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La correction des travaux exigés des élèves

Dans le document Joseph Chbat, (Page 159-164)

Centre du métier

4.1.3.3.2 La correction des travaux exigés des élèves

As pessoas de Espraiado e das fazendas próximas deslocam-se entre os dias de segunda a sábado, especialmente, para a sede dos municípios de Palmas de Monte Alto e Guanambi. Numa manhã do mês de fevereiro, desloquei-me para a sede do município no micro-ônibus de um morador local. A viagem iniciou-se às 5 horas da manhã, com destino a essas cidades, e o retorno estava previsto para as 13 horas. O valor da passagem de ida e volta fica em torno de 10 reais. As pessoas esperavam no caminho, em frente às suas casas ou porteiras. Os viajantes (velhos, crianças, jovens...) conversavam, especialmente sobre os motivos da viagem até a cidade. Era preciso ir ao cartório, ao hospital, ao banco, à prefeitura e outros serviços que não são oferecidos em Espraiado. Já não se frequenta tanto o comércio da sede para fazer a feira do mês, pois nas mercearias de Espraiado encontra-se “de tudo”. As estradas, abatidas pelas chuvas, tornavam a viagem demorada e cansativa. Por fim, o ônibus parou na Brasília,45próximo ao mercado municipal. Aqueles que iam ficar na sede do município desceram e se dispersaram nas ruas. Outros seguiram viagem até Guanambi.

Ao descer do micro-ônibus, presencio a saída de vários ônibus com destino aos Estados de Minas Gerais e São Paulo. Os viajantes são jovens da zona rural do município de Palmas de Monte Alto que se deslocam anualmente para os cortes de cana nesses Estados. Foi essa cena que me fez refletir sobre a migração temporária protagonizada por esses jovens. Ao retornar para Espraiado, localizei alguns rapazes que trabalharam em canaviais, nos anos de 2005 a 2007, e os convidei para participar de um grupo de discussão.

Soube então que cada estadia nos canaviais dura de oito a dez meses, retornando para casa após o término da safra. O “orgulho” pelo pagamento recebido nesses canaviais caminha junto com as lembranças do trabalho “árduo e difícil de adaptar”. Aos poucos, narram sobre as condições inadequadas a que são submetidos, além da difícil convivência com as pessoas do “lugar”. Os jovens informam que são discriminados por serem “cortadores de cana,”e ressaltam a visão estereotipada sobre a origem social dos canavieiros. Ser cortador de cana tem implicações decisivas na socialização dos jovens nessas cidades. A forma como algumas jovens mulheres se

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Brasília- área comercial do município onde ficam localizados vários estabelecimentos comerciais como açougues, mercados, papelarias, farmácias, mini-feiras,bares, lojas, barbearias, salões de beleza, etc. Também é ponto de referência para transportes coletivos.

dirigem a eles - “olha se eu tenho uma moita de cana aqui nas minhas costas, otário”- revela a discriminação sofrida por eles nas redondezas dos canaviais.

O dia a dia nos canaviais é relatado em detalhes, especialmente os acidentes que sofreram, a relação com os fiscais, com os turmeiros, a hierarquia entre os cortadores,46 o valor de cada metro de cana cortada, bem como a concorrência entre os colegas para “ver quem corta mais”. Na fala dos jovens fica expressa que as condições de trabalho nos canaviais são caracterizadas como insalubres, periculosas e penosas. Os jovens falam, ainda, com admiração da presença de jovens mulheres nos canaviais. Dizem que ficam impressionados com a resistência delas, principalmente porque conseguem “cortar mais cana”, superando alguns homens.

A ida para os canaviais tem uma motivação. O desejo de comprar uma moto, pôr um “negócio pra viver,” usufruir de bens de consumo ou guardar um dinheiro, são razões muito significativas para esses jovens migrantes. Para um dos jovens entrevistados, o período nos cortes de cana em que trabalhou, tornou possível a compra de um carro para “fazer linha“, transportando moradores do Distrito até a sede do município. No entanto, afirmam que “não há futuro para o cortador de cana”. Quando conseguem alcançar o objetivo, é para a comunidade de origem que querem voltar, onde projetam o futuro, pois, como ilustrou um dos jovens entrevistados: “bom é aqui”. As relações estabelecidas com os familiares e amigos, a tranquilidade do “lugar“, além da sociabilidade local figuram como fatores que tornam a vida no Distrito relevante.

A realização desse grupo de discussão me fez recordar da entrevista que realizei com senhor Teotônio. Essas narrativas tratam de dois tempos distintos, nos quais a migração era vista como única alternativa de renda para jovens do Distrito Espraiado: os anos de 1971 e 2005.

Foi na década de 70 do século passado, que “revoadas” de jovens (homens e mulheres) do Distrito migraram para o estado de São Paulo. Quando o senhor Teotônio chegou a essa região, percebeu que se tratava de uma terra de possibilidades. A notícia “correu” através das cartas escritas e outros jovens do Distrito migraram para o estado. Iam se estabelecendo inicialmente nas casas dos “parentes” e a medida que “firmavam” no trabalho, mandavam dinheiro para a família.

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Goela- quem corta muita cana; Aranha- aquele que enrola; Borrar- quando o trabalhador sente- se mal e precisa ser internado em hospital, em razão da exploração do trabalho que leva os trabalhadores à exaustão de suas capacidades físicas; Dar gancho- punição por desobediência.

Os relatos sobre o trabalho como operário na construção civil possibilitaram a rememoração de situações em que sofreu preconceito por ser “cidadão de cor”47. Ser homem pobre, negro e nordestino impediu o acesso ao trabalho em várias fábricas, mas também a espaços de lazer das cidades paulistas em que morou. Em algumas, só conheceu lugares destinados a “gente de cor”, tais como o “clube dos pretos”, pois era proibido frequentar o “clube dos brancos,” embora muitos jovens brancos pudessem ir até o “clube dos pretos”. Lá casou-se, ficou “familiado” e o projeto de permanecer ganhava força. Com a morte do pai, sentiu-se na obrigação de voltar para a Bahia e cuidar da mãe. Não fosse esse infortúnio, teria continuado lá, tal como os primos o fizeram e hoje estão “bem de vida.” Retornar para seu local de origem favoreceu o reencontro com os familiares e amigos, mas também a partilha da experiência adquirida durante os anos em que morou na capital paulista.

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Cidadão de cor – homem negro. A expressão foi utilizada pelo entrevistado para se referir aos homens negros que buscavam trabalho na capital paulista.

Dans le document Joseph Chbat, (Page 159-164)