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L’éclaircissement de la notion d’assistance consulaire

Os novos dados geocronológicos gerados no presente trabalho acrescentam informações chave no entendimento temporal, sobre os processos que determinaram a formação das mineralizações cupríferas do Vale do Curaçá. A idade mais antiga, obtida no presente trabalho, foi da amostra PG-02-D, 2723 ± 51 Ma, a única do Neoarqueano. Em seguida, no final no Ryaciano (Paleoproterozóico), consta a idade do intercepto superior da amostra MS-02-B, 2054 ± 28 Ma.

Por fim, foram obtidas as quatro idades restantes (do começo do Orosiriano), da amostra PG-02-D, PG-04-C, MS-01-D e MS-02-B, iguais a 2047 ± 12, 2042 ± 15, 2045 ± 40 e 2047 ± 11 Ma, respectivamente. Além da idade 507 ± 61 Ma, do começo do Cambriano/final do Neoproterozóico, obtida no intercepto inferior da amostra MS-01-D, da Mina de Surubim, interpretada como influência das faixas brasilianas, que bordejam o Cráton do São Francisco.

Em comum, todas as amostras evidenciam altos teores de Pb comum, o que lhes forneceu altos erros e, em alguns casos, baixos valores de MSWD, excetuando as idades

paleoproterozóicas das amostras PG-02-D, PG-04-C e MS-02-B. Entretanto, estes resultados já eram, de certa forma, esperados. Visto que os zircões foram obtidos de rochas intensamente metassomatizadas, e apresentaram-se muito metamitizados.

Da mesma forma, os altos teores de Pb nas amostras do CSF já foram demonstrados por IYER (2001)1 e MISI et al. (2004). Estes pesquisadores apontaram que o uso de diagramas de classificação plumbotectônicos em amostras do CSF não obtinham a mesma eficiência que os de outras áreas, devido às concentrações anômalas dos isótopos mais pesados (208Pb, 207Pb, 206Pb).

Ao comparar as idades que aqui constam com as de publicações sobre o Vale do Curaçá e a região norte do OISC é possível observar que a idade neoarqueana da amostra PG- 02-D, está mais compatível com as idades obtidas para as rochas do embasamento pelo método U-Pb SHRIMP, entre 2785 ± 11 Ma e 2634 ± 9 Ma (OLIVEIRA et al., 2004), e pelo método U-Pb LA-ICP-MS, 2664 ± 27 Ma (CÔRREA-GOMES et al., 2012). Esta é uma interpretação plausível, pois os quartzo-microclinitos seriam o metassomatismo das rochas máfico-ultramáficas e também das suas encaixantes, nas zonas de contato.

OLIVEIRA et al. (2004) obtiveram, pelo método U-Pb SHRIMP, a idade de 2580 ± 10 Ma, para zircões extraídos de noritos da mina da Caraíba, que seria a idade do magmatismo do complexo, cerca de 120 Ma anos mais jovem que os zircões da amostra PG- 02-D (Tabela VI.5). Pra mesma amostra, os autores obtiveram a idade de 2103 ± 23 Ma como a idade do metamorfismo, e idades entre 2215 ± 11 e 2028 ± 13, para diversas rochas do Complexo Caraíba.

CÔRREA-GOMES et al. (2012) interpretaram a idade de 2029 ± 21 Ma obtida em zircões de um charnockito da região de Itatim, na porção central do OISC, como sendo a época do colapso orogênico. Este intervalo é compatível com as amostras PG-02-D, PG-04-D e MS-02-B deste trabalho, o que pode levar à interpretação de que o momento em que se processou a alteração potássico-silicosa (responsável por formar os quartzo microclinitos) é o do colapso orogênico, como sugerido, com base em idades Ar-Ar, por Teixeira et al. (2010).

1 Palestra intitulada “Modeling of lead isotope evolution curves for the São Francisco Craton, Brazil” proferida

por Sundaram Iyer na UFBA, em 2001. Promovida pelo Grupo de Metalogênese e Exploração Mineral (CPGG/UFBA).

A Figura VI.10 compara as idades U-Pb e as Ar-Ar supracitadas, além de idades Sm-Nd (TDM) de OLIVEIRA et al. (2004) e idades Ar-Ar de TEIXEIRA (2011)2, segundo uma forma de exposição da mesma apresentação do autor. As idades Sm-Nd para as rochas do embasamento variam de 2,90 a 2,65 Ga, para noritos da Caraíba de 2,86 a 2,82 Ga, e para o Sienito de Itiúba entre 2,85 e 2,70 Ga. Estas seriam as idades das extrações primárias, a partir do manto, dos materiais que viriam a originar estas rochas.

As idades U-Pb sugerem idades entre 2,2 Ga e 2,1 Ga para o metamorfismo das rochas do embasamento. Para o norito o metamorfismo data em torno de 2,1 Ga, e tardiamente a este houve a intrusão do Sienito de Itiúba, em torno de 2,08 Ga. O metassomatismo (e o colapso orogênico) concomitante com a mineralização principal do Vale do Curaçá teria se processado entre 2,05 e 2,01 Ga, segundo idades deste trabalho, DE CORRÊA-GOMES et al. (2012) e Ar-Ar de TEIXEIRA et al. (2010) e TEIXEIRA (2011).

Os dados Ar-Ar dos últimos autores citados ainda apontam para um novo aporte potássico no sistema, entre 1,95 e 1,92 Ga (TEIXEIRA et al., 2010; TEIXEIRA, 2011). Associando estes dados com aqueles expostos no Capítulo IV, é provável que estas idades mais novas, estejam associadas aos pulsos hidrotermais tardios, associados à flogopitização e formação de sulfetos em estruturas rúpteis tardias. Provavelmente, esta alteração tardia se processou em um nível crustal mais raso, tendo a subida sido provocada pela exumação do Orógeno Itabuna-Salvador-Curaçá.

2 Palestra intitulada “Colisões Continentais e Metalogênese na margem leste da América do Sul” proferida por

João Batista Guimarães Teixeira, na UFBA, em 2011. Realizada no âmbito do I Seminário do Student Chapter SEG-UFBA.

Tabela VI.5: Dados geocronológicos citados neste capítulo.

Unidade Litotipo datado Toponímia Método Idades Obtidas Interpretação Autor (es)

Amostra PG-02-D quartzo microclinito Mina da Caraíba U-Pb SHRIMP 2723 ± 51 Ma Xenocristal presente trabalho Amostra PG-02-D quartzo microclinito Mina da Caraíba U-Pb SHRIMP 2047 ± 12 Ma Metassomatismo presente trabalho Amostra PG-04-C quartzo microclinito Mina da Caraíba U-Pb SHRIMP 2042 ± 15 Ma Metassomatismo presente trabalho Amostra MS-01-D metagabro Mina de Surubim U-Pb SHRIMP 2045 ± 40 Ma Metassomatismo? presente trabalho Amostra MS-02-B metanorito Mina de Surubim U-Pb SHRIMP 2054 ± 28 Ma Metamorfismo? presente trabalho Amostra MS-02-B metanorito Mina de Surubim U-Pb SHRIMP 2047 ± 11 Ma Metassomatismo presente trabalho Complexo Caraíba ortognaisse TTG Mina da Caraíba U-Pb SHRIMP 2695 ± 12 Ma Magmatismo Silva et al ., 1997 Complexo Caraíba ortognaisse charnockítico Mina da Caraíba U-Pb SHRIMP 2634 ± 19 Ma Magmatismo Silva et al ., 1997 Complexo Caraíba ortognaisse granulítico São José de Jacuípe U-Pb SHRIMP 2089 ± 11 Ma Metamorfismo Silva et al ., 1997 Corpos ultramáficos norito Mina da Caraíba U-Pb SHRIMP 2580 ± 10 Ma Magmatismo Oliveira et al ., 2004 Corpos ultramáficos norito Mina da Caraíba U-Pb SHRIMP 2103 ± 23 Ma Metamorfismo Oliveira et al ., 2004

Riacho da Onça granitóide U-Pb SHRIMP 2126 ± 0,019 Ma Magmatismo Silva et al ., 1997

Sienito de Itiúba sienito Itiúba U-Pb SHRIMP 2084 ± 9 Ma Magmatismo Oliveira et al ., 2004

Complexo Caraíba enderbito Riachão de Jacuípe U-Pb SHRIMP 2785 ± 11 Ma Xenocristal ou Magmatismo? Silva et al ., 2002 Complexo Caraíba enderbito Riachão de Jacuípe U-Pb SHRIMP 2215 ± 11 Ma Magmatismo? Silva et al ., 2002 Complexo Caraíba enderbito Riachão de Jacuípe U-Pb SHRIMP 2150 ± 18 Ma Metamorfismo Silva et al ., 2002 Complexo Caraíba enderbito Riachão de Jacuípe U-Pb SHRIMP 2028 ± 13 Ma Migmatização? Silva et al ., 2002 Complexo Caraíba charnockito Itatim U-Pb LA ICP-MS 2664 ± 27 Ma Magmatismo Corrêa-Gomes et al ., 2012

Complexo Caraíba charnockito Itatim U-Pb LA ICP-MS 2029 ± 21 Ma Colapso orogênico Corrêa-Gomes et al., 2012

Complexo Caraíba norito Mina da Caraíba Sm-Nd (TDM) 2,82/2,85/2,86 Ga Extração primária Oliveira et al ., 2004 Complexo Caraíba granito g3 pinhões Pinhões Sm-Nd (TDM) 2,90 Ga Extração primária Oliveira et al ., 2004 Complexo Caraíba metapelito waldemar Sm-Nd (TDM) 2,72 Ga Extração primária Oliveira et al ., 2004 Complexo Caraíba migmatito da caraíba Mina da Caraíba Sm-Nd (TDM) 2,65 Ga Extração primária Oliveira et al ., 2004 Sienito de Itiúba sienito Serra de Itiúba Sm-Nd (TDM) 2,85 Ga Extração primária Oliveira et al ., 2004 Sienito de Itiúba sienito Serra de Itiúba Sm-Nd (TDM) 2,70 Ga Extração primária Oliveira et al ., 2004 Corpos ultramáficos rochas máfico-ultramáficas Caraíba Ar-Ar - flogopitas 2011 ± 16 Ma Metassomatismo Precoce Teixeira et al ., 2010 Corpos ultramáficos rochas máfico-ultramáficas Caraíba Ar-Ar - flogopitas 1952 ± 15 Ma Metassomatismo tardio Teixeira et al ., 2010

Figura VI.10: Gráfico com idades (em milhões de anos) obtidas pelos métodos Sm-Nd (TDM), U-Pb (SHRIMP e LA-ICP-MS) e Ar-Ar em flogopitas, para as rochas do Vale do Curaçá e

porção norte do OISC. Além dos dados do presente trabalho, foram utilizados as idades de Oliveira et al. (2004), Silva et al. (1997), Silva et al. (2002), Corrêa-Gomes et al. (2012), Teixeira et al. (2010) e Teixeira (2011). A forma de disposição das idades no gráfico foi baseada no modelo de Teixeira (2011). Na porção esquerda, onde constam as idades paleoproterozóicas, as