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L’émergence du désir triangulaire

Dans le document Instantanés et destins (Page 118-126)

Un arbre dans Babylone)

VII.2. L’émergence du désir triangulaire

O fato de um animal “cair” numa rede significa, geralmente, que ele foi capturado, caçado ou aprisionado. O caçador, quando trabalha a serviço da indústria, participa da “rede” de exploração deste animal e/ou de suas qualidades, visando lucro. Também participam, embora de forma diferen- te, aqueles que consomem os “produtos” derivados daquele animal.

Pense num carrinho de supermercado carregado com as compras do mês. Em quantas redes ele pode estar envolvido?

As pessoas da figura 1 não estão envolvidas por nenhuma rede/teia material, visível. Mas isso não quer dizer que elas não sejam, de certa forma, “prisioneiras”. Mas afinal, de que natureza é a rede/teia que en- volve/aprisiona o ser humano?

Antes de nos apressarmos na resposta desta questão, vamos ler al- gumas definições de rede contidas no dicionário.

REDE: 1. Entrelaçado de fios (de linho, algodão, fibras artificiais ou sin-

téticas) cordões, arames, etc., formando uma espécie de tecido de malha aberto, composto em losangos ou em quadrados de diversos tamanhos. 2. Artefato de malhas largas, usado para apanhar peixes, aves, borboletas etc. 3. Tela de arame usada para proteção, resguardo (colocou na janela uma re- de contra insetos). 4. Objetos entrecruzados quaisquer. Conjunto de estra- das, tubos, fios, canais etc. que se entrecruzam. 5. Conjunto de pontos que se comunicam entre si. 6. Conjunto de pessoas ou estabelecimentos que mantém contato entre si, geralmente organizadas e sob um único coman- do. 7. Sistema constituído pela interligação de dois ou mais computadores e seus periféricos, com o objetivo de comunicação, compartilhamento e inter- câmbio de dados. 8. Rádio, TV grupo de emissoras associadas ou afiliadas que transmitem, no todo ou em parte, a mesma programação, cadeia.

(Adaptado de: HOUAISS, 2001, p. 2406)

Você já deve ter notado que as pessoas da figura 1 estão envolvi- das por mais de uma rede. Então, vamos tentar identificar as diversas redes que envolvem tanto a elas como a quase todos nós por meio do seguinte exercício:

Listem, em equipe, os objetos que vocês têm em casa e que possi- bilitam suas conexões com o mundo. Estas conexões devem ser enten- didas de maneira ampla, desde a relação com o grupo social mais res- trito (família, amigos, professores, namorados(as), vizinhos), até com as coisas que acontecem no mundo.

Estes objetos que vocês listaram são a parte da teia (a materialidade dela) que alcança vocês nas suas casas, nos seus cotidianos. Para esta- belecer a sua conexão com o mundo, os “fios” dessa teia alongam-se

Tente descrever a trajetória do fio da rede que liga um dos objetos que você listou, desde a sua casa (ou da sua mão) até um país distante qualquer. É possível fazer esse exercício?

Você consegue identificar que tipo de rede é essa? Que nome você daria a ela?

ATIVIDADE

Esses fios estão, necessariamente, materializados no espaço geográ- fico? Podemos vê-los? Tocar neles?

Muito bem, uma das redes que envolvem as pessoas da figura 1 já conseguimos identificar. Mas, será que existem outras?

Vamos refletir juntos sobre outros tipos de rede. Para isso, nos uti- lizaremos da linguagem poética para guiar nossa reflexão.

Eu, Etiqueta

Em minha calça está grudado um nome que não é o meu de batismo ou de cartório um nome...estranho.

Meu blusão traz lembrete de bebida que jamais pus na boca, nesta vida. Em minha camiseta, a marca de cigarro que não fumo, até hoje não fumei [...]

Com que inocência demito-me de ser eu que antes era e me sabia,

tão diverso de outros, tão mim-mesmo ser pensante, sentinte e solidário. [...]

Onde terei jogado fora

meu gosto e capacidade de escolher, minhas idiossincracias tão pessoais, [...]

Por me ostentar assim , tão orgulhoso de ser não eu, mas artigo industrial, peço que meu nome retifiquem. Já não me convém o título de homem, meu nome novo é coisa.

Eu sou a coisa, coisamente.

(Carlos Drummond de Andrade. O corpo. Rio de Janeiro, Record, 1984 p. 85-87.).

Vocabulário: texto (etimologia latina) – narrativa, exposição, tecer, fazer te-

cido, entrançar, entrelaçar, construir sobrepondo ou entrelaçando, (...) compor ou organizar o pensamento em obra escrita ou declamada...

(HOUAISS, 2001, p. 2713).

Leia os trechos da poesia “Eu, Etiqueta”, de Carlos Drumond de An- drade. Você pode acessar os sites http://www.minerva.uevora.pt/pu- blicar/etiquetas/poema.htm ou http://www.alavip.com.br/curiosida- des_euetiqueta.htm e ler o poema na íntegra.

A rede dos sentidos, no texto de Drummond, aponta para um sen- timento e para uma transformação do eu-lírico (o narrador do poema).

Você é capaz de identificar que sentimento e que transformação é essa?

Você já se sentiu angustiado alguma vez por ser pressionado a fazer parte (uso) desta rede? Sentiu-se infeliz por não ter acesso a coisas que ela oferece e isso lhe custou não ser incluído em algum grupo so- cial do qual gostaria de participar? Discuta estas questões com os colegas de classe. Leia mais sobre es- ta problemática no Folhas “Dinheiro traz felicidade?”.

DEBATE

A poesia de Drummond faz uma crítica a comportamentos que, na maior parte do tempo, não são problematizados pelas pessoas. Ao contrário, participar das situações que a poesia descreve, muitas ve- zes, nos é imposto como condição para estabelecer comunicação com pessoas com as quais desejamos nos relacionar socialmente (fazer par- te da tribo). Alguns de nós, geralmente aqueles que se encantam com tudo isso, valorizam tanto os comportamentos questionados na poesia, quanto o consumo exagerado a que ele remete e não se sentem inco- modados por estarem atados a esta rede.

Que relações podem ser estabelecidas entre a rede presente na po- esia de Drummond e aquela da lista de objetos que vocês organizaram anteriormente? O que estas duas redes têm em comum e o que elas têm de diferente?

Você sabia que a palavra texto tem sua origem na idéia de rede, de tessitura de tecido? Veja algumas das definições encontradas no dicionário:

Por meio das definições apresentadas, você pôde perceber que um texto também é uma rede e pode ter várias formas (escrita, fa- lada, imagem, desenho, etc.).

Que relações podemos estabelecer entre as reflexões feitas até ago- ra sobre a idéia de rede e o ditado popular “Caiu na rede, é peixe”?

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