptativos e funcionais.
Por outro lado, Haager e Vaughn (1995) abordam as competências sociais como um conceito lato utilizado para descrever o comportamento social, a compreensão e utilização de habilidades e a aceitação social. A competência social parte de um constructo, não decorrendo da simples presença dos seus componentes, mas sim das interações entre eles. Refere-se sobretudo às competências de interação com o mundo social, embora se encontrem na literatura definições que incluem neste conceito competências mais genéricas; estas geralmente constituem requisitos básicos para as primeiras. De ressaltar a diferença entre competência social e aptidões sociais (social skills), já que a competência social é um termo geral, de cariz avaliativo, baseado no julgamento dos outros acerca da eficácia social de um indivíduo ou funcionalidade em determinada situação. Por outro lado, as aptidões sociais referem-se às capacidades de comunicação e de relacionamento interpessoal, compreensão dos sentimentos dos outros (ajuda) ou organização e liderança de situações de grupo (McFall, 1982).
Note-se que a análise dos comportamentos sociais nos jovens, apesar de dar relevância aos aspectos desenvolvimentais, começa agora a atribuir ênfase ao efeito que as competências pessoais têm no próprio jovem, o seu valor enquanto estímulo social, as sequências das dinâmicas dos comportamentos sociais e o quanto eles satisfazem as necessidades de interacção social (Phillips, 1985). Neste sentido, tem havido um grande investimento na promoção e prevenção da competência social das crianças, em geral, e dos jovens em risco, em particular. O desenvolvimento de competências sociais surge como uma aquisição fundamental para o crescimento sócio-afectivo.
A competência social tem sido descrita como uma característica desejável e de extrema relevância na relação com a escola e o desenvolvimento de “atitudes empáticas” com os professores e colegas, originando competências de resolução de problemas efectivas e criativas (Fletcher, Darling, Seinberg & Dornbusch, 1995). Este atributo interage necessariamente com outros aspectos também valorizados por Peterson e Leigh (1990), nomeadamente os conceitos de assertividade e autocontrolo, atributos igualmente relevantes na competência social do adolescente que é capaz de agir de forma autónoma e atendendo às suas necessidades sem subestimar a relação com os demais. Desenvolver competências sociais básicas traduz-se assim numa maior estabilidade emocional para os jovens, já que se sentem aceites e valorizados. Cecconello e Koller (2000) assumem a identificação de competências sociais como um factor de protecção no curso do desenvolvimento humano, o que tem estimulado intervenções para a aprendizagem destas habilidades entre grupos e contextos distintos, bem como investigações com populações clínicas e não clínicas.
A qualidade das ligações estabelecidas pelos jovens retoma neste âmbito significância, pelo que vários estudos apontam para o facto de que a qualidade da relação entre os pais/filhos e os comportamentos sociais sejam mediados pelo desenvolvimento da empatia (e.g. Eisenberg & Fabes, 1998; Eisenberg & McNally, 1993; Hawkins & Lishner, 1987; Laible, Carlo & Roesch, 2004).
A empatia representa uma dimensão das competências sociais que se associa à indução de emoções que levam ao desenvolvimento de comportamentos sociais positivos reduzindo o stress interna e extermamente (e.g. Batson, 1991; Eisenberg & Fabes, 1998; Murphy, Shepard, Einsenbeg, Fabes & Guthrie, 1999).
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A investigação sugere que as competências sociais se encontram estreitamente relacionadas com o apoio parental, pelo que as relações de segurança com os pais/adolescente podem potenciar um clima efectivo ao desenvolvimento da empatia e reciprocidade (e.g. Garber, Robinson & Valentiner, 1997; Zahn-Waxler & Radke-Yarrow, 1990). Reti, Samuels, Eaton, Bienvu, Costa e Nestadt (2002) apontam para o facto de que um baixo nível de cuidados parentais se associar a comportamentos anti-sociais desencadeando elevado stress psicossocial que pode interferir no desenvolvimento da empatia. Ainda neste estudo os autores percebem a influência negativa que a superprotecção pode exercer no desenvolvimento da empatia, sugerindo maiores dificuldades na gestão de situações ansiogénicas. Por sua vez a qualidade da relação com os pares surge na literatura associada a uma oportunidade única para o desenvolvimento da empatia, facilitando tal como na relação com os pais, a mutualidade e reciprocidade (Youniss, 1985).
Alberti e Emmons (1978) descrevem a assertividade como um comportamento socialmente adequado que facilita a expressão de atitudes, sentimentos, opiniões e desejos, existindo respeito por si próprio e pelos outros, potenciando a resolução de problemas imediatos e a diminuição da probabilidade de problemas futuros. A qualidade das relações estabelecidas com as figuras parentais e os pares parece jogar mais uma vez um papel relevante para o desenvolvimento das competências sociais e em especial da assertividade. Esta variável tem sido descrita como uma componente relevante das competências sociais especialmente na adolescência tardia e na jovem adultícia sendo fundamental para o estabelecimento de amizades e nas relações íntimas fora do seio familiar (Erikson, 1968; Haley, 1973).
Fagot (1997) descreve jovens cuja reciprocidade de sentimentos negativos com as figuras parentais potencia respostas que se limitam a comportamentos agressivos, evitantes e anti-sociais na relação com os pares. Cassidy, Kirsh, Scolton e Parke (1996) apontam para o facto de jovens que percebem os pais como figuras rejeitantes manifestarem uma maior hostilidade no seio das relações familiares, assim como no contexto exterior.
Alguns estudos indicam ainda que as competências sociais são um importante atributo para os adolescentes no que respeita ao autocontrolo e à gestão de conflitos, tendo sido negativamente correlacionadas com diversos problemas comportamentais e desajustamentos afectivos (como a internalização e externalização de comportamentos, envolvimento em
drogas ou delinquência) (Fletcher et al., 1995). A literatura assume que as alterações do bem- estar das figuras parentais tais como o desenvolvimento de sintomatologias depressivas ou ansiosas, constituem um risco para o ajustamento comportamental dos jovens (e.g. Cummings & Davies, 1994b, 1999; Downey & Coyne, 1990; Fincham & Osborn, 1993). Marchand, Schedler e Wagstaff (2004) apontam no seu estudo estreitas ligações entre a orientação da vinculação parental e sintomatologia depressiva numa amostra de 64 famílias, ressaltando o facto da sintomatologia depressiva, em ambas figuras parentais, mediar a relação de vinculação e a internalização e externalização de comportamentos. Neste sentido, as competências de autocontrolo encontram-se em certa medida limitadas pela percepção de inconsistência nas relações e na aquisição de bases seguras, aparecendo na literatura frequentemente associadas a uma baixa auto-estima e a uma associação negativa na relação com os pares (Sim, 2000). Desta forma as práticas coercivas ou agressivas encorajam os jovens para um desenvolvimento desadaptativo, oscilando entre a pressão da disciplina e os comportamentos anti-sociais de isolamento e rejeição. De forma similar, Mize e Pettit (1997) sublinham que a falta de responsividade na relação entre mãe e filho se associa ao desenvolvimento de agressividade na relação com os pares. Em contraste, Parke e Buriel (1998) assumem que a expressão emocional e o apoio parental estimulam a aquisição de competências de interacção moderando comportamentos, desenvolvendo o estabelecimento de amizades e a aceitação dos pares.
Engels, Dekovic e Meeus (2002) sublinham a importância das práticas parentais nas relações interpessoais com os pares, assumindo a mediação das competências sociais. O estudo realizado pelos autores com 508 adolescentes entre os 12 e os 18 anos de idade revela que adolescentes, cujos pais se interessam mais pelas suas actividades, expressam sentimentos de afecto, estimulando os filhos para a autonomia, estão mais disponíveis para se adaptarem em distintas situações sociais. Por outro lado, adolescentes que frequentemente estimulam e desenvolvem as suas competências sociais parecem envolver-se mais nas actividades com os pares, estando mais ligados com o grupo de amigos experimentando também um maior apoio da parte destes (Mallinckrodt, 2000, 2001; Mize, Pettit, & Brown, 1995). Estes estudos apontam ainda para uma clara mediação das competências sociais face à qualidade das relações com os pais (nomeadamente a coesão e o ajustamento familiar) e o desenvolvimento das relações com os pares. Note-se que pais que mostram maior facilidade de integração
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valorizam mais este tipo de interacções, desenvolvendo estratégias que podem ser importante no desenvolvimento social.
Desta forma, a relação com as figuras cuidadoras primárias torna-se evidente para o desenvolvimento dos jovens. Muito embora os estudos apontem para o facto desta relação não ser limitante, parece contudo acarretar um impacto relevante no funcionamento social do adolescente (Parke & Ladd, 1992). Note-se que as competências interpessoais fundamentais para manter uma amizade na adolescência parecem associar-se a competências desenvolvidas na infância, nomeadamente nas interacções com os cuidadores (Buhrmester, 1990). Esta questão torna-se relevante na medida em que existe uma evidência do efeito das práticas parentais e dos estilos de socialização que vão influenciar as competências sociais do adolescente que, por sua vez, afectam o ajustamento emocional (e.g. Rice, 1990; Rice, Cunningham & Young, 1997).
Nesta medida, e assumindo que existe um contributo relevante dos cuidadores no desenvolvimento das crianças e jovens, sabe-se que na fase da adolescência é fundamental o aumento do tempo dispendido na relação com os pares sem que haja supervisão de uma figura adulta, como as figuras parentais ou um professor, já que permite o estreitamento dos laços emocionais, dando espaço para reflectir sobre as opiniões próprias, ideias e emoções (Brown, 1990). Adolescentes que experienciam dificuldades nestas competências específicas, apresentam maiores dificuldades em estabelecer amizades, assim como no envolvimento, intimidade ou mesmo na vinculação já estabelecida com amigos. Da mesma forma que os pais, o grupo de pares parece assumir especial relevância na investigação sobre o ajustamento dos adolescentes.
Estudos longitudinais realizados ao longo dos anos 90 do séc. XX, corroboram a ideia de que a rejeição sentida face ao grupo de pares é um preditor de internalização e externalização de problemas dificultando a integração social (e.g. DeRosier, Kupersmidt, Patterson, 1994; Hymel, Rubin, Rowden & LeMare, 1990). Desta forma o estabelecimento e a qualidade das amizades criadas pelos jovens têm vindo a ser descritos na literatura como indicadores de bem-estar e ajustamento psicossocial (e.g. Parker & Asher, 1993).
Para além primazia da relação com as figuras parentais, as evidências empíricas e uma significativa parte do corpo literário, sublinham ainda a ideia que uma boa qualidade relacional com os pais facilita a qualidade nas relações com os professores. Assim, jovens que
apresentam uma elevada qualidade nas relações com professores, evidenciam um maior desenvolvimento de competências sociais e cognitivas comparativamente aos que manifestam uma baixa qualidade nas relações (Birch & Ladd, 1997; Hamre & Pianta, 2001; Howes, Matheson & Hamilton, 1994; Pianta, Steinberg & Rollins, 1995). Algumas evidências mostram também que jovens com vinculações extremamente inseguras que manifestam uma elevada qualidade nas relações com os professores, denotam um elevado desenvolvimento das suas competências sociais (O´Connor & McCartney, 2005).
Em suma, reforçando a importância das ligações para além da família, alguns estudos ressaltam que uma elevada qualidade das relações com os professores parece assumir contornos importantes enquanto apoio, especialmente no caso de jovens com vinculações inseguras face aos seus cuidadores primários, prevendo níveis de ajustamento na qualidade das relações futuras (Howes & Hamilton, 1992; Howes & Matheson, 1992; Kienbaum, Volland & Ulich, 2001; Mitchell-Copeland, Denham & DeMulder, 1997).
Note-se que a avaliação das competências sociais é fundamental à luz de uma perspectiva ecológica no intuito de conceber a forma como estas variáveis são entendidas, não só pelo adolescente, mas também pelo contexto social e relacional do mesmo. De seguida serão abordados alguns dos métodos inerentes a esta avaliação dando relevância às escalas de competências sociais como o Social Skills Rating System- SSRS cuja análise ganha pertinência no presente estudo.