Chapitre 5 : Une démarche guidée pour la modélisation de l’alignement
5 Progresser depuis construire le modèle d’alignement
5.1 Construire le modèle d’alignement par analyse de l’alignement
5.1.1 Progresser vers évaluer les liens d’alignement
Até ao final dos anos setenta, a intervenção precoce dirigia-se apenas à criança sem considerar os contextos familiar, educacional e comunitário. A partir de então, as práticas da intervenção precoce começaram a focar-se na família, através da relação colaborativa entre a família e a equipa de intervenção, procurando também dar resposta às suas necessidades e dificuldades (Pimentel, 2005).
Esta inclusão da família no processo de intervenção precoce advém dos estudos que confirmam o impacto da família sobre o desenvolvimento da criança, evidenciando a importância de intervir junto do contexto familiar da criança para que o efeito sobre o seu desenvolvimento e progresso seja mais amplo (Tegethoff, 2007).
Assim, a família, definida como um conjunto organizado de interações recíprocas e transacionais entre pessoas de diferentes gerações, deverá constituir o núcleo central da educação da criança e contribuir para o sentimento de pertença, por parte desta, e para o seu desenvolvimento (Varanda, 2011). Esta caracteriza-se pelas suas estruturas, interações, funções e o seu ciclo vital que, segundo Cornwell & Korteland (1997), sob a influência da perspetiva sistémica, deverão constituir a base teórica da intervenção precoce junto da família.
Para Cornwell e Korteland (1997), ao averiguar a estrutura da família, a equipa de intervenção precoce poderá perceber a composição e a organização da família da criança para que assim consiga estabelecer uma relação colaborativa com esta. Por outro lado, para Tegethof (2007) conhecer a estrutura da família, implica conhecer as características da família, as características individuais de cada membro familiar e as
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características das necessidades educativas especiais. Desta forma, são avaliadas as necessidades, as dificuldades e as preocupações da família e adaptadas as estratégias aos seus valores e princípios familiares (Tegethof, 2007).
Conhecer as interações familiares implica conhecer os vários subsistemas em que a criança e a sua família estão inseridas (Cornwell & Korteland, 1997). Estes subsistemas que se consideram nas interações familiares vão desde o conjugal, o parental, o dos irmãos e do extra-familiar (Tegethof, 2007).
Por sua vez, o conhecimento sobre as funções familiares, que constituem as atividades realizadas para satisfazer as suas necessidades, permite à equipa de intervenção precoce estruturar as estratégias mais apropriadas a cada família, para que consigam adaptar-se e lidar com as suas dificuldades e necessidades (Cornwell & Korteland, 1997). Segundo Tegethof (2007) as funções da vida social e das atividades de recreio são as funções menos priorizadas no contexto familiar. Por outro lado, as funções económicas, domésticas e de cuidados da saúde são as funções apontadas pelas famílias como as mais importantes a considerar e a priorizar.
Por fim, segundo a perspetiva sistémica é, igualmente, relevante considerar e conhecer o ciclo vital da família no qual se intervém, uma vez que as alterações que se verificam, ao longo do tempo, poderão potenciar situações de instabilidade e stress para as famílias condicionando assim o seu funcionamento e as suas rotinas familiares (Tegethoff, 2007).
Segundo Dunst, Trivette & Deal (1994), após analisadas todas características da família, os principais objetivos no trabalho com esta são, a capacitação, a corresponsabilização e o empowerrment, em que: a capacitação diz respeito a desenvolver oportunidades para que os membros da família se sintam autónomos e competentes para satisfazerem as suas necessidades e atingirem os seus objetivos; a corresponsabilização implica a aquisição do sentido de controlo e responsabilidade sobre a sua vida através do alcance dos objetivos definidos pela família; o conceito de empowerrment da família está associado ao princípio de apoiar, promover e encorajar a mesma, considerando e reforçando sempre as suas qualidades e pontos fortes para assim a motivar para o futuro (Dunst et al., 1994).
Para além dos contributos da família na intervenção precoce, citados anteriormente, a família deverá ainda: garantir um ambiente estimulante e estruturado à criança; apoiá- la social e emocionalmente, potenciando o sentimento de segurança, a autoconfiança e a autoestima; garantir a segurança criança: e acompanhar o seu processo de
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aprendizagem estando disponível para a ajudar nas suas dificuldades (Cruz & Abreu- Lima, 2012).
Segundo Simeonsson (s/d), o papel da família também é fundamental no processo de avaliação na intervenção precoce porque esta constitui uma fonte de informação sobre a criança e sobre as suas vivências, necessidades e dificuldades (Gallagher et al., 1998). A sua participação no processo de avaliação, contribuirá para uma perceção mais realista da criança, da sua família e das expetativas familiares sobre a criança e até sobre o processo de intervenção, permitindo à equipa transdisciplinar confirmar os resultados obtidos na sua avaliação, estruturar estratégias, de acordo com as suas necessidades, e desta forma, aproveitar esta participação para iniciar o processo de intervenção propriamente dito (Simeonsson, s/d).
A participação da família, desde o início da intervenção precoce, facilitará o seu envolvimento na tomada de decisões, espelhará o tipo de participação que pretende ter no processo de intervenção precoce (Cruz et al., 2003) e permitirá à família ter autonomia, no que diz respeito, a satisfazer as suas necessidades, logo, é essencial garantir uma relação positiva de colaboração e apoio entre técnicos e família, em que esta sente que pode contar com o apoio, compreensão e cooperação dos técnicos (Fernandes, 2008). Para que este tipo de relação se desenvolva é importante que a família respeite e confie na equipa, que os serviços e recursos da intervenção precoce que são apresentados à família estejam preparados para a apoiar independentemente das suas características ou diferenças das famílias típicas, e que a família esteja disposta a discutir e negociar decisões e estratégias com a equipa dando oportunidade à equipa de se explicar e defender a sua perspetiva (Cornwell et Korteland, 1997).
2.1.3.4. Intervenção Precoce em Portugal: o Decreto-Lei nº 281/2009