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28 105.04 Fraction rationnelle

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programadores ou produtores culturais pois, além de pensarem criativamente e produzirem conceptualmente as exposições, a investigação é a sua principal área de especialização (Rugg e Sedwick, 2007). O curador é, assim, “a personagem” que desenvolve trabalho, nos bastidores da exposição, relacionado com a conservação e manutenção das coleções do museu.

A partir de 1970 até aos anos de 1990, como os críticos de arte perderam parte da sua influência na carreira do artista, o papel do curador alcança uma maior visibilidade, também devido à proliferação de bienais e de exposições temáticas. Neste mesmo momento da história, o conceito de curador começa a ser

delineado, num período em que a figura do curador era apenas observada como um mero organizador de exposições. Na atualidade, o curador assume-se, assim, como o principal catalisador que procura proporcionar uma interpretação cuidadosa dos objetos na exposição para o público, ou seja, o curador, é o agente cultural que estabelece o diálogo entre o artista, a obra e o público, a fim de proporcionar uma maior interação e uma compreensão inteligente e sedutora do público em relação à exposição.

Assim, as práticas curatoriais tornam-se um elemento-chave para novos modos de exposição de objetos de arte que, refletidas em conjunto com determinados programas educacionais, contribuíram para a emergência da expressão “curadoria educativa” (O’Neill,

2008), ou seja, o curador, na

contemporaneidade, procura criar um debate em torno da exposição que é apresentada ao público, em articulação com um processo educativo, com o objetivo de alcançar a melhor organização estética da exposição, explorando a arte como veículo de ação cultural.

1. Reflexões Sobre o Papel do

Curador

A génese da curadoria está associada à história dos museus que, por seu lado, têm as suas

Vedes, I. (2018). Breves considerações sobre o percurso da investigação: relações entre a educação e a curadoria em museus de arte moderna e contemporânea. In P. M. Homem, A. Marques & M. Santos (Eds.), Ensaios e Práticas em Museologia (Vol. 07, pp. 123-134). Porto: Universidade do Porto, Faculdade de Letras, DCTP.

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origens na Europa, nos séculos XVI e XVIII, com os gabinetes de curiosidade, salas de maravilhas ou Kunst-und Wunderkammern (Kenseth, 1992; Alexander e Alexander, 2008). Neste período do Renascimento dominado pelo humanismo, os gabinetes de curiosidades não passavam de uma coleção diversificada de pinturas, antiguidades, exemplares zoológicos

e botânicos e relíquias históricas.

Contrariamente aos museus tradicionais, que têm como principal responsabilidade o estudo, a conservação e a comunicação do património, para posteriormente se configurar numa exposição, os objetos dos gabinetes de curiosidades eram expostos segundo um critério pessoal, existindo então uma organização prévia na sua apresentação. Tiveram um grande simbolismo devido à singularidade e raridade dos objetos.

O processo de colonização nos séculos XVI contribuiu para a proliferação da emergência dos museus, pois houve uma intensificação das viagens de estudo às colónias, o que contribuiu para que a expansão das coleções reunidas em

diferentes partes do mundo esteja

concentrada em diversos museus europeus (Impey e MacGregor, 2001). Ao mesmo tempo, a influência do humanismo renascentista, a filosofia iluminista e a implementação de uma política focada no âmbito da cultura também

foram fatores determinantes para a origem dos museus.

A partir do século XIX surgem museus em toda a Europa, consolidados por grandes coleções e

comprometidos com sérios interesses

científicos e estéticos (Bennett, 1995). A chamada “idade de ouro” (Alexander e Alexander, 2008, p. 32) da história dos museus caracterizou-se, especialmente na Europa, no século XIX, devido ao crescimento destas instituições culturais.

Foi no ano de 1699 que o Museu do Louvre em França, surgido em 1648, abrigou os salões de arte da Académie Royale de Peinture et de

Sculpture (Museu do Louvre, 2018).

Por outro lado, em Inglaterra, o Museu Britânico foi fundado em 1753 por doação de Sir Hans Sloane que teve seu primeiro departamento de Antiguidades em 1807. Um ano depois, o setor de Desenhos e Gravuras foi associado ao departamento que nomeou o seu próprio curador. De salientar que, dentro desse período de constituição de departamentos, a palavra curador era frequentemente associada à conservação arqueológica, bem como à catalogação (Museu Britânico, 2018).

Através do imediato florescimento dos museus públicos, foi necessário contratar agentes, cuja responsabilidade principal era garantir e

Vedes, I. (2018). Breves considerações sobre o percurso da investigação: relações entre a educação e a curadoria em museus de arte moderna e contemporânea. In P. M. Homem, A. Marques & M. Santos (Eds.), Ensaios e Práticas em Museologia (Vol. 07, pp. 123-134). Porto: Universidade do Porto, Faculdade de Letras, DCTP.

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manter os objetos intactos, mantendo conservados os valiosos documentos e obras de arte com o objetivo de garantir uma coleção de referência. Além de desenvolverem as tarefas inerentes à catalogação de obras de arte, também deveriam produzir a exposição para o público. Portanto, existia assim, uma intenção propositada em relação à exposição para apresentar os objetos da coleção, de acordo com a ordem cronológica, civilização ou país de origem. A maioria das salas de exposição encontrava-se repleta de obras de arte, do chão até ao teto, não havendo porém, a preocupação em proporcionar frequentes rotações entre a sala de exposição e a reserva (Alexander e Alexander, 2008).

No século XX, devido às constantes mudanças que ocorreram na história da arte, e com o surgimento de novas práticas artísticas, os museus de arte tiveram a necessidade de se adaptar a novos modos de pensar sobre arte. Através do movimento do Dadaísmo marcado pela sua reconfiguração na fruição do público, e posteriormente, a partir de obras do artista plástico, Andy Warhol, a arte tornou-se trivial e reprodutível.

Devido ao facto dos artistas abandonarem os métodos e materiais tradicionais com que se expressavam, ao explorarem novos formatos de exposição a partir de 1960, tomando

consciência da separação patente entre a obra de arte e o contexto no qual se insere, contribuiu para que o próprio valor de arte não se configurasse apenas no artista, mas num conjunto diversificado de agentes como colecionadores, críticos e educadores. Com este pressuposto defendido por Heinich (2008), foi possível constatar que um novo agente cultural alcançou destaque a partir de 1970: o curador.

À semelhança de outros países europeus, em Portugal, o fenómeno da curadoria alcança o seu auge em 1970, com o surgimento do Museu de Arte Contemporânea Calouste Gulbenkian e de algumas galerias de arte, considerados como catalisadores para o cultivo da arte na época (Macedo, 2009).

A origem da palavra curadoria deriva da língua latina curare, com o significado de tomar conta. Em inglês, a expressão está relacionada ao cuidado a ter de acordo com as necessidades de um determinado público.

Segundo Swinney (1998) o termo curador é frequentemente associado ao sinónimo de

keeper, tendo como principais funções, a

seleção das obras e a produção da exposição. Além das funções mencionadas acima, na contemporaneidade, o curador tem ainda a responsabilidade de organizar e zelar pela coleção, ou seja, é “alternadamente filósofo,

Vedes, I. (2018). Breves considerações sobre o percurso da investigação: relações entre a educação e a curadoria em museus de arte moderna e contemporânea. In P. M. Homem, A. Marques & M. Santos (Eds.), Ensaios e Práticas em Museologia (Vol. 07, pp. 123-134). Porto: Universidade do Porto, Faculdade de Letras, DCTP.

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mediador, registador da exposição das obras de arte e produtor cultural" (Chougnet, 2007). Harald Szeemann e Pontus Hultén são dois dos mais importantes curadores da história da curadoria que seguiram essa prática enquanto mediadores entre o público, a obra e o artista. O primeiro autor sugere que o museu é uma “casa de arte", um local, no qual o público pode enriquecer-se culturalmente, enquanto o último considera, o museu como um "espaço elástico e aberto" (Obrist, 2008). Através da idealização do espaço do museu, estabelecida por Hultén, o curador produziu diversas

exposições que incorporaram arte,

performance, literatura e música, que contribuiu para o surgimento de uma nova expressão - “museu sem paredes” (Malraux, 2011). Ainda assim, o museu desempenha um papel proeminente ao estabelecer um significado e interpretação das obras, com o espaço envolvente através da aquisição, divulgação e interpretação da coleção ou exposição.

Aquando da entrevista realizada por Paul O’Neil, o curador Seth Siegelaub (2006) aborda o conceito de "desmistificação", para distinguir a prática dos curadores, que poderia ser afetada pela dimensão dos museus. Segundo o autor, os curadores não podem produzir uma exposição com os mesmos procedimentos num

museu de grande ou pequena dimensão. O contexto em que ocorre a exposição de arte necessita ser refletido pelo curador, para produzir uma conquista intelectual e educacional para o público. Os curadores não podem, portanto, projetar uma exposição de arte sem um senso de responsabilidade para com a arte, com desconhecimento das obras de arte do artista em questão, que deverão integrar a exposição (Seth Siegelaub, 2006). Dentro do território da curadoria há a existência de, pelo menos, dois tipos de curadores que estabelecem o significado e o

status da arte por meio de sua aquisição,

exibição e interpretação (Ramírez, 1994, p. 22). Segundo Heinich (1996) na curadoria de

exposição, o curador assume-se como o autor

da exposição, mantendo uma relação com os artistas, por meio de visitas aos ateliers. Esta prática de curadoria poderá ser exercida por ambos os tipos de curador, independentes ou os contratados por uma instituição museal que, em regra, tem uma especialização em determinado período da história da arte. Contrariamente, na curadoria tradicional ou

curadoria de coleções, o curador contratado

por uma instituição tem como objetivo contribuir para a organização, estudo e

Vedes, I. (2018). Breves considerações sobre o percurso da investigação: relações entre a educação e a curadoria em museus de arte moderna e contemporânea. In P. M. Homem, A. Marques & M. Santos (Eds.), Ensaios e Práticas em Museologia (Vol. 07, pp. 123-134). Porto: Universidade do Porto, Faculdade de Letras, DCTP.

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frequentemente se configura numa exposição permanente do museu.

Torna-se, portanto, pertinente referir que, tanto na curadoria de exposição como na

curadoria tradicional ou curadoria de coleções,

o papel do curador assume-se como um mediador e é através do dispositivo da exposição, que se evidencia pela sua singularidade, criatividade, por questões autorais e de pensamento, marcando o seu

posicionamento dentro das práticas

curatoriais.

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