L’identification comme fait de lecture
III- La lecture littéraire, une lecture transformatrice :
Trabalhar em equipa é um desafio importante, particularmente, para quem, durante anos, trabalhou sozinho; é mais do que partilhar com os outros implicando ser criativo, flexível, aberto e focado na aprendizagem (Schroth, 1994).
Nesta perspectiva os professores necessitam de desenvolver e utilizar estratégias para comunicar entre si as suas necessidades e sentimentos assim como compreender as perspectivas e as experiências dos seus pares.
Embora em alguns pares de professores que ensinam em conjunto, um tenha a tendência de liderar, assumindo-se o outro como ajudante, muitos professores, mais experientes na utilização da estratégia, preferem partilhar as responsabilidades das suas classes com o seu par da forma o mais igual possível. Chegar a este equilíbrio requer que os participantes trabalhem activamente as suas relações um com o outro assim como nas relações com os próprios alunos. Planificando em conjunto e desenvolvendo o respeito mútuo consegue-se partilhar a classe conduzindo e implementando as regras de forma consistente. (Redditt, 1991).
Salend e colaboradores (1997) fizeram um estudo de caso, sobre as relações dum par de professores envolvidos num programa de ensino partilhado, utilizando um "diário de bordo" onde, de uma forma informal, os professores iam registando as suas percepções, os seus sentimentos, reflectindo sobre as suas preocupações, expectativas, perspectivas e experiências. Esta estratégia foi considerado um meio interessante de desenvolver a comunicação entre o par que permitiu ultrapassar os receios iniciais. Assim, se inicialmente os professores referiram ter problemas relativamente ao sentimento de posse da classe, à partilha de espaço, à definição de papéis, às diferenças de filosofia e a utilização da linguagem posteriormente deixaram de ter estas preocupações tendo evoluído no seu trabalho para uma partilha nas responsabilidades, nas avaliações dos resultados e nas tomadas de decisão.
Cook e Friend (1995) considerando que uma comunicação efectiva, entre pares de professores, é uma condição essencial para desenvolver uma relação colaborativa propõem algumas questões, que os professores podem utilizar como ponto de partida, para a clarificação de alguns pontos, que são essenciais no desenvolvimento duma relação deste tipo. Assim, antes de iniciar qualquer programa de ensino partilhado e posteriormente de forma periódica, os professores podem utilizar como guia as seguintes propostas (Quadro III - 6).
Um primeiro ponto de discussão proposto pelas autoras relaciona-se com as crenças acerca do ensino. O facto dos professores, que vão desenvolver uma prática de ensino partilhado, terem conceitos comuns a propósito do papel da educação e do que esperam dos seus alunos, torna-se importante para fortalecer uma prática efectivamente colaborativa. Se não houver a este nível um entendimento comum, possivelmente os professores encontrarão dificuldades. Assim os professores devem discutir entre si, chegando a um entendimento sobre qual orientação geral a dar à classe e qual a responsabilidade que cada um tem nessa orientação.
Cap. Ill - O Ensino Partilhado 71
Quadro III-6
Questões para desenvolver relações de trabalho colaborativas no ensino partilhado Crenças sobre o ensino:
• Quais os princípios filosóficos de cada um de nós sobre o papel dos professores, alunos, do ensino e da aprendizagem?
• De que modo as nossas crenças afectam a nossa prática? Planificação
• Quando temos pelo menos trinta minutos para planificar?
• Como vamos dividir as nossas responsabilidades para planificar e ensinar? • Quanto tempo precisamos de planificação conjunta?
• Que registos precisamos fazer para facilitar a planificação? Sinais de paridade
• Como se sinaliza aos alunos e aos outros elementos da comunidade escolar que ambos os professores são iguais na classe?
• Como se pode assegurar este sentido de igualdade durante as aulas? Confidencialidade
• Que informações sobre as nossas aulas queremos, ou não, partilhar com os outros? • Que informações sobre os alunos queremos ou não partilhar com os outros? Barulho
• Com que nível de barulho nos conseguimos sentir bem na classe? Rotinas da classe
• Quais são as rotinas a nível da organização da classe? • Quais as rotinas a nível de ensino?
Disciplina
• Que comportamentos são aceitáveis e inaceitáveis?
• Quem deve intervir, e até que ponto, no comportamento dos alunos? • Que consequências têm os comportamentos dos alunos?
Feedback
• Qual é a melhor maneira de dar feed-back ao outro?
• Como se pode ter a certeza que tanto as coisas boas como as coisas más são partilhadas? Susceptibilidades
• Que aspectos do ensino e da vida na classe nos tocam mais de perto? • Como podemos identificar os nossos pontos fracos?
Nota, De Co-teaching: Guidelines for Creating Effective Practices, Cook e Friend, 1995, Focus on Exceptional Children, p. 10.
Um segundo tópico diz respeito ao tempo para planificação que é uma fonte de preocupação para muitos professores. Havendo diversas formas de o concretizar os professores têm de discutir entre si qual é, no seu caso concreto, a melhor altura para se encontrarem.
Por outro lado, tarefas que derivam dessa planificação, por exemplo duplicação de materiais, devem ser devidamente repartidas estando bem definidas as responsabilidades que cada um tem.
Esta questão da planificação conjunta é extremamente importante pois, se não se concretiza, o professor do ensino regular sentir-se-à sobrecarregado e o professor de educação especial sentirá que não faz parte integral do ensino.
As autoras propõem também uma discussão entre os professores sobre a existência de paridade, condição também muito importante para que se estabeleça uma relação colaborativa. Esta questão é importante não só para os professores mas também para os alunos (McCrory & Mcleskey, 1997).
Assim, o que é de um deverá passar a ser de dois. O professor de apoio quando entra numa sala tem de ter um sentimento de pertença deve também evitar ser visto pelos alunos como alguém exterior à classe, procurando detectar os sinais que lhes são dados que podem dar indicações da existência de estatuto semelhante. Aspectos como assinaturas nos trabalhos dos alunos, o local onde cada professor coloca as suas coisas, o tipo de actividades que cada um desenvolve, podem ser indicadores importantes de paridade dentro da sala de aula.
Um outro ponto de reflexão relaciona-se com a confidencialidade que cada professor quer assegurar relativamente à sua prática. Este aspecto reveste-se de alguma importância, particularmente com alguns professores que, ciosos das suas técnicas ou estratégias de ensino, se podem sentir incomodados com a divulgação que os professores de educação especial, trabalhando em várias classes, podem naturalmente ser tentados a fazer. Uma pequena reflexão, entre os professores, sobre estas questões pode evitar alguns desentendimentos desnecessários.
Também aspectos relacionados com a quantidade de barulho que pode ser aceite na classe, tanto por parte dos alunos como dos professores, são importantes na medida que os professores têm tolerâncias diferentes a este aspecto. Esta discussão pode também incluir o combinar de sinais, que podem ser usados para silenciar uma classe que está a ultrapassar os limites do barulho.
Uma classe tem sempre imensas rotinas que são estabelecidas, normalmente, pelos professores e que são específicas do modo de cada um trabalhar. Algumas relacionam-se com aspectos organizativos, por exemplo, com formas de entrar na sala, autorizações para sair, grau de mobilidade dentro da sala, etc. Outras relacionam-se com aspectos do
Cap. Ill - O Ensino Partilhado 73
ensino e definem formas de organizar os trabalhos, de pedir ajuda, onde fazer os trabalhos, de escrever a tinta ou a lápis, etc.
Curiosamente estas rotinas, existindo e influenciando a vida da classe, nem sempre são muito conscientes nos professores e têm de ser discutidas e definidas em conjunto para haver uma orientação comum dada pelos dois professores.
E também importante que a nível do comportamento disciplinar haja acordo entre os professores já que muitas vezes há concepções diferentes do que é estar de forma adequada numa sala de aula; as regras têm de ser explícitas e claras para todos.
Outro nível de discussão, proposto pelas autoras, relaciona-se com a comunicação de aspectos que eventualmente agradem ou desagradem ao outro; os professores têm que saber e ser capazes de dizer aos seus pares de que forma pretendem receber esse "feed- back".
Finalmente, é preciso ter a noção de que há muitos aspectos da vida duma classe que afectam diferentemente os professores os quais atribuem valores diversos às coisas. Aquilo que não assume qualquer importância para um professor pode ser muito importante para o outro. O conhecimento destas pequenas susceptibilidades do dia a dia, torna-se fundamental para desenvolver uma relação de respeito pelo outro.
A discussão destes tópicos pode ser facilitadora das relações pode prevenir o aparecimento de alguns conflitos que entravam o desenvolvimento de relações de colaboração (Redditt,1991).