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II CADRE THEORIQUE

FORMATION II-3-1 Situation et milieu

II- 3-3 Modélisation de pratiques enseignantes

O bacharelado em Letras – Tradução da Universidade de Brasília – foi criado em 1979 por Delton de Mattos e Ulf Gregor Baranov com três habilitações diurnas, a saber: Inglês, Francês e Alemão. A respeito do início do curso, quando ainda contava com a habilitação em alemão, o professor Mark Ridd (2013) relata:

A maioria dos alunos chegava no curso com nível relativamente bom de inglês, relativamente ruim de francês e quase nenhum alemão ou então eram falantes de alemão que decidiam fazer o curso. No caso específico da habilitação em alemão, havia uma dificuldade enorme de você lidar com dois

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grupos distintos de alunos: um de falantes de alemão que em geral traziam de casa o alemão ou tinham aprendido no exterior por alguma razão ou tinham já estudado e outros que chegavam com quase nada de alemão. E como o curso foi montado, ele era inviável, porque não tinha como o aluno aprender alemão suficiente em curto espaço de tempo para fazer bem ou adequadamente as disciplinas de prática. E não tinha como a gente ter um currículo totalmente diferente para o alemão que seria o aluno entrar e fazer língua alemã, maciçamente desde o início e quase que exclusivamente. [...] O [curso de] alemão era muito estranho, muito invariável. A habilitação entrou em crise e os alunos acabaram pedindo para fechar a habilitação porque acreditavam que estavam sendo iludidos ou eles iam ter pouco acréscimo na sua parte linguística porque já eram falantes quase nativos de alemão ou não tinham conhecimento suficiente para que o curso fosse funcional. Então acabou fechando temporariamente no início e [depois o fechamento] acabou sendo permanente. E durante muitos e muitos anos nós pressionamos para abrir uma habilitação em espanhol porque nitidamente fazia mais sentido ter uma habilitação em espanhol do que em alemão, por exemplo.

Constatamos, portanto, que o “curso de Letras-tradução enfrentou vários problemas, dentre os quais a falta crônica de docentes e o fechamento da habilitação em alemão, no final dos anos 1980, foram os mais cruciais” (SOUSA, 2012, p. 120). Apesar desses percalços, em razão do REUNI, a habilitação em espanhol foi criada em 2009, no turno noturno.

O currículo do curso busca uma progressão sequencial das disciplinas devido à sua natureza modular, “para que os alunos dominem determinados conceitos, habilidades e competências ao longo do Curso” (SOUSA, 2012, p. 120). E tem como característica marcante as disciplinas de prática de tradução e versão, com pesos iguais. Ainda com relação ao currículo, destacamos que para as habilitações em inglês e francês este é datado de 1979, contudo, em 2014, um novo currículo para essas habilitações entrará em vigor.

Na Universidade de Brasília o aluno é o agente ativo na sua formação profissional ao escolher grande porcentagem de disciplinas que comporão seu currículo final, sob orientação do professor orientador, que na UnB é o coordenador do curso.

5.3.2.2.1. Habilitações em turno diurno: Francês e Inglês

As habilitações em francês e inglês têm duração mínima de seis semestres e máximo de 14 semestres, e os alunos devem ter cursado 180 créditos para formatura,

dentre os quais 41 devem ser obrigatoriamente de disciplinas optativas relacionadas à área. Os alunos da UnB também podem cursar disciplinas de outros cursos que não estão diretamente relacionados à tradução, os chamados “módulo livre”, porém não poderá ultrapassar de 24 créditos.

De acordo com o fluxo curricular, somente a partir do quarto semestre o aluno cursará disciplinas de prática de tradução e versão para a língua desejada, porém, devido à dinamicidade da grade curricular da UnB, o aluno pode adiantar disciplinas de acordo com a aprovação em disciplinas que são pré-requisito para que desejar cursar. Por essa razão, na habilitação em inglês, o aluno poderá adiantar para o terceiro semestre as disciplinas de “Prática de Tradução Português/Inglês: Textos Gerais” e de “Prática de tradução Inglês/Português: Textos Gerais”, caso tenham sido aprovados na disciplina do segundo semestre “Inglês: Expressão Escrita 1”, único pré-requisito para cursar as disciplinas de prática de textos gerais. Já na habilitação em francês, não é possível esse adiantamento de disciplinas, pois a prática de tradução de textos gerais tem como pré-requisito a disciplina do terceiro semestre “Prática do Francês Oral e Escrito 3”.

Em relação às disciplinas de prática de tradução de textos literários208 de ambas as habilitações, que são de acordo com o fluxo oficial do curso do oitavo semestre, o aluno poderá cursá-la após ter sido aprovado nas disciplinas que são pré- requisito e que são oficialmente do quarto semestre, já discutidas anteriormente, as práticas de tradução de textos gerais.

O aluno da UnB deverá cursar algumas disciplinas de literatura,209 obrigatoriamente: uma de literatura portuguesa, uma de literatura brasileira e uma de literatura da língua da habilitação escolhida (inglês ou francês). Porém, caso deseje, poderá cursar mais disciplinas de literatura e que serão computadas como disciplinas optativas.

208 “Prática de Tradução Português/Inglês: textos literários”, código 142751; “Prática de Tradução Inglês/Português: textos literários”, código 142701; “Prática de Tradução Português/Francês: textos literários”, código 142808; “Prática de Tradução Português/Francês: textos literários”, código142417. 209

5.3.2.2.2. Habilitação em turno noturno: Espanhol

Criada em 2009, a habilitação em espanhol tem tempo de permanência mínimo de sete semestres e máximo de 14 semestres, e os alunos devem ter cursado 168 créditos para formatura e não há mínimo de créditos a serem cursados em disciplinas optativas. Os alunos da UnB também podem cursar disciplinas de outros cursos que não estão diretamente relacionados à tradução, os chamados “módulo livre”, porém não poderá ultrapassar de 24 créditos.

Diferentemente das habilitações diurnas, a habilitação em espanhol inicia sua prática de tradução no segundo semestre com a disciplina “Tradução de Textos Gerais”, que tem como único pré-requisito a disciplina “Introdução à Tradução”. Porém, somente no terceiro semestre o aluno começa a fazer versões ao cursar a disciplina “Versão de Textos Gerais”, mas, por ter como pré-requisito também a disciplina “Introdução à Tradução”, o aluno, como explicado anteriormente, poderá optar por adiantá-la.

Em relação às disciplinas de prática de tradução de textos literários, assim como nas habilitações diurnas, na habilitação em espanhol, optou-se por deixá-la para o penúltimo semestre do fluxo curricular. Contudo, o aluno poderá optar por adiantá-la, já que para a disciplina “Tradução de Textos Literários”, o pré-requisito é ter cursado a disciplina “Tradução de Textos Gerais 2” do terceiro semestre, e para a disciplina “Versão de Textos Literários”, o pré-requisito é a disciplina “Versão de Textos Gerais”, também do terceiro semestre.

Ainda diferenciando das habilitações diurnas, na habilitação em espanhol não há obrigatoriedade de o aluno cursar disciplinas de literatura, entretanto, são oferecidas dentre as disciplinas optativas, podemos citar: “Crítica Literária”, “Fundamentos de História Literária”, “Fundamentos da Literatura Brasileira Contemporânea”, “Gêneros Literários na Língua Espanhola” e “Cervantes e Quixote”, dentre outras.

Assim, podemos comparar o curso da Universidade de Brasília (UnB) com a proposta de Gile (2005), a qual ele afirma que o ensino deve ser orientado ao processo, o que podemos observar na diferença curricular do curso de tradução entre as

habilitações em Inglês e Francês (diurno) e a habilitação em Espanhol (noturno) da Universidade de Brasília (UnB).

Como já relatado anteriormente, a habilitação em espanhol foi criada em 2009 por meio do Programa REUNI com um currículo diferenciado das demais habilitações, por exemplo, enquanto no currículo das habilitações diurnas as práticas de tradução e versão de textos gerais iniciam-se no quarto semestre, na habilitação em espanhol a prática de tradução de textos gerais é realizada a partir do segundo semestre, e a prática de versão de textos gerais ocorre a partir do terceiro semestre. Desse modo, percebe-se que a mudança de foco realizada na criação do currículo da habilitação exemplifica a mudança de foco para o processo, pois desde o começo do curso o estudante tem contato com as reflexões a respeito da experiência tradutória.