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O Império Romano alcançou seu apogeu a partir da era de Augusto (entre os anos 14 AEC e 14 EC), vivendo um período de expansão, de êxitos econômicos e relativa paz que se estendeu por dois séculos (Alfoldy, 1989, p. 110-116; Funari, 2007, p. 89). O significativo florescimento econômico do Império neste período se devia, principalmente, ao aumento quantitativo e qualitativo da produção agrícola em toda a extensão territorial que estava sob seu controle. Sabe-se que a grande fonte de riquezas para pessoas de todos os estratos sociais

era a posse da terra e sua utilização na produção agrícola. Para a expansão do Império os romanos implementaram, mesmo nas províncias mais longínquas, métodos de cultivo mais eficazes a partir do avanço do escravagismo. Também houve, sem dúvida, um notável desenvolvimento das atividades comerciais, impulsionadas pela facilidade de trocar bens entre regiões longínquas que agora se viam de alguma maneira interligadas pelas vias terrestres e marítimas que interligavam os povos através do Mar Mediterrâneo (Guarinello, 2013, p. 149- 153). Mas o sucesso econômico romano estava, acima de tudo, vinculado às estratégias administrativas que se baseavam na extensão dos projetos de urbanização das províncias conquistadas.

Atualmente alguns historiadores acreditam que, durante a República (entre 509 e 27 AEC), Roma não possuía uma real política expansionista. O domínio e a exploração de terras cada vez mais distantes se deviam principalmente a iniciativas pessoais, principalmente de generais que viam o sucesso militar como o modo mais eficaz de crescer economica, política e socialmente (Millett, 1990, p. 2-3; Pinto, 2006/2007, p. 224-225). Os novos territórios eram conquistados através de força militar e, depois da tradicional pilhagem, os romanos trabalhavam para fazer de cada nova província um meio de obtenção de riquezas permanente. Legionários, com apoio involuntário de mão-de-obra local, trabalhavam na construção de cidades, estradas e pontes, infraestrutura que aumentava o controle político e facilitava o transporte de mercadorias por terra. Tais recursos a princício não visavam o progresso local, nem tampouco procuravam incentivar o comércio; o verdadeiro objetivo dessa acessibilidade era ligar, de forma cada vez mais funcional, as províncias à capital romana, que passava a ser o destino principal da riqueza produzida. Esses esforços arquitetônicos facilitavam o trânsito de soldados e produtos arrecadados da população nativa sob a forma de tributos, cobrados a partir do tamanho do terreno ou sobre a força de trabalho de cada família camponesa (Goodman, 1997, p. 100-101; Guarinello, 2013, p. 142-143).

Mas é após a transição da República para o Império, sob Augusto, que uma verdadeira política imperial descentraliza o poder oferendo oportunidades para o crescimento econômico das províncias. Augusto teria estabelecido novas regras que beneficiavam reis clientes, reduzindo o trânsito de riquezas para a Itália e fortalecendo as elites nativas (Pinto, 2006/2007, p. 225-226). A partir daí, o desenvolvimento descentralizado do Império podia ser mensurado pela implantação de mais e mais cidades estrategicamente localizadas para aperfeiçoar e fiscalizar o recolhimento dos produtos agrícolas. E dizem que nesse período o

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Império Romano já contabilizava a existência de mais de 1000 cidades (Alföldy, 1989, p. 120).

Fato é que os centros urbanos eram construídos em torno de objetivos comuns, e mesmo entre endereços distantes podia-se notar certa padronização arquitetônica e cultural. Isso é visível pela comparação de suas principais edificações e também pelo estabelecimento quase simultâneo de um estilo de vida romanizado entre seus habitantes (Pinto, 2006/2007, p. 228). Falando especificamente das cidades existentes na Palestina do mesmo período, Ze’ev Safrai enumerou várias características que um centro urbano em qualquer parte do Império deveria ter para que fosse considerado uma cidade (1994, p. 15-17). As próximas linhas estão baseadas nessa enumeração de Safrai, embora tragam alguns acréscimos nossos:

1. Primeiro, ele diz que as cidades possuíam grandes populações; pelo menos, o número de pessoas vivendo em cada metro quadrado das áreas urbanas era grande se comparado com a média populacional das áreas rurais.

2. As cidades também eram reconhecidas pelas estruturas administrativas que nelas existiam, e todos notavam que dali era exercido o controle político e econômico sobre as zonas rurais vizinhas.

3. Por conta das características anteriores, as cidades também tinham que contar com estruturas arquitetônicas distintas, que não só expressavam o domínio político de Roma e da cultura romana sobre todo o Império, mas que também visavam a segurança e sustentabilidade dos aristocratas ali sediados. Estamos falando de projetos arquitetônicos como templos, teatros, estádios, banhos, aquedutos, esgotos, muralhas, etc.

4. Voltando-se mais especificamente para a população, Safrai também observou que nas cidades os estratos sociais eram mais bem definidos ou estratificados do que em qualquer outro lugar fora delas, além de serem locais onde etnias se misturavam e tornavam as fronteiras culturais mais fluídas. Só nas cidades conviviam tão próximos sujeitos distintos como governadores, ricos proprietários de terra, sacerdotes, soldados, comerciantes, escravos, artesãos, prostitutas, mendigos, entre outros.

5. Por fim, praticamente não existiam fora das cidades centros comerciais tão significativos quanto aqueles estabelecidos em suas praças centrais (mercados). Estes locais impulsionavam o trânsito de mercadorias, a comercialização de escravos e, sem dúvida, eram vistos como polarizadores das expectativas da plebe urbana.

Para estabelecer aristocracias nativas favoráveis, que prestavam auxílio no controle local, Roma costumava conceder benefícios a essa liderança autóctone, como a própria cidadania romana e outras posições socialmente privilegiadas (Goodman, 1997, p. 107-112; Funari, 2007, p. 86). Além desses benefícios, deve-se considerar a sedução que a cultura romana naturalmente exercia sobre essa elite, cujos membros, integrando-se à cultura romana, sentiam-se civilizados, podiam se ligar a redes patronais de dependência e ascender socialmente, além do que, muitos experimentavam confortos antes desconhecidos (Pinto, 2006/2007, p. 243). De fato, os romanos julgavam ter a missão de transformar os bárbaros humanizando-os, transmitindo a todo o Império seus ideais, que podiam ser resumidos sob o conceito de humanitas.40 Assim, a população urbana das províncias era controlada pela atuação dessa aristocracia nativa que vivia numa associação controvertida com os dominadores estrangeiros. Os membros desse escol heterogêneo podiam desempenhar inúmeras posições: eram funcionários estatais que asseguravam a administração da cidade e por vezes de toda a província, atuavam nos setores financeiros, na justiça, eram responsáveis pelos ofícios religiosos, membros da milícia, estavam em constante contato com os grandes comerciantes, dentre outras atividades.

Nas zonas rurais, onde a grande maioria da população vivia, não se encontravam tantas diferenças sociais nem tão claras estratificações, mas a presença da elite urbana e da romanização também se faziam notar ali. Lembremos que as guerras pela expansão territorial do Império tinham, num sentido pragmático, o propósito de tomar a terra alheia e escravizar parte da população. Depois das vitórias, uma porção das terras adquiridas era distribuída entre os integrantes do próprio exército, e até por isso o serviço militar se tornou uma atividade de boas perspectivas econômicas para os homens livres do Império (Alföldy, 1989, p. 93-94). Em diferentes períodos da história romana a invasão militar também foi a solução encontrada para sanar as carências de proletários da própria Roma e das regiões itálicas (Alföldy, 1989, p. 93-94). No fim das contas, as zonas rurais mais próximas às cidades eram povoadas não só pelos camponeses nativos, mas em bom número por estrangeiros, escravos e administradores que estavam a serviço dos ricos e ociosos moradores das cidades, que viviam dessas terras expropriadas desde a chegada do poder imperial. Quanto àqueles inúmeros pequenos proprietários, pessoas livres e nativas que trabalharam nas suas terras por gerações e que não foram expulsos ou escravizados quando Roma os dominou, eles já não podiam ser

40 Sobre o conceito de humanitas, a dificuldade para sua tradução, e seu papel na definição da identidade cultural

romana e no próprio projeto de romanização dos povos bárbaros, veja o artigo de Renato Pinto (2006/2007, p. 232-245).

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considerados privilegiados nessa nova cunjuntura política. Em diferentes medidas, os camponeses nativos sofriam com a atuação econômica parasítica do Império, pelo que, em muitos casos, a escravidão podia se tornar um modo de vida mais seguro do que aquele experimentado por esses homens livres subjugados economicamente por excessivas tributações. Muitos pesquisadores asseguraram que essas famílias camponesas quase sempre produziam apenas o necessário para a própria sobrevivência (Saldarini, 2005, p. 50), mas desde o momento em que Roma os dominava, instituindo pesadas taxas e os extorquindo continuamente e violentamente enquanto o Império fazia o que chamamos de vistas-

grossas,41 os agricultores eram pressionados para que produzissem maiores excedentes, de forma que seu trabalho alimentasse também as elites urbanas e o Império de um modo geral. Isso tanto proporcionou um desenvolvimento tecnológico aplicado à produção agrícola em diferentes regiões como trouxe desgraça a pequenos produtores que não se mostraram capazes de atender à demanda, acabando endividados, sem a posse de suas terras, e muitas vezes forçados a recorrer à escravidão de maneira voluntária (Veyne, 2009, p. 59). Reforçaremos essas últimas afirmações com algumas linhas de Géza Alföldy:

[...] quem se encontrava em pior situação dentro destes grupos não eram os escravos dos latifúndios, que se revestiam de algum valor para os seus senhores e pelo menos eram alimentados regularmente mas, sobretudo, as massas de camponeses nominalmente ‘livres’ mas sem meios de subsistência. (1989, p. 160)

Para ilustrar com cores ainda mais vivas o quadro que estamos compondo, gostaríamos de citar aqui algumas linhas pontuais do Satíricon, obra ficcional escrita por volta de 62 a 64 EC, naquele mesmo mundo romano, pela pena do escritor latino conhecido como Petrônio. Recorremos ao ponto em que um personagem descreve a si mesmo como alguém que nasceu livre e se fez escravo de maneira voluntária, conseguindo trilhar nessa condição (sujeito a um senhor e livre do pagamento de tributos) caminhos econômicos melhores que os anteriores, tanto que chegou a comprar a própria liberdade e a adquirir propriedades. Com base no que temos visto, as pesquisas atestam a plausibilidade de tal situação:

41 Aproveitamos a citação de Peter Brown feita por Paul Veyne em História da Vida Privada (2009), linhas que

ilustram nossas últimas afirmações:

[...] o Império Romano deixava o terreno livre para as oligarquias locais de notáveis e confiava-lhes o cuidado de garantir as tarefas administrativas; exigia-lhes pouca coisa pela via fiscal e evitava mostrar- se muito curioso quanto à maneira como os impostos eram extorquidos do campesinado [...]. (Veyne, 2009, p. 112)

[...] Eu sou filho de um rei. ‘Por que então você virou escravo?’, você deve estar perguntando. Porque eu mesmo me entreguei à escravidão, e preferi ser cidadão romano a ser tributário. E agora eu espero viver assim: que eu não seja motivo de chacota para ninguém. Sou um homem entre os homens; ando de cabeça erguida; não devo nada, nada a ninguém; nunca levei um protesto, ninguém me falou em público: ‘Paga o que deve!’. Comprei umas terrinhas, juntei um dinheirinho; tenho vinte bocas para sustentar, fora o meu cachorro; comprei minha mulher de volta, para que ninguém enxugasse as mãos nela; paguei mil denários pela minha própria cabeça [...] (Satir, 52)42

Dando sequência à pesquisa, lembramos que John Dominic Crossan procurou demonstrar em O Nascimento do Cristianismo (2004) que o Império Romano causou um forte impacto econômico em províncias como a Palestina por se tratar de um Império Mercantil, o que, segundo ele, era um modelo que se diferenciava dos impérios tradicionais que haviam dominado a mesma região anteriormente porque não só cobrava dos camponeses os excedentes da produção por meio de impostos, como também ansiava por possuir a terra dos povos submetidos. Crossan afirmou que esse sistema romano foi um problema especialmente grande para o povo de Israel, para quem a terra sempre foi encarada como herança inegociável e elemento constitutivo da própria identidade (2004, p. 201-203). Em termos bem simples, resumimos dizendo que ninguém, nem nas cidades, nem nos campos, escapava à influência da política imperial, e assim como nós hoje nos desdobramos para vencer num mundo onde tudo parece dominado pelo sistema capitalista, as plebes de então tentavam encontrar seu lugar em meio a um sistema econômico imperial que era maior que elas.

Feita essa explanação generalizada, passaremos nesse mesmo item a estreitar nossos limites geográficos em busca de definir as relações econômicas praticadas de maneira geral no Mundo Mediterrâneo, e na parte oriental do Império de maneira mais precisa, já que esse é o terreno que nos importa mais diretamente para o estudo do Evangelho de Mateus:

Os historiadores costumam afirmar que havia grande dinamismo e unidade na economia praticada em torno do Mar Mediterrâneo, isso por conta do processo de unificação comercial do Império e pela facilidade do transporte marítimo que a região oferecia para o trânsito de mercadorias. Desse modo, as definições oferecidas para as trocas econômicas do Império Romano em geral se aplicam com facilidade à região, sem que seja necessário destacarmos grandes particularidades. O historiador Martin Goodman, por exemplo, escreveu

42 Todas as citações feitas nessa pesquisa da ficção latina Satíricon, de Tito Petrônio Árbitro (27-66 EC), seguem

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assim a esse respeito: “Em termos políticos, o Mundo Mediterrâneo estava mais unificado sob Roma nos primeiros dois séculos EC do que jamais estivera antes e do que jamais esteve desde então” (2008, p. 68). Géza Alföldy fez afirmações semelhantes, dizendo que na zona mediterrânica (e nela a província da Síria) as condições econômicas eram muito próximas às da Itália (1989, p. 121). Se nos voltarmos mais detidamente para a Palestina, notaremos que as pesquisas indicam que ela já havia passado por um processo de helenização desde o desmembramento do Império de Alexandre no século IV AEC, o que teria facilitado a penetração dos romanos. Nas palavras de Jorwan Gama, ao chegarem à Judeia “os romanos encontraram uma região que sofrera um processo de urbanização e onde já se conheciam os padrões sociais, morais, estéticos, de consumo e de produção que os romanos chamavam de

humanitas” (Gama, 2011, p. 82). Partindo daí, a região se tornou província romana em 63

AEC e foi romanizada e controlada como uma parte qualquer do Império. Jerusalém consolidou o status de principal cidade da Judeia, recebeu os ornamentos arquitetônicos característicos dos dominadores estrangeiros e concentrou dentro de seus muros a elite ligada ao poder romano da região. No norte do país, a Galileia que tanta atenção atrai por ter sido a área de atuação de Jesus e exercer papel determinante no discurso do Evangelho de Mateus, também recebeu essas marcas da romanização. Ali a cidade de Séforis foi preparada para exercer o papel de cidade administrativa do poder imperial e, depois dela, Tiberíades foi construída com o mesmo propósito.

Richard A. Horsley, quando escreveu uma obra dedicada à pesquisa arqueológica na Galileia, dedicou um capítulo inteiro à questão da economia na região e, de modo geral, procurou demonstrar que durante o primeiro século a economia da Galileia seguia uma “política tributária” que só atendia aos interesses de Roma, defendendo com afinco que esse modelo econômico não pode ser visto como uma moderna economia de mercado (2000, p. 65- 83). Para Horsley, a economia com a qual províncias como a Palestina estavam envolvidas não estava baseada no comércio, que embora estivesse bem desenvolvido na capital romana e nas grandes cidades, não definia as relações econômicas do Mundo Mediterrâneo. O Império continuou sendo essencialmente agrário. Não era o dinheiro, mas principalmente a posse da terra que determinava o lugar social de alguém; não eram empresários, comerciantes ou banqueiros os que mais facilmente adquiriam status e eram chamados de ricos, mas os grandes proprietários e produtores rurais (Alföldy, 1989, p. 114-115). Excedentes da produção agrícola ou artesanal eram negociados principalmente à base de trocas diretas entre famílias e aldeias, sem a intermediação de qualquer sistema comercial. Segundo Horsley, mesmo nas

cidades da Galileia não há nada que indique a existência de grandes armazéns ou mercados que se sustentassem pela atividade comercial (2000, p. 72). Ele escreve:

As evidências arqueológicas limitadas sugerem que as principais importações eram bens supérfluos para os abastados, como artigos requintados, encontrados principalmente em sítios urbanos não-judeus e em sítios governamentais asmoneu-herodianos no período do Segundo Templo recente. (Horsley, 2000, p. 71)

O historiador judeu Flávio Josefo, autor que atuou no final do primeiro século produzindo obras que são fontes comumente empregadas para o estudo da Palestina do primeiro século, escreveu sobre o mesmo tema, dizendo:

Nosso país não é marítimo; nem o comércio nem as relações que ele promove com os outros têm qualquer atração para nós. Nossas cidades são construídas no interior, longe do mar; e nós nos dedicamos ao cultivo da terra produtiva com que somos abençoados (Ap. 1.60)

Horsley, após negar a existência de qualquer coisa que possamos chamar de “economia de mercado” na Galileia do primeiro século, passa às relações econômicas que eram praticadas na região definindo-as como relações tributárias, em que o Império estabelece o domínio sobre as províncias pela força militar e implanta cidades administrativas que eram responsáveis pela manutenção do poder e pela tributação das zonas rurais. Como já vimos, uma das funções da aristocracia citadina era exercer pressão sobre a classe camponesa para que ela produzisse excedentes, que seriam tomados sob a forma de impostos, reunidos num depósito central e redistribuídos segundo os interesses da classe dirigente e do Império. Falando com mais detalhes, além do imposto que se devia pagar a Roma, haviam ainda taxas exigidas pela elite local em associação às exigências religiosas. Assim, ainda que nosso olhar sempre esteja voltado para os centros urbanos nesse trabalho de pesquisa, nossa ideia de Império Romano não pode se limitar a tais ambientes. Qualquer abordagem sobre a economia do período romano precisa considerar conjuntamente as cidades e as zonas rurais em seus respectivos papéis.

Para resumir o que foi dito e fechar essa seção, podemos dizer que a economia daquele Mundo Mediterrâneo em que o autor do Evangelho de Mateus viveu, e seus destinatários ideais teriam lido ou ouvido a sua história de Jesus, era um mundo amplamente controlado pelo Império através das classes dirigentes estabelecidas nos centros urbanos. Para a infelicidade da maioria camponesa, a minoria citadina não era independente, economicamente

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falando; a maior parte deles consumia, mas não produzia. Para comer e vestir, a parte forte formada por aquela aristocracia e exército dependia da produção alheia e não hesitava em usar a força para impor suas próprias leis. Não existia, portanto, a ampla troca de valores ou mercadorias entre aristocratas e camponeses; na maioria dos casos o que ocorria era a imposição da necessidade de pagamento de tributos. Isso não é uma economia baseada no mercado, como já afirmou Horsley, que prefere lhe dar o nome de “política tributária”. E a outra coisa que temos que ter em mente é que havia um grande fluxo de produtos que eram levados do campo às cidades, e das extremidades do Império até Roma, fazendo com que todos estivessem envolvidos nesse grande mecanismo econômico.

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