CHAPITRE VI : UNE « MICROCULTURE DE RÉSISTANCE » CONTRE
6.2 quelques exercices de résistance
6.2.3 L’importance de l’humour et la parodie gestuelle au travail
O movimento é o primeiro eixo apresentado pelo RCNEI (BRASIL, 1998a), que o torna uma importante dimensão do desenvolvimento e da cultura humana (BRASIL, 1998a, p. 15). Este eixo possibilita a interação com o mundo à medida que a criança o domina, desperta a expressão de sentimentos, emoções e pensamentos, ampliando assim a exploração de gestos e posturas corporais. O RCNEI (BRASIL, 1998a) destaca que,
O movimento humano, portanto, é mais do que simples deslocamento do corpo no espaço: constitui-se em uma linguagem que permite às crianças agirem sobre o meio físico e atuarem sobre o ambiente humano, mobilizando as pessoas por meio de seu teor expressivo. (BRASIL, 1998a, p. 16).
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Desta forma, o RCNEI (BRASIL, 1998a), como os demais documentos brasileiros norteadores deste nível de ensino, considera o movimento como uma linguagem da criança e, com isso, destaca sua potencialidade em despertar a aquisição de outros conhecimentos, mediados pela expressão corporal da criança.
Sua aquisição resulta da interação com o meio e seus significados tem sido construídos em função de diferentes necessidades, interesses e possibilidades corporais humanas nas diferentes culturas em diversas épocas históricas. Assim, construiu-se uma cultura corporal, a qual se manifesta pela dança, jogo, brincadeiras e práticas esportivas, a partir de gestos, posturas e expressões corporais.
Desta maneira, indica que ao brincar, jogar, criar e imitar ritmos, as crianças se apropriam desta cultura corporal e, por isso, a EI deve favorecer tais ações, em ambientes seguros e acolhedores, ao mesmo tempo em que devem ser variados e desafiadores.
Apesar desta importância demonstrada, o RCNEI (BRASIL, 1998a) destaca que é comum que o movimento seja suprimido de práticas pedagógicas que impõe às crianças rígidas restrições posturais. Isso reflete a intenção de algumas escolas em determinar um caráter disciplinador e na ideia de que o movimento impede a concentração e a atenção das crianças para a aprendizagem, argumento equivocado. Essa atitude pode, segundo o documento, desenvolver passividade e hostilidade entre as crianças. Da mesma forma, são criticadas as ofertas de movimentação restritiva e pré-determinadas, pois impedem a expressividade e a criatividade das crianças.
A importância do movimento é, então, destacada, em citação baseada nos preceitos de Wallon:
O movimento para a criança pequena significa muito mais do que mexer partes do corpo ou deslocar-se no espaço. A criança se expressa e se comunica por meio dos gestos e das mímicas faciais e interage utilizando fortemente o apoio do corpo. A dimensão corporal integra-se ao conjunto da atividade da criança. O ato motor faz-se presente em suas funções expressiva, instrumental ou de sustentação às posturas e aos gestos. (BRASIL, 1998a, p. 19).
Inicialmente, esta movimentação da criança é subjetiva, ao passo que se torna objetiva aos poucos. Sendo assim, a primeira função do ato motor está ligada a expressão.
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Por este motivo, impulsiona o aprendizado de outras esferas do conhecimento. Com isso, é esperado que as instituições de EI disponibilizem espaços e planejem situações que explorem o movimento em suas rotinas.
Ao sugerir as intervenções com o movimento para as crianças de zero a três anos, o documento inicialmente descreve como ocorre seu desenvolvimento para esta faixa etária. O primeiro ano de vida é um período em que predomina a subjetividade do movimento, o qual se manifesta pelas interações entre crianças e adultos, incentivadas pelo toque corporal e pelo diálogo afetivo. É um período de importantes aquisições motoras, exploração do próprio corpo, pelo efeito dos próprios gestos sobre os objetos do mundo exterior e pela consciência corporal. Nesta fase, os atos tornam-se instrumentos para atingir fins no mundo exterior – isto é, confirmam-se como linguagem – nos quais a preensão e a locomoção aprimoram-se conforme as oportunidades.
Nos segundo e terceiro anos de vida, o andar aperfeiçoa-se e propicia exploração do espaço e maior disponibilidade das mãos, facilitando e adequando gestos e movimentos às intenções e demandas da realidade. Ocorre um maior desenvolvimento dos gestos simbólicos, do faz-de-conta e da função indicativa, facilitando a comunicação da criança pequena. Esta passa a ter maior consciência corporal, reconhecendo a imagem do próprio corpo, características físicas e a construção de identidade.
Para esta faixa etária, os objetivos propostos estão elencados no quadro 5, abaixo:
Quadro 5 – Objetivos do eixo Movimento para as crianças de zero a três anos • Familiarizar-se com a imagem do próprio corpo;
• Explorar as possibilidades de gestos e ritmos corporais para expressar-se nas brincadeiras e nas demais situações de interação;
• Deslocar-se com destreza progressiva no espaço ao andar, correr, pular etc., desenvolvendo atitude de confiança nas próprias capacidades motoras;
• Explorar e utilizar os movimentos de preensão, encaixe, lançamento etc., para o uso de objetos diversos. Fonte: Adaptado de Brasil (1998a, p. 27).
A organização destes conteúdos na rotina escolar deverá respeitar as diferentes capacidades das crianças em cada faixa etária, bem como as diversas culturas corporais das
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regiões do país. Deve haver prioridade para as capacidades expressivas e instrumentais do movimento, possibilitando a apropriação corporal para que as crianças ajam com cada vez mais intencionalidade, de forma progressiva.
Estes, ainda, são organizados em dois blocos, consistindo nas possibilidades expressivas e no caráter instrumental.
Com relação ao segmento “expressividade”, esta é uma dimensão subjetiva do movimento que deve ser contemplada e acolhida em todas as situações do dia-a-dia, possibilitando a utilização de gestos, posturas e ritmos para expressão e comunicação, permitindo que a criança se aproprie do significado expressivo do movimento. Este aspecto envolve tanto a expressão de ideias, sensações e movimentos como manifestações corporais relacionadas à cultura. O documento destaca a dança como manifestação cultural que pode favorecer o desenvolvimento das capacidades expressivas, sem que estas sejam marcadas e definidas por adultos (BRASIL, 1998a, p. 29).
Os objetivos para este segmento envolvem o reconhecimento de segmentos e elementos do próprio corpo por meio da exploração, das brincadeiras, da utilização de espelhos e da interação com outras crianças e também a expressão de sensações e ritmos corporais por meio de gestos, posturas e da linguagem oral. Estes objetivos devem ser abordados com as oportunidades de explorar o corpo e experimentar diferentes sensações, individualmente ou em grupo e também nos momentos de banho e massagem. Outras brincadeiras que envolvam o canto articulado ao movimento possibilitam a percepção rítmica, a identificação de segmentos do corpo e contato físico.
De acordo com o RCNEI (BRASIL, 1998a), a cultura infantil é riquíssima fonte a qual possui cantigas e brincadeiras de cunho afetivo, que estipulam o contato corporal como o principal conteúdo. Da mesma forma, os jogos e brincadeiras que envolvam modulações de voz, melodia e percepção rítmicas são indicados como ótimas formas de estimulação para bebês. Outras atividades são sugeridas pelo documento, como as citadas no quadro abaixo:
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Quadro 6 – Atividades sugeridas para o segmento “expressividade” do eixo Movimento
Utilização de espelhos grandes para que várias crianças possam ver seus corpos inteiros ao mesmo tempo, ao lado de colchonetes, tapetes, almofadas e brinquedos variados, proporcionando o reconhecimento de várias posturas por crianças de diferentes idades.
Possibilidade de brincadeiras que favoreçam a sensibilidade corporal, como as características físicas da terra, da areia e da água, por exemplo, realizar banhos de esguicho e fazer bolos de lama.
Disponibilidade de tecidos de diferentes texturas e pesos e materiais com temperaturas diversas, além de cabanas, túneis e labirintos.
Incentivo de mímicas faciais e gestos, a fim de favorecer que as crianças descubram suas próprias capacidades expressivas e aprendam progressivamente a identificar expressões dos outros, ampliando a capacidade de comunicação.
Realização de brincadeiras em rodas ou danças circulares, para que haja o desenvolvimento rítmico individual e coletivamente, introduzindo movimentos inerentes à dança. Brincadeiras em que cada verso corresponda a um gesto também oferecem a oportunidade de as crianças descobrirem e ajustarem movimentos à ritmos, expressando emoções.
Fonte: Adaptado de Brasil (1998a, p. 29).
Além das atividades, o documento também destaca a atenção que deve ser dada às atitudes do professor, pois este é um veículo expressivo. Assim, deve cuidar de suas posturas e expressões, valorizando e adequando os próprios gestos, mímicas e movimentos. O segundo segmento do eixo Movimento para as crianças de zero a três anos refere-se ao “movimento instrumental”, chamado de equilíbrio e coordenação. Estes estão envolvidos nas ações realizadas nas brincadeiras e, portanto o documento afirma que as instituições de EI devem assegurar e valorizá-las, bem como os jogos motores. Da mesma forma, há destaque para as aprendizagens sociais, como competir, colaborar com os demais, combinar e respeitar regras, que estas brincadeiras proporcionam.
Os objetivos para este segundo segmento indicados pelo RCNEI (BRASIL, 1998a, p. 34) são a exploração de diferentes posturas corporais, como sentar-se em diferentes inclinações, deitar-se em diferentes posições, ficar ereto apoiado na planta dos pés com e sem ajuda, a ampliação progressiva da destreza para deslocar-se no espaço por meio da possibilidade constante de arrastar-se, engatinhar, rolar, andar, correr, saltar e, ainda, o aperfeiçoamento dos gestos relacionados com a preensão, o encaixe, o traçado no desenho, o lançamento e outros, por meio da experimentação e utilização de suas habilidades manuais em diversas situações cotidianas.
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Para que tais objetivos sejam alcançados, o RCNEI (BRASIL, 1998a) sugere que quanto menor a criança, maior é a responsabilidade do adulto de lhe proporcionar experiências posturais e motoras variadas. Assim, algumas atividades são demonstradas no quadro abaixo:
Quadro 7 – Atividades sugeridas para o segmento de equilíbrio e coordenação do eixo
Movimento
Modificar a posição das crianças quando sentadas ou deitadas; tocar, acalentar e massagear os bebês para que possam perceber partes do corpo que não alcançam sozinhos.
Organizar o ambiente com materiais que propiciem a descoberta de movimentos:
o Disponibilizar materiais que rolem pelo chão como cilindros e bolas, que sugiram que as crianças se arrastem, engatinhem ou caminhem em túneis, para que se abaixem e utilizem força para percorrê-los.
o Oferecer móbiles e outros penduricalhos para que exercitem a postura ereta para tocá-los.
o Ofertar almofadas para as crianças sentarem ou deitarem realizando atividades como folhear livros e gibis ou mesmo manipular brinquedos.
Organizar circuitos em espaços internos ou externos sugerindo desafios corporais.
Realizar brincadeiras tradicionais, como estátua, para a promoção do tônus muscular. Fonte: Adaptado de Brasil (1998a, p. 37).
Para que todas as intervenções com o movimento sejam realizadas segundo as sugestões do documento, são necessárias ainda orientações gerais aos professores. Para o RCNEI (BRASIL, 1998a), este profissional deve perceber os significados que pode ter a atividade motora para as crianças, pois assim poderá ajudá-las a ter uma percepção adequada de seus recursos corporais. Deve compreender o caráter lúdico e expressivo da motricidade infantil e planejar situações pedagógicas voltadas para aspectos específicos do desenvolvimento corporal e motor. Assim, deverá avaliar constantemente o tempo de contenção motora ou de manutenção de uma mesma postura. Também, deverá se atentar à dominância lateral, aceitando a preferência que a criança irá manifestar, sem impor-lhe o uso da mão direita. A análise deste trecho do RCNEI (BRASIL, 1998a) fomenta a discussão de que estes assuntos precisam estar mais presentes na formação inicial do professor, pois, do contrário, não haverá a possibilidade de incentivar esta importante área.
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auxiliar para que as manifestações motoras estejam articuladas com diversas atividades da rotina, o que sugere uma ligação com outros conhecimentos e aprendizagens, garantindo o aspecto interdisciplinar dos conteúdos. É destacado que as atividades que buscam, valoriza o movimento em suas dimensões expressivas, instrumentais e culturais podem ser realizadas de maneira planejada ou não (BRASIL, 1998a, p. 38). Além disso, também são aconselhados projetos que integrem vários conhecimentos ao eixo movimento, o que o faz, já pelo próprio RCNEI (BRASIL, 1998a), um articulador de conteúdos.
O Referencial denota a preocupação, em acréscimo, em organizar a avaliação do desenvolvimento do movimento por parte das crianças. Para tanto, afirma (BRASIL, 1998a, p. 39):
Para que se tenha condições reais de avaliar se uma criança está ou não desenvolvendo uma motricidade saudável, faz-se necessário refletir sobre o ambiente da instituição e o trabalho ali desenvolvido: ele é suficientemente desafiador? Será que as crianças não ficam muito tempo sentadas, sem oportunidades de exercitar outras posturas? As atividades oferecidas propiciam situações de interação?
Logo, a avaliação do movimento deve ser contínua, considerando as atividades vivenciadas pelas crianças e, portanto, resultado de uma intervenção intencional do professor. Isto deve ser feito pela observação cuidadosa do professor sobre cada criança e o grupo, a qual forneça elementos que podem auxiliar na construção de práticas que considere o corpo e o movimento das crianças.
Em suma, o RCNEI (BRASIL, 1998a) considera como experiências prioritárias para a aprendizagem do movimento realizada pelas crianças de zero a três anos, o uso de gestos e ritmos corporais diversos para expressar-se e realização de deslocamentos no espaço sem ajuda. Enfim, o documento enquadra o eixo Movimento na classe das linguagens sem suprimir sua característica instrumental importante.