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Figure 4-9. Classification of functions based on growth rates for asymptotic order notation relative to some stated functional form g(n)

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Partindo das assunções de que as tecnologias são desenvolvidas para se alcançarem determinados objetivos, que o seu uso é influenciado pela dinâmica do mundo sociocultural e que esses objetivos se reconfiguram e evoluem em consequência do seu uso e testagem no mundo real, é licito afirmar que as estruturas tecnológicas ganham significado no contexto das relações sociais entre as pessoas. Estas relações definem e dão relevância ao uso da tecnologia e, ao mesmo tempo, são definidas e estruturadas por esta. Procurando ir além do sistema de atividade de Engeström, que coloca os diversos elementos em interação (de alguma forma compartimentados) e não como subfunções de uma ecologia mais global e ampla que é a atividade em si, os estudo de Kling, McKim, & King (2003) acerca da comunicação em fóruns de discussão propuseram um modelo alternativo que os considera como Socio-Technical Interaction Networks (doravante, STIN). Embora as ideias destes autores sejam oriundas do campo da informática social, do nosso ponto de vista, aplicadas conjuntamente com as noções da teoria da atividade, proporcionam um quadro de análise alargado e mais adequado para ambientes sociais complexos, suportados pelas tecnologias da informação e da comunicação.

Reconhecemos grande riqueza na conjugação destas duas perspetivas. Antecipamos uma análise mais completa e uma compreensão aprofundada dos fenómenos, motivações e

nuances do comportamento humano em ambientes fortemente mediados pelas

tecnologias.

Garrison (2001) evoca Dewey para justificar a necessidade de pensar em termos funcionais em vez de interaccionais, no que concerne a atividade e aos vários

componentes de um sistema de atividade. E recorre a exemplos da natureza para evidenciar a arbitrariedade de colocar em interação (separar) elementos que, na realidade, existem de forma integrada.

Dewey (1925/1981) wrote, ‘a living organism and its life processes involve a world or nature temporally and spatially ‘external’ to itself but ‘internal’ to its functions’ . . . Oxygen, food, and water are external to our existence, but internal to our functioning. Unless oxygen, food, and water sometimes become internal to a given Homo sapien’s existence, survival is impossible. (p. 277)

Pensar em termos funcionais coloca os elementos funcionantes (interno, externo, por exemplo) do sistema em transação como componentes (subfunções) da actividade - por oposição a interação - de um funcionamento mais vasto. O “transaccionalismo” ajuda-nos a pensar na atividade (não só cognitiva) como distribuída histórica, social e espacialmente, colocando os subelementos enquanto subfunções de uma função mais ampla.

Understanding individuals as distributed functions, it soon becomes clear that functional coordination must replace structural correspondence in the vast majority of cases . . . . Transactional thinking allows us to see things as belonging together functionally, such as lungs and oxygen producing flora, that are usually never connected. Transactionalism allows us to recognize them as subfunctions of a larger function. (Garrison, 2001, pp. 278 e 286)

Os eventos correspondem a processos de desenvolvimento, deslocalizados no espaço e no tempo, que expõem a sua natureza (por exemplo, o desenvolvimento de uma criança). De modo análogo um ambiente virtual corresponde a um processo de desenvolvimento deslocalizado no espaço e no tempo, que se traduz como um todo, em que todas as partes são coconstruídas e, por isso, indissociáveis. Determinar o contexto destes eventos, dada a sua natureza transacional e distribuída, não é óbvio. A este respeito Garrison (2011) conta o seguinte: “Dewey answered, ‘If it be asked, ‘where’ a transaction is located, the only possible answer . . . appears in many cases to be that it is located wherever it has consequences’. Distributed events must have distributed contexts.” (p. 287)

A perspetiva de coordenação funcional de uma situação, ou contexto, coloca os seus elementos como subfunções em transação em vez de conexões entre meios e fins. Garrison (2001) vê Dewey como um neo-Darwiniano, por partilhar da visão que tudo evolui, tudo está em processo (em desenvolvimento), “ every individual “thing” is really a spatially and temporally extended event” (p. 286).

Outra consequência desta visão transacional e holística dos sistemas de atividade é a de que no funcionalismo não existem fronteiras vincadas, nem “dentro” e “fora”. As subfunções do sistema coordenam-se para dar corpo a uma entidade orgânica funcional.

Não se pode compreender uma parte fora do todo no qual funciona e em que está integrada

Life involves functionally coordinated trans-actions that maintain or enhance functioning. A transactional approach generalizes this idea to all systems . . . . To understand a living being, a social being, or anything else mutually and reciprocally connected, it is necessary to understand the trans-actions of the entire sustaining system. (Garrison, 2001, pp. 290-291)

Barab, Schatz e Scheckler (2004) referem que uma ecologia é um bom exemplo de muitos elementos em transação num sistema dinâmico.

When one adopts a transactional lens in understanding activity systems, the system is treated as permeating all components with the triangle simply describing a lens through which to examine the overall system in its multiple functions. For example, a tool is not an independent entity but is instead a description of a subfunction or a particular perspetive from which to understand the larger activity. (p. 28)

De uma perspetiva funcionalista, os elementos do triângulo de atividade deixam de ser vistos como elementos individuais, em interação, para passarem a ser vistos como partes de um sistema dinâmico e em transação. Dito de outro modo, como pontos de entrada possíveis através dos quais analisar a atividade do sistema, de diferentes perspetivas. Por exemplo, um fórum de discussão não é desta perspetiva uma ferramenta mediadora da atividade humana, mas antes uma estrutura que apenas faz sentido porque existe num contexto de transação social, que lhe dá significado e existência. Kling, McKim e King (2003) referem-se a isto nos seguintes termos “a network that brings together people and equipment in ways that are not meaningfully separable . . . technology-in-use and a social world are not separate entities—they coconstitute each other.” (pp. 49 e 54)

Esta ideia de que o uso da tecnologia e o comportamento social humano estão intrincados e em transação (constituem-se mutuamente) levou Kling, McKim e King (2003), ao analisarem o comportamento social em fóruns de colaboratorios12 científicos online nas

áreas da física de altas energias, biologia molecular e sistemas de informação, a definirem o conceito de STIN como um tipo especial de rede sociotécnica.

A Socio-Technical Interaction Network (STIN) is a network that includes people (including organizations), equipment, data, diverse resources (money, skill, status), documents and messages, legal arrangements and enforcement mechanisms, and resource flows. The elements of a STIN are heterogeneous. The network relationships between these elements include: social, economic, and political interactions. (p. 48)

12 “collaboratory” = “collaboration” & “laboratory.” National Research Council (1993 citado por Kling e al., 2003) define “a center without walls, in which users can perform their research without regard to geographical location—interacting with colleagues, accessing instrumentation, sharing data and computational resources, and accessing information in digital libraries” (p. 48).

Estas redes podem não ser exclusivamente eletrónicas já que muitos atores podem ter apenas contactos presenciais. As interações podem ser entre pessoas, entre pessoas e recursos e entre tecnologias e as suas infraestruturas. Kling, McKim e King (2003) clarificam que estas redes são constituídas por elementos heterogéneos, de natureza social e/ou tecnológica, ligados de diferentes formas numa rede complexa, com nodos heterogéneos em relação de dependência direta ou não.

Kling, McKim e King (2003, p. 56) elencam as assunções básicas em função das quais se modelam e analisam este tipo de redes – as STIN:

Os aspetos social e tecnológico são inseparáveis no design de fóruns usáveis e sustentáveis;

As teorias do comportamento social devem influenciar escolhas técnicas de design;

Os participantes no sistema estão embutidos em múltiplas e não tecnológicas relações, mediadas socialmente, e por isso podem ter múltiplos e conflituantes compromissos. Para cada um destes atores o sistema tem importâncias e papéis diferentes nas suas vidas. A sustentabilidade de um sistema vai depender de outros sistemas e fóruns em que os atores já participam, pelo que num dado fórum os atores podem estar apenas fracamente ligados;

A sustentabilidade e operações de rotina são críticas e devem ser determinantes no

design.

Este modelo conceptual tem a particularidade de ter uma visão ecológica e dinâmica da tecnologia e do seu uso. Esta não é vista como algo pronto a consumir e a aplicar, mas como parte de um sistema mais vasto que evolui continuamente, definido pelos participantes que o usam e reconstroem continuamente, por via desse uso.

As competências para sustentar e desenvolver estas redes não são apenas técnicas, mas também sociopolíticas no que concerne à construção de alianças com outras entidades, e instituições ligadas direta ou indiretamente à rede. Deste ponto de vista, uma das marcas deste modelo STIN é o seu caráter ecológico, na medida em que nele se têm em conta quer as características dos fóruns eletrónicos, a participação e as interações dos participantes, quer as interações com outras redes sociotécnicas e contextos. Outro aspeto peculiar do modelo é o de procurar antecipar, aquando da modelação do sistema, quem serão os participantes relevantes e as redes sociotécnicas em que estes estão inseridos. Não esperando até que a rede esteja completamente estabelecida para a modelar.

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