Chapitre 2 Origines de la question linguistique et histoire de l'Office québécois de la langue
2.5 L'histoire de l'Office québécois de la langue française
2.5.1 La création de l’Office de la langue française
2.5.1.2 Mandat, organisation et actions de l’Office, de 1971 à 1974
As lagoas Sapiranga, Precabura, Redonda, Muritiapuã, Gereberaba e outras, compõem o cenário da Sabiaguaba e das circunvizinhanças, assim como o rio Cocó e o Pacoti, estes reservatórios naturais têm notável influência no clima da região, na forma de vida dos habitantes do lugar e na economia local, pois as mesmas ao longo dos tempos tem contribuído para a sobrevivência dos que se instalaram nos seus entornos.
Para Magda Coutinho, interlocutora desse trabalho no primeiro momento de coleta dos dados, a Sabiaguaba, assim como a Lagoa Redonda, abrigou muitos “retirantes” vítimas das grandes secas que assolaram o Ceará na primeira metade do século XX.
[...] Toda essa região pertencia aos sítios, que tinham a forma de fazendas coloniais, que eram dominados pelos seus donatários ou fundadores, os mais conhecidos eram o Sítio Alagadiço Novo que foi fundado pelo pai de José de Alencar, o sítio Guajiru de Antônio Silva Porto, o sítio Curió de Antônio alexandrino Cunha Lage, o sítio Itambé do Coronel Antônio Felino Barroso, a partir desses sítios, surgiram os grandes latifundiários da região que sediam suas terras para aqueles que vinham de toda parte do interior do Ceará fugindo das Secas [...] (Historiadora e nativa da Sabiaguaba- Maria Magda Ferreira Coutinho, em 20 de novembro de 2008).
Para Karine Garcia (2006), a seca mudou o cenário de Fortaleza a partir do ano de 1877, houve a necessidade criar-se um plano de ordenamento de Fortaleza para que os planos de modernização da cidade não fossem abortados, por aqueles indesejáveis que poderiam atrapalhar o sonho das elites, que tinha o comércio como bilhete de entrada para a sonhada era da modernidade. Para a autora, o comércio estava presente na economia da província de Fortaleza, o que exigia uma padronização que organizasse de maneira progressiva o formato espacial da província, a fim de proporcionar bem estar e empatia daqueles que aos poucos iam formando a elite local ao passo que se fixavam no território da província.
Os retirantes ameaçavam o modelo ansiado, por isso a necessidade da elite local de distanciar a imagem da pobreza da província Fortaleza e manter uma ordem no espaço de comercialização, essa novidade, que provocava novas tensões, levou o governo provincial a criar alojamentos que controlassem a invasão daqueles que fugiam da fome e da sede.
Esses alojamentos foram denominados de Abarrancamentos (GARCIA, 2006), inicialmente dispostos nas circunvizinhanças do centro comercial, com o avanço da população indesejável fez-se necessário a criação dos distritos e de sitiamentos para o descentralizamento da população que se empilhava no entorno do centro comercial provinciano. É importante compreendermos que o mesmo que aconteceu com o centro urbano da província, aconteceu em todas as portas de entrada da mesma, como Messejana, além de outros territórios que concentravam recursos hídricos e economia com ares prósperos, espalhados pelo território do Ceará, como Ipú, Aquiraz, e outros.
[...] Eles chegavam de toda parte, vinham mulheres, crianças, velhos, carregando trouxas de mulambo, iam chegando e iam ficando, vinham do Piranji, de Quixadá, de Quixeramobim, do Jaguaribe, de Iguatu, se instalavam em baixo das mangueiras, dos cajueiros, depois faziam casas de palha, meu vô deu terra pra muita gente retirante, pra eles cuidarem da sua gente e conseguir sobreviver [...] (Danilo Tavares, em 12 de janeiro de 2009).
O território onde se localiza Messejana e suas adjacências, segundo Ernesto Gurgel em sua obra “História de Messejana”, publicada em 1996, já havia enfrentado as secas de 1777 e 1795, de forma vantajosa, pois a região das lagoas, que se localizava entre o Rio Cocó e o Rio Pacoti, contribuíram significativamente para esse enfrentamento. Para o autor a mão de obra das famílias vindas do Baixo-Jaguaribe, a partir de Aracati, assim como a água abundante do local marcaram o início da cultura agrícola na região, além de marcar o adensamento populacional da mesma. Essa primeira versão da cultura agrícola é marcada pelo algodão intercalado com o feijão ligeiro, batata doce, milho, melão entre outros. Essas culturas eram ativadas em locais baixos, nos alagadiços e nos tabuleiros.
A seca, dos anos de 1877 a 1879, marcou a população que compunha a cena do lugar. Messejana era uma das portas de entrada para a Fortaleza provincial, adentravam essa porta retirantes que sucumbiam de fome e sede, oriundos das regiões centro sul e sul do Território Cearense, esse passagem entre Maranhão e Pernambuco, instalavam-se em todas as partes, caminhavam em todas as direções. Segundo Garcia (2006), as elites que habitavam aquele território, transferiram-se para a parte central da província, foram obrigados pelo governo a cederam parte das suas terras para aqueles que não eram bem vindos na parte Urbe da província.
Demarcada pelos contornos dos rios salobros, privilegiada pela abundância das águas das suas lagoas e pelos ventos mareiros, a região tornou-se um refúgio agradável para aqueles que por ali se instalaram e fincaram suas raízes, oriundos do sertão ou primitivos da região, as culturas desenvolvidas, ou forjadas foram propiciadas e permicionadas pela a interação com o lugar. É importante destacar que além da região ser propícia para a agricultura, a fartura das águas proporcionava ainda possibilidades extrativistas como alternativas de subsistência para aqueles compunham o cenário agrícola na região
Outra recorrência narrada pelos autores epistêmic@s desse trabalho, em relação ao passado relacionado aos ambientes naturais e a cultura, foi a emigração para o Norte do Brasil, período de trânsito da população impulsionado pelas secas que marcaram o final do século dezenove e o início do século vinte, modificando assim os afazeres do cotidiano e a relação entre os pares e as experiências no refúgio das águas, assim como o caráter populacional na região.
[...] Meu avô morou no norte, ele era meio índio, nunca calçou uma sandália, só andava descalço. Com ele e depois dele muitos outros foram, trouxeram sementes de mangueira para plantar na Lagoa Redonda, na Messejana, na Mangabeira, pois antes por aqui só haviam cajueiros e muricizeiros, as mangueiras variadas vieram do
norte, rosa, coité, jasmim, aqui não havia essas não [...] (Seu Mar, em 12 de outubro de 2009).
[...] Nossa família foi embora pro norte, muitos voltaram, outros ficaram, só sei que somos mais índios por isso, se já tínhamos herança de índio, depois desse momento das nossas vidas isso ficou mais forte, por isso somos fortes e sabemos lidar com a terra, mesmo passando tanta dificuldade, nós somos felizes [...] (Seu Dedé, em 27 de novembro de 2009).
[...] Homens migrando pro norte, era um fato corriqueiro, as mulheres eram quem trabalhavam na terra, cuidavam e educavam os filhos, os homens iam atrás de melhorar de vida no norte, queriam enriquecer, iam trabalhar no seringal, meu tio Raimundo viajou e nunca mais voltou morreu em alto mar, ele tinha casado de pouquinho tinha filho pequeno, sua mulher criou a criança sozinha. Como meu pai, meu avô já havia morado lá, meu pai voltou com uma mala cheia de dinheiro, lembro quando ele chegou, eu era bem pequena,eu lembro que foi durante a festa de Santa Luzia [...] (dona Guiomar, noventa anos, Matriarca dos Tavares em janeiro de 2010).