P ARTIE III. A CTIVITE DU CAM
IMPLICATION DU GCAM :
VI- MOYENS TECHNIQUES ET ORGANISATION DU CAM
VI.1. Politique de gestion du Capital Humain du CAM
No primeiro capítulo de A arte da poesia38, uma obra que reúne diversos ensaios de Erza Pound (1885-1972), o poeta e crítico norte-americano oferece alguns conselhos a respeito do fenômeno poético, sob a forma de prescrição. Inicialmente, ele sugere três princípios que devem reger a criação poética, ou seja: tratamento direto do assunto do poema, economia de palavras e sequência da frase musical, isto é, compor segundo o ritmo natural da frase e não de acordo com a métrica.
O teórico explica que as três proposições defendidas não devem ser tomadas como dogma e, sim, como resultado de uma longa meditação que merece consideração. Parte, então, da questão da linguagem: devem-se evitar abstrações e palavras que nada acrescentem ao poema. Apenas os bons adjetivos e ornamentos são aceitáveis, se não forem bons, melhor não serem utilizados. O autor também não admite opiniões e descrições em poesia. E, acima de tudo, o poeta deve buscar a palavra exata. O símbolo perfeito é o próprio objeto. Assim, sua função simbólica não confunde quem não o compreende.
No que tange ao ritmo, o estudioso sugere que o poeta busque “as mais belas cadências que possa descobrir, preferivelmente numa língua estrangeira, para que o significado das palavras tenha menos probabilidade de desviar-lhe a atenção do movimento” (POUND, 1976, p. 12). Isso, evidentemente, serve apenas para o ritmo. O vocabulário deve vir da língua materna. Se a musicalidade for muito importante para um poema, essa música
38 O primeiro capítulo intitulado Retrospectiva é um conjunto de ensaios e notas iniciais que foi publicado com
esse título em Pavannes and Divisions (1918). Algumas Proibições (primeiro subtítulo do capítulo) foi publicado pela primeira vez em Poetry, I, 6 (março 1913).
“deve ser capaz de deleitar o especialista” (Idem), ou seja, a sonoridade precisa encantar até mesmo os músicos. A rima, a propósito, deve provocar prazer. Não precisa ser usada, mas se for, deve ser bem empregada. O ritmo não pode destruir a forma das palavras, nem seu som ou significado. Pound (1976) acredita, ainda, em um “ritmo absoluto” (Idem, p. 15), isto é, um ritmo que corresponde à emoção expressa. Ele resume: “é assim que a quero [a poesia], austera, direta, livre de deslizes emocionais” (Idem, p. 20).
O teórico valoriza muito a técnica e, na sua opinião, o artista tem que dominar todas as formas e sistemas de métrica conhecidos. É importante, ainda, que o poeta saiba identificar assonância e aliteração, rima imediata e retardada, simples e polifônica, mesmo que nunca precise dessas informações. Conforme Pound, “o domínio de qualquer arte é trabalho para uma vida inteira” (1976, p. 18). Logo, se a poesia é uma arte, exige conhecimento da técnica superficial e de conteúdo, evitando que amadores queiram se comparar aos mestres.
Em se tratando de versos livres, o autor propõe que só se os escrevam “quando ‘necessário’, isto é, quando a ‘coisa’ elabora um ritmo mais belo que o de metros fixos” (Idem, p. 21). Ou seja, se o assunto ficar melhor poetizado em versos livres do que em algum dos sistemas métricos conhecidos. Se não, o poeta deve optar pela métrica. Ele cita Eliot, concordando quando este diz que “Nenhum verso é livre para quem queira fazer um bom trabalho” (ELIOT apud POUND, 1976, p. 21).
Na perspectiva de Pound (1976), o poeta deve espelhar-se nos clássicos. Ele conta que “todos os antigos mestres da pintura recomendavam a seus discípulos que começassem por copiar as obras-primas, passando a seguir às suas próprias composições” (Idem, p. 18). Por isso, considera a tradução um bom exercício, pois o progresso está em tentar aproximar-se dos metros clássicos quantitativos, embora não se deva simplesmente copiá-los. Da mesma forma, o poeta deve-se deixar influenciar por grandes artistas, ainda que isso não signifique imitar um vocabulário peculiar daqueles que admira. E afirma: “nunca se escreveu poesia de boa qualidade usando um estilo de vinte anos atrás, pois escrever dessa maneira revela terminantemente que o escritor pensa a partir de livros, convenções e clichês, e não a partir da vida” (Idem, p. 19).
Pound (1976) valoriza algumas contribuições da crítica. Diz ele: “A crítica não constitui uma circunscrição, ou um conjunto de proibições. Ela fornece pontos de partida. Ela pode despertar a atenção de um leitor passivo” (1976, p. 10). Contudo, pondera que a parcela aproveitável da crítica vem, normalmente, em frases soltas ou através de um artista experiente que oferece regras e conselhos a um artista mais jovem. O autor acrescenta, ainda, que não merecem atenção “críticas de indivíduos que jamais tenham escrito alguma obra digna de
nota” (Idem, p. 11). Na sua ótica, para os leitores, uma antologia adequada é muito mais útil do que uma crítica descritiva, já que “o máximo que o crítico pode fazer pelo leitor, ouvinte os espectador é levá-lo a focalizar o olhar ou o ouvido” (Idem, p. 22).
Erza Pound (1976) deixa claro, já de início, que sua poética é prescritiva, o que o diferencia dos demais teóricos. Ele estipula três princípios básicos para a criação poética, ou seja: 1) tratamento direto do assunto do poema; 2) economia de palavras; e 3) valorização da sonoridade. O autor tem uma posição semelhante à de Valéry, pois também acredita que forma e conteúdo sejam indissociáveis na poesia, mas enfatiza o ritmo e a musicalidade, como o fazia Hegel.
Pound valoriza muito o trabalho técnico, como Longino, Horácio e Valéry. Além disso, ele parece ser um discípulo de Eliot, pois enaltece a unidade formal e a musicalidade, da mesma forma que o poeta norte-americano, e até mesmo faz uma citação sua corroborando a preferência da métrica tradicional sobre os versos livres. Ele ainda concorda com Eliot ao sugerir que os poetas se espelhem nos clássicos, da mesma forma que Longino, Schlegel, Coleridge e Hegel afirmaram anteriormente. Por fim, acredita que a crítica possa fornecer algumas contribuições, ainda que raras, mas lembra Schlegel, pois afirma que críticas de indivíduos que jamais escreveram poema não merecem atenção.