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La parole : un exemple parfait de l’intégration multisensorielle

2.6 Intégration des informations multisensorielles

2.6.2 La parole : un exemple parfait de l’intégration multisensorielle

À Professora Zeza17.

Belo Horizonte – outubro de 2009. Companheira,

Primeiramente, agradeço – te a receptividade e a disponibilidade em acompanhar-nos na pesquisa. Michela, após falar contigo, ligou para mim informando das questões de que eu necessitava saber e referiu-se à sua atenção. Eu imaginei que serias uma pessoa que colaboraria conosco, porque tua disponibilidade para cooperar já foi revelada desde que nosso Grupo de Pesquisa em Educação Matemática em Contexto de Educação do Campo iniciou seus estudos no município de Caruaru, acompanhado por Carlos Eduardo. A partir aquele primeiro contato, acolhendo-nos na tua sala de aula e oferecendo informações sobre o contexto educacional caruaruense, percebi teu compromisso com a educação nesse município.

Desde já, agradeço também a disposição em reservar um transporte para conduzir-nos às escolas onde imaginaste encontrarmos participantes da pesquisa que busco. Entre as unidades educacionais caracterizadas como escolas rurais, cujos nomes nos forneceste, e onde imaginas encontrarmos os pretendidos sujeitos – a Escola Professora Cezarina, que fica mais próxima à cidade de Caruaru, e a Escola Maria Félix de Lima, localizada no Sítio denominado Juá, a trinta quilômetros da cidade de Caruaru –, opto pela segunda. Ela parece atender melhor minha intenção investigativa, por situar-se mais distante do centro de Caruaru, caracterizando-se, pois, como uma escola rural de difícil acesso. Aproveito para informar que o inicio da realização do estudo empírico está previsto para o segundo semestre de 2010.

Recebi os recados que tu me enviaste por Michela: que, na escola Maria Félix de Lima, encontraria turmas cujos alunos trabalham em fabrico de confecções,

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A professora Zeza atua como supervisora de escolas rurais em Caruaru. Acolheu em sua sala de aula os pesquisadores do GPEMCE desde quando iniciamos as pesquisas no município de Caruaru em 2007, quando ainda atuava na função de docente.

mas que não sabes se eu toparia enfrentar os desafios de viver num lugar de difícil acesso e com condições pouco favoráveis em relação a certos “confortos” com os quais estamos acostumados a contar na vida em uma cidade grande, numa capital como Recife ou Belo Horizonte. Michela contou-me ainda que tu destacaste que, no Juá, certamente enfrentarei dificuldades que são próprias da em área rural, no interior: falta de água, dificuldades de abastecimento, pois não há onde comprar frutas e legumes, além de restrições de locomoção pela carência dos transportes.

Respondo que estou disposta a enfrentar os desafios que possam acompanhar-me nesta tarefa investigativa. Agradeço e quero contar, sim, com seu acompanhamento na primeira visita à escola e à comunidade. Ao chegar a Recife, telefono para agendarmos o dia em que juntas conheceremos o Juá, a Escola Maria Felix, e definirei como se dará minha instalação na comunidade, após o primeiro contato com os responsáveis pela escola. Colegas do grupo de pesquisa vão nos acompanhar na viagem, pois querem entregar cópias das suas dissertações de mestrado na Secretaria de Educação de Caruaru. Podemos aproveitar e viajar todos juntos.

Soube que quiseste saber mais um pouco sobre a minha pesquisa, sobre o que eu espero encontrar no Juá e o que eu vou fazer com o material empírico que quero produzir. Trata-se de um estudo onde buscamos conhecer práticas matemáticas da comunidade com a qual conviverei. Creio que boa parte de nossa dificuldade docente na negociação com essas práticas, quando queremos ensinar a matemática escolar, deve-se ao fato de não conhecermos e, por isso, não valorizarmos os fazeres de nossos alunos e nossas alunas. Penso que escola precisa oportunizar momentos de diálogo entre saberes extraescolares e aqueles institucionalizados e valorizados no contexto escolar, estabelecendo a relação dialética, que Paulo Freire considerou decisiva, que contribua para o desenvolvimento da consciência crítica.

Nesse sentido, orienta o Grupo de Estudos em Numeramento da Universidade Federal de Minas Gerais, onde estudo, a perspectiva de estudos da minha orientadora, a professora Conceição Fonseca, segundo a qual Práticas de Numeramento são interlocutivas e interdiscursivas18. São interlocutivas por serem “forjadas nas interações discursivas e são marcadas por conflito e negociação nos quais as posições relativas dos sujeitos sociais, que se reconhecem como tal, são

definidas” e são interdiscursivas porque são “definidas à medida que há muitos discursos, falados ou supostos (das concepções de matemática, do mundo e da escola e também do conhecimento prático e acadêmico, das memórias e das representações) que entram na relação entre si no jogo interlocutivo”.

As dimensões interlocutivas e interdiscursivas das práticas de numeramento e nossa disposição de inserir este trabalho na perspectiva de uma Educação Libertadora nos fazem eleger os conceitos de dialogismo backhtiniano e de diálogo freireano para orientação tanto da percepção das posições dos sujeitos nas interações observadas no trabalho de campo, quanto da análise do corpus destacado do material empírico do estudo.

É com base nesses referenciais que pretendemos analisar práticas de numeramento de jovens e adultos, ao observar o exercício de suas atividades laborais, buscando promover leituras de sua realidade vivencial na compreensão dessas práticas no desenvolver de atividade profissional e na sala de aula EJA.

Desde já, agradeço o apoio com o qual sempre temos contado quando necessitamos retornar a Caruaru para realizar nossos estudos. Também me coloco a disposição, junto com os demais companheiros do Grupo de Pesquisa, em colaborar com o que necessitares no âmbito educacional subsidiando o trabalho que é aí desenvolvido, marcado por tanto compromisso com a qualidade educacional. Como fizemos quando da oferta do curso de extensão para as professoras na UFPE em 2008, desejamos contribuir conforme as demandas de necessidade que as professoras e∕ou escolas indicarem, oferecendo nossa contrapartida.

Muito obrigada por disponibilizar teu telefone para contatos! Aguarde notícias.

Um grande abraço,