L’identification comme fait de lecture
I- L’identification empathique :
A organização dos horários das classes envolvidas em programas de ensino partilhado requer alguns pontos prévios de análise a ser feita pelos serviços de apoio, pelos professores de ensino regular e, em conjunto, pelos pares que vão iniciar o programa. O objectivo desta análise é que seja feito um plano de trabalho para organizar os apoios, que vá de encontro às necessidades de todos os estudantes, duma forma geral, dos estudantes com necessidades educativas especiais em particular, não esquecendo a preparação e a aceitação dos professores.
Algumas questões são propostas por Bauwens e Hourcade para orientar esta análise ao nível dos serviços de apoio (Quadro III-3).
Quadro III -3
Questões prévias a colocar pelos serviços de apoio para organizar o esquema de programas de ensino partilhado
• Até que ponto o pessoal dos serviços de apoio quer participar em ensino partilhado? • Quanto tempo há disponível para implementar ensino partilhado?
• Que outros serviços podem estar envolvidos?
• Em que classes estão os alunos que mais podem beneficiar com este tipo de programas?
• Até que ponto o currículo regular e os materiais da escola são apropriados para atender os alunos com necessidades educativas especiais?
• Quais são os desejos, a este propósito, dos alunos com necessidades educativas especiais? • Quanto tempo de apoio precisam os alunos?
• Quais são os desejos dos professores de ensino regular e o nível de conforto que sentem relativamente ao ensino partilhado?
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Estas questões, segundo os autores, permitem clarificar alguns aspectos, facilitando que a prática se inicie tendo por base uma análise global da situação.
É importante que os diferentes elementos que podem ser envolvidos directamente em programas de ensino partilhado manifestem a sua opinião relativamente à sua concretização; alguns professores quer do ensino regular, quer de educação especial, podem preferir iniciar o ensino partilhado lentamente, enquanto outros estão ansiosos por se envolverem profundamente. Claro antes desta fase já deverá ter havido uma discussão prévia e aberta entre os pares,
A redefinição de papéis dos técnicos dos serviços de apoio também tem de ser feita já que o preenchimento do tempo em actividades de ensino partilhado pode deixar pouco tempo para outras tarefas. Se o professor de Educação Especial tem um grande número de casos que apoia em regime de sala de apoio, possivelmente fica com pouco tempo para colaborar dentro das salas. A opção por este modelo implica, então, uma reestruturação de serviços e uma revisão dos planos educativos à luz desta nova perspectiva (Friend & Cook, 1995).
A distribuição dos alunos pelas diferentes salas é, por vezes, polémica. Por um lado a excessiva dispersão dos alunos por muitas salas pode dificultar a implementação de programas de colaboração tornando difícil organizar o trabalho de forma a haver tempo para desenvolver o ensino partilhado em todas elas ((Friend & Cook, 1996; Gelzheiser & Meyers, 1990; Walther-Thomas,1997). No entanto se a opção pela sua concentração nalgumas salas pode facilitar o desenvolvimento da colaboração (Johnston, 1994) também é problemática pois é considerada por muitos educadores como uma forma de segregação sendo equivalente à criação de "ghetos" ( Bauwens & Hourcade, 1995).
As necessidades dos estudantes têm, também, necessariamente de ser tomadas em consideração. Por um lado é preciso avaliar as necessidades de adaptações curriculares e de preparação de materiais dos estudantes, que requerem tempo de preparação por parte dos serviços de apoio. Particularmente nas escolas de alunos mais velhos, é importante saber a sua opinião sobre o ensino partilhado.
Outro aspecto relaciona-se com a gravidade dos problemas dos alunos. Se nas classes em que estão integrados um ou mais alunos com incapacidades severas pode haver necessidade do apoio dum professor durante todo o dia, nas classes com estudantes com problemas mais ligeiros pode ser necessário apenas um pequeno período de apoio, não necessariamente todos os dias
Por outro lado há questões relacionadas com a opinião dos pais que tanto podem estar de acordo com este tipo de programas como podem ser mais favoráveis ao desenvolvimento do apoio fora da sala, com recursos mais especializados.
Outro grupo de questões devem, na opinião dos mesmos autores (Bauwens & Hourcade, 1995), ser postas para orientar a análise ao nível dos professores do ensino regular (Quadro III-4)
Quadro III - 4
Questões prévias a colocar aos professores de ensino regular para organizar o esquema de programas de ensino partilhado
O professor é de opinião que todos os alunos podem aprender?
Até que ponto, pelo menos no início o professor quer participar num programa de ensino partilhado Que quantidade de apoio precisa ou quer o professor de ensino regular?
Até que ponto consegue o professor ser flexível?
O que é que os pais dos alunos da classe pensam da implementação deste tipo de programas?
A opção por apoiar os alunos dentro da classe regular passa necessariamente pela convicção de que todos os estudantes podem, de facto, aprender qualquer coisa neste contexto. Foi a falta desta convicção que levou a que, frequentemente, se desenvolvessem programas de apoio fora da sala pois este era considerado o espaço mágico onde os alunos com necessidades educativas especiais podiam aprender.
Outro nível de reflexão situa-se na própria aceitação do professor de implementar o ensino partilhado. Tradicionalmente, no ensino, a entrada de alguém dentro duma sala de aula tinha como objectivo a avaliação do professor. Esta ideia ainda permanece presente em muitos profissionais e vai afectar a disponibilidade para partilhar a sala com outro professor.
Por outro lado é preciso também avaliar até que ponto os professores estão já preparados para a tarefa de ensinar estudantes com necessidades diferentes, utilizando estratégias diversificadas, ou se necessitam de apoio suplementar para o conseguir.
A capacidade de ser flexível é também um ponto importante a ponderar para iniciar um trabalho que exige tanta colaboração nomeadamente quando os professores, durante tantos anos, foram os únicos responsáveis pela organização das suas classes.
Finalmente um ultimo aspecto relaciona-se com a opinião dos pais a este propósito. Alguns autores referem uma aceitação crescente dos pais por este modo de apoio (Gibb, Young, Allred, Dyches, Egan & Ingram, 1997).
Outro grupo de questões devem ser consideradas, conjuntamente, pelos pares de professores que vão iniciar um programa deste tipo. (Quadro III-5 ).
Estas questões relacionam-se mais com uma reflexão sobre as necessidades de todos os estudantes da escola e com a utilização mais eficiente dos recursos existentes. Esta utilização dos recursos passa, também, pela rentabilização de competências específicas de
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alguns profissionais, planificando as intervenções de modo a que toda a comunidade educativa possa beneficiar delas.
Quadro IH -5
Questões para reflexão dos pares de professores para organizar o esquema de programas de ensino partilhado • Quais são as necessidades de todos os estudantes na escola ?
• Que tipo de currículo, de ensino e de estratégias podem satisfazer melhor todos os estudantes na classe regular?
• Que tipo de recursos existem na escola que podem ser integrados no programa?
• Que tipo de apoios precisam os professores de ensino regular para melhor satisfazer as necessidades de todos os seus alunos?
• Quais são os pontos fortes específicos dos professores envolvidos em programas de ensino partilhado e como pode ser estabelecido um plano para melhor os utilizar?
A organização do tipo de horários de atendimento dos professores que vão participar em programas de ensino partilhado tem de partir da análise das questões propostas devendo ser caracterizada por uma grande flexibilidade. O estabelecimento dum horário fixo pode tornar-se mais confortável para alguns educadores, particularmente no início; no entanto, qualquer horário tem de ser suficientemente fluido e objecto de adaptações, sempre que necessário, de modo a facilitar o desenvolvimento dum plano de ensino partilhado, que se torne o mais eficaz possível.
Ao iniciar um programa de ensino partilhado os professores envolvidos têm de definir o número de horas que vão estar em conjunto por dia assim como o número de dias por a semana.
As questões, mais frequentemente postas a este propósito são (Friend & Cook 1996): - organizar os programas professor a professor ou numa perspectiva mais colectiva; - prever alguma flexibilidade no horário;
- tipo de periodicidade.
Segundo as autoras, alguns professores planificam o ensino partilhado da mesma forma que os serviços de apoio directo fora da sala, indo de classe em classe para apoiar todos os alunos integrados, com programas individualizados. Este tipo de abordagem pode não ser a ideal para promover a colaboração se implicar uma grande diversidade de casos ou um grande numero de pessoas envolvidas; assim, segundo as autoras, pode ser preferível trabalhar por nível de ensino ou por equipas de professores \
Alguns professores, ao organizar os horários de apoio, ocupam todos os momentos do seu dia com actividades, o que implica que quando surge alguma questão para resolver tem de ser cancelada a actividade planeada. Parece ser fundamental, para um melhor
Em Portugal a organização do trabalho nas escolas não é feita por equipas de professores, embora possamos fazer uma certa equivalência destas aos conselhos de turma.
funcionamento dos serviços, que haja alguma flexibilidade no estabelecimento dos horários, reservando-se períodos para imprevistos ou para colmatar determinadas falhas.
Também o tipo de periodicidade a estabelecer num programa de ensino partilhado é discutida pelas autoras. Quando existem recursos suficientes, estabelecer um período diário de ensino partilhado permite aos dois professores desenvolver um sentimento de posse em relação á classe e manter a continuidade no ensino. No entanto, se para concretizar esse período de apoio diário é necessário que um mesmo professor apoie diversas classes, num mesmo dia, isso pode levar a que se perca o sentido do trabalho, na medida em que fica demasiado disperso. Poderão, então, ter de surgir alternativas de apoio não diário.
Bauwens & Hourcade (1995) também referem que, um mesmo par ter a possibilidade de definir um período diário de ensino partilhado, traz grandes vantagens, quer para os professores, quer para os estudantes. O acompanhamento pode ser mais consistente e o professor de apoio consegue mais facilmente captar o que aconteceu, na classe, desde a ultima vez em que esteve presente; a planificação torna-se mais fácil assim como o desenvolvimento de relações profissionais sólidas; finalmente reduz bastante a possibilidade de que o professor de apoio seja percebido como um visitante.
Algumas desvantagens também podem decorrer de uma intervenção diária, nomeadamente pela possibilidade de surgirem alguns conflitos ou aborrecimentos entre os professores, pelo facto de estarem juntos dia após dia; pode fomentar uma dependência demasiada entre os professores, não desenvolvendo competências para resolver determinados problemas sozinhos; também os alunos podem tornar-se mais dependentes do apoio não aprendendo a desenvolver competências de autonomia na aprendizagem; finalmente, uma intervenção diária implica que cada professor possa trabalhar num menor número de classes.