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de Taoudéni-Tanezrouft

3. Formations aquifères

Florianópolis é a capital do estado de Santa Catarina, e fica na região sul do país, localizada na parte leste do estado, banhada pelo Oceano Atlântico, e com a maior parte do seu território (97,23) na Ilha de Santa Catarina. No último censo realizado em 2013 a estimativa do IBGE26 indicou que a cidade possuía cerca de 450mil habitantes,

contando com a segunda maior população do estado, ficando atrás apenas de Joinville. Em 2010 a grande Florianópolis possuía uma população de 1.012.830 habitantes.

Vem se destacando nos últimos anos como a capital brasileira com o melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), da ordem de 0.847 (2013), além de ser o terceiro município com o mais alto valor do

26 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em:

índice no país, segundo os mais recentes dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento em 201327.

Tais dados apresentados por instituições governamentais, e posteriormente divulgados pelos veículos de comunicação têm contribuído para que a capital sofra com gravíssimos problemas causados pela ocupação desordenada. Nos últimos trinta anos a ilha recebeu milhares de novos moradores advindos de outras partes do estado, do país e estrangeiros que se encantam com as belezas naturais do lugar. O aumento desenfreado de construções em áreas de preservação limitadas e permanentes impulsiona a degradação do meio- ambiente natural, já que a cidade não possui infra-estrutura adequada para um aumento tão grande de moradores em um espaço de tempo tão curto28.

A imagem que identifica a ilha de Santa Catarina não só no Brasil, mas no mundo todo é a Ponte Hercílio Luz, que foi inaugurada em 1926. A partir do século 20 Florianópolis tem como um dos seus principais eixos econômicos a construção civil, que acontece em ritmo acelerado desde então.

Em 1960 é implantada a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), na ex-fazenda modelo "Assis Brasil", localizada no Bairro da Trindade, reunindo as Faculdades de Direito, Medicina, Farmácia, Odontologia, Filosofia, Ciências Econômicas, Serviço Social e Escola de Engenharia Industrial, sendo oficialmente instalada em 12 de março de 196229.

Os cursos oferecidos pela universidade estavam concatenados ao contexto econômico da época, talvez um dos motivos para que a instituição não se abrir, pelos menos nos primeiros anos de funcionamento, para cursos voltados às artes, diferente da Universidade Estadual de Santa Catarina (UDESC), da qual falaremos em seguida.

27 Conforme verbete “Florianópolis” de Wikipedia (www.wikipedia.org).

Acesso em 11 de setembro de 2013.

28 Para mais informações sobre as transformações na cidade de Florianópolis

ver: <http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2013/03/com-287-anos- florianopolis-precisa-superar-desafios-dizem-especialistas.html>

<http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2013/03/turismo-de-

florianopolis-busca-se-diversificar-para-fugir-da-sazonalidade.html>. Acesso em 10 de setembro de 2013.

29 Conforme informações do site da Universidade Federal de Santa Catarina.

Disponível em http://antiga.ufsc.br/paginas/historico.php. Acesso em 11 de setembro de 2013.

O governo Kubitschek é conhecido por ter, entre outras coisas, aumentado o ritmo do crescimento econômico brasileiro, com base no estímulo à indústria automobilística e na construção da nova capital do país, Brasília, inaugurada em abril de 1960. O Estado de Santa Catarina acompanhava o país e passava por boa fase de crescimento econômico, consolidando setores industriais como o da cerâmica no sul do estado, o de papel, papelão e pasta mecânica, principalmente no Vale do Itajaí e no planalto lageano, e o de metal- mecânica no norte do estado. O ambiente econômico era, portanto, bastante propício a demandas de expansão do ensino superior. (Site

da UFSC, ver nota de rodapé). 30

No ano de 1975 é finalizada a obra da segunda ponte que liga a ilha ao continente, a Colombo Salles, e em 1991 é construída a terceira, a ponte Pedro Ivo Campos, obras que sinalizavam o intenso processo de crescimento urbano da ilha.

Em 1965 é criada a universidade estadual do estado, a UDESC, com sede em Florianópolis. Num primeiro momento a instituição surgiu através da incorporação dos cursos das faculdades existentes em Florianópolis (Escola Superior de Administração e Gerência – ESAG) e em Joinville (Faculdade de Engenharia). Num segundo momento, a partir de 1971, o ensino de Arte nas escolas passa a ser obrigatório e a universidade é convidada a cumprir este papel de formação. Deste modo, dentro do curso de Educação Artística era possível escolher entre as opções de habilitação em Música, Artes Plásticas e Desenho.

Assim, em 1972, a UDESC passou a oferecer cursos complementares para professores e em 1974, lançou vagas no primeiro vestibular para o curso de Educação Artística da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). O Curso de Bacharelado em Música (opção Piano e opção Violino) passa a ser oferecido no início de 1994, e em 1995 é construído o primeiro bloco de

30 Conforme informações do site da Universidade, no portal do Plano de

Desenvolvimento Institucional. Disponível em

http://pdi.paginas.ufsc.br/2009/10/28/breve-historico-da-ufsc/. Acesso em 11 de setembro de 2013.

alvenaria, o da Música. Em seguida ocorre a criação do Bacharelado em Artes Plásticas. Hoje, os cursos de graduação (Artes Cênicas, Artes Visuais, Design, Moda e Música) são independentes e o CEART tem cursos de pós- graduação em Artes Cênicas (mestrado e doutorado), Música (mestrado) e Artes Visuais (mestrado). (Site do CEART/UDESC, ver nota de rodapé). 31

Durante estes anos, tanto as áreas mais centrais, quanto as mais afastadas da cidade vêm passando por fortes processos de urbanização e ocupação. Como por exemplo, o surgimento e o crescimento de bairros que circundam as universidades, tais como a Trindade, o Pantanal, a Carvoeira, o Itacorubi, o Santa Mônica, a Serrinha e a Agronômica, assim como o „desbravamento‟ e a ocupação de áreas mais afastadas do centro, e próximas as praias, como o Norte e o Sul da Ilha. A partir da década de 1980 as regiões das praias passaram a ser bastante ocupadas, e se viu surgir bairros como Jurerê Internacional, de alto nível socioeconômico, e o loteamento intenso nas praias dos Ingleses, Campeche, Lagoa da Conceição, Rio Vermelho, Praia Brava, Barra da Lagoa, Canasvieiras, entre outras.

As características climáticas da cidade são de estações bem definidas, sendo que o outono e a primavera têm características semelhantes. É considerada uma das capitais mais frias do país, e sofre influência dos ventos, principalmente o famoso „vento sul‟, o que faz com que a sensação térmica no inverno geralmente seja inferior as temperaturas mínimas registradas32.

No verão a ilha praticamente tem triplicado o número de sua população, sendo a época de maior movimentação econômica na cidade, o que influencia diretamente na cadeia da produção musical local. Os eventos em bares, restaurantes e casas noturnas é intenso dos meses de dezembro a março, podendo ocorrer variações, e se estender até abril. No ano de 2012 foi estimado pela Santa Catarina Turismo S/A

31 Conforme informações do site do CEART – UDESC. Disponível em

http://antigo.ceart.udesc.br/O_CEART/Historico.php. Acesso em 11 de setembro de 2013.

32 Conforme verbete “Florianópolis” de Wikipedia (www.wikipedia.org).

(Santur)33, que cerca de 1, 5 milhão de pessoas visitaram a ilha entre janeiro e março, na alta temporada de verão.

Os setores de maior destaque na economia da cidade estão concentrados no comércio, no desenvolvimento de tecnologias, na prestação de serviços, no turismo, e na construção civil.

Diante destas informações, proponho pensarmos em alguns pontos fundamentais que caracterizam Florianópolis.

Primeiramente que se trata de uma cidade litorânea, uma ilha rodeada por quarenta e duas praias, posicionada em uma área geográfica estratégica do país, entre os estados do Paraná e Rio Grande do Sul, próxima da região Sudeste, a qual é considerada juntamente com a região Sul, as mais desenvolvidas do país em diversos setores.

Em segundo lugar, a cidade vem passando por profundos processos de urbanização e conseqüente aumento de sua população, que provém de várias partes do Brasil e do exterior. Este tipo de situação é impulsionada por diferentes atrativos, entre eles, as universidades estadual e federal, que atraem estudantes de várias partes do país e também estrangeiros; pelo aumento desenfreado da construção civil; devido aos índices de desenvolvimento anunciados pela mídia; pelas belezas naturais locais, e mais uma enorme e complexa lista de motivos que envolvem os processos de desenvolvimento urbano de qualquer outra cidade.

A ideia é que comecemos pensar a partir daqui nas influências que todas estas construções e transformações no ambiente terão na formação de um ethos colaborativo no campo da produção musical em Florianópolis atualmente. Afinal, os intercâmbios culturais gerados no convívio entre pessoas das mais diferentes partes do mundo, aliado a um contexto social, político e tecnológico cada vez mais favorável à troca, tende a imprimir suas formas estéticas no campo das artes, a ver aparecer as reivindicações políticas dos grupos que ali vivem e desenvolvem seus trabalhos, assim como a demarcação de territórios simbólicos pelos indivíduos, no intuito de garantir seu espaço de produção, isto é, de seu mercado.

Seguimos então com um breve histórico sobre a produção musical em Florianópolis.

Os primeiros indícios de grupos articulados para produzir e difundir música e outras artes em Florianópolis nos moldes de uma produção independente, e de forma colaborativa, data da década de

33 Disponível em http://www.santur.sc.gov.br/. Acesso em 11 de setembro de

1960, e estava bastante vinculado ao rock. As ações de grupos que hoje chamamos de coletivos, nos quais se reuniam pessoas de diferentes áreas artísticas acontecia em lugares como o Estúdio A2 de Beto Stodieck e Pedro Paulo Peixoto, localizado no centro da cidade, e que agregava artistas e público, servindo como um dos principais pontos de cultura jovem da época, assim como o Kioski no Largo Benjamin Constant, também no centro34.

Além dos grupos de rock que surgiram na época sob forte influência do movimento da contracultura, existiam também as bandas de baile que tocavam gêneros diversos para animar as festas. Tatyana Jacques (2007) em análise sobre a cena do rock independente em Florianópolis nos dá uma ideia do contexto vivido na ilha neste período.

As primeiras informações sobre bandas de rock em Florianópolis que obtive datam do início dos 1960. Segundo Ronaldo de Sousa Maciel (informação verbal), músico que atuou na cidade durante os 1960 e 1970, nessa época, surgiu a banda instrumental The Eagles, que definia seu trabalho a partir da banda americana de surf music The Ventures. Também surgiram as “bandas de baile”, formadas especialmente para animar festas. Elas possuíam um vasto repertório, incluindo o rock, e realizavam suas apresentações nos clubes da cidade, principalmente Clube Doze de Agosto, Lira Tênis Clube e Clube Seis de Janeiro. Dentre as primeiras destas estão: The Snakes, de 1963 (Sanson, 2004), que tocava apenas Beatles, Os Mugnatas e Milionários. No final dos 1960 e início dos 1970, destacaram-se: The Saints, Os Binos, Folk, Aventureiros e The Jatsons. (Jacques, 2007, p: 40).

Mas além dos grupos que se definiam como praticantes de um gênero específico, já se via surgir bandas que se apropriavam de gêneros diversos e construíam novos estilos, com especial destaque para incorporação do rock às linguagens musicais locais e folclóricas. Assim, podemos identificar processos de criação e produção bastante parecidos com os atuais, no que se refere à cultura de troca e de colaboração, que é

34 Para mais informações sobre o Kioski, ver:

http://www1.an.com.br/ancapital/2000/nov/19/1ult.htm. Acesso em 27 de dezembro de 2013.

claro são intrínsecas a própria música, mas que a partir destes períodos podem ser percebidos de forma mais evidente, em conseqüência da ampliação dos intercâmbios culturais, gerados pelo maior acesso aos canais de comunicação, como rádio e TV.

Também havia então, a banda Som Nosso de Cada Dia, que começou definindo seu trabalho pelo samba e que passou a mesclar a este gênero “Folclore, rock, ritmos nordestinos”. Além de suas próprias composições, esta banda tocava o repertório de Jorge Ben Jor. Estas bandas tinham como espaços de apresentação o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o Teatro Álvaro de Carvalho (TAC) e o Ginásio do Colégio Catarinense, todos localizados no centro da cidade. Ainda aí, eram importantes locais de encontro para os fãs de rock os bares Quiosque, na Praça Benjamin Constant, e a Casa do Suco, ao lado da Catedral Metropolitana. (Jacques, 2007, p: 41).

O campo da produção musical no Brasil já se constituiu desde os seus primórdios com a característica de flexibilidade na incorporação de linguagens estéticas diversas35 e nesta época especialmente, ocorria no

mainstream musical brasileiro um processo intenso de intercâmbios

culturais e artísticos derivados do movimento da contracultura que acontecia de forma latente no restante da América Latina, Europa e Estados Unidos. O movimento Tropicalista que envolvia artistas da música, literatura, das artes plásticas, do teatro e do cinema foi uma das grandes influências no cenário cultural de Florianópolis, e assim como em outras cidades do país, se desenvolveu de acordo com as configurações políticas, sociais e ambientais locais, e foi sofrendo influências múltiplas a partir das ações realizadas pelos seus atores sociais.

É neste sentido que se torna imprescindível estarmos atentos para um detalhe muito bem lembrado por Rafael de Menezes Bastos (2005), de que „o quadro internacional da música popular é fundamental para se

35 Para mais informações sobre a história e os intercâmbios no campo da

produção musical no Brasil ver MENEZES BASTOS, Rafael José de. (1996; 2005).

compreender as manifestações locais, regionais e nacionais‟ (Menezes Bastos, 2005, p: 55).

Ao longo da sua história, a música popular brasileira tem demonstrado uma extraordinária capacidade de trabalhar simpaticamente com as tendências do exterior. O que originalmente era um fato empírico, mais tarde se transformou em uma estratégia consciente, que foi o que aconteceu, por exemplo, com o Tropicalismo, Clube da Esquina, Jovem Guarda, BRock e Manguebeat. Isto demonstra também uma faculdade generalizada de transformar o que é de fora em „brasileiro‟. (Menezes Bastos, 2005, p:55).

Dentre os primeiros festivais que se tem notícia em Florianópolis, os quais privilegiaram a produção musical local estão o Palhostock, realizado num estádio de futebol na cidade de Palhoça36 em 1974, o Festival Universitário Catarinense da Canção (FUCACA) e o 1° Festival da Ilha de Santa Catarina (FISC), ambos em 197137.

„Os grupos tocavam muito em auditórios do DCE/UFSC e em colégios. Mais tarde que começaram a tocar em barzinhos, mais precisamente após o ano de 1984. Existiam festivais no Colégio Catarinense, Instituto Estadual de Educação e Festivais Universitários, mas nenhum teve continuidade. A comunidade fazia shows e bailes. As principais bandas desta época eram os Aventureiros, Os Binos, The Saints, Os Snakes, depois do Engenho vieram o Expresso (rock rural), Decalcomania, Urubu Mecânico, Asa de Morcego, entre outros, e quase todos de rock‟. (Marcelo Muniz, entrevista realizada em setembro de 2013).

36 A cidade de Palhoça faz parte da Grande Florianópolis e fica a 15 km de

distância do centro da ilha.

37 Para mais informações sobre os festivais e a cena do rock independente em

Florianópolis ver: JACQUES, Tatyana de Alencar. 2007. Comunidade rock e bandas independentes de Florianópolis. Uma etnografia sobre socialidade e concepções musicais.

Um dos destaques musicais da ilha na década de 1980 foi o grupo Engenho que gravou três discos calcados em pesquisas musicais locais do estado de Santa Catarina, misturadas ao rock. De 1979 a 1984 essa banda fez trezentos shows e passou por setenta cidades, se desintegrando ao final de cinco anos de trabalho. No ano de 2011 acontece um retorno inesperado, e o grupo volta a atuar fazendo shows pelo estado. Os integrantes destacam que a criação da banda aconteceu na Universidade Federal de Santa Catarina, e que se consideram um „grupo universitário‟38.

O depoimento de Marcelo Muniz, um dos fundadores, e contrabaixista da banda nos apresenta um panorama de Florianópolis nesta época.

„O “Grupo Engenho” foi criado em 1977 por Marcelo Muniz, Luiz Ekke Moukarzel e Chico Thives. No inicio tocávamos rock, rock rural, jazz, baião e rock progressivo. Resolvemos montar um grupo após um festival de música do Instituto Estadual de Educação com mais um músico, o Arthur Moellmann Coelho, que já no início saiu do grupo. E continuamos com o trio: Luiz Ekke Moukarzel na guitarra e voz, Chico Thives na bateria e voz, e Marcelo Muniz no baixo e voz. Depois veio a segunda formação que fez mais sucesso: Alisson Mota na voz e violão, Marcelo Muniz no baixo e voz, Chico Thives na bateria e voz, Claudio Gadotti Rodrigues na percussão e voz, e Cristaldo de Souza no acordeon. Ensaiávamos sempre, várias horas por semana e nos dividíamos nas tarefas de produção. Inclusive gravamos o primeiro LP de forma independente. Tocamos com várias bandas, mas com a rotina de shows e ensaios passamos a nos fechar mais e participar menos de atividades que não fossem do grupo. A mais próxima foi o Expresso. No início éramos os produtores, mas com o aumento do número de shows contratamos uma equipe de produção. Nas décadas de 60, 70 e

38 Entrevista com o grupo realizada no show de retorno em 2011. Disponível em

http://ndonline.com.br/florianopolis/plural/28869-grupo-engenho-retorna-aos- palcos-com-show-antologico-nesta-quinta-feira-24.html. Acesso em 14 de setembro de 2013.

80 se produzia mais músicas para bailes e festinhas. Com a volta a ilha do músico Luiz Henrique Rosa se propagou mais a bossa nova e a improvisação. Alguns grupos de rock faziam seus shows com produções quase sempre calcadas no que era feito nos grandes centros. As rádios da ilha sempre programaram músicas vindas de fora. A não ser na época áurea da rádio Diário da Manhã. Muito mais tarde abriram mais espaço pra música feita aqui através das rádios educativas‟. (Marcelo Muniz, entrevista realizada em setembro de 2013).

Em 1983 é criada a rádio Itapema FM Florianópolis, que recebia a programação da Rede Itapema do Rio Grande do Sul. Até o ano de 1987 a rádio difundia apenas música brasileira (MPB), passando a absorver conteúdos internacionais e outros gêneros brasileiros a partir de então, porém, eram veiculadas produções á parte dos mercados tradicionais dos Estados Unidos e da Inglaterra. Durante um curto período de tempo a rádio contribuiu com a produção musical local por meio da realização de alguns eventos que fazia circular gêneros que tinham, pouquíssima, ou quase nenhuma visibilidade na cidade.

Neste período a rádio começou a trazer eventos para Florianópolis. O principal evento desta época foi o JAM Session Itapema (Jazz After Midnight), inspirado nas JAMs, que são eventos informais realizados por artistas após os shows oficiais. O evento uniu bandas locais de vários gêneros musicais (como folk, jazz, blues, MPB, soul e outros) em bares para tocarem juntas, promovendo a troca de experiências entre os artistas39.

Também segundo Marcelo Muniz, o primeiro estúdio musical da região foi o Stereosom, do técnico em áudio Osni, e ficava em São José, cidade vizinha que faz parte da Grande Florianópolis. E em seguida foi criado o Estúdio MIX do músico do Grupo Engenho, Chico Thives, que gravava muitos jingles e produções independentes.

39 Conforme verbete “Itapema FM” de Wikipedia (www.wikipedia.org). Acesso

Nas décadas de 1980 e 1990 o cenário musical passa dar sinais de modificação, e „novos ares‟ chegam à ilha devido ao intenso processo de desenvolvimento urbano, e aos avanços tecnológicos que ocorriam na época, e que possibilitaram tanto a produção, quanto a circulação da música local em escalas um pouco maiores. Assim, é possível perceber tal mudança no surgimento de grupos de música instrumental brasileira, de rock, de choro, de MPB, alguns poucos de jazz, assim como a abertura de casas noturnas, e a realização mais constante de eventos que passaram a movimentar um cenário musical mais intenso e diversificado, mas sem dúvida, ainda muito discreto em comparação aos grandes centros urbanos no país.

Os relatos selecionados para integrar esta pesquisa foram colhidos, na sua maioria, em entrevistas que realizei pessoalmente com