Na busca pelo objetivo da pesquisa, decidiu-se utilizar uma base de dados que pudesse servir para a aplicação do método da análise fatorial. A base escolhida foi a PINTEC65, que tem como objetivo a construção de indicadores setoriais,
nacionais e regionais, a partir das informações sobre atividades de inovação das empresas do Brasil, no setor da indústria, das atividades de inovação em serviços nas empresas dos setores de eletricidade e gás e serviços selecionados especificamente.
A PINTEC tem como referência conceitual o Manual de Oslo (OCDE, 2005) e, até o momento, foi realizada em cinco períodos, sendo estas informações do triênio 1998-2000 (IBGE, 2002); informações do triênio 2001-2003 (IBGE, 2005); informações do triênio 2003-2005 (IBGE, 2007); informações do triênio 2006-2008 (IBGE, 2010) e informações do triênio 2009-2011 (IBGE, 2013).
65 As informações expostas nesta parte da pesquisa foram extraídas diretamente do caderno da PIN-
Esta coleta de informações produz estatísticas de maneira transversal com o intuito de aprofundar a temática de inovação, com informações sobre aspectos, como: gastos com as atividades inovativas; fontes de financiamento dos dispêndios; impacto das inovações no desempenho das empresas; fontes de informações utilizadas; arranjos cooperativos utilizados; papel dos incentivos governamentais; obstáculos encontrados às atividades de inovação, inovações organizacionais e de marketing e; uso de biotecnologias e nanotecnologia (IBGE, 2013).
Em relação ao levantamento destas informações, entende-se que os dados extraídos da PINTEC para posterior tratamento estatístico podem servir na caracterização e evolução dos SRIs, mesmo se reconhecendo fragilidades nesta base de dados. Dentre estas anomalias, pode-se citar a “possível existência” de viés no levantamento das informações em pesquisas sobre inovação tecnológica. Esta possibilidade foi levantada no estudo de Romeiro et al. (2014).
Estes autores abordam a probabilidade de inconsistências na declaração das informações pelos informantes, sendo que este viés, denominado de desvio de compreensão, ocorre devido ao respondente não compreender o conceito de inovação na pergunta do questionário, ou mesmo a metodologia da pesquisa, o que poderia gerar erros nas estimativas dos indicadores relativos aos resultados das atividades realizadas em inovação.
Além deste viés, pode-se elencar a não ocorrência de checagem ou confirmação in loco pelo IBGE das informações fornecidas pelas empresas (dados primários) ou da pesquisa amostral utilizada de outras bases de dados (dados secundários), as alterações na metodologia, como inclusão de informações que foram retiradas nas pesquisa mais recentes (pedidos de patentes, por exemplo), e informações que estavam condensadas ou agrupadas nas pesquisa iniciais e depois foram “abertas”, o que dificulta em alguns casos o poder comparativo na análise66.
Mesmo existindo fragilidades, entende-se que a PINTEC é a única base nacional que tem o perfil de captar o comportamento das atividades de inovação das empresas, além de se perceber que o IBGE vem procurando, a cada ano, adequar a pesquisa às metodologias internacionais mais reconhecidas. Além disto, a PINTEC registra um período temporal razoável para uma análise como proposto nesta
pesquisa e, ao mesmo tempo, apresenta dados e informações que representam, da forma mais fiel possível, o comportamento das atividades de inovação nas empresas. Neste sentido, entende-se que esta base pode ser considerada uma amostra adequada para distinguir os sistemas regionais de inovação.
A metodologia67 da PINTEC pressupõe a existência de requisitos
importantes para a aceitação das informações, além de procedimentos operacionais para assegurar confiabilidade e qualidade aos resultados para que a empresa possa participar do questionário. Estes requisitos são:
a) referências conceituais: a referência conceitual e metodológica da PINTEC se baseia na terceira edição do Manual de Oslo de 2005 e no modelo proposto pelo Escritório de Estatística da Comunidade Europeia (Statistical Office of the European Communities – EUROSTAT) o qual é consubstanciado pela CIS;
b) âmbito da pesquisa: são componentes, a saber, b1) territorial e
populacional, onde a empresa precisa atender aos requisitos de: estar em situação ativa no CEMPRE do IBGE; ter atividade principal na CNAE 2.0 compreendida nas seções B, C e D, nas divisões 61, 62, 71, 72 e no grupo de serviços 63.1, 58 + 59.2; estar sediada em qualquer parte do território nacional; ter 10 ou mais pessoas ocupadas em 31 de dezembro no ano de referência do cadastro básico de seleção da pesquisa e; estar organizada juridicamente como entidade empresarial tal como definido pela Tabela de Natureza Jurídica 2009.1 e; b2) temporal, onde a maioria das variáveis
qualitativas refere-se ao período compreendido da pesquisa e às variáveis quantitativas que se referem ao ano final da pesquisa (2000, 2003, 2005, 2008 e 2011);
c) a unidade de investigação: é a empresa que compreende uma unidade jurídica caracterizada por uma firma ou razão social que responde pelo capital investido e que engloba o conjunto de atividades econômicas exercidas em uma ou mais unidades locais (endereço de atuação);
67Para um maior aprofundamento da metodologia empregada na PINTEC 2011, sugere-se consultar
d) temas abordados e conceituação das variáveis investigadas: compreende a estrutura lógica do conteúdo do questionário;
e) características das empresas: mostra a origem do capital controlador da empresa, diz se a empresa é independente ou parte de um grupo e indica a abrangência geográfica principal da empresa e;
f) aspectos amostrais: com os seguintes componentes, f1) cadastro básico
de seleção: a seleção da amostra é baseada no cadastro básico de empresas constantes no CEMPRE do IBGE. Este cadastro das empresas é atualizado com informações da RAIS, CAGED, PIA-Empresa e PAS e; f2) desenho amostral: a empresa, para estar inserida na amostra, deve
constar em algum dos cadastros consultados pelo IBGE, e a unidade da federação, para ter seus dados divulgados publicamente, necessita representar 1,0% ou mais do valor da transformação industrial da indústria brasileira.
A composição das principais atividades da amostra em cada grande região e em cada unidade da federação, conforme o IBGE (2011, p. 29), segue os seguintes critérios:
no recorte regional, as atividades responsáveis por 70% do valor da transformação industrial de cada indústria regional;
nas unidades da federação selecionadas, exclusive São Paulo, as atividades responsáveis por 50% do valor da transformação industrial da indústria estadual e;
em São Paulo, as atividades responsáveis por 80% do valor da transformação industrial de sua indústria.
As empresas de maior porte, com 500 ou mais pessoas ocupadas nas indústrias extrativas e de transformação, ou com 100 ou mais pessoas ocupadas nas empresas de serviços, foram alocadas em um estrato específico (estrato certo) e incluídas todas na amostra. As demais empresas foram alocadas em estratos que foram amostrados e denominados de estratos naturais. Estes estratos foram definidos pelo cruzamento das localizações geográficas e das atividades econômicas selecionadas.
Por se tratar de um fenômeno especial, como mencionado anteriormente, cada estrato natural foi subdividido em dois outros estratos denominados de estratos finais. No primeiro, estão contidas as empresas alocadas no estrato natural e que estão presentes em pelo menos um dos cadastros de inovação anteriormente citados; no segundo, as demais empresas. A amostra calculada para o estrato natural foi alocada desproporcionalmente nestes dois estratos, de modo que aproximadamente 80% (oitenta por cento) das empresas selecionadas para a amostra, em cada estrato natural, fossem empresas com uma maior probabilidade de serem inovadoras.
Nos estratos naturais onde o número total de empresas existentes na população fosse menor ou igual a cinco, todas as empresas foram incluídas na amostra com probabilidade de seleção igual a um. As empresas cuja classificação de atividade fosse P&D - divisão 72 (pesquisa e desenvolvimento científico) da CNAE 2.0 - pertenceriam a um estrato certo específico denominado estrato P&D. Este estrato contou com 25 empresas, sendo todas elas incluídas na amostra com probabilidade de seleção igual a um.
Logo após especificar a base PINTEC, apresenta-se na Tabela 1, no APÊNDICE A, o grupo de variáveis inicialmente selecionadasa serem empregadas na pesquisa. As variáveis constantes nesta Tabela foram selecionadas a partir de uma escolha do pesquisador, procurando observar, através da PINTEC, os indicadores que sugeriam as atividades de inovação das empresas. Além desta finalidade, procurou-se verificar variáveis que pudessem sugerir a incorporação do conhecimento tecnológico nas atividades de inovação. Entende-se que este arranjo pode configurar uma amostra consistente para caracterizar um sistema de inovação e representar a utilização do conhecimento tecnológico pelas empresas na PINTEC. A estratégia de escolha das 46 variáveis inicias ocorreu por se entender que estas são importantes para abranger a caracterização das atividades de inovação das empresas analisadas. Primeiramente, elaborou-se uma amostra de 57 variáveis que representavam uma amostra consistente. Em seguida, realizou-se um filtro semelhante à mineração de dados, de onde se eliminaram onze variáveis que, por entendimento, não estavam alinhadas ao propósito da pesquisa, para, assim chegar a um número final de 46 variáveis que atendessem razoavelmente aos critérios estatísticos adotados na pesquisa.
Na Tabela 2 (APÊNDICE A), apresenta-se o método de captura dos dados das 46 variáveis selecionadas a partir da matriz exposta na Tabela 1 (APÊNDICE A) para os anos de 2000, 2003, 2005, 2008 e 2011. Este procedimento foi fundamental para selecionar as variáveis, pois era necessário uma uniformização de captura e um padrão em cada período analisado, para que se pudesse estabelecer quais variáveis empregar no trabalho. Em relação ao total de observações da amostra, definiu-se utilizar a matriz de dados 46x67, isto é, 46 variáveis e 67 observações.
Em relação ao total de observações, a matriz final ficou com 67 observações devido ao estado do RN ter sido incluído publicamente na PINTEC apenas em 2000 e o estado do MT em 2011. Nos demais anos, estes estados não atingiram os critérios para que o IBGE publicasse estas informações, ficando a amostra como segue abaixo:
a) 14 estados como observações para a base de 2000, sendo AM, PA, CE, PE, BA, RN, MG, ES, RJ, SP, PR, SC, RS e GO;
b) 13 estados como observações para a base de 2003, sendo AM, PA, CE, PE, BA, MG, ES, RJ, SP, PR, SC, RS e GO;
c) 13 estados como observações para a base de 2005, sendo AM, PA, CE, PE, BA, MG, ES, RJ, SP, PR, SC, RS e GO;
d) 13 estados como observações para a base de 2008, sendo AM, PA, CE, PE, BA, MG, ES, RJ, SP, PR, SC, RS e GO e;
e) 14 estados como observações para a base de 2011, sendo AM, PA, CE, PE, BA, MG, MT, ES, RJ, SP, PR, SC, RS e GO.