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Identification des phases de la création d’un Learning Game

Chapitre 2. État de l’art des méthodologies, des méthodes et des outils pour la

3.1 Méthodologie globale de création de Learning Games

3.1.2 Identification des phases de la création d’un Learning Game

A arte de aprender é uma órfã acadêmica, advoga Papert (2008), frente a isso, pondera- se que não há qualquer denominação idêntica para disciplinas acadêmicas que sustentem a arte de aprender. Esse enfoque é digno de destaque: “a arte do aprender” é essa ideia de matética que é reintegrada por Papert (2008), expõe-se aí intensamente como ação do aprendiz. Desenha- se, assim, uma aprendizagem heurística, ou seja, que implica em uma técnica pedagógica que almeje conduzir o aluno a desvendar de maneira particular, comumente por meio de pesquisas. Com isso, ensinar torna-se um procedimento que ambiciosamente induz o indivíduo a idealizar, desvendar e solucionar dificuldades.

Em um nivelamento prático, Papert (2008, p. 105), consente um ditame matético concreto ao destacar “procurem conexões”. Sendo assim, o autor alude que o elemento determinado da ação do aprender incide em constituir conexões entre essências intelectuais já existentes com as conexões novas, que com isso evadem do domínio consciente. Os alunos inseridos no TEA são mais produtivos quando buscam, analisam e pesquisam autonomamente a informação de que precisam. O conhecimento de que eles mais carecem é o que subsidia a conquista de mais conhecimentos. Com isso, adotam o mais formidável princípio da matética,

em uma coletividade jugulada pela didática, que é a incitação à revolta versus a sabedoria já finalizada. Segundo Papert (2008, p. 141), “se aprende melhor quando se é menos ensinado”, nessa acepção, temos ciência de que se pode aprender sem ser ensinado.

Um grande número de jovens inseridos no TEA leve torna-se autodidatas, aprendem sobre uma área específica. Imbuídos do centro de interesse restrito e particular, buscam informações em casa, por meio de pesquisas pela internet e informações que sustentem sua curiosidade. Assim, conseguem construir uma ponte de conexões correlacionadas as suas investigações, tornando-se especialistas naquela área, muitas vezes sem nunca ter ido para a escola.

Segundo Darold Treffert, psiquiatra e pesquisador norte americano, cerca de 10% das pessoas com autismo são brilhantes em algumas tarefas. De forma geral, essas potencialidades espetaculares estão relacionadas às áreas de memória, cálculos matemáticos, cálculos de calendários, desenhos, artes plásticas, música, literatura e outros conhecimentos gerais. Essas pessoas com tamanha capacidade também podem ser chamadas savants (sábios). Os savants são poucos no mundo e apresentam “ilhas” de conhecimento em um cérebro com tantas outras “falhas” ou deficiências.

Costuma-se confundir pessoas com síndrome de Asperger (um quadro mais leve do espectro autista) com gênios ou savants. Porém, quem tem síndrome de Asperger geralmente apresenta interesse restrito, mas nem sempre são brilhantes nesses interesses. Já as pessoas com síndrome de savant apresentam, de maneira extraordinária, no mínimo uma habilidade especial. Essas aptidões estão sempre acompanhadas de uma memória prodigiosa, como uma memória de computador. Vale salientar que, embora a síndrome de Savant possa surgir em consequência do autismo, somente uma minoria dos que têm um funcionamento mental autístico são de fato savants ou gênios.

Cabe esclarecer que as pessoas autistas apresentam esse jeito peculiar de ser e de pensar, comportamento que singulariza as suas existências. É possível dizer que, ao identificar essas pessoas, precisamos aguçar e valorizar seus talentos a despeito de suas dificuldades. Perdermos ao tentar enquadrar todo e qualquer indivíduo nos moldes da “normalidade”, podemos ignorar ou não dar as devidas oportunidades a possíveis gênios que podem mudar a história da humanidade. No entanto, a genialidade sozinha não é suficiente: é preciso proporcionar caminhos que lhes possibilitem exercer suas reais potencialidades.

Por isso mesmo, Papert (2008) afirma que “a matética, como facilmente se inferirá, só funciona com o aprendiz no centro do processo, não podendo funcionar de outra maneira”. Segundo a lógica do autor, a ação que se computa é a de quem instrui-se, assim, aprender vale muito mais do que a ação do ensinante, o que corrobora com a máxima de “induzir a máxima aprendizagem com o mínimo de ensino, o qual pode ‘matar’ o aprendiz caso não seja utilizado em doses homeopáticas”. Diante disso, vale salientar que o aluno com TEA necessita estar no centro do processo, atuando como protagonista do seu conhecimento, pautado em seus interesses e habilidades, e por meio disso, copropiciar um ambiente matético.

O TEA é um transtorno de desenvolvimento, causado e afetado, ao mesmo tempo, por problemas relacionados ao desenvolvimento da arquitetura cerebral. Crianças autistas apresentam uma arquitetura mais imatura, inadequada aos padrões cerebrais. No que diz respeito à disposição dos neurônios, pode-se afirmar que estão dispostos em formações desorganizadas, e essa desorganização varia de localização, de acordo com as áreas mais afetadas e mais correlacionadas ao autismo em cada criança.

Podemos observar que existem autistas que falam utilizando de todas as minúcias convencionadas pelas regras morfossintáticas, enquanto outras nem falam. Essa discrepância no quadro clínico reflete exatamente isso: o fato de haver uma relação não linear e heterogênea entre a formação e a organização desses neurônios em cada indivíduo, estando alguns mais e outros menos afetados na área de linguagem, o mesmo pode ser observado no senso perceptivo e em outras em áreas motoras e de percepção visual.

Dependendo do local em que esse desarranjo está mais presente e severo, teremos um quadro autístico diferenciado, com autistas de nível intelectual normal ou comprometido, com altas habilidades ou não. Essa variabilidade comportamental e cognitiva reflete o que é o autismo no cérebro dessas crianças. A intensa heterogeneidade, localização e alteração, acarretam em uma desordem na conformação e na arquitetura da inter-relação entre os neurônios, levando à alteração de funcionamento, de estrutura e de desenvolvimento dessa criança em algumas áreas de forma significativa.