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Assim como o PPNE, o LDV (Laboratório de Apoio ao Deficiente Visual), ligado à Faculdade de Educação, dá apoio às pessoas com deficiência visual na Universidade de Brasília. Sua estrutura oferece: recursos e materiais em Braille; sistema operacional Dosvox; ferramentas de auxílio tecnológico e educacional; assistência técnica de bolsistas, um funcionário e professores com experiência no Ensino Especial, auxiliando a comunidade e os estudantes com necessidades especiais visuais no seu desenvolvimento acadêmico, tanto em nível de graduação quanto em nível de pós-graduação (SOUZA et al., 2004).

O LDV foi implantado em 1994, funciona na Faculdade de Educação e compõe o GT/Educação especial/Inclusiva do PPNE. Em 2005, após mobilização a área de educação especial/inclusiva em favor da institucionalização de seus laboratórios, definiu-se como parte da Faculdade de Educação e integra seu Plano de Desenvolvimento Institucional (RAPOSO, 2006).

O LDV tem como objetivos:

 proporcionar apoio acadêmico especializado aos universitários deficientes visuais da UnB e da comunidade;

 participar do grupo de trabalho Educação especial/inclusiva do PPNE, desenvolvendo funções e atribuições específicas de sua competência e estrutura;

 adaptar, em tipo ampliado ou em relevo, material acadêmico utilizado por alunos deficientes visuais e professores da UnB;

 oferecer consultoria sobre as grafias Braille das áreas de Língua Portuguesa, Química, Matemática e normas para a Produção de textos em Braille;

 atuar como centro de referência para atividades docentes, pesquisas e projetos de extensão sobre a deficiência visual;

 proporcionar aos deficientes visuais da UnB e da comunidade acessibilidade à informação por meio de acervo disponível em CDs, digitalizados ou gravados em fitas cassete.

Colabora também com o desenvolvimento do acervo da BDS, digitalizando e adaptando livros, mantendo contato periódico com a equipe da BDS na troca de

informações sobre a adaptação de livros e descrição de figuras, pois a equipe do LDV, por manter contato direto com o usuário, dispõe de um retorno valioso para a equipe da BDS no que diz respeito às suas necessidades de informação e de avaliação direta do trabalho desenvolvido.

A equipe do LDV, composta de bolsistas de graduação e de permanência, é capacitada para transcrever texto em Braille, utilização de ferramentas e programas de impressão em Braille, uso adequado de materiais e equipamentos para pessoas cegas e com baixa visão, gravação de textos, orientação de ledores voluntários, digitalização e adaptação de materiais, e também para atendimento e convivência com pessoas deficientes visuais. Também ministram cursos e oficinas do sistema Braille e do Programa Braille fácil de conversão e impressão (RAPOSO, 2006).

É importante ressaltar aqui a valiosa contribuição da equipe do LDV no momento de criação e desenvolvimento da BDS e na inclusão dos alunos com deficiência visual da UnB.

4 METODOLOGIA

Nessa etapa do trabalho, serão descritas a metodologia e as técnicas de pesquisa adotadas no mapeamento dos dados demográficos dos usuários com deficiência visual, das suas necessidades de informação, e do seu acesso à informação digital.

Para escolha da metodologia para esta pesquisa, foram pesquisados vários autores, como McGarry (1999), Dias (2000), Tomanik (2004), Vergara (2009), Santos (2005), Batista e Cunha (2007), Goldenberg (2007), Gil (2009, 2011), Marconi e Lakatos (2010) e Richardson (2012), alguns dos quais serão apresentados neste trabalho. Essa seleção baseou-se no trabalho de Sousa, Lopez e Andrade (2008), que fez uma análise dos métodos científicos mais utilizados nas teses e dissertações do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação da Universidade de Brasília defendidas em 2006-2007 e concluiu que os métodos mais apontados foram os qualitativos, os descritivos e os exploratórios. Observou-se a convergência entre os autores mais citados (Gil, Marconi e Lakatos, Richardson), quanto às definições de método e técnica e aos principais tipos de pesquisa. Os demais autores foram utilizados pela pesquisadora em seu estudo de usuário, realizado em 2009.

Para se ter uma melhor orientação, foram seguidas as nove etapas básicas apresentadas por Gil (2011) na pesquisa social, que são: a formulação do problema, a construção de hipóteses ou determinação dos objetivos, o delineamento da pesquisa, a operacionalização dos conceitos e variáveis, a seleção da amostra, a elaboração dos instrumentos de coleta de dados, a coleta de dados, a análise e interpretação dos resultados e a redação do relatório. Todas estas etapas foram cumpridas nesta pesquisa.

Seguindo a classificação de Gil (2011) em relação aos meios técnicos da investigação, decidiu-se pelo método monográfico, que parte do princípio de que um estudo de caso detalhado e em profundidade pode ser considerado representativo de muitos outros ou mesmo de todos os casos semelhantes. Esses casos podem ser indivíduos, grupos etc. Na pesquisa em questão decidiu-se por este método por ter estudado um grupo de usuários com deficiência visual, da Biblioteca Digital e Sonora (BDS).

Adotou-se também a classificação de Vergara (2009), simples e clara, quanto aos fins a que se destina a pesquisa realizada. Esta pesquisa foi do tipo descritiva, exploratória e aplicada. Descritiva porque caracterizou a população estudada, no caso, a comunidade de deficientes visuais, explicitanto características dessa população e exploratória porque foi realizada em área na qual há pouco conhecimento acumulado e sistematizado. Trata-se de um estudo caso de usuários deficientes visuais e de desenvolvimento de acervo destinado a esse público, em bibliotecas universitárias brasileiras, assunto sobre o qual, segundo as pesquisas, tem pouco material publicado. É uma pesquisa aplicada porque foi motivada pela necessidade de resolver problemas reais, portanto, com finalidade prática. O resultado desta pesquisa será aplicado na Biblioteca Digital e Sonora da UnB.

Gil (2011) em relação às pesquisas exploratórias concorda com Vergara (2009) afirmando que essas pesquisas são realizadas especialmente quando o tema escolhido é pouco explorado e torna-se difícil sobre ele formular hipóteses precisas e operacionalizáveis. Habitualmente envolvem levantamento bibliográfico, pesquisa documental, entrevistas não padronizadas e estudos de caso. Procedimentos de amostragem e técnicas quantitativas de coleta de dados não são costumeiramente aplicados nestas pesquisas. Estas afirmações dizem respeito diretamente à pesquisa em questão, onde foi feito um levantamento bibliográfico, pesquisa documental, entrevistas semi-estruturadas, estudo de caso e utilizando a abordagem qualitativa.

Ainda seguindo a classificação de Vergara (2009), quanto aos meios, foram empregadas: a pesquisa bibliográfica na fundamentação teórico-metodológica, tendo sido realizadas pesquisas sobre o assunto em material científico publicado em livros, revistas e meios eletrônicos; a pesquisa de campo, em que foram coletados os dados demográficos e os dados de necessidade de informação e acesso à informação digital de pessoas com deficiência visual; e uma pesquisa documental, na qual foram utilizadas informações de documentos pertencentes aos arquivos da BCE e do PPNE.

Segundo Richardson (2012), esta pesquisa foi de natureza qualitativa por não empregar um instrumental estatístico como base do processo de análise do problema. Utilizou-se de entrevistas que é um instrumento essencialmente qualitativo, chegando a uma visão holística do usuário. Do ponto de vista de uma abordagem qualitativa, esta pesquisa também recorreu ao método de estudo de

usuários, seguindo uma abordagem alternativa desses estudos, chegando-se ao conhecimento desse usuário no que diz respeito aos seus dados demográficos, sua condição visual e dados de necessidade de informação e acesso às informações digitais. Cunha e Baptista (2007) dizem que a pesquisa qualitativa “focaliza a sua atenção nas causas das reações dos usuários da informação e na resolução do problema informacional”. Um dos objetivos dessa pesquisa foi resolver o problema informacional dos usuários, conhecendo as suas necessidades de informação objetivando do desenvolvimento do acervo.

Richardson (2012, p. 30) fala da importância do pesquisador observar os métodos, metodologias ou técnicas que irá utilizar nas pesquisas em ciências sociais, que têm “características próprias que exigem pressupostos e metodologias específicos”.

O autor explica que, os cinco elementos do método científico, classificados segundo Pease e Bull (apud RICHARDSON, 2012, p. 23), que são, meta (objetivo do estudo), modelo (qualquer abstração do que está sendo trabalhado ou estudado), dados (as observações realizadas para representar a natureza do fenômeno), avaliação (processo de decisão sobre a validade do modelo) e revisão (mudanças necessárias no modelo), devem ser seguidos por qualquer pesquisador em qualquer pesquisa, o que muda é a aplicação de regras e instrumentos que devem estar adequados para a medição de fenômenos sociais. Segundo o autor, “... opiniões, crenças, atitudes, valores, etc são processos mentais não aparentes. Portanto, no momento da coleta de informações, devem-se utilizar instrumentos qualitativos (entrevista semi ou não estruturada)” (RICHARDSON, 2012, p. 30).

Seguindo a idéia do autor, esta pesquisa foi essencialmente qualitativa por ter coletado dados relativos à subjetividade de cada usuário, como a história da sua deficiência, o que pensam sobre o significado da informação, sobre a tecnologia em suas vidas, sobre o processo de inclusão social e outros assuntos abordados na pesquisa.

É importante também nessa etapa, fazer um orçamento para projetos de menor porte e deve-se prever despesas com a aquisição de livros e outros materiais didáticos, papel, digitação, impressão, reprodução, transporte etc. (TOMANIK, 2004), O autor sugere a elaboração de um cronograma para controle e cumprimento de cada fase dentro do tempo determinado. Trata-se do planejamento da pesquisa, que também é sugerido pelos demais autores.

No último capítulo de seu livro, Richardson (op.cit., p. 296) dá orientações de como se escrever um relatório de pesquisa do começo ao fim. Faz a seguinte colocação: “A ausência de elementos importantes em um relatório, ou a sua má disposição, contrariando o bom-senso, a estética e normas preestabelecidas, não raro comprometem, em sua extensão e qualidade, aquilo que se quer comunicar”.

A recomendação do autor foi constatada nesta pesquisa. Foram necessários gastos com compra de livros, cópias de materiais, compras de Cds, impressão de convites, transporte para realização das entrevistas, etc. Esse planejamento é necessário que o pesquisador se previna para os gastos com a pesquisa e para que possa realizá-la com conforto e segurança.

É consenso entre os autores analisados que não existe um só caminho para uma pesquisa e que é fundamental saber-se aonde se quer chegar para, então, escolher o melhor caminho. Conclui-se, portanto, que os autores concordam em alguns pontos nas classificações, mas em outros pontos dão classificações diferentes. Uma determinada pesquisa pode se utilizar de um ou mais métodos de pesquisa, combinando-os. Analisando os autores acima citados, juntamente com os objetivos da pesquisa, seu universo, foram decididos que caminhos seriam seguidos para que se chegasse a esses objetivos da melhor forma.

Para melhor fundamentar a metodologia desta pesquisa, também foram analisadas as metodologias utilizadas nos trabalhos de Caselli (2007), Sonza (2008), Malheiros (2009), Passos (2010) e Silva (2010), que são pesquisas semelhantes à desenvolvida nesse trabalho.

Caselli (2007) classifica sua pesquisa como de natureza mista, sendo quantitativa, por ser censo, e qualitativa, baseando-se em Gerber (apud CASELLI, 2003), que diz que, para se analisar um tema em profundidade, a pesquisa qualitativa é mais adequada. Sua pesquisa foi também um estudo de caso dos usuários do Telecentro Acessível de Taguatinga. A pesquisa foi exploratória, tendo sido usada também a anállise documental, pois o primeiro passo para a coleta de dados foi a análise dos documentos sobre os usuários cadastrados no Telecentro. Utilizando essa metodologia, a pesquisa alcançou os objetivos propostos.

Sonza (2008), desenvolveu uma investigação de abordagem qualitativa. A metodologia de pesquisa utilizada foi o estudo de multicasos, por analisar três ambientes virtuais que já tinham um selo de acessibilidade e que foram testados por usuários com limitações visuais.

Malheiros (2009) fez um estudo de caso da comunidade de alunos e professores com deficiência visual da UnB. Sua pesquisa foi exploratória, descritiva, aplicada, de natureza qualitativa, com uso da análise documental. Como instrumento de pesquisa, utilizou a entrevista individual semi-estruturada.

Passos (2010) fez um estudo de usuários com deficiência visual, utilizando uma abordagem qualitativa. Seu estudo foi exploratório e baseado no modelo de Kulthau, de processo de busca da informação sob a perspectiva do usuário. Como instrumento de pesquisa, utilizou a entrevista individual semi-estruturada.

Silva (2010) desenvolveu uma pesquisa de natureza mista, sendo qualitativa e quantitativa, exploratória e bibliográfica. Sua pesquisa foi também um estudo de caso dos usuários da Biblioteca Braille Dorina Nowill de Taguatinga. Como instrumento de pesquisa, utilizou a entrevista individual semi-estruturada.

Observa-se que os estudos semelhantes a esta pesquisa utilizam a abordagem qualitativa, ou qualitativa e quantitativa (mista), estudos de caso, estudos de usuário, pesquisas exploratórias, bibliográficas e algumas vezes descritivas. O instrumento de pesquisa utilizado em todas essas pesquisas foi a entrevista semi- estruturada. Em todos os estudos, chegou-se aos objetivos propostos na pesquisa.

Concluindo, observou-se que cada autor propõe uma classificação metodológica diferente, sendo que, em alguns casos, as classificações são semelhantes. Cabe ao pesquisador analisar o seu objeto de estudo e decidir pela melhor metodologia a ser aplicada.

A seguir serão apresentadas informações sobre o universo analisado na pesquisa.