• Aucun résultat trouvé

“(…) Miller (2000) afirmou - a meu ver, de maneira muito convincente - que pode ser fundamental para a explicação da hiper-expansão da capacidade do cérebro humano que acompanhou a nossa criação. Este é apenas um dos muitos fatores relevantes que não podem ser aqui tratados com a profundidade que mereciam, menciono este para sublinhar que o nosso tópico é tão grande que muitos outros fatores potencialmente importantes tiveram de ser temporariamente deixados de lado.” (Pasternak, 2009, p. 143)

3.1.5 - Sínteses

“É importante notar que nem tudo que conhecemos ou em que pensamos é um meme. Se não tem a certeza de que uma coisa seja ou não um meme, pergunte-se: «foi copiado de alguém ou de alguma outra coisa?». Se foi, é um meme, caso contrário, não é um meme. Por conseguinte, as aptidões que aprendemos sozinhos não são memes, nem as memórias que temos de sítios que vimos ou de pessoas que conhecemos, nem as emoções, que não podem ser totalmente descritas

109

a terceiros. Mas todas as palavras do nosso vocabulário todas as histórias ou canções que conhecemos e todas as ideias que recebemos de outros são memes, e quando as combinamos para fazer histórias novas ou invenções para serem transmitidas, então criamos novos memes.

Uma ideia central dos memes é que, como evolução ocorrerá são replicadores, a qualquer para benefício dos memes, e não dos seus portadores ou de outra coisa. Como Dennett (1995) sublinhou,o grande beneficiário de qualquer processo evolucionário é aquilo que é copiado. Tudo o que acontece e todas as adaptações que surgem são para grande benefício dos replicadores. Esta ideia é aquilo que distingue a memética das teorias relacionadas da sociobiologia, psicologia evolucionária e da teoria da coevolução gene-cultura.” (Pasternak, 2009, pp. 26-27)

“Num nível descritivo, a ideia é que os seres humanos não são apenas a espécie mais inteligente, mas também a mais social, no fundo da sua inter-relação cognitiva. Vários aspetos desta ideia são visíveis nos fenómenos da cultura, da teoria da mente («leitura da mente»), da cooperação e da linguagem. Pretendo destacar a forma como os antepassados evolucionários destes fenómenos podem ser sistematicamente analisados e defendo que os seus precursores constituíam um complexo adaptativo graças ao qual os nossos antepassados sobreviveram a um estrangulamento evolutivo. Fizeram-no graças ao aperfeiçoamento de um padrão extraordinário de caça e recoleção face à competição de numerosas espécies de predadores «profissionais». Compreender como isto foi conseguido pode ter uma importância fundamental para explicar a «natureza» da natureza humana.” (Pasternak, 2009, p. 131)

“Não pretendo negar a teoria do nicho cognitivos na verdade, não só parece consistente com todos os indícios sobre o nosso passado, como também é provável que seja uma inferência inevitável desses. No entanto, defendo que esse nicho não é adequadamente descrito em termos de envolvimento intelectual apenas com o mundo físico da caça, da recoleção e da primeira tecnologia. Aquilo que falta é uma série de adaptações na forma como a mente funcionava socialmente, que não foram menos críticas para a transição «milagrosa» no estilo de subsistência dos primeiros hominídeos. Estas adaptações incluíam formas de transmissão cultural, coordenação mental e cooperação que permitiam que o grupo agisse como um caçador recolector grande superinteligente, explorando aquilo que seria mais bem descrito como um «nicho sociocognitivo» distinto.” (Pasternak, 2009, p. 135)

110

“Os caçadores-recolectores têm geralmente poucas posses materiais, apenas as que podem ser transportadas por indivíduos que têm um modo de vida essencialmente nómada. No entanto, as ferramentas e armas que têm são aspetos importantes para a forma como os ataques evolucionários de surpresa são executados as técnicas envolvidas na manufatura e na utilização representam o resultado de gerações de invenção, transmissão social de conhecimento e de incorporação de aperfeiçoamentos num processo contínuo de «incrementação» da evolução cultural (Tomasello, 1999; ver também Ayala, 2006). Há também muita transmissão social de saber e conhecimento em aspetos não tecnológicos do modo de vida da caça e recoleção, como a ação de seguir o rastro das presas. Por conseguinte, a mente que opera estratégias de caça ou estratégias de recoleção é sofisticada e sobrevive bem no seu meio competitivo graças à profundidade da sua assimilação da informação socialmente transmitida. A relevância disto para o nosso passado está implicada na sofisticação das lanças tipo dardos já referidas e, de facto, dos instrumentos de pedra acheulienses com um milhão de anos de idade.” (Pasternak, 2009, p. 141)

“A vasta literatura sobre a leitura da mente que floresceu nos anos 90 do século XX quase não abordou, infelizmente, os povos (cada vez mais raros) caçadores recolectores, exceto no caso de uma demonstração de Avis e Harris (1991), segundo a qual as crianças Baka são capazes de reconhecer como as crenças falsas podem influenciar o comportamento, tal como acontece com as crianças nos EUA e na Europa. Embora alguns aspetos das teorias da mente de adultos possam variar culturalmente (Lillard, 1998), os que se espera qualquer indivíduo a quem se atribui crenças falsas (e talvez muito mais na maturidade) poderão incluir o reconhecimento de vários estados de perceção conhecimento, desejo e intenção, bem como um modelo de como interagem para explicarem e preverem o comportamento (Wellman, 1990). Ainda que o seu papel específico na caça e recoleção tenha ainda de ser formalmente estudado, não é exagerado especular que esta teoria da mente terá efeitos profundos na sofisticação com que essas atividades socialmente mediadas, como a caça e a recoleção, podem ser levadas a cabo, bem como os padrões associados de igualitarismo, coordenação e cultura.” (Pasternak, 2009, p. 141)

111

3.2 - A Força do Hábito – Perceber e Corrigir os Hábitos na Vida e no