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Impact des variables sociales sur l’intention comportementale selon le type de comportement

Chapitre 4 Dimension sociale et effet contingent dans l’étude du comportement

4.4. Impact des variables sociales sur l’intention comportementale selon le type de comportement

Neste último capítulo são apresentadas as principais conclusões do presente estudo, salientadas algumas limitações e colocadas propostas para futuros estudos.

De um modo geral, os resultados obtidos são consonantes com as conclusões encontradas na literatura quanto à presença de uma criança com PD ter impacto na família e no ambiente familiar, compreendendo-se que as mães sejam especialmente prejudicadas, já que elas são, geralmente, as cuidadoras principais da criança.

No que se refere ao impacto na família, verificou-se que ele não sofre alterações significativas em função do sexo e idade das crianças. O mesmo acontece quando estão em causa variáveis maternas como o número de filhos e o tipo da família, que mostraram não influenciar o impacto da PD na família. No entanto, o nível de escolaridade materno contribuiu

57 para variações na perceção do impacto, concluindo-se, de acordo com o esperado, que as mães de crianças com PD com nove ou mais anos de escolaridade perspetivam um maior impacto financeiro do problema do(a) filho(a) na família, comparativamente com aquelas que têm menos anos de escolaridade.

Face ao impacto na família quando se tem em conta diversas variáveis do desenvolvimento infantil (motricidade, linguagem, alimentação, sono, controlo esfincteriano), conclui-se que, quando a criança apresenta dificuldades ao nível da motricidade, aumentam os níveis de impacto sentido pelas mães nas áreas pessoal e financeira. Também quando a criança com PD apresenta dificuldades ao nível do sono (e.g., em adormecer e em ter uma noite de sono seguida sem acordar, irrequietude durante o sono, e pesadelos), as mães demonstram uma maior dificuldade ao nível do coping (subescala Mestria/Coping), designadamente em obter e gerir recursos para lidar com o stress decorrente de ter uma criança com PD. Por sua vez, o modo como as mães das crianças com PD avaliam o comportamento do(a) filho(a) e a sua relação com as outras crianças não mostrou associar-se com a perspetiva materna sobre o impacto da PD na família.

O grau de dificuldade sentido em tarefas de cuidado/educação da criança relacionou-se com o impacto do problema na família. Os níveis de impacto pessoal sentido pelas mães de crianças com PD são mais altos quando elas relatam maior dificuldade ao nível da supervisão de tarefas de higiene, na colocação de regras e limites, e na gestão do nível de autonomia apropriado à idade da criança. As participantes demonstraram perspetivar ainda níveis de impacto familiar e social maiores, quando sentem mais dificuldade em colocar regras e limites ao(à) filho(a), encontrando-se também uma associação entre este tipo de impacto e o envolvimento em tarefas de lazer com a criança.

Relativamente à perspetiva materna do ambiente familiar, não se observaram variações em função quer do sexo e idade da criança, quer de variáveis maternas específicas (grau de escolaridade, número de filhos e tipo de família).

Tal como aconteceu com o impacto na família, o modo como as mães avaliaram o comportamento da criança e a qualidade da sua relação com o pares não se associou com o ambiente familiar. Contudo, os resultados seguem uma tendência diferente face às variáveis do desenvolvimento da criança. Com efeito, observou-se uma associação entre a criança ainda não ser capaz de fazer o controlo do esfíncter anal e o aumento dos níveis de conflito na família, constatando-se, também, que o facto das mães se mostrarem preocupadas com algum aspeto do desenvolvimento da criança se associou com níveis mais baixos de coesão e expressividade na família.

58 A análise da relação entre o grau de dificuldade sentido pelas mães em tarefas de cuidado/educação e a sua perspetiva acerca do ambiente familiar, permitiu verificar que há uma tendência para maior facilidade na colocação de regras e limites à criança quando é identificada maior coesão na família, tendendo também a existir uma associação entre o envolvimento com a criança em atividades de lazer e a expressividade na família.

De um modo geral, de entre todas as tarefas de cuidado/educação consideradas, as mães de crianças com PD mostraram ter mais dificuldade em se envolverem em atividades de estimulação com o(a) filho(a), em colocar regras e limites, e em gerir o nível de autonomia adequado à criança. As tarefas de alimentação, higiene, envolvimento em atividades de lazer, e cuidados médicos, são aquelas em que uma maior percentagem de mães afirma não sentir qualquer dificuldade na sua gestão.

Por fim, verificou-se que o impacto na família se relaciona com o ambiente familiar, de tal forma que níveis mais baixos de coesão se associam a um maior impacto pessoal e em termos do coping, associando-se ainda este último e o maior impacto familiar/social com níveis mais baixos de expressividade na família. Acresce que o maior impacto financeiro e ter menos estratégias de coping adequadas para lidar com a PD se relacionam com maior conflito intrafamiliar.

Das sete hipóteses colocadas somente a Hipótese 1 (a e b) não foi confirmada, sendo as restantes corroboradas, ainda que a Hipótese 2 o tenha sido apenas em parte, visto ter-se aceite a 2b mas não a 2a.

Os resultados demonstram a importância de, na prática clínica, se atender não só à criança com PD, mas também à sua família. As mães de crianças com este tipo de problemas usufruiriam de um acompanhamento mais individualizado e personalizado, sendo ainda importante a adoção de uma abordagem que comtemple não só as mães como outros membros da família de modo a minimizar os efeitos do impacto da PD na família, e no ambiente relacional familiar em particular.

Mais especificamente, os dados obtidos relativamente ao impacto da PD na família fornecem informação importante, no sentido de, em contexto de avaliação e intervenção, os profissionais terem em conta áreas particular, tais como o desequilíbrio pessoal sentido pelo cuidador principal, devido à presença da criança com PD, o modo como o mesmo lida e gere o stress decorrente da situação, a quantidade e qualidade das interações que é capaz de estabelecer com os membros da família e com pessoas fora dela, e ainda a forma como são geridos eventuais problemas financeiros, contribuindo-se para a minimização das consequências sentidas, em termos familiares, pela presença de uma criança com algum tipo de PD. Os resultados obtidos,

59 ao sugerirem que o ambiente familiar (relacional) é afetado pela presença de uma criança com PD, reforçam que, no processo de avaliação e intervenção com a criança, se tenha em conta que a PD pode interferir na dinâmica relacional da família, designadamente em termos de coesão, expressividade e níveis de conflito. Neste sentido, seria benéfico que, com algumas famílias em maior risco, houvesse mesmo uma abordagem familiar com vista à gestão de conflitos e tensões, e à promoção de uma maior qualidade do ambiente familiar. Para além disso, seria geralmente benéfica a integração das mães em grupos de apoio, onde pudessem proceder a uma partilha de experiências com outras figuras parentais. Por último, refira-se a importância de ajudar as mães em termos de estratégias para lidarem melhor com as tarefas de cuidado/educação, podendo tal ter consequências para a redução do impacto na família e contribuir para um ambiente familiar de melhor qualidade.

No que se refere às limitações do presente estudo, realce-se, em primeiro lugar, a reduzida dimensão da amostra estudada, que limita as conclusões a retirar, para além de dificultar a obtenção de resultados significativos, mais ainda quando estava em causa a comparação de grupos constituídos a partir da amostra. Deve ainda ser tido em conta que a recolha da amostra foi realizada num único local, e que, na maior parte dos casos, foi a entrevistadora a ler as questões às mães, procedendo, em simultâneo, ao preenchimento dos questionários, o que pode ter contribuído para uma maior defensividade por parte das participantes. Constitui também uma limitação o facto de se tratar de um estudo correlacional, não permitindo estabelecer relações de causa-efeito entre as variáveis em estudo. Refira-se ainda a inexistência de um grupo de controlo, com o qual fosse possível comparar os resultados obtidos com a amostra clínica. Por último, é de referir que, apesar do IOF ter sido aplicado solicitando-se às mães que respondessem centrando-se na PD da criança, 58.1% das crianças cujas mães participaram no estudo sofrem de algum tipo de problema de saúde, o que poderá ter levado a que as mães tivessem dificuldade em “separar” os problemas decorrentes da PD, das consequências sentidas devido ao problema de saúde.

Futuramente, seria interessante e pertinente a realização de estudos com amostras de maior dimensão, em que fosse possível entender se existe uma relação de causa-efeito entre o impacto na família e o ambiente familiar. Também a análise das duas dimensões em famílias com crianças com PD e em famílias com crianças com um desenvolvimento típico, e a integração de pais e mães, comparando as duas perspetivas, poderiam ser comtempladas em estudos futuros. A realização de estudos longitudinais nesta área seria ainda importante, na medida em que permitiria compreender se a perspetiva materna acerca do impacto da PD na família e do ambiente familiar se alterava ao longo do tempo, com a evolução e crescimento da criança.

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