6. Les méthodes d’analyse proposées par l’ingénierie
6.2. Différentes méthodes d’analyse des risques
“Essa constelação pode ir desde o nascimento nos meses problemas no parto, suportar viroses precoces, até ocorrência casual de uma certa constelação de genes. Como andamos a descobrir os genes devemos dar maior importância a esta última hipótese. Mas não quero iludir o leitor: não vale a pena andar à procura de esquizofrénicos na família, porque os genes em causa são vários e, só por si, não chegam. Mesmo que tivesse os genes igualzinhos a um esquizofrénico (um clone seu ou um gémeo monozigótico), as suas hipóteses de ter a doença seriam apenas 40%, se tirarmos a média das várias opiniões desencontradas sobre o assunto. (…).
Com todo esse trabalho, até se pode tornar um pequeno génio cheio de originalidade. De facto, é possível que desenvolva algumas habilidades adicionais, como reparar em pormenores que ninguém notara antes ou saber usar indistintamente as duas mãos para trabalhos que os outros só fazem com a mão direita (ou esquerda, se forem canhotos). (…)
Sabe como essas situações podem ser emocionantes, mas você deve esforçar-se por nunca aprender a lidar com emoções. Pode apenas permitir-se a uma ou outra paixão platónica, quanto mais impossível melhor. Por exemplo, imagine conversas com o seu amor ou escreva cartas que mete na gaveta para se ir deleitando com as respostas que ele (que, necessariamente, nunca saberá de nada) lhe poderia escrever O importante é que tudo isto se passe apenas na sua cabeça e que você se inicie na proveitosa arte de falar de si para si.” (Abreu, 2014, pp. 124-126)
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“Se assim prosseguir, terá sempre a confirmação das suas ideias, por mais absurdas que elas sejam. Pode criar um novo sistema oculto ou, quem sabe, uma nova religião. O objetivo de tudo isto é criar curtos-circuitos no seu cérebro que, mais dia, menos dia, lhe façam fundir alguns fusíveis. Em boa verdade, se cumpriu as indicações anteriores, você já entrou em curto-circuito. Ter uma ideia nova e confirma-la de imediato é um exercício apaixonante que fará surgir novas e estranhas ideias que confirmara de seguida. Haverá quem diga que isto é entrar em autismo, mas não lhe ligue. Alias, o seu exercício é tao apaixonante que não precisa de aprender mais nada, nem falar com ninguém. E é bom não falar, porque não o compreendem ou poem-se a desdize-lo. Estão a começar a ficar contra si. Afaste-se deles, e não haverá mais resistência. As suas ideias com as confirmações que desenvolvera, você consigo próprio, já se instalaram no curto-circuito. Mas falta- lhe fundir os fusíveis... como é que vai conseguir? Se encontrar alguma energia adicional. (…).
O que importa e finalmente, levar as emoções ao rubro. Nesse momento, tudo começara a tornar-se estranho, e você entrara num mundo kafkiano. Já não entendera ninguém, nem ninguém o entendera a si. Mas é você que esta no centro de tudo. Nada será mais como era antes, e tudo lhe diz agora respeito. A coincidência de pormenores será turbilhonante. Descobrira verdades absolutas que só você conhecera. As palavras e as coisas transfiguram-se e mudam o significado para lhe confirmarem essas verdades. As pessoas já não falam do mesmo modo, mas por sinais codificados que só você compreende. Pode mesmo ouvi-las falarem de si por processos estranhos. Todo o mundo gira à sua volta.” (Abreu, 2014, pp. 127-128)
“As emoções que, durante tanto tempo, foram evitadas, encontraram agora oportunidade para se exprimirem copiosamente. Mas são de tal modo inadequadas que você, em desespero, fará provavelmente alguma asneira, e alguém o levará ao hospital. É a altura de os psiquiatras lhes devolverem o diagnóstico de surto esquizofrénico paranoide e montes de comprimidos e injeções.” (Abreu, 2014, p. 129)
Variante 1. Hebefrenia
“Está forma está recomendado aos perfeccionistas, pois há quem diga que é mais genuína forma de esquizofrenia. De facto, a forma paranoide tem muito a ver com as paranoias (embora ocorra mais cedo, mais súbita e definitivamente, e com mais sintomas) e a catatonia pode estar, como veremos, misturada com outras coisas. Tem no entanto um pequeno problema: é que o seu
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comportamento da demasiado nas vistas, pelo que rapidamente o levarão ao médico, e você, de tão confuso que esta, fica sem forcas para fugir à medicação.” (Abreu, 2014, pp. 130-131)
Variante 2. Catatonia
“Transforme-se numa verdadeira estátua! Mantenha-se assim por horas ou dias. Se algum psiquiatra o mudar de posição mantenha a nova posição para que ele tenha a felicidade suprema de encontrar um caso de «flexibilidade cérea». Para além disto, não fará nada do que os outros lhe pedirem, já que você está assim para se defender de tudo e de todos. Resistência passiva!” (Abreu, 2014, p. 133)
Variante 3. Personalidade esquizotípica
“A ideia não é ma, porque não é carne nem é peixe. Torna-se uma pessoa singular, um pouco excêntrica, sempre do contra, com ideias tao estranhas que podem ter direito primeira página do Correio da Manha. Faz o que lhe apetece, não conta com os outros nem precisa deles, mas a sua vida la vai andando. Enquanto for jovem, pode mesmo ser apreciado por quem vir em si um artista ou um profeta. Pode viver conta da família ou de expedientes ocasionais. Pode vestir a pele de um sem-abrigo e dirigir-se à assistência social. Vai ficar admirado porque os outros se preocupam mais consigo do que você mesmo. E se, algum dia tiver problemas, sempre pode exibir a desculpa da doença.” (Abreu, 2014, p. 135)
Variante 4. Outras formas e misturas
“O recurso é especialmente útil para quem tiver qualquer outro quadro mórbido, mas queira também obter uma pós-graduação besta área, embora limitado no tempo. (…).
Se obtiver um destes diagnósticos, pode estar seguro de que o psiquiatra já dificilmente se entende com o seu tratamento. Por isso, tem direito a uma constelação caótica de medicamentos que ajudam a baralhar mais os seus neurónios. Se quiser, vá-se passeando de médico em médico, só para ver o desatino que grassa entre os entendidos!” (Abreu, 2014, p. 137)