2. FAIRE DU CANCER DU COL UN PROBLEME DE SANTE PUBLIQUE SAILLANT :
2.4. HPV ET CANCER DU COL : EFFACEMENT D ’ UNE COMPLEXITE
Os plásticos mistos são constituídos por uma mistura de plásticos de vários tipos que são difíceis de reciclar, acabam normalmente nos aterros ou em incineradoras. A reciclagem dos plásticos mistos, implica uma tecnologia avançada que permite a obtenção de produtos diversos, como material para pavimentos, bancos de jardim, passadiços, bobines para cabos eléctricos ou telecomunicações, tubos para drenagem de águas residuais, pilaretes de protecção em auto-estradas e muito outros [109]. Uma das fontes principais deste tipo reciclagem são as embalagens. Frequentemente estas são produtos multicamadas, compostos por plásticos e outros materiais, muito contaminados, altamente pigmentados ou com carga adicionada, polímeros com diferentes pesos moleculares, resíduos de operações de reciclagem, entre outros [109].
Além de impurezas como os alimentos, metais, papel, alumínio e vidro, um outro factor importante é que o plástico modifica-se com o tempo por processos de degradação fotoquímica, oxidativa, mecânica e térmica, em especial quando misturado [109].
A ideia por trás da reciclagem de plásticos misturados/mistos é a de conseguir aproveitar o lixo plástico para produzir material comercializável [109]. Há uma grande quantidade de plástico que, após o seu consumo, se encontra misturado e cuja separação e identificação se torna problemática. Desta forma, é mais fácil avançar para uma reciclagem em que o plástico misturado serve como matéria-prima para produzir bens com menos exigências de pureza, como perfis para mobiliário urbano, revestimentos de chão, cercas, telhas e mesmo placas de materiais compósitos com utilizações mais diversas, e sempre ajustadas às características determinadas pelo material de partida [109].
Existe várias tecnologias para reciclar o plástico misturado. Umas tecnologias são mais adaptadas ao mercado, outras menos, mas todas elas apresentam várias dificuldades, em especial ao nível da separação, o que se reflecte num aumento dos custos de reciclagem [109].
A separação dos plásticos misturados depende muito das propriedades físicas dos materiais. Existem duas categorias de propriedade físicas: as propriedades fixas, como a massa específica, e outra composta pelas propriedades que podem ser modificadas, como a energia de superfície, tamanho da partícula e rugosidade [110].
As tecnologias para processar plásticos misturados e contaminados dividem-se basicamente em processo de extrusão, moldagem por injeção, moldagem por transferência e moldagem sinterizada. O plástico misto reciclado pode ser pintado, laminado, pigmentado ou revestido para melhorar a qualidade [103].
Um dos principais problemas na reciclagem de plástico misturado é o elevado grau de mistura, dos resíduos plásticos com baixo peso, essencialmente causada pela presença das embalagens (ex. 60 % pesam menos que 10 g), também pela contaminação, pela baixa miscibílidade entre polímeros e pela presença de aditivos e plastificantes [111]. As várias distribuições de massa molecular dos polímeros (largas ou estreitas) e o grau de polimerização (GP) também influenciam decisivamente as propriedades finais dos polímeros [112]. Na figura 56 é possível visualizar placas de misturas de plásticos.
Figura 56- Placas 10 cm x 10 cm de misturas de plásticos [113].
Nos anos 70 na Holanda, surgiu a primeira tecnologia para processamento de resinas sintéticas termoplásticas misturadas. Desenvolvida por Edward Klobbie, para o fabrico de artigos com propriedades semelhantes à madeira. O material é colocado numa extrusora longa, para a obtenção de moldados lineares, sendo depois o material parcialmente arrefecido em tanques com água [85, 114]. Nos anos 80 apareceram muitas outras companhias que reciclavam plásticos misturados, como a ART da Bélgica, a Hammer's Plastics Recycling dos EUA e a Superwood da Irlanda [114].
Nos anos 90, surge a Haminer's Plastics Recycling, a maior produtora de madeira plástica no mundo, que utiliza um processo patenteado nos EUA, caracterizado por moldes fechados, bocais aquecidos e uma tela que serve para melhorar a pressão de moldagem. O material que é produzido através desta tecnologia é composto normalmente por 65 % de PEAD, 20 % de PEBD, 5 % de PP, 5 % de PET e 5 % de outros plásticos [114].
Os materiais e artigos produzidos pela reciclagem de plásticos misturados necessitam obrigatoriamente de um ajuste de propriedades, e provocam normalmente problemas nas recicladoras, nomeadamente danos nos equipamentos, o que exige uma manutenção mais frequente [109].
Alem dos já referidos, existem muitos outros produtos que podem ser produzidos a partir de plástico misturado. Alguns exemplos (de composição variável entre 50 a 100 % de material plástico pós-consumo misturado) são: bancos de jardim, postes de plástico misturado e reforçados com aço, limitadores de lugares de estacionamento, entre outras aplicações [115]. Em geral, os produtos derivados de plásticos misturados podem ser aplicados nas áreas de agricultura, marinha, recreação, jardinagem e aplicações industriais e civis [112].
Em Portugal, a partir de 2007, a Sociedade Ponto Verde criou uma nova categoria de materiais para reciclagem, a dos “plásticos mistos”:
"Esta categoria inclui todos os plásticos que, pelas suas características, não eram
anteriormente encaminhados para reciclagem pela natureza das embalagens ou da sua composição. A recuperação destes resíduos já é possível através de uma tecnologia que vem simplificar a vida dos consumidores, no momento da separação das embalagens", as
declarações são de Susana Sobral [116].
A administradora delegada da ResiAlentejo referiu também que "apostar em produtos cuja
matéria-prima é o plástico misto, significa diminuir os resíduos através do aproveitamento das embalagens usadas". Salientou ainda que "o produto produzido com este material e o processo não se degrada tão facilmente como outros" e que "pode ser uma óptima solução para espaços exteriores" [116].
A Quercus, em colaboração com empresas de gestão de resíduos e de reciclagem de plásticos, desenvolveu algumas experiências de reciclagem de plásticos mistos, também apontando para a necessidade e utilidade da criação de um mercado para estes produtos [117]. Também a Sociedade Ponto Verde tenta negociar com empresas nacionais e estrangeiras o encaminhamento destes plásticos para reciclagem.
No entanto, após todas as tentativas de implementar a reciclagem de plástico misto, a Sociedade Ponto Verde anunciou em Outubro de 2009 que vai abandonar a sua reciclagem. Este tipo de reciclagem contribuiu para um prejuízo no final de 2009 de cerca de 10 milhões de euros. O presidente da SPV disse: "Se nada for feito a SPV pode falir.
Aprovámos para 2009 um orçamento de sacrifício, com 10 milhões de euros de prejuízo, mas agora sabemos que vai ser pior e podemos duplicar os prejuízos no final deste ano se não acabarmos com a retoma dos plásticos mistos" [117].
A presidente afirmou: "Foi uma experiência piloto que custou 15 milhões de euros. A
actividade da SPV não chega a 60 milhões de euros e 10 por cento dos recursos vão para os plásticos mistos, o que é insustentável. Vamos deixar de retomar este resíduo a partir de 1 de Outubro" [117]. O mercado do plástico misto é "muito limitado" considera
Barahona d´Almeida. Depois de esta ter anunciado que a partir de 1 de Outubro deixaria de encaminhar os plásticos mistos para reciclagem, foi realizada uma reunião entre o Ministério do Ambiente, o Ministério da Economia e da Inovação e a SPV. Do encontro entre a SPV e o Governo ficou decidido que terão de ser desenvolvidas um conjunto de acções de âmbito legislativo e operacional, envolvendo todos os parceiros, com vista à eliminação das inúmeras ineficiências existentes em todo o processo, tendo como objectivo a redução dos custos para o Sistema Integrado de Gestão de Resíduos (SIGRE) [118, 119].