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AVANT-PROPOS

3. METHODES EMPLOYEES EN PHARMACOVIGILANCE

3.2. LA PHARMACOVIGILANCE EN CONDITIONS REELLES D’UTILISATION

O termo lean production foi proposto pela primeira vez por John Krafcik, pesquisador do International Motor Vehicle Program (IMVP) do MIT - Massachusetts Institute of Technology. Mas somente alcançou repercussão mundial a partir da publicação do célebre trabalho de WOMACK, JONES & ROOS (1992), “A máquina que mudou o mundo” (The Machine that Changed the World), em 1990. Essa obra foi resultado de anos de pesquisas financiadas pelo MIT através do IMVP, e retratou de forma bastante simples e didática as diferenças entre o preceito da produção em massa e o da lean

production.

O termo ganhou rapidamente repercussão nos meios acadêmicos e empresariais. Outras denominações surgiram pouco tempo depois do lançamento do livro, sempre com referência à expressão criada por Krafcik. Porém, muitos desses novos termos, como o toyotismo e o ohnismo, foram expressões utilizadas pelos pesquisadores e empresários exatamente para destacar o descolamento do novo paradigma frente ao princípio tradicional taylorista-fordista de produção.

Isso ocorreu em grande parte porque, durante alguns poucos anos após a publicação das pesquisas, a superioridade demonstrada pelas empresas japonesas nos mercados mundiais - sobretudo pela Toyota - foi abertamente ignorada por suas competidoras

ocidentais, ou pouco compreendida por estas quanto ao seu real potencial frente às formas tradicionais de produção até então conhecidas.

Aos poucos, a maioria das montadoras ocidentais rendeu-se às vantagens da produção enxuta. A partir daí, elas passaram a desenvolver não um exclusivo modelo toyotista de

produção de automóveis, mas uma adequação daquela fórmula original a seus

ambientes produtivos e organizacionais. Não houve perda da identidade ou da especificidade de qualquer uma das montadoras ocidentais nesse processo. O que houve foi uma tentativa de ajuste, por parte dessas empresas, com relação às novas metodologias, às regras e aos princípios de gestão que conformavam o núcleo de um novo paradigma para a gestão de operações.

A Toyota saiu na frente e alcançou uma forte posição no mercado mundial de veículos automotores, o que se mantém até hoje. Que condições permitiram à Toyota esse grande passo?

O toyotismo representou um processo de mudanças incrementais no processo evolutivo da Toyota. Primeiramente, com a introdução dos Kanbans no final dos anos 40, e na década de 50, modificando a forma de transmissão das informações ao longo das fases de produção, objetivando, assim, racionalizar a gestão de materiais no interior do fluxo produtivo. Em um segundo momento, com a introdução dos andons eletrônicos, visando-se à qualidade. Posteriormente, há o desenvolvimento do just-in-time, do TQC (Total Quality Control) e da filosofia do melhoramento contínuo, com o Kaizen (CALABRESE, 1999; VOLPATO, 1996; MONDEN, 1984).

É desse conjunto de esforços cumulativos, contando-se evidentemente com os avanços no âmbito tecnológico, que se inicia a cultura da qualidade e da flexibilidade na produção enxuta na Toyota nos anos 70.

A edificação dessa cultura da qualidade e da flexibilidade não surge isolada no tempo; reflete, ao contrário, um processo de desenvolvimento e de experiências. Em que sentido, porém, essa cultura da flexibilidade da produção enxuta distancia-se de outros modelos de racionalidade típicos da produção artesanal e da produção fordista?

A racionalidade científica que caracteriza o processo de produção no paradigma taylorista-fordista define níveis superiores de hierarquia funcional e organiza-se ex ante à realidade prática da atividade produtiva. De forma geral, os modelos fechados e deterministas buscam um controle quase total sobre as diferentes fases do processo produtivo, incluindo-se as relativas à pesquisa e ao desenvolvimento do produto (VOLPATO, 1996). Para a produção enxuta, porém, interessa desenvolver uma racionalidade que é construída continuamente no tempo, configurando uma trajetória de desenvolvimento empresarial em direção ao modelo de learning organizations, em que a flexibilidade, e não a rigidez, parece ser o fator chave (VOLPATO, 1996; CORIAT, 1994).

Mas a flexibilidade nos processos produtivos da indústria automobilística não está, em absoluto, restrita à experiência da Lean Production. Na verdade, ela esteve sempre presente na fase de produção artesanal (craft production) dessa indústria, no final do século XIX. A diferença fundamental é que se tratava de um tipo espontâneo de flexibilidade, cujos fenômenos ou resultados não podiam ser formalizados conceitualmente nem encontrados além da realidade organizacional em que se desenvolveram. Além do mais, representava um tipo de flexibilidade que incorria em elevados custos à produção artesanal (VOLPATO, 1996), sendo percebida como uma solução de baixa eficiência.

Com o taylorismo e a alta mecanização no fordismo, a flexibilidade passa a ser possível somente na presença de variáveis de redundância: linhas alternativas para a fabricação de produtos diversos (considerando-se a rigidez das linhas dedicadas); novos implantes, voltados a atender segmentos específicos de mercado; um número superior de trabalhadores para atender à produção e à montagem de uma nova linha de produtos; entre outros.

É importante ressaltar que a passagem da flexibilidade espontânea da produção artesanal para a rigidez presente no taylorismo, através do controle dos tempos e movimentos do trabalhador, representa um primeiro processo evolutivo na indústria

automobilística. Uma segunda evolução acontece no início do século XX, caracterizada pela subordinação das contribuições da Administração Científica aos interesses maiores de padronização e redução de custos, que somente a mecanização e a automação poderiam conferir às montadoras. Finalmente, como um terceiro momento na evolução dessa indústria, há as formas típicas da produção enxuta, com a revalorização do conceito de flexibilidade e maior orientação das empresas em direção aos pressupostos da learning organization. A produção enxuta representa assim, até certo ponto, um princípio de gestão capaz de combinar os benefícios da flexibilidade (oriundos da produção artesanal) com os da produção em massa, como a padronização e a redução progressiva dos custos por meio de economias de escala. Evitam-se assim a rigidez do padrão fordista e os altos custos associados à produção artesanal.