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4. LA QUESTION DES ADAPTATIONS PEDAGOGIQUES : LES CONDUITES

4.1. Les adaptations à prendre en compte en classe

A coleta de dados e a transcrição das entrevistas, a análise e interpretação dos

mesmos foram proporcionadas tendo como principal guia “A Entrevista Compreensiva” do

francês Jean-Claude Kauffmann (2013) e “Metodologia da investigação científica para ciências

sociais aplicadas” de Gilberto de Andrade Martins (2009). A interpretação dos dados coletados

tem como objetivo, assim como dialogar com o referencial teórico, também identificar os

principais dados das entrevistas que possam fazer compreender como os professores aprendem

a ensinar música nas escolas de Caucaia.

O roteiro de entrevistas foi construído e reconstruído algumas vezes antes de partir

para o pré-teste. A priori, o roteiro foi elaborado com aproximadamente dez a treze questões

pertinentes ao referencial teórico. Depois passou por reformulações que resultaram em um novo

roteiro que continha três blocos de perguntas. Cada bateria de questões está relacionada a um

objetivo específico, onde cada objetivo está fundamentado por um tema do referencial teórico

(KAUFFMANN, 2013, p. 75). O primeiro bloco do roteiro (1) refere-se à aprendizagem através

da prática e experiência de vida na sala de aula enquanto docente e discente. Para esse primeiro

momento, tem-se como referencial teórico os estudos sobre a aprendizagem da docência. O

segundo bloco de perguntas (2) refere-se ao currículo e tem como referencial teórico

“Documentos de Identidade” de Silva (2015). O último bloco de perguntas (3) refere-se a

metodologia e tem como seu referencial teórico “...ah, se eu tivesse asas...” de Silvino (2007).

Antes de desenvolver as entrevistas propriamente ditas, foram aplicadas quatro pré-

testes com três professores da área de Artes e Música do Ensino Médio das escolas da rede

estadual de ensino. Um dos pré-testes foi replicado com um deles. Os critérios utilizados para

a escolha dos entrevistados dos pré-testes foram decididos em conjunto com o orientador desta

pesquisa e foram os seguintes: (1) os três professores foram voluntários em participar dos pré-

testes; (2) O três também são companheiros de mestrado e (3) conhecem o objeto de pesquisa

pertinente a esse trabalho. Mas vale salientar que nenhum deles é da mesma realidade do objeto

de pesquisa, logo não participaram da análise dos dados. No primeiro pré-teste realizado com

um dos professores voluntários e com a presença do orientador desta pesquisa, estipulou-se

trinta minutos de duração. Mas nos pré-testes posteriores, sem a presença do orientador,

averiguou-se que a duração das entrevistas ficou entre cinquenta minutos e uma hora e vinte

minutos, acima do limiar pré-estabelecido inicialmente de trinta minutos. No final, o roteiro foi

submetido às críticas e sofreu alterações na organização e na reformulação de algumas

perguntas que não ficaram claras no pré-teste, com a ajuda do orientador e dos colegas de

pesquisa para logo após seguir em frente com as entrevistas. (KAUFFMANN, 2013, p. 77-78)

Como previsto nos pré-testes, realmente as entrevistas ficaram entre cinquenta

minutos e uma hora e trinta minutos. A primeira entrevista (1) aconteceu depois do expediente

da tarde na escola do informante, mais propriamente na sala de música, e foi interrompida,

tendo o seu desfecho no alpendre da residência do próprio informante. A segunda entrevista (2)

ocorreu na residência do informante no turno da noite. A terceira entrevista (3) foi realizada na

escola do informante, mas não na sala de música devido ao volume de som no local no exato

momento. A entrevista foi realizada no corredor da escola depois do expediente da tarde. A

quarta entrevista (4) aconteceu na escola da informante, na sala de música no início do turno da

tarde. A quinta entrevista (5) aconteceu após o expediente no alpendre da residência do

informante e a última entrevista (6) foi realizada no alpendre da residência do informante.

Não foi uma tarefa fácil. Foi um trabalho exaustivo que exige atenção, cautela,

planejamento, mas, sobretudo, experiência do entrevistador. Não foi fácil ouvir

minuciosamente o informante e, ao mesmo tempo, ficar de olho nas questões, nos referenciais

e nos objetivos, para que o informante não fuja do foco e nem o entrevistador. Assim como

afirma Kauffmann, para encontrar a pergunta certa na hora da entrevista é preciso escutar

atentamente o que é dito e refletir a respeito enquanto o informante fala (KAUFFMANN, 2013,

p. 81-82).

Por algumas vezes foi necessário dar uma pausa nas entrevistas para poder o

entrevistador se situar e situar o informante. Outras vezes, foi necessário, em um determinado

momento da entrevista, afirmar uma mudança de assunto, uma vez que o informante parecia

manter uma fala homogênea em assuntos de temas diferentes e depois retomar. Às vezes,

quando o informante não entendia a pergunta, reformulava-se de maneira diferente. Era refeita

no final da entrevista usando exemplos e, até mesmo, colocando o entrevistador no exemplo

para que se conseguisse fazê-lo compreender.

Por muitas vezes conseguiu-se alcançar nas primeiras questões as respostas

necessárias às questões que ainda estavam por vir. Ainda assim, reforçava-se nas questões

seguintes, as possibilidades de uma melhor elucidação. O processo inverso também ocorreu

quando as primeiras questões não foram contempladas com as informações esperadas, mas

foram respondidas nas questões seguintes. É admissível que não se conseguiu, em consonância

com Kauffmann (2013, p. 75), combater com êxito os “pot-pourri” e os “discursos sem nexos”.

Por acreditar na importância do informante contextualizar a sua realidade de maneira

abrangente, não foi interrompida a sua fala, permitindo-o chegar ao ponto culminante da

questão com sucesso, o que foi muito bom.

Analisando todos os dados, percebe-se que mesmo em escolas diferentes, em

regiões diferentes e com gestões diferentes, há uma homogeneidade nas realidades encontradas

de cada Professor de Música.