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Network Reliability

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Figure 3-19. Elements in a parallel availability relationship

3.13 Network Reliability

Neste tópico propormo-nos clarificar algumas distinções entre os conceitos de “rede social” e “comunidade online”. Uma comunidade é sempre uma rede. Porém, nem sempre uma rede constitui uma comunidade. Mais, dificilmente estas duas estruturas existem na sua forma pura e uma distinção clara entre elas é por vezes artificial, na medida em que se trata de um contínuo que escala em dimensão e diversidade.

Downes (2009, julho 7) identifica dois tipos de estruturas sociais fundamentais: “grupos” e “redes”. Contudo, nós preferimos a designação de comunidades” e” redes”, à qual Downes não se opõe: “Still, in a very loose sense, we can talk of my 'group' - in retrospect, a poorly chosen word - as being analogous to 'communities'”, (2011, maio 24). Como referido anteriormente, encaramos estes dois conceitos como “ideais”, no sentido da identificação de instâncias específicas que nos permitem evidenciar e contrastar os elementos mais antagónicos, quando na realidade os ambientes virtuais são mais uma combinação das características de ambos. O Quadro 2 elenca as distinções entre os dois extremos destas estruturas sociais online em termos da revisão de literatura efectuada; suportada, sobretudo, em Downes (2007, novembro 24) e no relatório “The Learning Facilitator’s Role: How Is It Changing?” (Kaulback, Levinson, & Reeves-Lipscomb, 2013).

Quadro 2. Aspetos distintivos entre Comunidades e redes

Redes Comunidades

O indivíduo mantém sua individualidade num todo que é emergente do conjunto de

indivíduos e das suas escolhas. O sentido é o da cooperação.

O individuo subsume-se, torna-se parte de um todo, criado pela junção de uma coleção de membros idênticos. O sentido é o da colaboração.

Objetivos individuais. Cada individuo opera independentemente, de acordo com os seus valores e interesses.

Intenção coletiva. Objetivos da comunidade.

Os recursos estão disseminados e são

agregados na rede Recursos e artefactos estão localizados num sítio interno A página de entrada é a página de perfil

pessoal A página de entrada é um espaço comum da comunidade

Local onde vamos para dar e receber

informação e onde fazemos as nossas próprias coisas

Os outros esperam ou convidam-me para contribuir de modo específico, para participar na criação de artefactos de aprendizagem ou na organização de eventos

As redes são autogeridas. A expectativa é a de que as pessoas agreguem, remisturem, reproponham e encaminhem recursos, informação, ideias

As comunidades são geridas, coordenadas e nutridas por um ou mais facilitadores

Ideais para aprendentes automotivados e auto- organizados que sabem bem o que querem e procuram (muito autónomos)

Ideal para pessoas que querem aprender com outros em torno de um dado domínio ou assunto

Não existe ninguém responsável por orientar o

individuo Mentores ou pessoas mais maduras, especialistas em termos do domínio a quem recorrer.

Criar a comunidade é tarefa do aprendente individual, neste contexto as redes

autoorganizam-se

A tarefa do facilitador é apoiar o desenvolvimento de um sentido de comunidade

Podem ser desorientadoras, esmagadoras e até certo ponto caóticas. A sua estrutura é

conectiva: conhecimento, informação, dinheiro… não fluem, antes emergem como resultado das interações na rede.

Um lugar para aprender com parceiros de aprendizagem em que se confia e com eventos de aprendizagem facilitados. A sua estrutura é distributiva: conhecimento, informação, … fluem do centro para os seus membros. Os grupos formam-se e desvanecem-se

rapidamente. A ecologia da rede é diversa e mutante, definida pelas interações. Associação baseada na interatividade.

Os membros mudam, mas devagar, usualmente existe um grupo nuclear. A associação é baseada na semelhança Sem fronteiras. A comunicação não se

restringe a sítios contidos, sujeitos a um determinado conteúdos ou focados num tema específico.

A condição de membro e não membro define fronteiras mais ou menos explícitas, formais ou informais. Tendem a ser fechadas ou pouco permeáveis.

As tecnologias de suporte: telefone, carta, e- mail pessoal; na Internet - páginas pessoais, blogue

As tecnologias de suporte apelam à massa: TV, rádio, jornais, livros; na Internet - listas distribuição, website corporativo, portal

A respeito de caracterizações algo “simplistas” como a da distinção entre “redes” e “comunidades”, Downes (2006, outubro 16) refere:

While it may be tempting to take this as a statement of some sort of ontology (‘the world is divided into networks and groups, and these are their essential characteristics’) it is better to think of the two categories as frames or points

of view from with one may approach the creation of learning environments. (A

network pedagogy, para. 1)

Por outro lado, a asserção de que num grupo se perde a identidade e liberdade, pelo facto dos membros serem definidos pela sua semelhança em vez de pela conexão, parece ser muito simplista e limitada. Alguns grupos são locais onde se pode expandir e nutrir a nossa identidade, ganhar novas liberdades. Será esta distinção relevante? Serão as redes imunes ao pensamento de grupo? Talvez não, embora seja mais difícil. Parece existir aqui uma tensão latente entre comunidades (grupos) e redes. Não que isso seja mau ou algo que deva de ser eliminado. É uma força em jogo. As comunidades tendem a formar-se para assegurar a convergência (de ideias) e obter um resultado (produto) final. Elas podem começar por parecer uma rede, envolvendo pensamento divergente e discussão, mas eventualmente tenderão para uma forma mais fechada, em que se requer dos membros responsabilidade e trabalho colaborativo tendo em vista resultados específicos. Os grupos estão orientados para a colaboração tendo em vista um resultado final, enquanto as redes são formadas para alimentar os egos das pessoas envolvidas, o trabalho dos grupos ou ambos.

Atomístico Conexões Identidades, uniformização Indivíduos Redes Comunidades (grupos)

Figura 2. Três grandes estados de organização definidos por Downes (2011, maio 24)

Da Figura 2 fica evidente a intenção de Downes em colocar as redes como um ponto feliz entre os dois extremos (comunidades e indivíduos).

No sentido de integrar as quatro condições que conferem dinâmica conectivista a uma rede (ou comunidade) e a tornam adequada para produzir conhecimento distribuído (Downes, 2009, fevereiro 24) com a perspetiva de Wenger, Trainer e Laat (2011) acerca da caracterização das comunidades e redes enquanto estruturas que se constituem mutuamente, elaborámos a Figura 3, que deve ser analisada de um ponto de vista meramente qualitativo e simbólico.

Figura 3. Comunidades e redes enquanto estruturas hibridas e, possivelmente, conectivistas

Na Figura 3 é possível identificar um nicho conectivista que ilustra a ideia de que existe sempre potencial para a aprendizagem, mesmo no caos da rede. E quanto mais a estrutura se assemelhar a uma rede, maior a possibilidade de ter dinâmica conectivista. Porém, quando se conjugam os quatro princípios semânticos, as redes e as comunidades tornam- se ambientes privilegiados para a interação, pois não se corre tanto o risco de ficar a falar sozinho, minimizando a dispersão e ruído na rede.

Todavia, importa desde logo notar que, do nosso ponto de vista, estes não são conceitos exclusivos e que, na maioria dos casos, as estruturas sociais que encontramos online exibem traços de uma e outra estrutura, com prevalências distintas. Para nós trata-se mais de um contínuo, de um espectro de estrutura sociais, que escala em dimensão e diversidade de interesses e ligações, desde modelos altamente centralizados – comunidades de prática - até aqueles altamente descentralizados – redes conectivistas. Estes arranjos sociais podem estar intrincados uns nos outros, como notam Hearn e Mendizabal (2011) ao referir que “a decentralised network may consist of centralised sub- structures (committees, working groups, secretariat, etc.)” (p. 6). Este aspeto é importante porque, como Susan Allen Nan (2001 citado por Hearn e Mendizabal, 2011) refere, as redes com mais detalhes estruturais suportam maior diversidade, tamanho e dispersão geográfica, enquanto que aquelas com menos detalhe dependem de laços fortes entre os

membros, podem ser menos resilientes e redundantes11, tornando-se mais vulneráveis.

Evidenciando-se que as comunidades podem ser mais ricas em contextos mais difusos e amplos.

Wenger (2010) também dá conta desta hibridação ao referir que:

It is a mistake, I believe, to think of communities and networks as distinct structures. …. Rather than contrasting a community here and a network there, I think it is more useful to think of community and network as two types of structuring processes. Community emphasizes identity and network emphasizes connectivity. The two usually coexist. Certainly communities of practice are networks in the sense that they involve connections among members; but there is also identification with a domain and commitment to a learning partnership, which are not necessarily present in a network. More generally, I find it more productive to think of community and network as combined in the same social structures—but with more or less salience. So the question is not whether a given group is a network or a community, but how the two aspects coexist as structuring processes. (p. 10)

Como salientam Kop e Hill (2008), no modelo conectivista as comunidades são entendidas enquanto nodos de uma rede mais vasta. Estes nodos são pontos de conexão na rede e podem ter diversas forças e tamanhos, dependendo da concentração de informação e do número de indivíduos que a eles se ligam. A rede suporta múltiplos interesses e intenções que se vão intersetando, sem uma dimensão coletiva, antes conectiva. A metáfora é peer-

to-peer. Em última análise a rede que cada individuo cria é acerca de si, é o seu PLN.

Na rede tudo volta ao “eu”. Mas um “eu” diferente não isolado, autónomo, não coletivo mas conectivo. Uma autonomia permeada pela independência e ação individual de se conectar e participar quando, como e onde quer, já que online não se pode coagir uma pessoa. Tudo é mais autêntico, menos gerido e mais pessoal. Na rede, o acesso livre a muitos dos conteúdos e locais, anula as barreiras a qualquer tipo de participação.

Em termo realistas a pergunta impõe-se: como se coaduna esta dispersão e mar de possibilidades da Web 2.0 e das redes conectivistas com a educação formal dos jovens? As redes requerem autonomia, os grupos identidade. É certo que os jovens de hoje são conectivistas por natureza, na medida em que fazem uso diário das tecnologias, para se manterem ligados. Porém, esses contactos e interações passam-se, sobretudo, a um nível social e dentro dos seus grupos de amigos e pessoas conhecidas (strong ties). Esses pequenos mundos, funcionam como grupos no seio dos quais constroem e revelam a sua identidade. Os jovens estão a construir a sua identidade e por isso os grupos são tão importantes e marcantes na sua vida. As redes requerem autonomia e abertura, que

11 Resiliência da rede refere-se à capacidade de uma rede para resistir a danos. A redundância requer caminhos alternativos na rede. O segredo da resiliência da rede é a redundância (o que contraria a eficiência com que a maioria dos sistemas são desenhados). Um bom sistema tem equlibrio em termos de redundância e eficiência. (Krebs, 2012, novembro 9)

muitas vezes os jovens não têm, por insegurança, por necessitarem da interação com as práticas mais maduras de adultos ou especialistas.

É neste âmbito que as comunidades podem assumir um papel essencial e fundamental na aprendizagem dos jovens. São como pequenos oásis, dispersos aqui e ali, que povoam a rede. Há que saber encontrá-los e, uma vez localizados, saber como se envolver e participar. A escola, as turmas, são também grupos no sentido de Downes (2009). Todavia, a nossa sensação é a de que têm falhado enquanto fonte de identidade para os jovens, por oposição ao que acontece com outras comunidades a que pertencem. No entanto, continuam e continuarão a ser espaços identitários privilegiados onde, de forma segura, os jovens têm acesso ao contacto e interação com a prática mais madura de adultos, os professores. Muitos dos jovens têm autonomia, curiosidade e meios - background cultural e familiar - que lhes permite, por si só, irem mais além e irem aprendendo na rede, em função dos seus interesses e necessidades (aprender a programar, a “hackear” sistemas, a jogar, a fazer vídeos, etc.). Porém, existem outros que são menos privilegiados e que se não tiverem quem “puxe” por eles, estagnarão e não saírão dos seus pequenos mundos, estabelecendo apenas a laços circunscritos ao pequeno núcleo de amigos, familiares e colegas de trabalho. A escola enquanto grupo tem um papel fundamental e continuará a ter, enquanto espaço de contacto com professores ou outras pessoas competentes para atuarem na ZDP dos jovens, por terem em mente grandes objetivos e capacidades que importa estimular e desenvolver nos jovens.

Porém, para se constituír enquanto verdadeiro espaço identitário para os jovens, a escola necessita de ser repensada à luz da complexidade do nosso mundo e dos desafios que os jovens terão pela frente, proporcionando formas de comunicação, de participação e envolvimento que sejam fonte de identidade, à semelhança das que os alunos encontram noutros locais que competem com a escola. Tudo isto aponta para uma pedagogia diferenciada, um currículo não totalmente definido à partida e mais individualizado. Uma nova cultura de ensino e um novo paradigma de aprendizagem, baseado em processos de aprendizagem no âmbito dos quais se vá além da clausura da sala de aula e se potenciem de redes de aprendizagem alargadas, onde se aprenda a usar a colaboração em larga escala, a manusear grandes quantidades de informação, em torno de propósitos específicos, com foco no desenvolvimento de ideias e na vivência em comunidades de aprendizagem, sustentadas pela Web 2.0. Sem, contudo, perder o amparo da turma e a orientação do professor ao longo deste período de iniciação e educação acerca da vida e da aprendizagem em rede.

Os Open Educacional Resources (OER) - materiais educacionais de acesso livre, apontados como a tendência desejável em educação - por reduzirem a sobrecarga criada pela dependência de conteúdos publicados comercialmente e por explorarem o potencial da cofacilitação entre estudantes e entre estes e professores ou especialistas, podem reduzir os constrangimentos, económicos e sociais, inerentes ao ensino baseado em pequenas salas de aula, centradas na interação professor-aluno dando tempo e voz a todos. Esbatem- se barreiras à participação e cada um usa a rede e os seus recursos de acordo com os seus interesses, disponibilidade e necessidades. Tudo é mais personalizável, não no sentido de mais recursos, mais funcionalidades, mais tipos de conteúdos, mas antes de menos regras, menos restrições, de um maior sentido de empowerment – uma nova autonomia.

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