CHAPITRE 2 : LE PROGRAMME DE FRANÇAIS AU NIGERIA ET EN SASKATCHEWAN
3.3. Importance de la langue française au Nigéria
Para lidar com as diversas situações negativas vivenciadas no trabalho, cada indivíduo, a seu modo, faz uso de mecanismos de defesa, a fim de se resguardar dos pesares decorrentes do labor ou transformá-los em fontes de prazer, contribuindo significativamente na adaptação às pressões advindas da execução de suas funções (DEJOURS, 2011).
Dejours (1992, p. 165) relata que as estratégias defensivas são “defesas elaboradas pelo trabalhador para lutar contra a doença, a loucura e a morte”, ou seja, reações do indivíduo para enfrentar de modo equilibrado as questões negativas impostas pelo trabalho, preservando a manutenção psíquica e, por conseguinte, impedindo o adoecimento.
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Conforme Dejours et al. (2011), esses mecanismos utilizados como forma de se resguardar do adoecimento configuram estratégias defensivas que também ajudam os trabalhadores a desempenharem suas atividades e corresponderem aos anseios da organização. Graças a essas defesas, os trabalhadores conseguem atenuar a percepção que eles têm da rigidez e das pressões organizacionais que causam sofrimento.
Dejours (1992) apresenta diversas estratégias que os indivíduos utilizam contra o sofrimento, a fim de darem conta do prescrito, atenderem às expectativas das organizações e não adoecerem. Entre essas táticas, o autor cita o conformismo (atitude ou tendência de se aceitar as situações desfavoráveis no trabalho sem questionamento nem luta e de forma passiva), o individualismo (atitude de se fechar, não se comunicar com os outros e passar a se preocupar somente consigo, desconfiando dos colegas de trabalho que poderiam estar tentando prejudicá-lo de alguma maneira), a negação (o indivíduo evita a percepção de algum aspecto doloroso da realidade, negando o sofrimento alheio ou o seu próprio sofrimento; pode ser sinalizada pela presença de desconfiança, de isolamento e da banalização das dificuldades da organização de trabalho) e a agressividade (atitudes agressivas e comportamentos violentos manifestados no ambiente laboral).
Observa-se, portanto, que, ao fazer uso desses dispositivos, o trabalhador se acautela do sofrimento em seu labor e mantém a estabilidade psíquica, uma vez que consegue enfrentar e abrandar as situações conflituosas geradoras do sofrimento (DEJOURS, 1992).
As estratégias defensivas são elaboradas de modo individual e pela coletividade (DEJOURS et al., 2011, FERREIRA; MENDES 2001, BARROS; MENDES, 2003 e MENDES, 2007). Souza e Lisboa (2002) esclarecem que o sofrimento, o prazer, as expectativas e os desejos são experiências subjetivas que conduzem ao sujeito singular, detentor de uma história e de uma vivência única, sentida de forma própria. Dessa maneira, cada pessoa, ao passar por determinado sofrimento, constrói seus mecanismos de defesa, que, no plano individual, apresentam tentativas de adaptação da melhor maneira possível às condições do meio. Em situações coletivas, como nas relações de trabalho, cada sujeito, vivendo
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individualmente um sofrimento próprio, é capaz de unir esforços com os seus pares, para então elaborar estratégias conjuntas de proteção.
Dessa forma, a diferença entre estratégias individuais e coletivas é que, no primeiro caso, o objeto ameaçador está interiorizado e não precisa apresentar-se fisicamente para gerar ações de defesa. As estratégias coletivas, por sua vez, dependem da existência de condições externas concretas para serem construídas e colocadas em ação, e se sustentam no consenso de um grupo específico de trabalhadores (DEJOURS et al., 2011). Apesar dos dois tipos de mecanismos de defesa coexistirem no ambiente de trabalho, via de regra, há predominância do uso das estratégias coletivas para enfrentar o sofrimento no labor, ou seja, o grupo compartilha o sofrimento e encontra conjuntamente soluções para lidar com estas situações. Estas estratégias coletivas diferenciam-se das individuais, à medida que desaparecem, quando afastada a situação que gera sofrimento (MENDES et al., 2003; DEJOURS et al., 2011).
De acordo com Mendes (2007) e Barros e Mendes (2003), as defesas de natureza coletiva visam promover o predomínio de vivências de prazer por meio da criação de um espaço público de diálogo, construído com base na cooperação, acordos e na confiança mútua dos trabalhadores no ambiente laboral. Quando não há o consenso de algum membro acerca de alguma questão decidida coletivamente, esse indivíduo é excluído em prol do equilíbrio do grupo. Contudo, essas estratégias grupais geralmente são dificultadas pela organização do trabalho.
Por sua vez, as defesas individuais contra o sofrimento são constantemente adotadas por profissionais que realizam atividades repetitivas e que laboram em organizações nas quais existem fortes exigências por produtividade e por abreviação do tempo (DIAS et al., 2011). Segundo Dejours (2001), o que determina a preferência entre uma defesa de natureza individual ou de natureza coletiva é a distância entre o trabalhador e o espaço onde se configuram a violência, a iniquidade e o mal.
São exemplos de estratégias defensivas contra os efeitos negativos do sofrimento no trabalho: atitudes de isolamento, desconfiança, banalização de adversidades no trabalho, comportamento de apatia, indiferença, cinismo,
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conformidade, dissimulação, hiperatividade, desesperança de reconhecimento, desprezo e distorção da comunicação, entre outros (DEJOURS, 1994; DEJOURS, 2001; DEJOURS, 2004; MENDES, 2007; FERREIRA; MENDES, 2003).
Mendes (2007) ainda aponta a racionalização, a passividade e o individualismo como mecanismos protetores utilizados contra a decepção e o sofrimento no labor. A autora argumenta que a racionalização é empregada diante da frustração para elucidar de forma racional as causas do sofrimento, tais como a fragmentação entre planejamento e execução e a desordem das interações psicoafetivas com os pares. O individualismo é uma estratégia adotada perante a sensação de impotência e, por meio dela, os indivíduos naturalizam o contexto histórico das situações que geram o sofrimento. A passividade é um artifício para lidar com o tédio, tendo em vista circunstâncias como o risco de perda do emprego e de conservação do status quo pela empresa.
Outras manifestações das estratégias defensivas são apresentadas por Dejours (1993), como a proteção, a exploração e a adaptação. Enquanto a primeira sustenta-se em um modo próprio de afastar as situações geradoras de sofrimento no trabalho, por meio da racionalização e do arrebatamento das causas reais do sofrimento, as outras duas apoiam-se na rejeição do sofrimento e na subordinação às exigências organizacionais.
Dejours (1994) instituiu também categorias de signos indicadores do emprego de estratégias protetoras nas situações laborais, esses que devem ser analisados considerando a intensidade com que surgem no contexto que envolve o sofrimento. Esses signos podem não parecer uma defesa separadamente, sendo necessária a contextualização do seu surgimento. Os signos centrais são: o investimento desproporcional no espaço privado (família e atividades extra-profissionais); a constante necessidade de se sentir tranquilo, esquivar-se de conflitos e aliviar-se; a objeção da realidade; o ativismo (engajamento em situações múltiplas), como modo de evitar conscientizar-se de alguma situação desagradável; o presenteísmo, caracterizado pela presença exagerada no ambiente de trabalho, fora do horário normal; a forte coesão das equipes, transformando o agir em uma ideologia; o individualismo, quando executa atividades independentes no próprio grupo,
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causando, por vezes, rupturas e dispersão das formas de convivência, assim como concorrência demasiada.
Apesar das estratégias defensivas darem suporte ao trabalhador para lidar com o sofrimento no trabalho, elas possuem uma dimensão paradoxal, ou seja, são essenciais para manter a saúde mental do homem, pois mitigam o sofrimento e protegem o indivíduo contra os seus efeitos nocivos. Entretanto, aproveitando-se desses recursos, as organizações podem explorar a mão de obra dos seus profissionais, em favor de um incremento na produção, de melhor qualidade dos serviços executados, enfim, da lucratividade. Esse quadro configura-se como um artifício organizacional, pois conduz os trabalhadores a um processo de alienação mental, no qual passam a ignorar os seus limites físicos e ficam indiferentes diante do próprio sofrimento (DEJOURS, 1992; FERREIRA; MENDES, 2003; DEJOURS, 2004; DEJOURS; JAYET, 2011).
Ainda, Mendes e Barros (2003) afirmam que, ao utilizar esses mecanismos, os trabalhadores veem seu sofrimento minimizado, todavia, não há a ressignificação e transformação dos aspectos nocivos presentes no contexto de produção.
Além disso, segundo Martins e Mendes (2012, p. 176), esses artifícios protetores também funcionam “como uma armadilha psicológica, incrementando a aceitação e a tolerância do sofrimento, gerando uma paralisia no trabalhador frente ao fracasso do real”. Estas armadilhas incapacitam o trabalhador de firmar a sua independência e servem meramente como paliativos que amparam o profissional em sua luta contra o sofrimento, propiciando-lhe a possibilidade de adoecer.
Analisando os conceitos acima, pode-se inferir que as estratégias de defesa são positivas, à medida que resguardam o homem do sofrimento advindo das situações conflituosas de trabalho, mantendo, dessa forma, o equilíbrio psíquico e evitando o adoecimento. Por outro lado, essas defesas tornam-se negativas quando alienam o indivíduo e o imobilizam, tornando-o incapaz de se emancipar (BARROS; MENDES, 2003).
A seguir, é apresentado o capítulo que sequencia a fundamentação teórica do estudo, relatando-se breves considerações acerca das universidades públicas federais brasileiras e aspectos inerentes ao trabalho de auditoria.
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3 AUDITORIA NO CONTEXTO DAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS FEDERAIS
Por sua relevância e pertinência, na presente seção, são apresentados os seguintes assuntos: breves considerações sobre as universidades federais brasileiras; o trabalho do auditor no contexto das organizações sociais, perpassando por questões conceituais em torno da função auditatorial e, por fim, aspectos relacionados ao trabalho desse profissional no âmbito das universidades públicas federais.